VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


domingo, 30 de maio de 2010

Worsleya rayneri (JDHooker) - Rabo-de-Galo ou Flor da Imperatriz -






Rabo-de-Galo ou Flor-da-Imperatriz.



Embora não seja uma orquídea, é sem dúvida uma bela e rara espécie. Apesar de ser ainda muito desconhecida e pouco comentada pela mídia, vale saber da sua existência, se não preservamos as poucas que sobraram na natureza, em questão de tempo, só serão vistas em cultivo. E mesmo em cultivo são raras, mantê-las em coleção costuma fracassar com o apodrecimento dos bulbos ou com a desitratação devido a calor.



Durante décadas foi comentada como uma raridadae de lendária beleza, depois recebeu a status de espécie à beira da extinção. Atualmente tornou-se mais conhecida e documentada visualmente, principalmente pela ação da internet e dos grupos sociais visando a sua preservação, utilizam a notória beleza da espécie para sensibilizar e cooptar simpatias. Aqui utilizamos a mesma estratégia, quem conhece preserva !


Soberba criatura.

Embora seja uma espécie brasileira, é muito pouco conhecida por aqui, a razão desse artigo é tentar fazê-la mais conhecida, mais comentada, então, talvez, propagada comercialmente e menos próxima da extinção por coletas clandestinas. Todas as plantas cultivadas criam condições de sobrevivência muito eficaz, quem sabe um dia possam até ser reintroduzidas na natureza.


Essa famosa e desejada espécie de Amaryllidaceae fluminense sempre foi rara, nunca houve fartura de fornecimento, ainda hoje há grande demanda por exemplares entre os colecionadores de plantas bulbosas. Medrava originalmente nos campos rupestres e encostas rochosas nas altitude de apenas 12 montanhas graníticas ( inselbergs ) da Região de Araras , próxima a Petrópolis-RJ, nos dias de hoje é abundande em apenas uma. Em porte, é a maior espécie dessa família, uma das mais belas e com uma vegetação de características altamente singulares.



Encontra-se fortemente ameaçada de extinção, seja pela intensiva coleta predatória, como também pelos sucessivos incêndios provocados pela mão do homem, estes arrasam com a vegetação nativa das altitudes dessa região. Está conservada em algumas poucas áreas de preservação, já a décadas encontra-se na lista oficial de plantas brasileiras ameaçadas de extinção.



O nome popular Rabo-de-Galo é muito pertinente e as fotos mostram bem.

Porte nobre e de indiscutível beleza.

É tradicionalmente designada de Flor-da-Imperatriz, também é chamada de Íris ou Amarílis Azul ou ainda de Rabo-de-Galo, este é o nome mais usado ultimamente e deriva do peculiar display das folhas. O nome científico mais conhecido, é o já supracitado neste artigo, já o botanicamente válido é Worsleya procera, é algo mais antigo, por isso prevaleceu - essa é a única espécie desse gênero. Utilizamos aqui a designação científica mais famosa por razões práticas de localização do artigo na internet.



No seu habitat natural, apresenta populações mais significativas a partir dos 1.000 m de altitude, divide espaço com uma flora também endêmica, interessante e variada: Prepusa conata, Benevidesia organensis, Tillandsia grazielae, Mandevilla pendula, Glaziophiton e Tillandsia reclinata.

O nome Rabo-de-Galo deriva da singular forma vegetativa que apresenta.


É também especialmente encontrada, sempre dentro da mesma área restrita já indicada, anteriormente, próxima à quedas d'água, onde repete-se o quadro de muita umidade e movimento de ar. O clima é o típico dessas altitudes nas gigantescas pedras graníticas do RJ , há muita insolação, movimentação constante de ar e neblina noturna diária interminente, e constante durante o passar dos dias chuvosos ou nublados. Podendo sofrer repentinas quedas de temperatura e até memo secas ocasionais, mas o calor nessas altitudes é inexistente.

O raso cambiossolo onde medra, é composto por uma mistura dos minerais resultantes do intemperismo da rocha matriz e acúmulo de material orgânico do próprio local. Comunicou-me um leitor amigo e colaborativo : "Conheço o habitat de algumas plantas citadas, e digo, pra contribuir, e por experiencia propria, a Worsleya só sobrevive em brita com uma concentração minima de materia organica, ela detesta ter raizes abafadas, precisa de intenso aeramento". Obrigado pela valiosa colaboração !!!!!!. Aceitando-se esta informanção, obviamente deduzimos que a obtenção de nutrientes é através da água que escorre, carreando material orgânico decomposto e sais minerais das rochas graníticas. Portanto uma adubação química, semelhante a classicamente fornecida às orquídeas, seria bastante recomendada. Como o habitat está sujeito às fortes alternância metereológicas, onde extremos de variáveis ambientais ocorrêm sem raridade, o ciclo de vida e morte dessa flora saxícola é acelerado, e acumula-se então alguma matéria vegetal em decomposição no ambiente.


Resumindo-se o quadro ambiental: vive na turfa rasa misturada a detritos variados, em cima de rocha granítica, sujeita a todas as intempéries, menos a altas temperaturas (sendo já crítico o patamar de 28°C no verão ) , o frio congelante prolongado também a danifica.















Floresce no fim do verão ou início do outono.

A planta é bulbosa, acumula nutrientes, energia e água; como tal, é de fácil transferência por propagação vegetativa, mas apenas em locais de clima compatível. Não há muito mistério para a sua propagação, esta pode ser por divisão de touceiras, estacas ( mudas ) de bulbos ou por sementeira. Floresce no verão. Nas fotos abaixo é possível ver o aspecto vegetativo ( a altura da planta varia de 70 cm a 1,5 m de altura ), a pré-floração, o método para a sua semeadura e o desenvolvimento dos seedlings ( plântulas derivadas de sementeira ).











Plantas comerciais com 2 anos de idade são oferecidas em vasos de cerâmica.




Cultivo caseiro e simplório, porém ecologicamente correto.



É muito apreciada em países, ou locais, de clima temperado, tal qual as orquídeas do genêro Sophronitis. Isso deve-se ao fato do verão por lá ser ameno , o inverno rigoroso é amenizado pela calefação das estufas ou do interior das casas. O calor excessivo ou a insolação sem circulação forte de ar úmido e fresco, desidrata-as em pouco tempo.




Novas Informações do Centro Nacional 
de Conservação de Flora:



A espécie é endêmica do Brasil, ocorrendo exclusivamente no Estado do Rio de Janeiro, na parte central da Serra dos Órgãos. Tem EOO de 283,45 km²; AOO de 36 km² e está sujeita a menos de 5 situações de ameaça, nos Campos de Altitude associados ao domínio fitogeográfico Mata Atlântica. W. rayneri é considerada um paleoendemismo das formações campestres de altitude, e uma das mais primitivas Amaryllidaceae americanas. Planta herbácea, rupícola ou saxícola, forma ilhas de vegetação sobre a rocha exposta ao sol, acima de 1000 m de altitude. Estimativas indicam a existência de 21 subpopulações de W. rayneri e uma redução populacional de cerca de 25% a cada cinco anos, atribuída principalmente a incêndios em sua área de ocorrência. A maioria dos incêndios na região se inicia devido à implementação de práticas inadequadas de manejo do solo. Em 2007, um único incêndio atingiu quatro subpopulações de W. rayneri, o que representa cerca de 19% de todos os remanescentes da espécie. Aproximadamente 70% das subpopulações naturais de W. rayneri estão sujeitas a algum processo de invasão biológica. A invasão por capim-gordura (Melinis minutiufolia) é uma ameaça significativa para esta espécie. Há indícios de pisoteio e evidências de que a espécie é palatável para herbívoros e de que o miolo do caule de W. rayneri é consumido por uma espécie de lagarta e por cabritos nas épocas mais secas. 




Conhecida por "rabo-de-galo" ou "imperatriz do Brasil", é muito utilizada como planta ornamental, uma vez que apresenta aparência inusitada diante das outras Amaryllidaceae e flores vistosas. É também considerada rara e, portanto, muito apreciada por colecionadores. Foram conduzidas ao longo dos últimos anos duas tentativas de cultivo da espécie no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sem sucesso. A planta é cultivada ilegalmente em sítios, fazendas e casas no alto da serra. No exterior, a espécie é cultivada e amplamente comercializada. O alto custo associado ao cultivo desta espécie tem influência direta na retirada de espécimes da natureza. Pesquisas realizadas com a espécie desde 1984 ampliaram de maneira significativa o conhecimento sobre a biologia e a ecologia deste taxon, entretanto, algumas lacunas ainda permanecem, principalmente a respeito dos aspectos reprodutivos, uma vez que até hoje se desconhece o polinizador desta planta. A espécie tem amostras de material depositadas em banco de DNA e possui Plano de Recuperação desenvolvido com base na melhor informação disponível (Moraes, 2009), porém, este não foi efetivamente colocado em curso. Apesar de ocorrer majoritariamente em Áreas de Proteção Permanente (APP) e dentro dos limites da Área de Proteção Ambiental da Região Serrana de Petrópolis (APA Petrópolis) e na Reserva Biológica Estadual de Araras (ReBio Araras), essas unidades não garantem a proteção da totalidade das subpopulações conhecidas de W. rayneri. Do modo como sua diversidade genética está distribuída, é necessário que todas as subpopulações se encontrem devidamente livres da incidência de ameaças. 



Conhecida popularmente como "imperatriz do Brasil" ou "rabo-de-galo", a espécie passou por diversas classificações taxonômicas, até ser finalmente estabelecida como gênero monotípico (Moraes, 2009). Merrow et al. (1999) em análises cladísticas para 48 gêneros de Amaryllidaceae, encontrou dificuldades em posicionar W. rayneri no clado americano da família, uma vez que suas características peculiares, como grande quantidade de mucilagem, bulbos aéreos, número de espatas igual a quatro, e ausência de paraperigônio sugeriam uma linhagem evolutiva independente dentro de Amaryllidaceae (Traub; Moldenke, 1949; Martinelli, 1984). Por esses motivos, W. rayneri é considerada um paleoendemismo das formações campestres de altitude do Estado do Rio de Janeiro, sendo considerada uma das mais primitivas Amaryllidaceae americanas, encontrando paralelo somente em espécies do gênero Griffinia (G. hyacinthina), com a qual compartilha maiores afinidades morfológicas (Strydom, 2005; Dutilh, 2005). O nome válido atualmente é Worsleya procera, entretanto, esta nomenclatura ainda não foi adotada pela Lista de Espécies da Flora do Brasil (Dutilh; Oliveira, 2012). Dutilh (com. pess.) argumenta que o W. procera seria um nome ilegítimo, e portanto o nome correto a ser utilizado de acordo com o atual Código Internacional de Nomenclatura Botânica seria W. gigantea, apesar de ainda não ter publicado seu posicionamento.

 

 Estimativas indicam que as 21 subpopulações de W. rayneri possuam cerca de 119.940 indivíduos, sendo a maior destas (Pedra do Boi Coroado) detentora de cerca de 17.560 indivíduos (Moraes, 2009). Moraes (2009) estima redução populacional de W. rayneri em cerca de 25% a cada 5 anos, atribuída principalmente a incêndios intensivos em sua área de ocorrência. W. rayneri apresenta maior variabilidade genética dentro das populações, quando comparada com populações isoladas em diferentes montanhas (Moraes, 2009). Além disso, os dados de Moraes (em prep.) indicam que as populações isoladas estão divergindo. A espécie apresenta Tempo de Geração estimado entre cinco e 10 anos (Moraes, com. pess.; Dutilh, com. pess.).
 
 
Planta herbácea, rupícola ou saxícola. Forma ilhas de vegetação sobre a rocha exposta ao sol, em ambiente xerofítico, juntamente com espécies das famílias Velloziaceae, Cyperaceae, Gentianaceae, Bromeliaceae, Poaceae, entre outras (Martinelli, 1984). Ocorre na testa de afloramentos rochosos situados sobre os Campos de Altitude (Martinelli, 1984; Moraes, 2009) associados ao domínio fitogeográfico Mata Atlântica (Martinelli, 1984; Moraes, 2009; Dutilh; Oliveira, 2012). O período de floração varia de Janeiro a Março, com pico em Fevereiro. Indivíduos em frutificação foram registrados entre Abril e Outubro (Moraes, 2009). W. rayneri aparentemente apresenta boa capacidade de regeneração, uma vez que apresenta grande quantidade de mucilagem e bulbo alongado, que auxiliam em sua perpetuação durante a incidência de incêndios ou durante períodos mais secos. Seu habito clonal também representa uma importante característica que influi em sua capacidade de recuperação, já que através do brotamento, novos indivíduos são gerados e rapidamente restabelecem o tamanho populacional após a incidência de algum fator que leve ao declínio populacional local (Moraes, 2009). Martinelli (1984) e Moraes (2009) não identificaram a presença de polinizadores para W. rayneri. Apesar de poucos estudos extensivos terem sido realizados neste sentido por estes autores, Moraes (2009) levanta a hipótese de que o polinizador destas plantas possa estar extinto. Entretanto, o mesmo autor indica a necessidade de estudos conclusivos para se afirmar com certeza este fato.


A espécie é endêmica do Brasil, ocorrendo exclusivamente no Estado do Rio de Janeiro (Dutilh; Oliveira, 2010). Representa um endemismo restrito a uma região específica na parte central da Serra dos Órgãos, Petrópolis, RJ (Martinelli, 1984; Moraes, 2009). Foi registrada a partir de 1000 m de altitude (Moraes, 2009). A Área de Ocupação (AOO)=18 Km² foi estimada com base no método adotado pelo CNCFlora (2012), e 6 Km² foi estimada com base no método adotado por Moraes et al. (submetido). A espécie é muito utilizada como planta ornamental, uma vez que apresenta aparência inusitada diante das outras Amaryllidaceae e vistosas flores. Aliada a isso, a espécie é endêmica restrita de uma pequena área da região serrana do município de Petrópolis, RJ, sendo considerada rara e portanto, muito apreciada por colecionadores. Foram conduzidas ao longo dos últimos anos duas tentativas de cultivo da espécie no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sem sucesso. Entretanto, a planta é cultivada em sítios, fazendas e casas no alto da serra, apesar de ser contra lei. No exterior, a espécie a espécie é cultivada e amplamente comercializada. O alto custo associado ao cultivo desta espécie (uma vez que os específicos requerimentos ecológicos devem ser simulados em laboratório para possibilitarem seu desenvolvimento) influencia diretamente na retirada de espécimes na natureza (Moraes, 2009; com. pess.).


Porte nobre: ares de rainha das plantas bulbosa.

No Estado do Paraná temos, em ambientação similar nas alturas da Serra do Mar , uma parente próxima da Flor da Imperatriz, é a Eithea blumenavia - foto abaixo, uma espécie igualmente pouco comum, porém bem menor em porte e menos vistosa. O gênero é também monoespecífico e a espécie é ainda mais desconhecida que a anteriormente aqui comentada.


  Eithea blumenavia 

Indo nessa linha e com mais alguns milhares de anos de evolução, esses
 amarylis ou açucenas tornar-se-ão tão charmosas quanto as orquídeas.

"A espécie ocorre nos Estados de Paraná, Santa Catarina e possivelmente no Estado de São Paulo. Possui AOO de 20 km². Segundo informação disponível, a espécie é rara, habita áreas de Floresta Ombrófila Densa do litoral, em subpopulações pequenas. A espécie é comercializada como ornamental. Seu habitat foi intensamente deteriorado e não há registro da espécie em unidades de conservação (SNUC). Estima-se que cerca de 50% da população desapareça nas próximas duas gerações, devido a coleta ilegal de indivíduos maduros. Por esses motivos, a espécie foi considerada "Em perigo" (EN) de extinção."

 


Cultivar plantas é ter parceria com Deus !



sábado, 29 de maio de 2010

Observação e Cultivo - 2ª Parte


continuação da 1ª Parte...





" Sentir é compreender, visto que o 
universo não tem idéias."

Fernando Pessoa

Miltonia flavescens foi extremamente 
abundante no norte e no oeste do Paraná.

Na natureza, em lugares mais quentes , sombrios e úmidos, as plantas mostram-se mais verde-escuro, nas altitudes mostram-se mais expostas ao sol, porque lá não há temperaturas altas e a ventilação constante e úmida refrigera o aquecimento da luz solar. Sophronitis, Bulbophyllum, micro-orquídeas e Cattleyas bifoliadas demostram receber umidade intermitente constante. Quando assim ocorre, este conforto ambiental destituído de épocas hostis, a seleção natural faz os pseudobulbos desaparecerem das espécies nativas de locais onde as secas, de fato, não são tão severas. Há nesses casos uma preferência seletiva por aumentar o crescimento , sem promover maiores acúmulos de reservas e água. Assim sendo, podemos dizer que a forma e as  folhas falam, nos mostram suas adaptações, e o desenho geral delas é significativo para que possamos entender os tratos culturais necessários.






A Cattleya intemedia das serras de SC  é favorecida pela umidade constante da neblina noturna, nesses locais a névoa é quase diária, as plantas hidratam-se durante a noite, e fortificam-se pela alta luminosidade e ventilação diurna. A espécie em questão necessita de luminosidade , mas não pode desidratar; medra apenas nas proximidades do litoral onde há tal umidade constante o ano todo, os pseudobulbos apresentam-se finos e não guardam acúmulos para serem gastos na época de estio.




Abaixo a Cattleya loddigesii repete quase a mesma ambientação,
mas no interior de SP, porém em matas um pouco mais secas.



A Cattleya nobilior da região dos cerrados brasileiros, mostrada abaixo, adaptou-se ao clima mais seco e de muita luz, sendo uma das poucas espécies tolerante ao calor forte, as secas severas e a insolação plena. Cultivada em ambiente usual para Cattleyas, cresce toda molenga e não floresce, seus híbridos também herdam essa tendência. Precisa de 4 meses secos para estimular a floração, geralmente não floresce em cultivo ao ar livre onde chove constantemente. O oposto das C. intermedia e lodiggesii ; como poderiam plantas tão diferentes vegetar lado a lado e no mesmo regime de regas?


Cattleya nobilior ou walkeriana - as fotos não nos permitem precisar o diagnóstico da espécie,
 mas pelo toque amarelo no labelo parece ser a primeira , mostrando-se acima em lindas
touceiras, apresenta uma demanda ambiental por tempo seco
 e estação úmida curta e intensa.

Oncidium enderianum nas serras fluminenses.

Acima dos 1.200 m de altitude a temperatura raramente passa de 22°C , a neblina noturna é praticamente diária , vive-se nas nuvens, há luz e umidade em abundância; calor de mais 25°C raramente ocorre. Sophronitis coccinea não sobrevive em locais com temperatura superior a esse patamar e sem uma forte ventilação úmida. O verão curitibano, por exemplo, com temperaturas de quase 30°C, é fatal para essa espécie. Curitiba é fria, mas tem verões quentinhos , nas alturas nunca faz calor.



Sophronitis coccinea cultivada arejadamente em tronco de limoeiro-cravo vivo em Curitiba.


No frio úmido de Curitiba, com sombra e ventilação no verão, é possível a aclimatação.


Orquídeas rupícolas vivem diretamente sobre as rochas, como alguns do Epidendruns e Bifrenarias , sofrem bastante com as oscilações climáticas. As folhas finas das Bifrenarias parecem ser úteis apenas nos períodos mais chuvosos e nublados, sendo logo descartadas nas estiagens severas. Pleurothallis e Bulbophyllum rúpicolas das serras mineiras, mais parecem crassuláceas de desertos africanos, tal como estas, sobrevivem do orvalho noturno e das reservas de água e nutrientes acumuladas em seus pseudobulbos e flolhas carnosas, durante os períodos chuvosos ou úmidos.

Abaixo o Epidendrum stamfordianum vegeta sob condições esporádicas de estiagens, seus pseudobulbos claramente mostram esta condição. Plantas saxícolas vivem em condições mais úmidas e mais orgânicas que as rupícolas, a matéria orgânica em decomposição absorve , acumula e fornece umidade e a vida não é tão árida . Cattleya bowringeana é ocasionalmente rupícola, Laelia lucasiana estabeleceu-se saxícola numa fenda cheia de detritos orgânicos, em meio ao lageado alto e enevoado. Laelia cinnabarina tem gramíneas protegendo as raízes. A magnífica touceira de Cattleya warneri capixaba se beneficia da água do barranco escorrendo pela pedra em dias de chuva, os nutrientes carreados pela água chegam assim até ela. Cattleya aurantiaca, com flores cor-de-abóbora, em saudável viver sobre as rochas da Guatemala, os musgos e líquens são prova da ocasional umidade no local. Maxillaria picta vegetando como rupícola da Serra do Mar no PR. Pseudolaelia rupícola capixaba formando um volumoso maciço no alto da serra e Laelias rupícolas nas rochas das serras de MG.







Sophronitis wittigiana vive nas altitudes do interior de MG, tanto em rochas como sobre Velosias, durante o dia a aridez e o vento refrigerante, à noite a neblina constante muda radicalmente o cenário diurno - devido a altitude a temperatura sempre fica abaixo dos 25°C.

Nas nuvens !


Abaixo um exemplar de Cattleya walkeriana, ou de C. dolosa, esta constitui-se em seu híbrído natural com a C. loddigesii. A bela planta assiste de camarote o dia se desenrolar no interior de MG, a noite deve haver neblina ou orvalho e a água escorrer pelas pedras, durante o dia a ventilação impede o sol de queimá-la. Tirada daí e posta no sol direto sem ventilação, queima as folhas por completo e em poucos dias estará morta e seca, no vaso úmido na sombra apodrecerá. Um bom sistema radicular confere uma eficiente captação da água e nutrientes escorridos pela água da chuva no barranco. Uma foto muito boa para se entender como uma orquídea consegue se estabelecer no ambiente natural, e como é complicado mantê-las em vasos. Não se pode tratar todas do mesmo modo, sob pena de selecionar apenas aquelas que resistem aos nossos erros!




C. walkeriana epífita.


Dendrobium agregatum

Dendrobium anosmum

Dendrobium kingianum é rupícola e facilmente
cultivado ao ar livre em locais serranos.


Habitat de Schomburgkias ou Myrmecophila
as espécies gostam dos grandes calores .


Abaixo o terrestre e gigante Grammathophyllum speciosum asiático, amparado pela segurança hídrica das reservas do solo, espalha-se ao sol, hostentando vigorosa floração. Plantas terrestres são muito mais fáceis de se cultivar, seu sistema radicular é mais funcional, fazendo com que o crescimento seja muito mais rápido.


A Cattleya guttata, normalmente epífita, surpreendentemente apresenta-se na restinga como terrestre, nesse ambiente há um solo arenoso, aerado e rico em matéria orgânica em decomposição. Nasce na sombra e protegida, cresce e sobrevive então ao inclemente sol de verão na restinga porque o constante vento úmido do oceano refrigera suas folhas, permitindo-lhe assim, a estar ao mesmo tempo fria e ao sol. Retirada desta situação ambiental singular, não mantém o vigor observado na natureza


Esta espécie forma touceiras grandes, com pseudobulbos de até 1,5 m,  encimado por folhas grandes e robustas. Cactus são normalmente encontrados como vizinhos, alternam-se secas e longos períodos nublados e chuvosos; o vento nunca cessa e a noite ainda deposita maresia salina no ambiente. Retirada desse ambiente singular, super ventilado e úmido , acaba por queimar sua folhagem se exposta a mesma luz. Se colocada na sombra, seus pseudobulbos perdem tamanho e vigor, sua floração mingua. Deixa de ser a "guttatona da praia" e vira uma guttatinha bem mais modesta.


Acima touceiras de C. guttatas expostas ao sol pleno sob ventilação 
fria e úmida constante, nas proximidades do mar.

Abaixo vemos os saxícolas Cyrtopodium e Pholidota, vegetando 
junto ao material orgânico acumulado no barranco, onde 
nunca se acumula umidade excessiva.


O cultivo intensivo, com populações adensadas e várias espécies simultaneamente no mesmo ambiente, requer riqueza de soluções para resolver as demandas individuais . Vemos aqui um bom exemplo, Oncidium divaricatum medrando suspenso num quadro telado contendo xaxim. Embaixo no vaso seria úmido demais, suas raízes morreriam , no toco de madeira seria árido demais para suas raízes finas e ele desidrataria logo, no quadro telado feito especialmente para ele deu-se muito bem . As necessidades das diferentes espécies são realmente muito variadas , observa-se nas fotos seguintes como é preciso ser criativo para ter uma coleção de orquídeas mais abrangente. Ter muitas possibilidades de plantio e ambientação, significa ter sucesso nesse difícil gerenciamento de um acervo natural.

Oncidium divaricatum


Rodriguezia venusta bem arejada no jardim.


Brassavola perrinii.

Oncidium bifolium exibe raízes abundantes e saudáveis no tronco seco da palmeira
a água passa por ali e em seguida deixa seco o substrato natural.

Epidendrum ciliare.


Abaixo uma bela planta de Catasetum, terá de ser colocada em lugar quente e arejado!
 Na sombra junto com as cattleyas mingua, precisa de mais luz e calor no verão e de seca no inverno.



Embaixo temos uma estupenda coleção de C. mossiae coeruleas, cultivadas em Caracas com muito sucesso, provando que onde não se vê vasos enxerga-se sempre mais raízes e flores. Entendido o processo particular de sobrevivência dessas plantas, vamos acertando a forma correta de cultivo e percebendo as limitações do ambiente que possuímos, é sempre muito mais fácil cultivá-las em ambientes próximos de seus habitat. Orquidários comerciais estão quase sempre muito estrategicamente localizados , ou então muito bem aparelhados e constituídos para melhor abrigar o plantel . Vencidas essas dificuldades iniciais, observa-se, com o passar do tempo, um quadro de estabilidade.

Cadê os vasos ? Sem vasos é mais fácil ter boas raízes, as plantas comerciais são normalmente cultivadas e vendidas em vasos por comodidade de transporte e manutenção no antes e pós venda, além de virem de ambientes controlados onde nunca há excesso de umidade. As plantas acima estão arrumadas na grade apenas para a bela foto, com certeza não são cultivadas nesse local seco e claro demais. Orquídeas não nascem no deserto e nem na escuridão úmida, nascem onde se alternam períodos úmidos e secos, onde escorre a água com nutrientes.



Catasetum atratum
 Cyrtopodium palmifrons - suporta sol pleno, é

orquídea brasileira que parece uma palmeira epífita.

Cycnoches pentadactylon 
 prefere mais a sombra seca.


Pholidota articulata

Encyclia - Epidendrum ssp - MG


A elegância e a delicadeza da inserção das orquídeas nos seus hospedeiros é sempre perceptível quando as vemos na natureza, e nem sempre é possível reproduzir as mesmas condições. Nem precisam estar floridas para nos comunicar a força da sua integração com as boas condições do meio ambiente.






O inteligente estratagema de suspender sobre determinadas plantas porções de adubos orgânicos, parece funcionar muito bem, equaciona e demonstra com muita  propriedade e exatidão o modo de subsistência das orquídeas silvestres. Uma boa iluminação e ventilação, além de variedade no uso de vasos, cestas e pedaços de madeira, acabam por repetir as condições naturais já vistas aqui em árvores, barrancos e lajes. O adubo, quando molhado com água pura da rega, primeiro escorre, e depois pinga uma solução nutritiva resultante da sua lenta decomposição por sobre as plantas. Imita-se assim o processo natural de nutrição das orquídeas. Na árvore e na pedra, a planta vive do que a água lhe traz. O resultado dessa forma de cultivo é visível nas fotos !


Nas fotos vemos as bolsas escuras suspensas por sobre as plantas contendo adubo orgânico e químico misturados. Irriga-se e aduba-se ao mesmo tempo, água demais seria fatal, como o ambiente é controlado dá tudo certo. O local mostra-se estupendamente claro, o teto é de material opaco leitoso, também há bastante arejamento e onde não há nem excesso nem falta de água ! As plantas mostram-se secas, precisam secar, precisam secar...senão as raízes morrem ! As cestas abertas de madeira e as casacas de árvores mostram-se cheias de raízes saudáveis

Temperatura amena, ventilação constante, luz difusa farta e abrigo; somados à água de boa qualidade, finaliza o quadro necessário. Li e repito: uma orquídea não deve ficar mais do que quatro dias seca! Faça mais nebulizações com água da chuva ! Regue abundantemente apenas nos dias muito quentes !


As raízes grossas ao se umedecerem tornam-se bem verdes, mostram uma capacidade de rápida absorção de água de neblina. São raízes clorofiladas e apresentam capacidade fotossintética, devem ser preferencialmente plantadas em madeira dura ( cascas, sarrafos, troncos ou e caixinhas do mesmo material ). Nesses casos o sistema radicular é quase tão importante como as folhas e peseudobulbos, manter raízes estabelecidas e em grande quantidade é sinal de sucesso no estabelecimento ambiental de uma orquídea.



Laelias anceps e rubescens, mais a Cattleya trianei alba adaptam-se muito bem ao cultivo, quando livres de vasos e com suas raízes expostas, quanto mais raízes uma planta possue, maior será o seu vigor geral, esse parâmetro quantitativo radicular é muito seguro para avaliar o grau de sucesso de uma proposta de cultivo. Há livros mandando cortar todas as raízes ao se replantar uma orquídea ( !!!!! ) ; livre-se do substrato velho e decaído sim - mas conserve todas as raízes funcionais que a planta tiver. Só corte tudo se a planta for uma touceira fortíssima , com reservas de sobra, para então poder criar novas raízes em profusão num outro lugar ou substrato, sem se desgastar nesse processo. Mesmo assim, cortar todo o sistema radicular é uma barbaridade que só se justifica se ele , de fato, já estiver inoperante.



Laelia anceps é de fácil cultivo longe do calor e dos vasos.



Cattleya trianei alba em tronco.


Já as raízes, mais finas e menos evidentes, da elegante Maxillaria ubatubana, apreciam a umidade e a proteção inicial oferecida pelas fibras de xaxim, com tempo passam para a casca viva da árvore. Raízes podem indicar, pelo seu porte e disposição, o tipo substrato mais indicados para uma espécie, pseudobulbos e folhas claramente indicam a aclimatação original necessária.

Maxillaria ubatubana

Observar é preciso, não fique fazendo bobagens , observe a planta bem, só depois plante-a e escolha um local aparentemente adequado. Raciocine assim: essa precisa mais de luz que aquela, essa necessita de mais umidade, aquela vai torrar nesse sol, essa está muito na sombra...etc.



Laelia rubescens tem mesmo cultivo que L. anceps.

Mas se você é um brasileiro que nunca desiste de fazer o que quer, aprenda a cultivá-las matando-as, de uma forma ou de outra se chega ao ponto do consenso, ou à desistência pelo fracasso continuado.





Acima esta retratado o meu cultivo em apartamento, em Curitiba, tudo que aqui foi dito, está tecnicamente aplicado no meu muro porta-orquídeas, veja o artigo completo e sua continuação clicando nos links abaixo.


Cultivar orquídeas é uma ótima distração, o retorno é compensador,
 escaparam do extermínio completo seduzindo o carrasco!




OBSERVAÇÂO E CULTIVO - PARTE I