VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


sábado, 4 de dezembro de 2010

Laelias no Muro Porta-Orquídeas

.



Click e também acesse as postagens afins sobre:

L. tenebrosa  -  L. lobata  -  L. purpurata  -   

L. pulcherrima  e a  C. gaskelliana

 

talvez também sejam interessantes:





"Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo."

Manoel de Barros


Vamos conduzir este rápido mergulho no universo de algumas das maiores espécies brasileiras do antigo gênero Laelia, na forma de um resumo bem disposto e ilustrado. A cena das espécies desse gênero florescendo juntas no início de DEZ já é clássica, são todas meio primas entre si.


"Tudo o que eu faço
alguém em mim que eu desprezo
sempre acha o máximo."

Paulo Leminski


Conjugamos as informações da melhor forma possível, tendo sempre como objetivo dar uma idéia básica e instrutiva das condições naturais requeridas para cada espécie, além da amplitude morfológica das variedades e do potencial de hibridizações das menos conhecidas.

Vejam as postagens desmembradas conforme o aviso acima !


L. purpurata  e suas variedades são de facil cultivo em todo
Sul do Brasil, encantadora e viável, até para iniciantes.


Ao fim esperamos apenas que outras pessoas, em especial os mais jovens, entusiasmem-se e com isto venham, paulatinamente, a substituir as gerações mais velhas na função de manter essas jóias da natureza longe da extinção. Vistas serão amadas, se amadas serão mantidas, reproduzidas e preservadas num ciclo comercial; poupando assim os exemplares da natureza !




Esta postagem é uma natural continuação de uma outra postagem anterior - Muro Porta-Orquídeas de Curitiba. Esta nova leva de flores, fotos e fatos é correlacionada à primavera de 2010; mostramos aqui os resultados do primeiro ano dessa experiência do cultivo em apartamento.

Cliquem nas fotos e as vejam maiores !


Laelias purpuratas
variedades - de cima para baixo : semi-alba marginata, ardósia (3 fotos ), anelata , canhanduba , roxo-violeta e cárnea. São exemplares de perceptível nobreza , cultivar orquídeas é realmente uma grande distração ! A colonização do muro continua, mais indivíduos capazes de adaptarem-se estão sendo adquiridos, novos experimentos estão em planejamento e a idéia de ter plantas livre de vasos, num ambiente rupícola-saxícola artificial, configura-se como possível e até vantajosa. Em mais dois anos certamente teremos uma população de plantas aclimatada e já contando com alguns indivíduos definitivamente estabelecidos !




Curitiba tem clima bastante compatível com as necessidades de Laelia purpurata, na época da floração são vistas muitas plantas magníficas pelos jardins das casas desta cidade. Cultivadas em xaxins vivos ao ar livre, ou em vasos protegidos da insolação total, demonstram ter capacidade de adaptação ao clima local. Os quase mil metros de altitude, o frio do inverno e alta umidade muito bem ventilada, agradam a quase todas as Laelias, inclusive às mexicanas.



Touceira de purpurata no bairro do Cabral em Curitiba.

Acima observamos um exemplar da variedade russelliana, com seu tom suave.

Às vezes cultivadas sob sol pleno, sem maiores proteções, as L. purpuratas dos quintais apresentam um aspecto rústico, exatamente como a magnífica touceira da sequência acima. Folhas e pseudobulbos ficam amarelados sob a luz plena e tornam-se muito mais curtos o em relação aos das plantas cultivadas na meia-sombra. A linda floração na foto demonstra que, mesmo sofrendo um pouco, as plantas dessa espécie gostam de muita luz, com o tempo adaptam-se, mostrando-se bem estabelecidas e possuidoras de grande sistema radicular.

Formam touceiras em Curitiba !

Plantas pequenas, recém-instaladas e não completamente adaptadas, queimam-se e até morrem se expostas à uma forte carga luminosa direta. A touceira acima esteve na sombra por muitos anos, formou-se nessa condição, depois o xaxim e suas grandes folhas sombreadoras foram morrendo e a transição para o sol pleno foi lenta e progressiva; por fim temos uma touceira de folhas rústicas na parte crescida já sob as condições atuais. Provavelmente pega apenas o sol da manhã e do meio-dia, o sol da tarde é sabidamente desaconselhável para as orquídeas, na natureza são muito mais encontradas onde incide o sol da manhã. A maior temperatura do dia costuma ocorrer entre as 13:30 - 15:30 hs, e a sombra é recomendável nesse período de stress, o sol da manhã vem junto com temperaturas mais amenas, por isso é mais eficaz o fornecimento de energia luminosa matutino.


Sobre as fotos acima cabe informar: as purpuratas só ficam na janela enquanto estão floridas, são normalmente cultivadas em sombreamento parcial nos fundos. Já a foto abaixo mostra um ambiente semi-sombreado e mais apropriado para plantas normais ou ainda jovens, de modo geral orquídeas não gostam de sol direto, exceto se permanentemente refrigeradas por ventos úmidos e constantes, circunstâncias mais comuns nas serras enevoadas ou nas proximidades do oceano.

Apenas um dia de exposição plena ao sol forte, pode aniquilar com uma orquídea acostumada à sombra, as queimaduras do sol são tristes de se ver e constituem-se num grande descaso cultural por parte do orquidófilo, caso pretenda ser sério e cuidadoso, porém acidentes acontecem. Devido a latitude desta região onde moro, a incidência da luz solar varia muito na inclinação e potência ao longo do ano. Somando-se à forte variação a normal ocorrência de muitos dias seguidos completamente nublados, os acidentes com queimaduras de plantas por luz solar são comuns por aqui. A altitude mitiga a temperatura , mas potencializa a incidência dos raios solares. Algumas Laelias compradas pelo correio do Orq. Binot ainda estavam dentro da caixa, porém já expostas ao ar dentro de casa, foram severamente queimadas numa tarde , não se imaginou a luz solar entrando pela janela, naquele ângulo de incidência e num primeiro dia de sol, após vários outros nublados, acidentes acontecem ! Os orquidófilos antigos diziam ser a claridade forte, ou seja a luz solar não direta, a iluminação perfeita para as orquídeas, e seria definida como aquela onde ainda se via com nitidez a sombra dos dedos da mão - boa dica !


A proteção contra o sol do meio dia no verão é uma condição a ser necessariamente promovida, plantas expostas ficam muito sofridas. Com exceções , a maioria das Laelias preferem a luz do sol incidente, porém filtrada, apenas a sombra clara para purpuratas e suas primas é pouco.

Sob o sombrite de 50 % as plantas não queimam-se, a claridade resultante é perfeita para o crescimento, na foto acima : sombrite de 50%- luz solar plena - sombra clara.


Como efeito colateral registramos melhoria na hidratação das plantas em função da menor ventilação derivada do fechamento com sombrite, neste terraço o vento é constante e às vezes forte demais; após o mês de março o sombrite de 50% é parcialmente recolhido, ficando o plantel exposto à uma ótima claridade e sem qualquer incidência de sol direto; no inverno das geadas, é de novo utilizado mas para então proteger do frio e do mortífero vento frio e seco. Lugares ventosos demais necessitam de proteção para proporcionar bom cultivo. Na cobertura do prédio vizinho ao meu, perto do 15° andar, seria impossível obter os mesmos resultados que mostrados nas fotos, o vento, as tempestades e a insolação total iriam destruir os abrigos , desidratar as plantas e até mesmo arrancá-las do muro durante as grandes ventanias. Mesa e cadeiras já foram arremessadas pelo vento contras as plantas do muro durante fortes tempestades, agora tenho placas de granito sobre a mesa para mantê-la no lugar. Abaixo o terraço exposto ao sol do meio-dia em NOV e na sombra clara no meio da tarde de um dia nublado - a luz deve ser farta porém não direta.



Sob o sol do meio-dia a luz é eficientemente filtrada pelo sombrite e mesmo sem a incidência direta a claridade continua alta. Sem a luz adequada as Laelias não florescem bem ! Nenhuma delas gosta de calor excessivo continuado, se cultivada em estufa deve receber bo ventilação.


Abaixo o muro das Laelias mostra, aos poucos, a sua perfeita capacidade de suporte de uma colônia considerável dessas espécies que apreciam o ar livre; todas juntas formam um belo conjunto.



Texto do botânico Francisco Miranda reporta a situação das Laelias brasileiras no início da década de 90. Muitas das espécies só sobreviverão em cultivo!

"Vegetativamente as espécies da Laelia pertencentes a seção Cattleyodes formam um grupo bastante homogêneo, exclusivamente brasileiro, distribuindo-se da Bahia ao Rio Grande do Sul. A seção Catlleyodes inclui 9 espécies: Laelia virens (rara), L. xanthina (em perigo), L. fidelensis (pouco conhecida), L. perrinii (em perigo), L. tenebrosa (em perigo), L. grandis (em perigo), L. crispa (fora de perigo), L. lobata (em perigo) e L. purpurata (fora de perigo). Quase todas elas apresentam preferências ecológicas definidas, sendo que Laelia lobata, mostra ocorrência extremamente restrita no município do Rio de Janeiro e arredores. Todas as espécies foram estudadas na natureza e em cultivo, exceto Laelia tenebrosa, não encontrada em estado natural; talvez se trate de espécie já extinta.
" - extraído do resumo da Tese de Mestrado do pesquisador Francisco Miranda - UFRRJ em 1990, mostrando o estado de conservação natural das espécies de Laelias da seção Cattleyodes.


Estamos experimentando a adaptabilidade de Laelia lundii, fotos abaixo. Trata-se de uma pequena espécie rústica, encontrada em ambientes mais secos do interior de SP e MG, apresenta pequenas flores em profusão, parecem miniaturas da L. crispa, bonitinha mesmo.


Acreditamos que será capaz de prosperar por aqui, em especial no muro ventoso , ocupando os espaços entre as grandes Laelias. Também adquirimos um exemplar do híbrido natural entre a C. loddigessi e a L. lundii, chamado de Lc. fredna , esse híbrido poderá ser de utilidade e vitalidade ainda maiores nesse ambiente artificial exposto ao tempo.

Nas fotos acima, a L. lundii pioneira está estabilizada ainda num grande nó- de- pinho e a Lc. fredna - em flor - ainda no vaso e bem ao lado, reparem na diferença de tamanho entre mãe e filha. Estamos formando duas outras colônias, uma de Dendrobium kingianum e outra de Eria globifera, com exatamente a mesma finalidade paisagística e ambiental. Tomará que dê certo!



O Jardim de Inverno






Jardim de Inverno coberto para abrigar as plantas mais sensíveis à ventilação forte. Reparem a utilização de vasos transparentes com brita e pedaços graúdos de espuma mantendo a umidade embaixo do substrato pétreo.






Maxillaria ochroleuca, outra bela espécie do litoral paranaense.

Maxillaria ochroleuca.



Huntleya meleagris.


Promenaea xanthina x P. stapellioides.


A popular Olhos-de-Tigre ou Bifrenaria tetragona.






Gongoras bufonias oriundas do litoral paranaense lançam seus cachos pendentes de flores estranhamente perfumadas ma porta da minha cozinha, as flores me lembram os marimbondos. Formam lindas touceiras, adoram calor , água e queda de temperatura noturna. Vão muito bem em estufas aqui em Curitiba, colocadas no lugar mais quente e sombrio, com muita adubação rica em fósforo, prosperam logo se bem tratadas; sob luz direta muito forte queimam-se as folhas.

Magnífico espécime oriundo de Morretes,
 no litoral paranaense.


 Chelonisteles sulphurea - muito simpática.

Adquiri uma orquídea semi-terrestre que parece de fácil cultura, apresenta flores pequenas  e aspecto geral muito simpático. Chamada de Coelogyne, de fato é aparentada, todavia as flores não saem da base do pseudobulbo, são apicais e surgem quando a folha ainda está enrolada e se formando. Trata se de Chelonisteles sulphurea, como todas as plantas deste grupo é de crescimento vigoroso e fácil.

 Vale a pena registrar o raro e praticamente extinto Pleurothallis kautskyi,
 linda planta capixaba, talvez a mais imponente do gênero.

Acima uma Laelia jongheana, espécie bem rara na natureza e também difícil de se obter em cultivo, as sementeiras não crescem como em outras espécies e são de desenvolvimento diferenciado e dificultoso. O exemplar está se estabelecendo num grande e centenário nó-de-pinho, o clima aqui é compatível com essa espécie, o substrato parece ter agradado e então esperamos que prospere logo e vire touceira. O nó-de-pinho é miraculoso, um excelente substrato para as laelias em geral, recomendo o seu uso para plantas valiosas ou raras, dura para sempre e promove enraízamento rápido e vigoroso, até as micro-orquídeas gostam. Use caibros de madeira de boa qualidade, com eles obtêm-se o mesmo efeito, só são mais expensivos, aqui no Sul o nó-de-pinho ainda é adquirido nas casas que vendem lenha.

3 comentários:

  1. Sergio Amoretyy Porto Alegre RS11 de janeiro de 2011 09:24

    Fantástico teu trabalho .
    Parabéns , 10 em 10 é a nota que mereces.
    Pelo teus trabalhos não pareces ter a deprê da Clarice.
    Sergio Amoretyy Porto Alegre RS

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pelo blog, me sinto como se estivesse lendo um livro. Toda vez que tenho alguma dúvida de cultivo de orquídeas me recorro a este site, está entre os meus favoritos. Bom gosto, harmonia.

    ResponderExcluir