VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente clama;
cônscio, penso depois para justificar o que foi escrito"


t;>>&&&&&;>>>>>>>>>>>>>>>>>>"A vida e a morte são por demais implacáveis para serem puramente acidentais "


&&&t;>>gt;>>>>>>>
"Uma existência de espera, sem quaisquer expectativas, é a única vida religiosa que eu conheço."



>>>&&&>>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Tentei não fazer nada na vida que envergonhasse a criança que fui"


&&&;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& " Aqui ergo um faustoso monumento ao meu Tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quarta-feira, 18 de março de 2015

As Espécies de Cattleyas Brasileiras Confusas ou Parecidas - Parte IV




" São tão parecidas, diria até
 que formam uma dupla 
bem monótona."

" Eu gosto do estranho, do incomum. 
Gosto daquilo que confunde,
 que permite diferentes 
interpretações. "

" Peças muito semelhantes
 jamais completam um 
quebra-cabeças. "

"Buscar essências parecidas é um direito.
 Encontra-las é um prazer. "

"Coisas parecidas e elásticos são muito similares.
Não force além do limite suportável senão pode
 arrebentar, renda-se à natureza das coisas. "



A postagem que aqui se inicia é
evidentemente destinada ao 
leigo e ao iniciante
bem curioso.


Click para acessar Cattleyas
 Confusas ou Parecidas:

   






Confusão Comum A:

 labiata X warneri




Cattleya labiata é uma espécie antológica nas relações
 da Cultura Humana com as plantas cultivadas e
 as flores exóticas de ornamento e coleção.

Uma espécie clássica que demanda
certo rito de cerimônia no 
trato para com ela.


"Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos
 nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento,
 para mim só, vagos cantos que componho
 enquanto espero."

Fernando Pessoa 



 

Acima e abaixo animações mostrando o
contraste entre C. labiata e C. warneri.

Saberia o caro leitor
 distingui-las ?


As duas espécies primas, as Cattleyas labiata e warneri, são bem parecidas,
mas também facilmente distintas, até sem flor, tanto pela época de
florescimento, com pelas plantas vegetativas que são diferentes.
C. labiata tem flor com forma geral muito melhor, e mais
agradável aos olhos orquidófilos , do que a um
tanto desabada e "orelhuda" C. warneri,
esta última uma das maiores
flores deste gênero.

Este não é um 
caso complicado !

Os melhores exemplares em forma
 das duas espécies mostram
 flores parecidas.

Os indivíduos comuns são
de muito fácil
distinção.

As dessemelhanças entre as Cattleyas labiata e jenmanii
são muito  mais sutis para serem aqui bem configuradas.
Vamos evitar delongas, o caso está mais longamente
exposto numa outra postagem deste blog,
o link estará disposto  um pouco
mais abaixo.

Mostraremos só um pequeno
resumo das diferenças 
entre as Cattleyas
labiatóides



Cattleya labiata, de certo, é a mais icônica das espécies de orquídeas,
 considerada como um modelo equilibrado e harmônico da flor
  rara, muito bela e idealizada. Durante décadas foi conhecida
 apenas por um único lote despachado do Rio de Janeiro
 para a Europa do Séc: XIX. Depois mergulhou no
mistério de sua origem, conhecia-se a
espécie porém não se sabia de 
onde vinha a Cattleya que
atípica florescia no
outono.


Somente muitas décadas depois, seu
habitat foi localizado nas maiores
nas altitudes das serras do
Nordeste setentrional.


A espécie encarnava a flor perfeita, aquela que
exibia o exuberante, perfumado e belo labelo,
a mais espetacular de todas as flores, a
primeira Cattleya unifoliada enviada
para o deleite dos olhos da
nobreza europeia.


Chamaram-na de Cattleya labiata 
"autunnalis" ou então "vera".
A "verdadeira que tem o lábio"
aquela do "outono"

Um clássico !


C. warneri, deveria se escrever com dois "is", se o nome
original do homenageado termina em consoante,
 pelo que sei, o sufixo em latim declina em dois
"is" : kerrii, forbesii e warnerii, seja lá como
se escreva, é uma espécie labiatóide que
 habita florestas mais meridionais da
 BA-MG-RJ, e principalmente
 no Espírito Santo.





Veja mais informação sobre as 
Cattleyas labiata-warnerii-gaskelliana-jenmanii

CLICK AQUI






O grupo das  Cattleyas labiatóides conta com espécies
 aparentemente muito similares e cabe-nos apontar
 uma pronta diferenciação entre as quatro
 integrantes do grupo, sendo três delas
ocorrentes nas serras do Brasil; a
quarta espécie é venezuelana.









Planta padrão do gênero, com floração de
transição entre o fim do verão
 e o outono. Espata dupla ,
a interior é quase do
mesmo porte que
a externa.

Catlleya labiata: Espécie emblemática, nativa de serras mais altas e úmidas do Nordeste brasileiro ( AL - PE - CE ) em locais brejosos ou enovoados,  representa o melhor e mais equilibrado padrão estético dessa categoria de orquídeas de ornamento. Suas plantas são de mesmo porte vegetativo que as Cattleyas andinas, folhas longilíneas digamos que normais. Única espécie das Cattleyas clássicas  a florescer regularmente próximo ao outono, apresenta característica espata dupla, com a espata interior com metade do mesmo tamanho da exterior, muito variável em cor e forma, costuma apresentar a "mosca", uma mancha triangular grande e mais escura no labelo, mas não é regra. É facilmente distinta pela forma, perfume, época de floração e dupla espata.










Flores pequenas, colorido forte também
por fora do labelo, sem período
determinado de floração.


Cattleya jemmanii: Espécie localizada mais recentemente, em 1969, batizada como Cattleya guayana, por Dunsterville, seu redescobridor, só em 1971 perceberam ser a mesma espécie descrita por John Rolfe, como C. jenmanii, no início daquele século, em 1906. É uma espécie também brasileira, restrita à essa remota região da fronteira amazônica  entre o Brasil/Venezuela e Guiana, existindo no Monte Roraima,  vegeta dos 800 aos 1.200m de altitude. É muito parecida com a Cattleya labiata, como tem porte menor, parece uma "labiatinha", diferenciando-se tão somente, por não ter a espata dupla e por ter o roxo do labelo visível também pelo lado de fora deste apêndice floral ( como ocorre na Laelia purpurata var. atropurpurea) . Nem toda C. labiata  ou warnerii têm espata dupla, característica de distinção fraca portanto, a cor no labelo só seria significativa para segregação varietal, tamanho também é algo variável e sem muito valor diferencial. Então temos apenas a distância geográfica, o perfume mais adocicado, a floração mais dependendo da temperatura do que do fotoperíodo, e o constante menor porte, como sendo as características de separação entre jenmanii e labiata.







Flores grandes, de pétalas meio caídas,
 floração primaveril, folhas largas e
curtas; espata dupla, a interior é
muito menor do que
a externa.


Cattleya warneri: Considerada por muitos como uma mera variedade regional da C. labiata, medra principalmente nas partes mais altas do sul da Bahia e em serras do Espírito Santo, também e na fronteira deste estado com  Minas Gerais; no passado parece ter também existido na fronteira capixaba com o Rio de Janeiro. O afastamento geográfico entre as populações de labiata e warneri é de fato muito expressivo, a época de floração diferente também, mostrando adaptações ambientais divergentes. C. labiata floresce de janeiro para frente, tende ao fim de verão/outono, C. warneri mostra suas flores sempre no início da primavera. As plantas vegetativas são diferentes, C. warneri tem folhas mais curtas e largas, pseudobulbos mais baixos e atarracados , flores maiores e de armação menos rígida devido ao porte da flor, uma das maiores do gênero. A espata dupla em warneri tem configuração diferente do que se observa em labiata, mostra uma espata interna bem menor que a externa, cerca de 30% do tamanho.A armação geral de warneri é menos harmônica que em labiata, por estes detalhes todos  juntos, já de longe podemos distinguí-la sem muita dificuldade.









Flores de tons leitosos claros, amarelo forte no tubo, folhas e pseudobulbos
 curtos e quase do mesmo tamanho, floração livre, dependente apenas
  de períodos  mais quentes; touceiras grandes  e mais compactas,
 espatas simples  e pequenas, época de florescimento logo
 após o fim crescimento dos novos pseudobulbos,
 estes são como pequenos remos devido
 à forma e a proporção das folhas.


Cattleya gaskelliana: Espécie de origem exclusivamente venezuelana, de facílimo cultivo e também de floração livre, não dependendo de fotoperíodo, esta última característica é uma importante característica desta espécie. Por ter fisiologia diferenciada, C. gaskelliana não tem época de certa de floração, varia de lugar para e lugar, e também de ano para ano, porém em lugares de clima mais estável e bem marcado tende  a florescer sempre na mesma época. Portanto esta espécie não aguarda uma época de floração determinada pelo comprimento dos dias ostentando espata, ao ocorrer uma onda de calor mais intensa, a planta brota em várias frentes e já em seguida ao surgimento das folhas, floresce das pequenas espatas simples nos peseudobulbos novos, não apresenta a segunda espata interna. As flores  sempre apresentam tons róseos leitosos, são muito raras as flores rubras ou mais escuras, apresentam o tubo do labelo muito amarelo, bem mais que as outras espécies labiatóides, duram pouco e não apresentam consistência na textura dos segmentos florais, é neste ponto que perde para as primas. A planta vegetativa cresce muito fácil, forma touceiras de tendência radial, com pseudobulbos e folhas curtos bem juntos uns dos outros, em forma de remo, seu conjunto vegetativo é peculiar, de longe se pode reconhece a espécie, mesmo não estando florida. Reparem nas fotos acima como a planta de C. gaskelliana é característica, quando comparamos apenas fotos das flores, pode então se confundir com as de C. labiata.



A Cattleya gaskelliana poderá
ser melhor conhecida
no link abaixo:





Não vamos nos alongar mais
neste caso de confusão
entre labiata x warneri




Confusão Comum B:

 tenebrosa X grandis




Também neste outro par, as duas espécies, em suas formas típicas,
são até bem fáceis de serem distintas, mas como em 
quase todos os casos aqui comentados, há
exemplares intermediários que iludem
a nossa percepção e nos demonstram
transição entre as espécies.

Também se faz necessário relembrar que todas
 as antigas Laelias e Sophronitis, tão distintas
aos nossos olhos, foram lançadas na vala
 comum das Cattleyas. Logo as duas
espécies aqui ainda consideradas,
clássicas como Laelias, agora
são as Cattleyas tenebrosa
 e grandis.

Algumas pesquisas genéticas realizadas no
interior da Bahia nos demostraram
que S. cernua e L. crispa
são  apenas "travestis"
 de Cattleya.

O que vemos à luz, são
 tão somente e apenas
 decididas ilusões !


Aqui mantemos os nomes clássicos
para permitir que as buscas
na internet sejam
profícuas.

Laelia grandis.


Laelia tenebrosa.



Sempre que vamos começar a comentar sobre L. grandis, é preciso dizer a obviedade de sempre: a espécie não apresenta nem flores e nem porte vegetativo significativos, não conheço a razão do nome de batismo. Ocorria comumente no norte do Espírito Santo e no sul da Bahia, com  a destruição feroz das florestas dessa região, tornou-se restrita aos poucos bolsões de matas mais bem conservadas. Embora tenha sido muito mais abundante que L. tenebrosa, nunca foi encontrada em largas proporções como algumas espécies de Cattleyas bifoliadas surgem na natureza  Como todas as orquídeas algo mais vistosas, tende a desaparecer por completo da paisagem, exatamente como ocorreu com a L. tenebrosa, hoje praticamente extinta.




Esta espécie é a Laelia com espata, de distribuição geográfica mais tropical no país, medra em locais muito mais quentes e secos que outras espécies deste grupo, um traço biológico relamente raro no grupo das Laelias-Cattleyodes. Seu aspecto geral me lembra mais a L. crispa do que a L. tenebrosa, esta bem mais próxima da L. purpurata, apenas as flores mostram uma tendência de cores mais convergente. O tamanho e a qualidade técnica das flores são dissemelhantes, L. tenebrosa é mais vistosa e suas flores são muito mais impressivas. L. grandis apresenta flores pequenas e pálidas se comparada as enormes e coloridas tenebrosas, sua forma enrolada é tão ruim como a de L.crispa, não apresentando o impacto visual das outras espécies próximas dentro deste grupo Cattleyodes.

L. crispa  apresenta alguns aspectos biológicos e
morfológicos que me  lembram a L. grandis..



L. tenebrosa está amplamente descrita e comentada em uma
 postagem própria, não cabe aqui repetir o que já
 foi exposto anteriormente, então clique
no link abaixo se desejar saber
mais pontualmente sobre
esta espécie capixaba.

Laelia tenebrosa Rolfe 1863





Acima exemplares de L. grandis que
lembram L. tenebrosa.





 L. tenebrosa.

Para bem demonstrar a confusão entre as duas espécies, utilizamos
 o pedagógico contraste das fotos acima:  indivíduos singulares,
de flores maiores e mais coloridas de L. grandis com
estas últimas fotos acima, podem se  confundir
com exemplares de L. tenebrosa.

São de  fatoparecidos, mas
 também facilmente distintos !



No passado, quando da descrição de
L. tenebrosa, esta foi inicialmente
considerada como uma mera
variedade regional
 de L. grandis.

Como são muito diferentes também
 no habitat e na época de floração,
logo foram apartadas em
 espécies distintas.



Caso pouco complicado.







Confusão Comum C:

 walkeriana X nobilior






As duas espécies acima dispostas são parecidas, contudo, um diferencial bem
 objetivo entre elas é o número de folhas por pseudobulbo, C. walkeriana
é unifoliada e C. nobilior bifoliada. Porém as folhas caem em
épocas secas, e podemos encontrar Cattleya nobilor
 unifoliadas por perda de folhas, assim
como encontramos muitas plantas
 com vários pseudobulbos 
antigos desfolhados.



Outra pronta diferenciação está posta nos
 lóbulos laterais do labelo, C. walkeriana
apresenta a coluna exposta 
num labelo sem maiores
lóbulos laterais
 


Já a C. nobilior apresenta a coluna muito
mais oculta por largos lóbulos laterais,
formando um labelo mais "enrolado",
podemos dizer assim para fixar
a característica na mente
do observador leigo.


Outra diferença marcante reside na pequena mancha
 esbranquiçada no labelo de C. walkeriana,
 esta amplia-se e torna-se mais amarelada
 com veias púrpuras em C. nobilior,
 sendo esta  uma flor mais
vistosa e de melhor
forma técnica.



Mas como sempre acontece na natureza,
aparecem uma série de indivíduos
intermediários que confundem a
nossa  perfeita percepção.


As flores da C. nobilor acima, oriunda
 do Mato Grosso do Sul, mostram-se
intermediárias e confundem a
imediata determinação.


Talvez seja mesmo um
 retrocruzamento de
entre C. nobilior e
C. x mesquitae.

Como o caro leitor pode perceber,
 existe uma complexa relação
entre as espécies vivas, e
 estas podem ser parte
 de um todo muito
maior: chamamos
de superespécie.


Superespécie é definido como um grupo de pelo ou menos duas
espécies alopátricas, entenda como especiações regionais devido
às características do novo ambiente geográfico, 
morfologicamente semelhantes, mas 
distintas o suficiente para que não 
sejam consideradas como uma 
única espécie.
As superespécies formadas por apenas duas 
espécies muito próximas são chamadas
 de "pares de espécies ".




A Cattleya walkeriana:




Descrita por Gardner em 1843, seu nome
 é uma homenagem a um assistente, que
o acompanhava  na exploração
do sertão mineiro.




Uma espécie com planta vegetativa desarrumada, forma diferentes
frentes de crescimento, expandindo em fileiras rebeldes,
também por isto, apresenta flores abundantes
 e muito simpáticas. Os japoneses e os
paulistas a adoram, e muito fizeram 
pelo seu melhoramento
estético floral.





Clones como a famosa "Feiticeira" ajudaram muito
a aperfeiçoar a qualidade técnica das novas
hibridações, hoje as plantas da
natureza não se comparam
com as comercias.




Esta espécie medra em lugares altos nos sertões de cerrado do interior brasileiro, entre SP - MG  e GO, mostrando uma adaptação mais aprofundada aos períodos marcadamente secos por muitos meses, como é comum nas regiões tropicais de interior.. A planta vegetativa apresenta um aspecto xerófito bem peculiar, e já nos mostra sua natureza resistente. É citada historicamente como a espécie de Cattleya brasileira mais abundante na natureza e também a com maior área de dispersão geográfica Cultivada em climas úmidos, quentes ou pouco ventilados, ou em vasos qua nunca secam, apodrece facilmente, ou então jamais florescem, é difícil de cultivar com as mesmas condições de outras Cattleyas, as Laelias tenebrosa e purpurata, por exemplo,  requerem condições ambientais e de plantio muito diferentes de C. walkeriana, não podem ser cultivadas no mesmo sistema. Com C. nobilior é ainda mais aprofundada esta  discrepância, até a umidade do ar mais alta ou a temperatura mais baixa atrapalham de forma severa o desenvolvimento dessa espécie. Possuo, já há 6 anos, umas oito magnífica plantas do híbrido  C. nobilior x L purpurata, de início cresceram muito e se tornaram animadoras, porém nunca floresceram, e atualmente nem estão crescendo mais, perdi todos os híbridos que comprei de C. walkeriana, logo concluo que clima frio e úmido de Curitiba é completamente incompatível com estas espécies dos sertões brasileiros, incluindo seus híbridos.
 
 
 
Catlleya walkeriana epífita.

Deve, sempre que possível, ser tratada especialmente à parte em relação ao cultivo com outras espécies. Estabelecida em madeira resistente ou árvores vivas logo enraíza bem, até porque tem hábito reptante e logo sai fora dos vasos. Relatam que é, ou foi, a espécie brasileira de Cattleiya  mais adaptável ao próprio habitat, surgia na natureza fartamenete, tanto com rupícola, saxícola ou epífita.



Crescimento evidentemente reptante , pseudobulbos bem separados,
 por isso difícil de ser ajeitada em vasos , todavia resistente
 e muito recomendada para cultivo em árvores em locais
abertos e pouco úmidos, aprecia muito a neblina.

O labelo aberto, expondo a coluna e os  psudobulbos unifoliados logo determinam 
esta espécie, gosta de lugares arejados, com luz matinal e neblina noturna.
Floresce consoante o clima propício, mas é mais comum encontrá-la
 florida na passagem do Outono para o Inverno, contudo, é variável.


Aparecem como rupícolas onde há menos insolação,
são mantidas pela umidade e pelo movimento do ar,
 muito resistentes ostentam aspecto de crassuláceas,
sem  o período seco ocasional, logo fenecem,
difíceis de cultivar  em  locais  sempre
 muito úmidos, como Curitiba.
Apodrecem facilmente
em vasos.


Frequentemente a coluna exposta de C. walkeriana
mostra-se tão pigmentada como as flores,
formando um apelo colorido compacto
para a visão do inseto polinizador.
 
C. acklandiae também mostra esta
característica atípica, já em
C. nobilor é bem mais
ocasional.


A floração desta espécie ocorre normalmente após a maturação do pseudobulbo, aparecendo a haste floral do topo do pseudobulbo, protegida pela única folha que depois crescerá, não apresentado
 espata. Na variedade princeps, descrita por Barbosa Rodrigues, as flores surgem de um
 pseudobulbo especializado e  menor, sem folha e  bem mais esbelto que os normais,
esta última cepa morfológica, foto acima, ficou conhecida como
Cattleya walkeriana var. princeps.





A Cattleya nobilior:





Plantas claramente bifoliadas, as flores surgem de hastes ou pseudobulbos
diferenciados e  subdesenvolvidos, labelo fortemente  trilobado,
 coluna ocultada pelos lóbulos laterais, lóbulo frontal bem
 projetado  apresentando mancha amarelada conspícua
 com veias púrpuras. Plantas ainda mais rudes e
xerófitas  que em C. walkeriana, difíceis
de cultivar fora do ambiente natural.
Seus híbridos não florescem bem,
embora cresçam muito.

A fisiologia natural da espécie faz com que numa frente de crescimento
vegetativo, onde se desenvolva um especializado pseudobulbo
 floral, cesse a produção de novos pseudobulbos comuns,
ficando assim sem continuidade. vegetativa, ou como
 dizem os orquidófilos : "a frente fica cega". Nos
híbridos, esta típica característica de
surgirem pseudobulbos florais
não ocorre, o que faz com
 estes híbrido de C. nobilior 
não floresçam, ou mal
floresçam, ou ainda,
floresçam só uma
única vez.

Esta rústica espécie ocupa uma imensa área de distribuição
 no centro-oeste brasileiro, Bolívia e Paraguay. As flores
são atrativas, mas a espécie é sem expressão na
 Orquidofilia devido a grande dificuldade
 de cultivo, já a C. walkeriana
mostra-se oposta, sendo
mais colaborativa.

Nobilior significa
"nobre".
 






Cattleya nobilior tipo: originárias dos estados de MT - MS - GO - TO e sul do MA, estas plantas, de cor lilás-claro ao lilás-escuro, preferem estar sempre junto aos cursos de água perenes, portanto com alta umidade do ar para que possam se desenvolver. Contudo, são capazes de resistir aos longos meses de seca inclemente dos cerrados centrais do Brasil. Cultivadas em climas úmidos demais, costumam não florescer, apenas crescem. Vegetam normalmente sobre árvores frondosas que lhes proporcionam muita ventilação, o que por vezes ameniza o calor. Os exemplares acima são de ótima qualidade, mas a forma técnica  de um modo geral não costuma  ser boa. Florescem em Julho/Agosto.





Cattleya nobilior var. Amaliae : encontram-se em extensa faixa do norte do estado de GO, sul de TO e sudoeste da BA. Normalmente estão alojadas em árvores baixas, típicas do cerrado brasileiro. Diferem-se da forma típica por apresentarem cor rosa-claro leitosa com labelo amarelo-limão, intensamente entrecortado de veias lilás-escuro, além de uma forma técnica infinitamente melhor, aliás uma das melhores entre as Cattleyas bifoliadas. Florescem em Setembro/Outubro.










Abaixo o quadro da distribuição original dessa superespécie
que engloba as Cattleyas nobilior e walkeriana.
e suas interfaces de hibridação



A distribuição de C. walkeriana é preponderante mineira, transpassando
para as fronteiras de SP e GO. C. nobilior se distribui em duas 
populações nas áreas A e B, na área A existe a forma típica,
já na B a variedade Amaliae convive com o tipo. Nas
áreas limítrofes e de contato entre espécies
surgem as comunidades híbridas de
C. dolosa e C. x mesquitae.





A Cattleya dolosa :





Cattleya dolosa foi descrita  a partir de exemplares encontrados na natureza, contudo, seu caráter suspeitosamente híbrido já estava  exposto no epíteto que a batizou: dolosa = fraudulenta ou suspeita. Prontamente se percebe que a "espécie" é intermediária, e portanto provavelmente híbrida, entre a C. walkeriana e C. loddigesii, ou vice-versa, ou ainda evoluindo em complexidade em retrocruzamentos com as espécies progenitoras, ou simplesmente em cruzamentos já entre C. dolosas. Ocorria em pequenos núcleos populacionais, sabemos que  eram preferencialmente rupícolas. Não era raro encontrá-la  na zona de transição onde as duas espécies progenitoras ocorriam, não se configuravam como um híbrido ocasional, mas como uma cepa híbrida razoavelmente bem estabelecida, por isso foi singular e botanicamente  descrita como a "Cattleya suspeita".

Acima podemos observar a grande variação das C. dolosas oriundas de
sementeiras artificiais; tanto a planta vegetativa como as
flores, mostram-se muito varáveis em primeira 
geração do cruzamento, isto demonstra
que as naturais são  muito 
mais complexamente
 miscigenadas.


Recentemente observou-se que as semeaduras de "dolosas" feitas em orquidários comerciais, não mostravam-se exatamente semelhantes às C. dolosas naturais. Eram sempre diferentes , mostrando muita variação dentro das sementeiras e entre as sementeiras diferentes. O aspecto da planta vegetativa francamente mais próximo da C. walkeriana, não era tão observado nos híbrido artificiais. Este aspecto, derivado certamente de muitos retrocruzamentos entre os híbridos e a C. walkeriana, fez com que surgisse uma nova visão sobre a população natural; de espécie híbrida suspeita,  hoje já está sendo considerada como população híbrida em processo de especiação, portanto uma espécie reconhecível e independente. Caso semelhante às C. x silvana e C. x mesquitae, que foram descritas botanicamente da natureza já com o perfil híbrido bem evidente e delineado.






A Cattleya x mesquitae :





Cattleya x mesquitae, descrita por Lou Menezes como população híbrida entre C. walkeriana e C. nobilior,  trata-se de uma interessante população de interface híbrida já miscigenada e em evidente evolução dentro desta condição, e já devidamente reconhecida pela Botânica. Portanto mostra-se em vários estágios diferentes de intercruzamentos entre os híbridos, e retrocruzamentos destes com as espécies progenitoras, sendo então esperadamente variável. Contudo, apresenta características intermediárias singulares e reconhecíveis, e também geograficamente delimitadas, ou seja: na área fronteiriça entre as populações das duas espécies , ocorre preponderantemente apenas a população híbrida. Muito interessante, uma aula de como surgem algumas espécies na natureza.




Reparem, tanto acima como abaixo, a planta parece a primeira vista uma bifoliada
 C. nobilior, mas o labelo e a formatação geral da flor lembram a C. walkeriana,
 também os pseudobulbos, e o mais importante: vejam na flor mais clara acima,
a inflorescência parte do ápice de um pseudobulbo,
exatamente como em C. walkeriana.



Apresenta aspectos vegetativos intermediários entre as duas espécies aqui consideradas, e esse aspecto intermediário é prontamente perceptível. As flores também mostram-se intermediárias, porém, de modo resumido, apresentam frequentemente tanto a exposição de uma coluna colorida, como  a  mancha esbranquiçada do lóbulo projetado do labelo de C. walkeriana, sendo esta  aumentada a mesmo mesma dimensão da mancha amarelada de C. nobilior. Reparem na foto da touceira acima: a planta é reptante como C. walkeriana e tem duas folhas como C. nobilior, a flor lembra francamente a C. walkeriana, e a planta bifoliada é como a C. nobilior. Os pseudobulbos normalmente bifoliados são também curtos e mais suculentos , mesclando as características das espécies progenitoras.




O vigoroso aspecto vegetativo das touceiras de C.x mesquitae são
logo percebidos pelo olhar, as plantas portam flores mais
semelhantes à C. nobilior, já o aspecto vegetativo
lembra mais a C. walkeriana, como se
vê na foto abaixo, hábito mais
reptante e bulbos menores
e menos ressequidos,
mas bifoliados.



O reconhecimento dos caracteres gerais de C. x mesquitae não é muito complicado,
é preciso ter em mente que a variação faz parte das características desta
população  híbrida natural. Contudo, seus exemplares são
facilmente distintos das espécies progenitoras.