>VVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

;>>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%"Escrevo sem pensar tudo o que o meu inconsciente exala e clama;
penso depois para justificar o que foi escrito"


t;>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>"A vida e a morte são por demais implacáveis para serem puramente acidentais "


t;>>gt;>>>>>>>
"Uma existência de espera, sem quaisquer expectativas, é a única vida religiosa que eu conheço."



>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Tentei não fazer nada na vida que envergonhasse a criança que fui"


>>>>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

As Espécies de Cattleyas Brasileiras Confusas ou Parecidas - Parte I





"  A única verdade 
é que vivo.
Sinceramente,

 eu vivo.

Quem sou? 
Bem, isso já 
é demais...  "

Clarice Lispector



"Os fatos são 
como os sacos:
quando vazios não
 se têm de pé.

A culpa é 
dos fatos.

Somos todos 
prisioneiros
 dos fatos."

Luigi Pirandello





Estamos trabalhando...




INTRODUÇÃO À EVOLUÇÃO 
REPRODUTIVA NAS ORQUÍDEAS



Euglossini é uma tribo de  abelhas formada por cinco gêneros, que pertence à subfamília Apinae. As abelhas desta tribo são popularmente conhecidas como visitantes de flores de orquídeas. Encontram-se entre os grupos de abelhas mais importantes das Américas pelo seu trabalho polinizador de muitas das espécies nativas das florestas.Os Euglossini já são conhecidos como as “abelhas das orquídeas” pelo fato dos machos desta tribo apresentarem uma íntima relação as flores de um grande número de espécies de Orchidaceae, sendo polinizadores exclusivos de algumas espécies do grupo. Os machos visitam as flores de orquídeas para coletar compostos aromáticos, especialmente terpenos e sesquiterpenos que são secretados por regiões especializadas do labelo da flor. Ainda não se tem certeza sobre a função destes compostos, mas as hipóteses mais aceitas atribuem uma função sexual a tais substâncias após sua “metabolização” podendo atuar, por exemplo, no processo de acasalamento, como fator de reconhecimento específico e/ ou de seleção sexual.


Na adolescência, quando voltava da escola, andava alguns quarteirões, frequentemente reparava numas abelhas verde-metálicas, muito bonitas, zunindo suas asas paradas no ar como um colibri. A medida que eu me deslocava pela calçada, esses bichos estranhos e vistosos, também avançavam a minha frente, parando no ar até que eu me aproximasse mais um pouco. Quando passei a estudar orquídeas, descobri que este tipo de inseto, justamente pela capacidade de poder ficado parado no ar, configurava-se como sendo o principal polinizador das espécies de orquídeas brasileiras. A relação entre as orquídeas e estes insetos era muita estreita, profunda mesmo, percebi então que tratava-se um caso de amor existencial, um apaixonante serviço aéreo que o inseto poderia prestar à reprodução dessas plantas tão sofisticadas. Como apresentavam voo de helicóptero, e também de avião a jato, podiam se configurar num agente de transportador de pólen excepcional; eram abundantes na natureza e muito interessados em Cattleyas. Também me dei conta que a beleza intricada e exuberante  das flores dessas  plantas foi selecionada para atrair esse tipo de inseto metalizado, sempre tão ágil, cheio de energia e disposto. A estética fabulosamente elegante das orquídeas refletia tão somente o ótimo bom gosto e refinamento sensorial das abelhas Euglossas. Atraídas pelos odores, pelas cores, pelas recompensas de néctar, pelos estranhos apêndices florais onde poderiam pousar na posição corretíssima para ter o pólen das flores afixados em seu dorso ou cabeça, elas eram, em verdade, a razão de ser daquelas flores tão lindas e que tanto me fascinavam. As espécies de orquídeas haviam sido selecionadas na sua formatação pela necessidade de atração deste tipo de inseto, mostravam a estética agradável ao inseto, era um caso de paixão, digamos sexual, entre a planta e o inseto que a perpetuava, assim nascendo uma elegante beleza, sem igual no Reino Vegetal. Euglossas são orquidófilas e orquídeas são euglossófilas ! Fundamentalmente é sobre esse pilar que repousa o principal da evolução reprodutiva em Cattleyas, temos também a seleção natural para a evolução vegetativa e adaptação aos variados climas e habitat, mas se não há polinização, não há reprodução, e assim características vegetativas não são expandidas pela geografia de distribuição das espécies.

A símia ilusão de ótica é uma mera coincidência gerada pelo nosso olhar e 
humor, as flores visam objetivamente atrair o pouso do inseto ou o bico
 do colibri. Alguns insetos percebem especialmente e tão somente
 reflexões de luz emanada por cristais orgânicos, secretados e
 presentes nos  tecidos florais. Por vezes, a disposição, a 
área de pouso e os odores destes tecidos, são muito
 mais atrativo do que a forma, as cores e a 
elegância que tanto nos atraem
 nas plantas da família
 Orchidaceae.

Podemos afirmar que Euglossas
 e humanos compartilham o 
mesmo gosto estético
 e sensorial.

Ou então as orquídeas adquiriram
valores estéticos humanos
ao completo acaso.

Como a maioria delas apresentam flores 
belas ou interessante, além de variadas
 em formas singulares, torna-se 
difícil crer em  tantas
coincidências.



Muitas espécies de flores orquidáceas chegaram, através da seleção
 natural na atração dos insetos polinizadores, a se conformarem
 quase que exatamente similares às fêmeas destas mesmas
espécies de vespas/abelhas polinizadoras.Neste caso,
uma sexualidade inequivocamente já
muito bem explicitada.

"Lutar pela paixão é bom, mas 
alcançá-la sem luta é melhor."

Shakespeare


Assim se reproduzem as orquídeas:
entre o sabor do néctar, o sexo 
dos insetos, as drogas e
 sem rock-and-roll !


Uma paixão existencial  de caráter eminentemente alimentício ou sexual.
Há também flores de orquídeas que fornecem potentes entorpecentes
para que os insetos polinizadores, no porre e de barato,
 cumpram a necessária função de polinizar.



As espécies do gênero Coryanthes, conhecidas popularmente como
 orquídea "pia batismal", devido ao acúmulo  de líquido
 em suas flores de formato muito estranho e atraente
 ao olhar humano; melhor observada,
poderiam ser compreendidas e
chamadas com humor de
"boteco das abelhas".

Talvez cracolândia
das abelhas.

zzzzzzzz !


A flor secreta um líquido que enche a bacia logo abaixo, na parte da flor que
 parece um capacete, bem ao lado das glândulas secretoras, existe uma
fonte de um óleo essencial entorpercedor,  que deixa o inseto 
polinizador grogue, e este cai no depósito de 
líquido, passando a tentar escapar da
morte por afogamento.


 

Conseguindo sair da arapuca floral, pelo única possibilidade
existente, que é o dreno da bacia acumuladora da 
secreção aquosa, o inseto recebe então as
polínias, repetindo o mesmo ciclo em
outra flor ocorre então a
polinização e fruto.


As plantas deste gênero botânico são muito difíceis
de cultivar e geralmente são encontradas
vegetando sobre formigueiros em
grandes árvores amazônicas.

Estas flores são verdadeiras obras-de-artes de engenharia
de polinização, são derivadas da evolução natural
entre a orquídea e seu polinizador, não existe
 nada tão complexo e sofisticado
no Reino Vegetal.




Também nas flores do gênero Stanhopea existe um sistema
 de atordoamento químico do polinizador, porém menos 
complexo e sem o acúmulo de líquido.
Stanhopeas são de fácil cultivo e
muito comuns em coleções,
também são abundantes
nas matas brasileiras.







O que é uma espécie
 nova de orquídea ?



Assim é...se lhe parece !


A beleza que vemos nas flores das orquídeas
é uma coincidência muito feliz, o útil da
existência de formas tão especiais
é a atração de polinizadores,
talvez humanos e insetos
 tenham estéticas
similares.

Suas flores são basicamente
 aeroportos para
insetos !


Importante perceber que "espécie" é 
um conceito artificial, produto da
mente humana, muitas vezes 
bem fundamentado, mas
nem sempre crível ou
confiável, todavia
visualmente tem
de ser distinto.


Com ou sem dificuldade, mas sempre visualmente distinguíveis,
mesmo que exames de DNA de suas populações 
sejam diferentes, se acaso parecerem-se e
 se intercruzarem, serão sem dúvidas
da  mesma espécie ou
 superespécie.



Quando localizamos e coletamos na natureza um tipo de orquídea aparentemente desconhecido ou "novo", o "novo" não significa que esta "nova espécie" tenha surgindo recentemente, devemos interpretar como sendo uma população ou um indivíduo ignorado, ou ainda não localizado anteriormente, portanto, ainda não catalogado e descrito. Depois de ampla pesquisa nos arquivos e herbários, nacionais e internacionais, poderemos concluir que possivelmente essa "nova espécie", também deva ser desconhecida da Botânica, ou não, poderemos também localizar uma descrição que seja anterior, neste caso ela já está descrita e nomeada, sempre configura-se como válida a descrição mais antiga. Para ser conhecida botanicamente, a configurada nova espécie deverá ser descrita em detalhes, em latim, e também muito bem ilustrada nesta descrição, e obrigatoriamente  publicada numa revista científica botânica ou biológica conceituada;. assim se cria uma espécie botânica. Este arranjo para dar nome a uma população vivente é artificial, contempla e congrega  o pensamento humano sobre aquela descoberta, essa concepção pode mudar à medida que novos conhecimentos surjam, portanto o conceito de espécie é humano, e artificial por origem.

Gabinete antigo com muitas exsicatas,
um paraíso científico, cheio de
surpresas, um relicário
para os amantes
da Botânica.

O odor acre do passado, as matas espetaculares
que foram carbonizadas, as aventuras
antigas pelas regiões inóspitas
e desconhecidas, tudo
isto ainda mora
nas exsicatas.

A competitiva guerra pela sobrevivência
entre as espécies vegetais em terras
 brasileiras formou matas
de riqueza estupenda.

O que vemos nas serras e
baixadas é o resultado
de uma concorrência
sem fim, apenas
as vitoriosas
resistem.

Vida e morte feitas de
clorofila, chuva
e sais minerais.

Como é imensa a Flora do Brasil.
Nada se compara a ela !
Magnífica.

As exsicatas, exemplares vegetais prensados e secos em papel,
 são as bases da identificação e pesquisa botânicas, são
 provas irrefutáveis do que se coletou ou descreveu.
Sanam dúvidas sobre determinadas questões
e  incongruências  posteriores a
uma descrição botânica.

 Cattleya labiata

 Cattleya bicolor

  Cattleya forbesii

 Cattleya nobilior

 Cattleya mossiae

 Cattleya lueddemanniana

 Cattleya mossiae

 Cattleya trianei

 Cattleya warscewiczii
- antiga C. gigas.

Ressequidas no herbário, muitas espécies mostram-se difíceis de serem
 distinguidas, cores e perfume desaparecem rapidamente, somente o
 arcabouço celulósico conserva-se. Como o tamanho das flores
 pode ser muito dependente do estado ambiental, nutricional
 e vegetativo dos exemplares coletados, somente
 as formas e as proporções ajudam na
determinação comparativa com
outros espécimes.

É este o ponto da  classificação
 e da determinação botânicas: 
importam apenas algumas
 características menos
variáveis, as que são
muito variáveis,
são variáveis
demais !



Desenho esquemático original da descrição botânica
de Hoffmannsegella conceicionense como
espécie nova, detalhando em minúcias
suas características organográficas.
Poderia servir como tipo ou
mesmo como holótipo.

Em biologia, de um modo geral, o tipo é aquele exemplar seco em exsicata, ou desenho detalhado publicado, que define e demonstra um padrão específico, também faz a associação do nome da nova espécie a um padrão morfológico determinado e esperado  para aquela descrição botânica. Em orquidofilia costuma-se muito utilizar este termo técnico botânico ( tipo ) como sinonimo de "comum": é uma C. intermedia  Tipo; no sentido de ser um exemplar banal, esperável ou vulgar. Nem sempre o "tipo"  utilizado para a descrição botânica original mostrava ser um exemplar de forma mais comum, como ocorre com L. purpurata onde o tipo é quase semi-albo, diferente do padrão mais comum róseo. Todavia quase sempre há correspondência entre ser o "tipo" botânico nada mais que um indivíduo comum da espécie descrita, o que justifica plenamente o jargão orquidófilo: tipo = normal ou comum.


Acima o holótipo de Cattleya araguaiensis Pabst, este indivíduo
corporifica o exemplar escolhido para representar a esta 
espécie nova que foi descrita nos anos 60, o nome
científico criado está então associado  a este
exemplar ou excicata, no caso de  dúvida
a espécie descrita é esta que se 
apresenta como holótipo, ou
 tipo botânico principal.


 
Há variações naturais entre os indivíduos de Cattleya araguaiensis,
 cor e tamanho diferentes, assim  como pequenas alterações
de forma , mas não são significativas para a criação de 
uma nova espécie, podem sim servir para 
caracterizar subespécies , variedades,
raças ou formas especiais
desta mesma espécie.

Sempre no caso de serem mais frequentes
numa determinada região natural ou
numa população significativa
considerada especial.


Algumas espécies são de fato  muito próximas, como é o caso das Pseudolaelias
acima, separá-las em espécies ou em subespécie é questão de senso ou
opinião majoritária, fica sempre a questão que não há um exemplar
de orquídea exatamente igual ao outro. Até mesmo entre
florações do mesmo exemplar há pequenas diferenças
observáveis, o que sempre causa alguma estranheza.
Sem a comparação com o holótipo, sempre
 surgem incertezas e questionamentos
oriundos de observação, por
 muitas vezes, confusa.




Flores são os principais referenciais para a separação
de espécies por permanecerem apenas alguns
dias em contato com o meio ambiente,
sofrem pouquíssima seleção natural,
assim permanecem imutáveis por
mais gerações, denunciando
os parentescos corretos
entre as populações.

As flores podem não apresentam maiores sucessos
na atração de agentes polinizadores, e
desaparecem da população sem
deixar descendentes, não
provocando confusões
taxonômicas.

São os polinizadores, e não o ambiente em
 geral, os principais selecionadores da forma,
duração e disposição das flores abertas.

Como a reprodução é vital e preponderante
para a existência de indivíduos silvestres,
são as variações flores os aspectos
decisivos para que uma espécie
 nova seja consolidada.

Duas populações com aspectos vegetativos
 muito diferentes, porém apresentando
flores idênticas, sem dúvidas são
da mesma espécie.

Duas populações com aspectos vegetativos
muito similares, porém apresentando
flores diferentes, sem dúvida são
espécies diferentes.

Eis como pensar.


A parte vegetativa, sempre exposta ao ambiente,
varia muito mais. Estas variações são também
importantes quando morfologicamente
muito divergentes, mas geralmente
provocam mais confusão do
que separação técnica.


Mais acima vemos duas planta irmãs, porém
 com aspectos vegetativos dissemelhantes,
devidos principalmente à exposição
luminosa diferente.

O foco taxonômico principal são as
partes reprodutivas,
especialmente as
flores.
 
 
    O fato de um botânico ter publicado a descrição de uma espécie nova, não é absolutamente definitivo na aceitação da novidade científica proposta. Outros botânicos ou pessoas ligadas àquelas plantas por laços profissionais, afetivos ou comerciais, podem simplesmente não concordar ou desconsiderar aquela nova espécie ou novo nome proposto por àquele botânico, que poderá ser percebido como pouco sério, incompetente ou mesmo mal intencionado. Tanto que para não aceitar ou concordar, basta apenas passar a não citar e ignorar a nova espécie ou o novo nome proposto, e assim não endossar o trabalho botânico em seus compêndios ou transações comerciais. Se por outro lado aceitarem a nova proposta de classificação taxonômica como sendo lógica e/ou esclarecedora de dúvidas frequentes, devemos imediatamente passar a citá-la, absolutamente então aceitando-a e corroborando com a nova proposição botânica.


      Um Necessário e Breve
    Glossário Básico:




    Holótipo do nome de uma espécie, que pode ser espécie muito ou pouco variável em forma, é o exemplar especialmente escolhido pelo botânico, que deu nome e descrição à espécie, para bem representá-la. Conservado em excicata ( é um tipo especial), em instituição botânica séria, também pode  ser apenas um desenho ou ilustração que o autor designou ao apresentar ilustração no momento da descrição dessa espécie. Desejando claramente definir um padrão morfológico tanto em relação a outras espécies, como em comparação com outros exemplares que apresentem variação considerável em relação às características medianas da espécie que está sendo descrita). O holótipo, ou mais coloquialmente "o tipo", é totalmente referencial, pois fixa as características morfológicas que estão correlacionadas ao nome da espécie. Em caso de dúvidas, ou em comparações para separação de nova espécie ou variedade, o holótipo muitas vezes torna-se fundamental para a perfeita compreensão das diferenças botânicas conflitantes entre populações algo diferentes.

    Lectótipo é um espécime ou ilustração designado posteriormente à publicação original,
     quando o autor não designou o holótipo, e comprovado tratar-se de parte
     do material original utilizado pelo autor da publicação, mesmo 
    que por ele não tenha sido visto.

    Isótipo é sempre um espécime duplicado do material do holótipo.

    Síntipo é sempre um dos espécimes citados na descrição quando um 
    espécime em particular não foi designado como holótipo.

    Parátipo é um espécime citado na descrição desde que este não 
    seja o holótipo, um síntipo, um lectótipo ou um isótipo.

    Neótipo é um espécime ou ilustração selecionado para servir
     de tipo quando o holótipo encontra-se desaparecido.

    Epítipo é um espécime ou ilustração selecionado para servir de tipo 
    quando nenhum dos tipos designados anteriormente servir
     para identificar o nome da espécie, geralmente devido
     à ambiguidade do material.


    Localidade tipo é o local onde foi coletado
    o holótipo, fixando a população tipo.




     

    Espécies tipológicas

    Um grupo de organismos em que os indivíduos são membros da espécie se suficientemente em conformidade com certas propriedades fixas ou "direitos de passagem". Os clusters de variações ou fenótipos dentro dos espécimes (ou seja, caudas mais longas ou mais curtas) iria diferenciar as espécies.  No entanto, agora sabemos que diferentes fenótipos nem sempre constituem espécies diferentes (por exemplo: a Drosophila com quatro asas nascida de uma mãe com duas asas não é uma espécie diferente). Espécies nomeadas desta forma são chamadas de morfoespécies.

    Espécies biológicas

    O conceito biológico de espécies define as espécies em termos de intercruzamento. Este conceito foi fortemente apoiado pelos fundadores da moderna síntese. Mayr o define como: espécies são grupos de populações naturais realmente ou potencialmente intercruzantes que são reprodutivamente isoladas de outros grupos tais como este. Este conceito é muito usual em orquídeas é bom tê-lo em mente.

    Espécies evolutivas

    Uma única linhagem evolutiva de organismos em que genes podem ser compartilhados, e que mantém a sua integridade em relação a outras linhagens no tempo e espaço. Em algum ponto na evolução de um grupo, alguns membros podem divergir da população principal e evoluir para uma subespécie, um processo que pode levar à formação de uma nova espécie se o isolamento (geográfico ou ecológico) é mantido. Uma espécie que dá origem a outra espécie é uma espécie parafilética, ou paraespecie.

    Espécies filogenética (cladistícas)

    Um grupo de organismos que compartilham um ancestral; uma linhagem que mantém a sua integridade com respeito a outras linhagens através de tanto tempo quanto espaço. Em algum ponto no progresso de um grupo, os membros podem divergir um do outro: quando tal divergência torna-se suficientemente clara, as duas populações são consideradas espécies distintas. Isso é diferente de espécies evolutivas em que a espécie mãe se extingue taxonomicamente quando uma nova espécie evoluí, as populações mãe e filha se formando agora duas novas espécies. Uma espécie filogenético é um cluster (basal) irredutível de organismos que é diagnosticavelmente distinto a partir de outros tais clusters, e dentro do qual existe um padrão parental de ancestralidade e descendência.

    Espécies de genealogia

    Espécies são grupos de organismos "exclusivos", onde um grupo exclusivo é aquele cujos membros são todos mais estreitamente relacionados entre si do que para qualquer organismo fora do grupo. Ou seja, que as espécies devem ser definidas quando um consenso entre genealogias de genes múltiplos indica recíproca Os críticos argumentam que essa ideia tem muitos problemas em comum com outros conceitos de monofilia monofilia das espécies.

    Espécies de coesão

    População de indivíduos mais inclusiva que possuem o potencial para a coesão fenotípica através de mecanismos de coesão intrínsecas. Este conceito foi proposto por Alan R. Templeton e combina um número de conceitos de espécies competitivos. Funde ideias sobre os conceitos de espécies ecológicos, genealógicos e de reconhecimento Esta é uma expansão do conceito de espécies de reconhecimento de acasalandos por permitir mecanismos de isolamento pós acasalamento; não importa se as populações podem hibridizar com êxito, elas ainda são espécies de coesão distintas se a quantidade de hibridação é insuficiente para misturar completamente seus pools de genes respectivos.

      Espécies ecológicas

    As espécies são definidas por seus nichos ecológicos. Ou seja, um conjunto de organismos adaptados a um conjunto particular de recursos, chamado um nicho, no meio ambiente. De acordo com este conceito, as populações formam os clusters fenéticos discretos que reconhecemos como espécies porque os processos ecológicos e evolutivos que controlam como os recursos são divididos tendem a produzir esses clusters.


    Espécies de reconhecimento

    Uma espécie é a população mais abrangente de cada um dos organismos biparentais que compartilham um sistema de fertilização comum. Com base na partilha de sistemas reprodutivos, incluindo o comportamento de acasalamento. O conceito de Reconhecimento de espécies, foi introduzido por Hugh EH Paterson, depois de um trabalho anterior por Wilhelm Petersen. O evento crucial para a origem de uma nova espécie, de acordo com Paterson, é a evolução de um novo sistema de reconhecimento de acasalandos.

    Espécies fenéticas

    O conceito de espécie fenética aplica a classificação fenética à categoria das espécies. Ou seja, é uma classificação baseada em fenótipo no qual uma espécie é um conjunto de organismos que se assemelham um com o outro e que são distintos de outros conjuntos. Nem sempre a classificação fenética concorda com a filogenética. Por exemplo, no caso dos animais  vaca, peixe pulmonado e salmão, pela classificação fenética, os peixes estão mais próximos entre si, ao passo que na classificação filogenética, a vaca e o peixe pulmonado estão mais próximos entre si.


     
    Coleção de pássaros conservada em álcool e também peles secas,
    no Museu Nacional- UFRJ. Para uma determinação específica
     correta se faz necessário um processo comparativo com o
    material biológico original da classificação
    da espécie considerada, assim as
    dúvidas taxonômicas  são
    efetivamente sanadas.



    Um  bom exemplo de uma
     nova espécie polêmica
     e recém criada:




    Elefantes asiáticos e africanos são morfologicamente diferentes e
    facilmente reconhecíveis até por leigos, também estão muito
     separados na geografia, há consenso que trata-se de
    duas excelentes espécies, separadas já há muitos
    milhares de anos por cataclismas geológicos.



    A distribuição geográfica da espécie de elefante africana demonstra
     continuidade, quando o ambiente muda de planalto-savana
    para baixada-floresta, surge uma adptação, e ocorre
    a transição entre as duas subespécies que são
    já classicamente reconhecidas. Seus híbridos
    ou intermediários transicionais mostram
     que trata-se de uma superespécie e
    suas duas variações geográficas.

    Foi assim que se pensou
    até bem pouco tempo !

    Pesquisas recentes consideraram como sendo "nova espécie" uma distinta população africana de elefantes florestais, antes tida como sendo a subespécie anã Loxodonta africana cyclotis. Típicos da Bacia do Rio Congo, são muito menores no porte em relação ao padrão da espécie, porém o porte não é motivo para a separação de população morfologicamente semelhante. Durante décadas então esta população florestal foi considerada apenas como uma subespécie de terras baixas e florestadas, mas haviam algumas diferenças morfológicas na subespécie Loxdonda africana cyclotis. As diferenças entre o elefante-da-floresta ( L. africana cyclotis ) e o elefante-da-savana ( L. africana africana ) são: longa e estreita mandíbula (no elefante-da-savana é curta e larga), as orelhas são arredondadas (orelhas de um elefante-da-savana são mais pontiagudas), presas mais retas e mais para baixo, consideravelmente menores, e o tamanho e o número das unhas dos pés. O macho do elefante- da-floresta raramente ultrapassa os 2,5 metros de altura, enquanto o elefante-da-savana tem geralmente mais de 3 metros e, por vezes quase 4 metros de altura. No que diz respeito ao número de unhas: o elefante-da-savana tem normalmente quatro unhas dos pés na pata dianteira e 3 na pata traseira, já o elefante-da-floresta normalmente tem 5 unhas do pé na pata dianteira e 4 na pata traseira (como o elefante-asiático), mas os híbridos entre as duas espécies ocorrem.


    Pronto: está feita a cena da
    confusão taxonômica !

    E logo surge quem dela tente tirar
    alguma proveito e projeção científica .

    A meu ver são diferenças derivadas fundamentalmente
     de uma adaptação mínima ao habitat e à alimentação diferente.


    Estão num evidente e claro de processo de especiação,
    mas  ainda não estão totalmente distanciadas, há
    ainda um intercambio genético entre as
    duas populações, mostrando um
    desenvolvimento mútuo.

    Há híbridos e intermediários entre as duas
    populações de elefantes africanos !

    Suas áreas de distribuição apresentam 
    segmentos de continuidade !

    Se  vistas através de suas formas extremas,
    as três raças humanas parecerão três
    boas espécies; distintíssimas.

    Populações intermediárias mostrarão
    que são uma superespécie com
    três raças geneticamente
    interligadas e coexas .

    Com DNA variável.

    Claro!

    Creio que havia a intenção técnica de forçar
    a criação de uma nova espécie de um
     animal paquiderme tão famoso!

    A notícia iria correr o mundo, mas caso fosse uma
     nova espécie de pulga de paquiderme, o
    impacto do trabalho seria nenhum !

    Então, entendo que nada
     é por acaso !




    Por fim, resolveram fazer uns exames de DNA, e estes mostram-se
    diferenciais, mas sempre será diferencial, mais ou menos;
    assim como nas orquídeas, não há um elefante
    exatamente igual ao outro, exceto gêmeos.

    A diferença genética entre chimpanzés e
     humanos é de míseros porcentos.
    Ao vivo somos muito
     diferentes.


    Muitos aceitaram esta nova espécie, eu particularmente
    acredito que "forçaram muito a barra" para obter
    apenas um trabalho de grande repercussão.

    Loxodonta cyclotis foi originalmente descrita como uma mera subespécie, no início do
     Séc. XX; apresenta diferenças morfológicas em caracteres desimportantes
     e altamente variáveis, como orelhas e unhas, detalhes estes que
     no computo geral são muito pouco significativos.

    A meu ver são apenas subespécies
    de habitats diferentes !



    Se os mesmos critérios fossem aplicados
     às raças de cães, teríamos então
     dezenas de novas
    espécies !



    Somos duas espécies
     ou somos três?

    Certos naturalistas buscam  mais a fama do que a contribuição
     científica, são reconhecidos por dedicarem-se
    exclusiva e obsessivamente a espécies
    muito notórias, aliando assim
     seus nomes às mais notáveis
    criaturas da natureza.

    Puro ego !

    Sobre a especiação em pulgas de
    paquidermes não há qualquer
    interesse taxonômico maior.

    Nas espécies de Cattleyas, as mais lindas flores
    do planeta, também ocorre o mesmo processo
    descrito longamente acima, as opiniões
    fervem, progressivamente o status
    botânico destas lindas plantas
    tem se complicado ao
    ponto da insanidade.





    "Sentir é pensar sem ideias, e por
     isso sentir é compreender,
    visto que o Universo 
    não tem ideias." 

    Fernando Pessoa





    Cattleyas brasileiras algo 
    confusas ou parecidas:


































    guttata tigrina leopoldii guttatona guttatinha
    nobilior walkeriana  mesquitae
    labiata warnerii
    granulosa schoefeldiana tenuis
    loddigessi harrisoniana
    pumila praestans
    tenebrosa grandis
    bicolor brasiliensis