VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


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;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


terça-feira, 29 de março de 2011

Drimiopsis - A Campeã da Sombra e da Seca

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"De repente
me lembro do verde
da cor verde
a mais verde que existe
a cor mais alegre
a cor mais triste
o verde que vestes
o verde que vestiste
o dia em que te vi
o dia em que me viste"

Leminski



Foi na casa de um amigo, aqui em Curitiba, onde inicialmente reparei na elegância discreta dessa planta de interior. Lá havia uma vistosa touceira, bem verde escura, vegetava garbosa e visivelmente adaptada na sombra da sala da casa dele. Perguntei a origem e o nome da planta e ele me disse que a vizinha tinha uma grande quantidade dela, e havia lhe presenteado com uma parte do descarte de um dos vasos.

O nome comum ninguém sabia !


Olhei bem a planta e desconfiei logo, pela simplicidade e resistência, ser certamente de origem africana, as bulbosas brasileiras são raras em cultivo. Perguntei se já haviam visto a floração e descreveram-me umas hastes florais mais altas do que as folhas, molengas, cheia de insignificantes flores verdes bem pequenas nas pontas. Depois da floração a planta descansava e a folhagem verde escura perdia muito do viço, pelo quadro descritivo certamente seria uma Liliaceae.


Ainda insuperável como fonte de identificação
visual de plantas cultivadas !

Passei a reparar e mesmo no prédio onde trabalho e em outros ambientes internos fechados, havia grande frequência de exemplares dessa espécie, resistiam muito bem ao descuido e ao molhamento exclusivo com a água tratada da torneira! A água tratada saliniza progressivamente o vaso, deixando o substrato, e as vezes a própria superfície externa do vaso, totalmente esbranquiçados de sais químicos. Muitos pensam ser o cloro o componente danoso e acumulativo mas não é esse o agente salinizador, o cloro é um gás e rapidamente evapora-se, o sulfato de alumínio e o calcário são os verdadeiros culpados.


Devido a esse problema, muitas pessoas têm o salutar hábito de colocarem ocasionalmente seus vasos de plantas na chuva, para a água pura lavar esses sais do substrato, evitando o fenecimento progressivo das plantas.


O tempo passou e nada descobri sobre essa espécie tão comum e ao mesmo tempo tão misteriosa. Nesses casos de difícil identificação de plantas , quando não há nome ou qualquer outra referência técnica distintiva, só resta recorrer à tradicional e ainda insuperável Enciclopédia Exotica de Plantas Cultivadas, encontrada em boas bibliotecas.


Se neste super ilustrado compêndio não identificarmos, através de foto, a espécie procurada, ficaria então muito difícil determiná-la - não existe outra fonte de consulta melhor e mais facilmente acessível. Se lá não houvesse sucesso, a identificação dependeria então de sorte na obtenção de mais pistas e informações ! Na internet só poderíamos localizá-la sabendo-se algum dos nomes ou a família botânica, as tentativas ao acaso foram infrutíferas.

Já na biblioteca pública e com o volumoso exemplar da Exotica na mesa, revirei a seção da grande família Liliaceae de cima para baixo e não localizei nenhuma espécie identificável como sendo a da planta em questão. Mas percebi uma correlação visual bastante acentuada com as plantas do gênero Hosta - Liliaceae, muito cultivadas fora do Brasil.

Acima algumas espécies do verdadeiro gênero Hosta , são parecidas
 vegetativamente, mas apenas parentes bem distantes.

Todavia as flores das hostas dos livros eram bem maiores e coloridas, não combinando com a descrição do meu amigo sobre a floração da desconhecida. Por falta de outro nome melhor passei a chamá-la de "hosta", consegui algumas mudas e plantei-as num vaso disposto na minha sala. Depois de muito insistir, pesquisar e perguntar ao outros, sem qualquer nova informação, desisti de tentar achar a correta classificação e deixei a "hosta" para lá.

Plantadas na sombra assumem uma vegetação 
menos rude e muito vistosa, há quem
 passe óleo de cozinha nas folhas
para conferir brilho.

As plantas cresceram logo e floresceram tão deselegantemente que cortei todas as hastes florais, o visual era feio mesmo ! Chamavam a atenção positivamente apenas as muitas folhas verde escuras e a sua agradável disposição no vaso! Um ano depois eu já tinha um vaso lotado de folhas e bulbos, cresciam velozmente e parecia até que os bulbos tinham "comido" parte da terra do vaso !

O display das folhas sombreadas é muito elegante.

Havia mais bulbos do que terra, a espécie mostrava ser extremamente rústica e resistente. Sendo uma planta muito funcional, cumpre rapidamente a missão de trazer o verde para os locais pouco iluminados dos interiores das construções. Era mais uma opção para fazer companhias às jibóias, comigo-ninguém-pode e espadas-de-são jorge tão comuns dentro das residências brasileiras, essa era uma das mais resistentes entre as resistentes !

Ledebouria socialis , uma prima muito parecida, forneceu a pista
para a correta identificação, por isto a Botânica
baseia-se nas flores para caracterizar e
separar espécies, posto que as
folhas e outros aspectos
variam muito com
 o ambiente.

Anos depois, visitando uma loja de jardinagem , fui bisbilhotar na seção de suculentas, lá vi uma planta diferente e também desagradavelmente florida. Suas deprezíveis flores eram incrivelmente idênticas as da misteriosa "hosta" da minha sala ! Voltei à Exotica e mais uma vez folheando o livro achei a foto dessa segunda espécie: Ledebouria socialis - da família dos jacintos - Hyacinthaceae. Próxima dela estava uma foto de uma planta parecida com a minha "hosta" , só que a planta da foto do livro tinha poucas folhas e essas eram todas pintadas . Também o exemplar da minha sala apresentava ocasionalmente umas poucas manchas escuras no meio do verde forte.

  Ledebouria socialis tem flores quase idênticas.

Esse grupo de suculentas agora reconhecido como sendo da família Hyacinthacea, já fizera parte anteriormente do gênero Scylla e agora estava reacomodado em Ledebouria. Porém o grupo já estivera anteriormente estabelecido como gênero em Liliaceae, depois migrou para essa família dos jacintos. A confusão é grande, apresentam claramente características botânicas de transição, são limítrofes, logo o meu primeiro diagnóstico de que a "hosta" seria uma Liliaceae não estava totalmente errado, tinha fundamento botânico. E não por acaso o nome comum fora do Brasil é "African-Hosta" ou "Leopard plant", até mesmo o epíteto em inglês convergiu para a minha primeira impressão botânica e diagnóstico sistemático.

Portanto o nome científico clássico da planta desconhecida é Drimiops maculata,
corretamente mudado, há pouco tempo, para Ledebouria petiolata.

Só depois ficou claro: a espécie mudava muito de aparência se exposta ao cultivo fora da sombra; por isso foi tão difícil determiná-la. Nessas circunstâncias de maior incidência de luz solar, suas lindas folhas verde escuras desapareciam, dando lugar às novas e feias folhas verde claras, curtas, grosseiras e cheia de pintas - por isso o nome científico de maculada. Não havia localizado-a de pronto porque o exemplar da fotografia de identificação, planta exposta ao sol, era completamente diferente daquela da minha sala, mas só por fim me dei conta que eram a mesma espécie.

Exposta ao sol pleno torna-se erva rude.

São plantas resistentes e ecologicamente raras, capazes de adaptarem-se à pior condição que um vegetal pode enfrentar: a seca e a sombra conjugadas. Por isso é tão abundante em escritórios e corredores de prédios ! Expostas à luz do sol tornavam-se irreconhecíveis! Perdiam a serena vitalidade conferida pelo verde escuro, tornando-se uma erva rude com pintinhas.

Com a exposição à luz solar a elegância
 desaparece e as pintas surgem.

Como acontece quase sempre com as plantas desconhecidas que me chamam a atenção em Curitiba, são originárias da África do Sul - região de Natal. Lá vegetam em locais sombreados, dispostas em barrancos próximos aos riachos temporários. Se no interior da sua casa, ou em locais onde todas as outras plantas fenecem, tente essa ! Cuidado no plantio, os bulbos provocam leve irritação quando manuseados ! Os propágulos não devem ser enterrados totalmente, se estiverem dispostos em vasos, molhe pouco , senão cresce muito rápido !


 Em condições intermediárias torna-se
 muito agradável.






Agora comentada em um artigo em língua portuguesa está um pouco menos desconhecida ! Mas continua sem nome comum e por isso difícil de se identificar.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Streptocarpus

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Uma planta elegante e fácil de cultivar,
 porém ainda difícil de se obter.



As prímulas-do-cabo ( Streptocarpus sp. - família Gesneriaceae ), mais especificamente do Cabo da Boa Esperança na África do Sul, também frequentemente enfeitam as varandas curitibanas com suas vistosas flores. São geralmente vistas plantadas ainda nos velhos vasos de xaxim, demoraram-se muitos anos até eu conseguir obter mudas dessas plantas tão bonitas. Estou muito contente em ter conseguido ! Não foi fácil !

Streptocarpus parvifolius : flores
 violeta-azuladas anônimas nas varandas .

Andei distribuindo mudas de Sreptocarpus para os amigos para garantir a propagação dessa nota cultural da jardinagem local ! Quase sempre que interesso-me pela classificação de plantas desconhecida aqui em Curitiba, descubro que procedem do sul da África.


Habitat: Streptocarpus são plantas saxícolas, vivem  em montanhas pedregosas,em pequenos acúmulos de solo sobre as rochas, ou em cavidades onde o solo também se acumula.

 A conclusão lógica nos leva a acreditar que as montanhas da África do Sul e da Namíbia, devem ter o mesmo clima ameno e tendendo ao frio da capital do Paraná, porém bem menos úmido. O realmente limitante para o cultivo dessas plantas é o calor, gostam de climas amenos, temperaturas constantes próximas ou maiores de 30°C, rapidamente exaurem as energias e o equilíbrio hídrico da planta, esta então definha , adquirindo doenças ou secando.

As prímulas do cabo são muito parecidas com as verdadeiras prímulas ou polyanthas ( família Primulaceae) - foto acima - com as quais não possuem parentesco algum, no entanto as folhas são bem similares na textura e nervação, provavelmente devido à evolução convergente. As prímulas verdadeiras são plantas anuais, duram poucos meses, após a floração costumam morrer, já os Streptocarpus são perenes e se bem cuidados crescem continuadamente.



Os Streptocarpus são sim parentes da popular e brasileira Gloxínia ( Sinningia speciosa - Gesneriaceae ) - foto acima -, esta se acha à venda facilmente, na época da floração, em floriculturas e até mesmo em supermercados. Ao contrário dos Streptocarpus as gloxínias possuem caules subterrâneos ( as populares "batatinhas"), sendo facilmente propagadas pela divisão desses tubérculos. A falta de órgão de reserva claramente indica que no habitat natural das prímula-do-cabo não há períodos de estiagens , realmente percebe-se logo a planta murcha e ressentida se exposta à falta de umidade geral no seu entorno.


Os três híbridos de prímulas-do-cabo acima - o roxo, o branco e o rosa - não sei o nome deles, têm na base genética principalmente os Streptocarpus primulifolium e S. parvifolius. O último vem a ser a linda planta de flores azuladas abaixo- vista agora mais de perto e com detalhes. Cada um deles possue folhas diferentes dos outros, sendo possível identificá-los mesmo não floridos . Não sei se são vários cruzamentos, ou se são cepas originárias do mesmo cruzamento, sendo tão somente formas segregadas , onde a cor e a forma da folha variam em conjunto - pleiotropicamente. São todos de grande porte se comparados às espécies progenitoras, o vigor híbrido os faz crescer até quatro vezes mais que o porte normal das espécies. As plantas adultas do híbrido de flores violeta aqui retratado, estabelecidas em vasos grande, assustam, algumas folhas apresentam quase meio metro de comprimento por 13 cm de largura.



Acima o Streptocarpus parvifolius - Essa espécie sul-africana
 é a base genética dos principais híbridos cultivados.

Sempre as via e ficava muito curioso desejando saber sua origem e a classificação botânica - nunca as tinha visto fora daqui ! Mais uma vez o meu agradecimento ao Sr. Werner Paske, uma referência cultural forte em se tratando de plantas de coleção aqui no Paraná. Abaixo uma sequência de fotos de lindos híbridos, o potencial do gênero é vasto.




Acima o híbrido Streptocarpus x Crystal Ice -
 comparável em beleza às orquídeas.



Achei-os todos muito bonitos, e me interessou
 bastante o cultivo dessas plantas africanas!


Multiplicam-se curiosamente por mudas ( estacas ) de folha picada em pedaços médios e em algumas técnicas, com metades longitudinais inteiras e sem a nervura central, proporcionando uma maior área de brotamento de plântulas. Também germinam com facilidade as sementes dos seus frutos compridos e fininhos, estes formam-se naturalmente após a queda das flores, que são de pouca substância e duram pouco mais de 15 dias. Sua propagação principal e mais eficiente e a feita por germinação, ocorre até naturalmente como pude constatar no plantel onde adquiri as planta. A hibridização é relativamente fácil e portanto acessível à qualquer cultivador interessado pelo desenvolvimento de novas formas hortícolas.


Fruto seco com sementes miúdas - germinam facilmente.




São plantas originalmente montanas, medram como saxícolas em escarpas e lajes areníticas, gostando de estabelecer-se no cultivo em substrato marcadamente poroso e bem drenado , com terra vegetal de boa qualidade misturada com um pouco de areador e facilitador de drenagem. Pode ser qualquer um: bolinhas de isopor, pedacinhos de espuma, pedrisco, carvão picado ou serragem, se o vaso - não muito grande - for de plástico e o substrato secar logo, a combinação estará perfeita . Meia sombra ou sol leve matutino, bastante umidade no ambiente e calor em ótimos 26°C , completam as necessidades culturais - crescem logo quando mantidos em boas condições. Se ressecados as folhas murcham adquirindo um aspecto desabado, irrigados retornam logo a condição de boa turgidez anterior.





Florescem abundantemente quando começa o calor do verão, mas não toleram-no o tempo todo, gostam apenas no verão e não pode passar de 30 °C por muito tempo. Apreciam muito estar em vasos suspensos, adaptam-se às concavidades nas forquilhas de árvores e também ficam bem se embutidos em barrancos ou muros quando a eles é acrescido um pouco substrato adequado. A ventilação é portanto benéfica para essas plantas, dentro de casa na sombra profunda e no ar parado não vão bem , precisam de condições mais luminosas e arejadas que suas primas, as violetas africanas.


Por fim as plantinhas brotando da muda de folha cortada.





Eu apreciei mais os Streptocarpus do que as violetas-africanas e gloxíneas, vejo neles o mesmo apelo visual de certas orquídeas, tive a impressão que outras pessoas que gostam das violetas-africanas comuns iriam também interessar-se por eles.