VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Muro Porta-Orquídea em Curitiba


.




Veja a continuação deste artigo com fotos

 mais recentes e o desenvolvimento
 das orquídeas  no habitat
artificial:

Laelias no Muro Porta-Orquídeas.


click para 
acessar

e outras postagens de DEZ / 2010
no qual as espécies que medram
são tratadas individualmente.




Reporto a minha recente experiência em abrigar minha coleção de orquídeas num terraço de apartamento em Curitiba - a 931m de altitude. Durante anos as minhas orquídeas insistiram em sair dos vasos e deitar raízes pelo lado de fora deles; resolvi então acatar o recado e coloquei todas como sempre desejaram estar: livres dos vasos.



A manutenção de orquídeas  ao ar livre só é possível onde a temperatura é amena e a umidade é constante, Curitiba apresenta estas duas características, o litoral do Paraná também tem clima propício, em outros lugares é preciso uma avaliação ambiental realista para se repetir o sistema de cultivo aqui apresentado.




O clima de Curitiba pode ser melhor entendido na tabela abaixo, clique na foto, ela aumenta de tamanho permitindo melhor visualização dos dados metereológicos:



Podemos resumir o clima local como apresentando: verões mansos, invernos severos e umidade ambiental abundante e dominante, porém não exatamente constante ou estável; raramente a temperatura passa de 30°C, para baixo a queda é livre, pode descer abaixo de zero e até nevar ocasionalmente.


Clima ameno e úmido devido à altitude,
quatro graus a menos que o litoral.

Porém , desde 2000, as geadas, e por consequência a temida , ficaram mais distantes, e já foi comprovado: a temperatura média vem subindo paulatinamente; as estiagens periódicas também começam a acontecer de forma mais extensa e recorrente.

A umidade ambiental é dominante em Curitiba.

A chuva , os dias nublados e a neblina são comuns por aqui, optei por abrigar minha plantas, somente as já entouceiradas, num muro porta-orquídeas e concomitamente escolhi as espécies adaptáveis à altitude e aos ventos. A umidade ambiental noturna é quase sempre elevada, embora com sol e mais de 25°C, caia até níveis críticos durante a tarde. Talvez só após estarem totalmente enraizadas e instaladas, as plantas outdoors possam sobreviver sem a necessidade de regas artificiais constantes.




.



O granizo forte é a ameaça mais permanente, também há freqüentes geadas, típicas dos locais mais baixos e menos ventilados. O terraço é bem ventilado e para gear nele, será preciso uma massa de ar frio muito forte, todavia o clima já foi muito mais frio no passado.


Meditativas capivaras do Parque Barigui numa manhã
de forte geada, talvez pensem em ir morar no litoral .


No PR não faz muito frio em função apenas da altitude local, Curitiba está localizada numa das principais rotas de frentes frias deslocando-se para o norte do país, via litoral. Por vezes estas massas de ar ficam estacionadas vários dias sobre o litoral e planaltos próximos , o ar frio congelante dessas massas vêm das terras mais meridionais do continente, é objetivamente antártico-patagônico. É um frio ambulante: chega, fica e passa - normalmente são poucos os dias críticos de frio ( temperatura menores de 10°C ), uns 4-5 por cada massa de ar frio forte em deslocamento.

Todavia cabe alertar sobre o vento seco forte, este ocorre por vezes e expõe as plantas a um quadro de severa desidratação, acontece sem muita previsão e sem que possamos fazer muito. É preciso então r molhar e molhar, e ver o vento secar todo o ambiente em poucos minutos; esse evento meterológico prolongado me ensinou: orquídeas sobrevivem apenas onde há os ventos úmidos. Mesmo numa das capitais mais úmidas do país, onde a neblina é muito comum ao longo de todo o ano, mesmo aqui, o vento seco de AGO/SET dá trabalho, fica complicado manter as plantas em boas condições hídricas nessa época muito seca, as plantas sem raízes muito bem estabelecidas, desitratam rapidamente e morrem. A proximidade do mar é uma condição amenizadora das secas e dos frios excessivos, não é sem sentido haverem tantas orquídeas nas proximidades do oceano, próximos aos rios e cascatas, a umidade do ar sempre alta nestes lugares, mesmo no estio de chuvas.

Se vc reside em locais normalmente mais quentes e secos , faça por cima das plantas uma cobertura de plástico transparente , além do sombrite, o plástico reduz o vento e aumenta a umidade, também aumenta a temperatura, precisa ser uma proteção eficaz e também removível. Todas as noites muito secas, passo nas plantas do muro várias pulverizações da água da chuva , tenho sempre uma boa quantidade dela armazenada. Molho as plantas pela manhã ,quando não a noite, caso esta esteja quente e seca, passo mais uma vez. Molhar o plantel durante a ventania desidratante é um procedimento difícil de julgar, o melhor é economizar água da chuva e molhar só a noite, mas se há abundância de água pura, molhe o quanto secar. As águas da rede, mineral alcalina e de poço artesiano muito silicada, matam as orquídeas epífitas bem rapidamente, cuidado com água utilizada, quem avisa amgo é !

Em 2009 , o excesso de chuvas foi o maior já visto nos últimos tempos; este ano de 2010 foi mais seco. Mas nem na natureza há condições sempre perfeitas e de um modo geral, fora estes extremos climáticos, as plantas estão muito bem: enraizando, florindo e se estabelecendo. Serão necessários mais dois anos, totalizando três, para uma adaptação e estabilização plena desta população de orquídeas no muro, neste caso os cuidados culturais, atualmente necessários, se reduzirão bastante.

As Cataratas de Foz do Iguaçu diminuem em volume quando há
estiagens ocasionais em Curitiba e região do Vale do Iguaçu.
As secas periódicas existem e são limitantes para
simplesmente deixarmos por conta do clima a
sobrevivência de orquídeas do tipo
Cattlleyas por aqui, plantas
antigas são mais fortes
e com suas reservas
sobrevivem.


O muro de elementos vazados foi concebido para ser bastante versátil e operacional, permite usar substrato se necessário e dentro de sua geometria há possibilidades para variar luz e umidade. A insolação direta sobre o muro restringe-se aos meses de verão, no resto do ano há fartura de claridade e ventilação. Problemas graves são: granizo, geadas, vento frio/seco e o sol de verão; uma cobertura de sombrite 50% resolve, ou ameniza, todos estes possíveis eventos.


O muro tem dado muito certo e é uma boa idéia ! Talvez devesse ter usado uma cola no lugar da argamassa de cimento, mas não tenho certeza sobre ser esta opção a melhor, as raízes gostam da cerâmica, todavia evitam o contato com o cimento. Talvez rejeitassem ainda mais a cola, esta poderia inclusive contaminar a cerâmica. Como há umidade ambiental quase ao longo de todo ano, as plantas tem boas condições de adaptação, todavia é preciso ponderar: não há Cattleyas e Laelias nativas das maiores altitudes da Serra do Mar e dos planaltos próximos, como há nas terras mais baixas e quentes do litoral da Região Sul. Naturalmente o ambiente não é propício para a sobrevivência das espécies mais ornamentais, o frio constante faz o crescimento diminuir, o sol verão das altitudes queima terrivlmente estas plantas, toleram apenas as situações críticas de temperatura por poucos dias. Portanto nestes locais mais frios e de clima inconstante, as estufas, tellheiros e proteções são normalmente requeridas !

Vejam a evolução da instalação das plantas no muro:


Há muitas Laelias neste nicho artificial: anceps, purpurata, lobata, tenebrosa e principalmente L. pulcherrima ( lobata x purpurata ) - todas gostam de ventilação e iluminação fortes - , recebem só água da chuva propriamente dita ou a mesma coletada e armazenada, além de fertilizantes e outros insumos. Raramente usamos água da rede, mas já houve situações onde foi necessário se umedecer todo o ambiente e não havia água da chuva armazenada suficiente.


Abaixo o Paphiopedilum x leeanum nos vasos, o vento e a luz do sol de verão
destroem sua folhagem, já foram retirados deste ambiente inadequado.


Cattleya gaskelliana, C. labiata, C. dolosa e algumas Lc. Princess Benedikthe ( nobilior x purpurata) completam a seleção escalada para enfrentar o vento, o frio e a umidade super variável do tempo imprevisível de Curitiba.



Quando há necessidade de substrato com mais umidade, tenho utilizado brita comum misturada com fibra de poliéster ( utilizada em estofaria ), estes são materiais fáceis de se obter, além de baratos, são estéreis e duráveis, molham e secam no tempo certo. Disfarço este uso de material industrial, colocando musgos e outras fibras naturais por cima; da mesma forma o substrato tanto pode ser colocado rapidamente nos espaços do elemento vazado, como também pode ser cuidadosamente retirado quando as raízes já estiverem mais estabelecidas.


As fitas coloridas espalhadas sobre as plantas, não pretendem qualquer efeito estético, lá estão para espantar as aves curitibanas, estas insistem em fazer ninhos ali , ou então roubar os musgos para confeccioná-los; o movimento ao vento das fitas as deixam ressabiadas e acabam não se aproximando tanto. Se pousam nas plantas, quebram os brotos novos e as inflorescências . O famigerado Bem-te-vi de Bico Largo ou Nei-Nei (Megarynchus pitangua) é o pior de todos, por sorte raramente aparece. O macho tem uns 25 cm e é do tamanho de um pombo robusto; gosta de fazer ninhos esse bicho. É mais fácil ouvi-lo e perceber os estragos , é animal espertíssimo e dissimulado, só o vejo de relance. Ainda bem que é raro e só apareceu poucas vezes, ao contrário das outras espécies aqui descritas que são muito mais frequente.


Faz um tradicional som ao pousar, eu já corro para espantá-lo, mas nunca chego a tempo de evitar o saque, ele - mesmo no susto - num relance, rouba musgo e quebra as plantas no embalo de alçar vôo . Nidifica em NOV/DEZ, a mesma época da floração das Laelias, consequentemente quebra as hastes com botões florais ainda em desenvolvimento. É um animal magnífico, todavia me tira do sério cada vez que me dá prejuízos.

Pássaros têm sido um problema sério, com tanto PR para eles irem fazer bagunça, estão me dando prejuízos sérios aqui no centro da capital. Com sorte talvez me esqueçam, atualmente tem até fila de sabiás-laranjeiras ( Turdus rufiventris ) para fazer estrepolias nos vasos e no muro. O sabiá virou praga em Curitiba, tomou o vulto de um rato-voador, come de tudo e está em toda parte, os de maior porte mexem em tudo na época de nidificar. O Bem-te-ví ( Pitangus sulphuratus ) também anda chato demais fazendo furdúncio bem cedo nas orquídeas. Para se livrar dos pássaros use CDs ou espelhos pendurados em fios, o movimento deles no vento, com o consequente reflexo da luz , assusta e afugenta parcialmente estes visitantes indesejados.




No Jardim de Inverno, fica um outro espaço similar ao muro principal, porém bem menor, muito mais úmido e mais protegido do vento. Destina-se a abrigar as plantas de menor resistência às intempéries, uma parte foi coberta com telhas translúcidas formando uma estufa semi-aberta. Para o muro do terraço exposto ao tempo vão as espécies que notoriamente gostam de estar em habitats ventosos, as plantas mais preciosas ou mais frágeis ficam ao abrigo, as touceiras ficam melhor mais outdoors.


Touceiras.

A insolação solar sobre o muro é curta, devido ao posicionamento face sul e a proteção dos prédios vizinhos, temos ao lado um prédio alto encobrindo totalmente o sol da tarde. Apenas de novembro a fevereiro há insolação direta, porém a claridade é sempre muito forte, o espaço apresenta grandes possibilidades de ambientação, principalmente de Laelias.



 O pequeno e povoado jardim de inverno, mais protegido
 e quente, está disposto para as janelas dos quartos.

Abaixo, L. purpurata russeliana Canhanduba mostra seu vistoso tubo
quase cor-de-abóbora, ao mesmo tempo L. pulcherrima floresce vigorosamente.

Acima e abaixo a L. pucherrima (pulcherrima = muito bela em latim) , trata-se de um híbrido primário artificial, nele está associada a melhor forma e o maior nº de flores por haste da L. lobata, com o tamanho e a armação superiores da L. purpurata.

Abaixo a L. purpurata tipo com tubo amarelo

Abaixo a L. lobata tipo

Abaixo a L. lobata concolor "D.Jeni"

Embaixo vê-se uma especialmente bela L. pulcherrima suavíssima, o exemplar demonstra ter herdado o vistoso tubo amarelo da L. purpurata que lhe gerou. Comprei-a sem qualquer identificação, num lote de plantas similares, em Paranaguá, pensei a princípio ser uma ótima L. lobata, a planta é vegetativamente parecida com a famosa L. lobata concolor D. Jeni, depois atinei: o tubo amarelo não existe nesta espécie, apenas ocorre em alguns clones de L. purpurata, logo só poderia ser um cruzamento.





 A delicadeza das cores apresentada é difícil de se ver em outros híbridos, estudando sementeiras feitas no passado, em orquidários daquela região, provavelmente essa planta é resultante de um cruzamento de L. lobata concolor Jeni com L. purpurata carnea Maria da Glória. Comprei dois exemplares naquela ocasião, as outras pulcherrimas, também foram adquiridas no mesmo dia, devem ser do mesmo cruzamento, mas não herdaram a cor recessiva e nem a forma da folha, bem alongada e estreita, sendo um caracter bem distintivo.




Abaixo a L. purpurata carnea, a cor framboesa no labelo
só surge nesta espécie sul-brasileira.

Abaixo a Cattleya labiata alba

Embaixo uma L. crispa, é uma espécie querida, me lembra, com seu perfume inesquecível, o Rio de Janeiro do passado e as antigas casas serranas, cheias delas nas mangueiras do quintais. Essa é a primeira que a revejo nos últimos 25 anos, agora a temos florindo em nosso quintal. Ainda vamos falar dessa espécie em artigo dedicado só a ela; foi sempre considerada como uma planta de menor importancia, por não ter boa forma e textura, mas por fim não é muito diferente das L. purpuratas "charuto" nativas de SP ou SC, tal como elas, pode também ser também melhorada por seleção. É planta muito incomum em cultivo no Sul do Brasil, assim como a L. perrini.



Abaixo a C. labiata amoena

As grandes Laelias, as Laeliocattleyas, as Brassavolas e as Cattleyas bifoliadas estão indo especialmente bem! O muro está ficando tomado ! Devido a forte claridade, as folhas novas estão ficando mais curtas e os pseudobulbos mais robustos e fortes.


Acima o muro já no final de 2010, um ano e meio depois do começo do seu estabelecimento, mostra sinais de pujança vegetativa e de adaptação às condições climáticas locais.



Já em 2011 e  mesmo mil dias depois ......





Abaixo a floração de NOV de 2011, choveu muito e as flores se ressentiram do excesso de umidade. O muro e sua comunidade vegetal vão se estabilizando e mostrando ser um habitat artificial viável, as plantas estão inegavelmente estabilizadas.




Laelia purpurata werkhauserii deu uma bela primeira floração



Não foi o frio o maior inimigo até agora, mas sim o excesso de chuvas e as lesmas derivadas dessa condição de até três meses de verão sem um único dia completo de sol. As chuvas de verão deixam mais destruição mofada do que as queimaduras nas folhas derivadas das 4-5 noites de frio severo com geada no inverno daqui.


Floração de 2011 - um ano metereologicamente inesquecível ! De todo forma obtivemos um habitat artificial bem funcional e com uma população estabilizada e em expansão. Já há problemas de competição por luz e vou ter que mudar umas plantas de lugar.


Cobertas experimentalmente com plástico preto para uma
proteção a mais em caso de muito frio.



Deu certo !



C. gaskelliana é uma espécie venezuelana, reparem as raízes, que
adapta-se tão bem ao clima local quanto L. purpurata.







domingo, 30 de maio de 2010

Worsleya rayneri (JDHooker) - Rabo-de-Galo ou Flor da Imperatriz -






Rabo-de-Galo ou Flor-da-Imperatriz.



Embora não seja uma orquídea, é sem dúvida uma bela e rara espécie. Apesar de ser ainda muito desconhecida e pouco comentada pela mídia, vale saber da sua existência, se não preservamos as poucas que sobraram na natureza, em questão de tempo, só serão vistas em cultivo. E mesmo em cultivo são raras, mantê-las em coleção costuma fracassar com o apodrecimento dos bulbos ou com a desitratação devido a calor.



Durante décadas foi comentada como uma raridadae de lendária beleza, depois recebeu a status de espécie à beira da extinção. Atualmente tornou-se mais conhecida e documentada visualmente, principalmente pela ação da internet e dos grupos sociais visando a sua preservação, utilizam a notória beleza da espécie para sensibilizar e cooptar simpatias. Aqui utilizamos a mesma estratégia, quem conhece preserva !


Soberba criatura.

Embora seja uma espécie brasileira, é muito pouco conhecida por aqui, a razão desse artigo é tentar fazê-la mais conhecida, mais comentada, então, talvez, propagada comercialmente e menos próxima da extinção por coletas clandestinas. Todas as plantas cultivadas criam condições de sobrevivência muito eficaz, quem sabe um dia possam até ser reintroduzidas na natureza.


Essa famosa e desejada espécie de Amaryllidaceae fluminense sempre foi rara, nunca houve fartura de fornecimento, ainda hoje há grande demanda por exemplares entre os colecionadores de plantas bulbosas. Medrava originalmente nos campos rupestres e encostas rochosas nas altitude de apenas 12 montanhas graníticas ( inselbergs ) da Região de Araras , próxima a Petrópolis-RJ, nos dias de hoje é abundande em apenas uma. Em porte, é a maior espécie dessa família, uma das mais belas e com uma vegetação de características altamente singulares.



Encontra-se fortemente ameaçada de extinção, seja pela intensiva coleta predatória, como também pelos sucessivos incêndios provocados pela mão do homem, estes arrasam com a vegetação nativa das altitudes dessa região. Está conservada em algumas poucas áreas de preservação, já a décadas encontra-se na lista oficial de plantas brasileiras ameaçadas de extinção.



O nome popular Rabo-de-Galo é muito pertinente e as fotos mostram bem.

Porte nobre e de indiscutível beleza.

É tradicionalmente designada de Flor-da-Imperatriz, também é chamada de Íris ou Amarílis Azul ou ainda de Rabo-de-Galo, este é o nome mais usado ultimamente e deriva do peculiar display das folhas. O nome científico mais conhecido, é o já supracitado neste artigo, já o botanicamente válido é Worsleya procera, é algo mais antigo, por isso prevaleceu - essa é a única espécie desse gênero. Utilizamos aqui a designação científica mais famosa por razões práticas de localização do artigo na internet.



No seu habitat natural, apresenta populações mais significativas a partir dos 1.000 m de altitude, divide espaço com uma flora também endêmica, interessante e variada: Prepusa conata, Benevidesia organensis, Tillandsia grazielae, Mandevilla pendula, Glaziophiton e Tillandsia reclinata.

O nome Rabo-de-Galo deriva da singular forma vegetativa que apresenta.


É também especialmente encontrada, sempre dentro da mesma área restrita já indicada, anteriormente, próxima à quedas d'água, onde repete-se o quadro de muita umidade e movimento de ar. O clima é o típico dessas altitudes nas gigantescas pedras graníticas do RJ , há muita insolação, movimentação constante de ar e neblina noturna diária interminente, e constante durante o passar dos dias chuvosos ou nublados. Podendo sofrer repentinas quedas de temperatura e até memo secas ocasionais, mas o calor nessas altitudes é inexistente.

O raso cambiossolo onde medra, é composto por uma mistura dos minerais resultantes do intemperismo da rocha matriz e acúmulo de material orgânico do próprio local. Comunicou-me um leitor amigo e colaborativo : "Conheço o habitat de algumas plantas citadas, e digo, pra contribuir, e por experiencia propria, a Worsleya só sobrevive em brita com uma concentração minima de materia organica, ela detesta ter raizes abafadas, precisa de intenso aeramento". Obrigado pela valiosa colaboração !!!!!!. Aceitando-se esta informanção, obviamente deduzimos que a obtenção de nutrientes é através da água que escorre, carreando material orgânico decomposto e sais minerais das rochas graníticas. Portanto uma adubação química, semelhante a classicamente fornecida às orquídeas, seria bastante recomendada. Como o habitat está sujeito às fortes alternância metereológicas, onde extremos de variáveis ambientais ocorrêm sem raridade, o ciclo de vida e morte dessa flora saxícola é acelerado, e acumula-se então alguma matéria vegetal em decomposição no ambiente.


Resumindo-se o quadro ambiental: vive na turfa rasa misturada a detritos variados, em cima de rocha granítica, sujeita a todas as intempéries, menos a altas temperaturas (sendo já crítico o patamar de 28°C no verão ) , o frio congelante prolongado também a danifica.















Floresce no fim do verão ou início do outono.

A planta é bulbosa, acumula nutrientes, energia e água; como tal, é de fácil transferência por propagação vegetativa, mas apenas em locais de clima compatível. Não há muito mistério para a sua propagação, esta pode ser por divisão de touceiras, estacas ( mudas ) de bulbos ou por sementeira. Floresce no verão. Nas fotos abaixo é possível ver o aspecto vegetativo ( a altura da planta varia de 70 cm a 1,5 m de altura ), a pré-floração, o método para a sua semeadura e o desenvolvimento dos seedlings ( plântulas derivadas de sementeira ).











Plantas comerciais com 2 anos de idade são oferecidas em vasos de cerâmica.




Cultivo caseiro e simplório, porém ecologicamente correto.



É muito apreciada em países, ou locais, de clima temperado, tal qual as orquídeas do genêro Sophronitis. Isso deve-se ao fato do verão por lá ser ameno , o inverno rigoroso é amenizado pela calefação das estufas ou do interior das casas. O calor excessivo ou a insolação sem circulação forte de ar úmido e fresco, desidrata-as em pouco tempo.




Novas Informações do Centro Nacional 
de Conservação de Flora:



A espécie é endêmica do Brasil, ocorrendo exclusivamente no Estado do Rio de Janeiro, na parte central da Serra dos Órgãos. Tem EOO de 283,45 km²; AOO de 36 km² e está sujeita a menos de 5 situações de ameaça, nos Campos de Altitude associados ao domínio fitogeográfico Mata Atlântica. W. rayneri é considerada um paleoendemismo das formações campestres de altitude, e uma das mais primitivas Amaryllidaceae americanas. Planta herbácea, rupícola ou saxícola, forma ilhas de vegetação sobre a rocha exposta ao sol, acima de 1000 m de altitude. Estimativas indicam a existência de 21 subpopulações de W. rayneri e uma redução populacional de cerca de 25% a cada cinco anos, atribuída principalmente a incêndios em sua área de ocorrência. A maioria dos incêndios na região se inicia devido à implementação de práticas inadequadas de manejo do solo. Em 2007, um único incêndio atingiu quatro subpopulações de W. rayneri, o que representa cerca de 19% de todos os remanescentes da espécie. Aproximadamente 70% das subpopulações naturais de W. rayneri estão sujeitas a algum processo de invasão biológica. A invasão por capim-gordura (Melinis minutiufolia) é uma ameaça significativa para esta espécie. Há indícios de pisoteio e evidências de que a espécie é palatável para herbívoros e de que o miolo do caule de W. rayneri é consumido por uma espécie de lagarta e por cabritos nas épocas mais secas. 




Conhecida por "rabo-de-galo" ou "imperatriz do Brasil", é muito utilizada como planta ornamental, uma vez que apresenta aparência inusitada diante das outras Amaryllidaceae e flores vistosas. É também considerada rara e, portanto, muito apreciada por colecionadores. Foram conduzidas ao longo dos últimos anos duas tentativas de cultivo da espécie no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sem sucesso. A planta é cultivada ilegalmente em sítios, fazendas e casas no alto da serra. No exterior, a espécie é cultivada e amplamente comercializada. O alto custo associado ao cultivo desta espécie tem influência direta na retirada de espécimes da natureza. Pesquisas realizadas com a espécie desde 1984 ampliaram de maneira significativa o conhecimento sobre a biologia e a ecologia deste taxon, entretanto, algumas lacunas ainda permanecem, principalmente a respeito dos aspectos reprodutivos, uma vez que até hoje se desconhece o polinizador desta planta. A espécie tem amostras de material depositadas em banco de DNA e possui Plano de Recuperação desenvolvido com base na melhor informação disponível (Moraes, 2009), porém, este não foi efetivamente colocado em curso. Apesar de ocorrer majoritariamente em Áreas de Proteção Permanente (APP) e dentro dos limites da Área de Proteção Ambiental da Região Serrana de Petrópolis (APA Petrópolis) e na Reserva Biológica Estadual de Araras (ReBio Araras), essas unidades não garantem a proteção da totalidade das subpopulações conhecidas de W. rayneri. Do modo como sua diversidade genética está distribuída, é necessário que todas as subpopulações se encontrem devidamente livres da incidência de ameaças. 



Conhecida popularmente como "imperatriz do Brasil" ou "rabo-de-galo", a espécie passou por diversas classificações taxonômicas, até ser finalmente estabelecida como gênero monotípico (Moraes, 2009). Merrow et al. (1999) em análises cladísticas para 48 gêneros de Amaryllidaceae, encontrou dificuldades em posicionar W. rayneri no clado americano da família, uma vez que suas características peculiares, como grande quantidade de mucilagem, bulbos aéreos, número de espatas igual a quatro, e ausência de paraperigônio sugeriam uma linhagem evolutiva independente dentro de Amaryllidaceae (Traub; Moldenke, 1949; Martinelli, 1984). Por esses motivos, W. rayneri é considerada um paleoendemismo das formações campestres de altitude do Estado do Rio de Janeiro, sendo considerada uma das mais primitivas Amaryllidaceae americanas, encontrando paralelo somente em espécies do gênero Griffinia (G. hyacinthina), com a qual compartilha maiores afinidades morfológicas (Strydom, 2005; Dutilh, 2005). O nome válido atualmente é Worsleya procera, entretanto, esta nomenclatura ainda não foi adotada pela Lista de Espécies da Flora do Brasil (Dutilh; Oliveira, 2012). Dutilh (com. pess.) argumenta que o W. procera seria um nome ilegítimo, e portanto o nome correto a ser utilizado de acordo com o atual Código Internacional de Nomenclatura Botânica seria W. gigantea, apesar de ainda não ter publicado seu posicionamento.

 

 Estimativas indicam que as 21 subpopulações de W. rayneri possuam cerca de 119.940 indivíduos, sendo a maior destas (Pedra do Boi Coroado) detentora de cerca de 17.560 indivíduos (Moraes, 2009). Moraes (2009) estima redução populacional de W. rayneri em cerca de 25% a cada 5 anos, atribuída principalmente a incêndios intensivos em sua área de ocorrência. W. rayneri apresenta maior variabilidade genética dentro das populações, quando comparada com populações isoladas em diferentes montanhas (Moraes, 2009). Além disso, os dados de Moraes (em prep.) indicam que as populações isoladas estão divergindo. A espécie apresenta Tempo de Geração estimado entre cinco e 10 anos (Moraes, com. pess.; Dutilh, com. pess.).
 
 
Planta herbácea, rupícola ou saxícola. Forma ilhas de vegetação sobre a rocha exposta ao sol, em ambiente xerofítico, juntamente com espécies das famílias Velloziaceae, Cyperaceae, Gentianaceae, Bromeliaceae, Poaceae, entre outras (Martinelli, 1984). Ocorre na testa de afloramentos rochosos situados sobre os Campos de Altitude (Martinelli, 1984; Moraes, 2009) associados ao domínio fitogeográfico Mata Atlântica (Martinelli, 1984; Moraes, 2009; Dutilh; Oliveira, 2012). O período de floração varia de Janeiro a Março, com pico em Fevereiro. Indivíduos em frutificação foram registrados entre Abril e Outubro (Moraes, 2009). W. rayneri aparentemente apresenta boa capacidade de regeneração, uma vez que apresenta grande quantidade de mucilagem e bulbo alongado, que auxiliam em sua perpetuação durante a incidência de incêndios ou durante períodos mais secos. Seu habito clonal também representa uma importante característica que influi em sua capacidade de recuperação, já que através do brotamento, novos indivíduos são gerados e rapidamente restabelecem o tamanho populacional após a incidência de algum fator que leve ao declínio populacional local (Moraes, 2009). Martinelli (1984) e Moraes (2009) não identificaram a presença de polinizadores para W. rayneri. Apesar de poucos estudos extensivos terem sido realizados neste sentido por estes autores, Moraes (2009) levanta a hipótese de que o polinizador destas plantas possa estar extinto. Entretanto, o mesmo autor indica a necessidade de estudos conclusivos para se afirmar com certeza este fato.


A espécie é endêmica do Brasil, ocorrendo exclusivamente no Estado do Rio de Janeiro (Dutilh; Oliveira, 2010). Representa um endemismo restrito a uma região específica na parte central da Serra dos Órgãos, Petrópolis, RJ (Martinelli, 1984; Moraes, 2009). Foi registrada a partir de 1000 m de altitude (Moraes, 2009). A Área de Ocupação (AOO)=18 Km² foi estimada com base no método adotado pelo CNCFlora (2012), e 6 Km² foi estimada com base no método adotado por Moraes et al. (submetido). A espécie é muito utilizada como planta ornamental, uma vez que apresenta aparência inusitada diante das outras Amaryllidaceae e vistosas flores. Aliada a isso, a espécie é endêmica restrita de uma pequena área da região serrana do município de Petrópolis, RJ, sendo considerada rara e portanto, muito apreciada por colecionadores. Foram conduzidas ao longo dos últimos anos duas tentativas de cultivo da espécie no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sem sucesso. Entretanto, a planta é cultivada em sítios, fazendas e casas no alto da serra, apesar de ser contra lei. No exterior, a espécie a espécie é cultivada e amplamente comercializada. O alto custo associado ao cultivo desta espécie (uma vez que os específicos requerimentos ecológicos devem ser simulados em laboratório para possibilitarem seu desenvolvimento) influencia diretamente na retirada de espécimes na natureza (Moraes, 2009; com. pess.).


Porte nobre: ares de rainha das plantas bulbosa.

No Estado do Paraná temos, em ambientação similar nas alturas da Serra do Mar , uma parente próxima da Flor da Imperatriz, é a Eithea blumenavia - foto abaixo, uma espécie igualmente pouco comum, porém bem menor em porte e menos vistosa. O gênero é também monoespecífico e a espécie é ainda mais desconhecida que a anteriormente aqui comentada.


  Eithea blumenavia 

Indo nessa linha e com mais alguns milhares de anos de evolução, esses
 amarylis ou açucenas tornar-se-ão tão charmosas quanto as orquídeas.

"A espécie ocorre nos Estados de Paraná, Santa Catarina e possivelmente no Estado de São Paulo. Possui AOO de 20 km². Segundo informação disponível, a espécie é rara, habita áreas de Floresta Ombrófila Densa do litoral, em subpopulações pequenas. A espécie é comercializada como ornamental. Seu habitat foi intensamente deteriorado e não há registro da espécie em unidades de conservação (SNUC). Estima-se que cerca de 50% da população desapareça nas próximas duas gerações, devido a coleta ilegal de indivíduos maduros. Por esses motivos, a espécie foi considerada "Em perigo" (EN) de extinção."

 


Cultivar plantas é ter parceria com Deus !