VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


sábado, 24 de julho de 2010

O Preterido Litoral do PR




O Estado do Paraná é grande mas seu litoral é muito pequeno em relação ao seu território. Todavia é um dos mais bem conservados trechos da costa brasileira. Apresenta, conjuntamente com o sul de SP, uma grande extensão de vegetação original muito bem conservada, essa região teve seu status elevado pela ONU à condição de Reserva da Biosfera. Antes de falarmos da orquidologia dessa região é preciso conhecê-la melhor, vê-la muito bem protegida e preservada.



Nessa região paranaense foram estabelecidas uma plêiade de unidades de conservação ambiental: Áreas de Proteção Ambiental ( APAs ), Parques Nacionais e Estaduais, Reserva Biológicas, Áreas de Interesse Turístico etc. O mapa acima poderá ser ampliado clicando-se na foto, nele encontram-se as principais unidades de conservação e outras informações.




O Litoral Paranaense pode ser dividido 
em quatro setores:


a) Litoral Setentrional - Da fronteira com SP até a abertura da Baía de Paranaguá.

B) Baía de Paranaguá - Grande área de mar interna, com poucas praias e muitas áreas de manguezais, apresenta ilhas de tamanho variados. A cidade e o porto de Paranaguá são de grande importância econômica regional.

c) Litoral Meridional - A linha costeira desse setor encontra-se conurbada pelos vários balneários dos Municípios de Matinhos e Pontal do Paraná.

d) Baía de Guaratuba - Sendo bem menor que a de Paranaguá, encontra-se muito bem conservada ambientalmente.





O Litoral Setentrional :



Embora não pareça de pronto, é formado por duas ilhas maiores: Superagui e Peças. Na linha costeira existem grandes extensões de restingas. Na linha costeira interna, banhada pela Baía de Paranaguá, aparecem grandes manguezais. Quase todo esse setor está estabelecido dentro do Parque Nacional do Superagui.


Entre os fundos da Baía de Paranaguá e a Serra do Mar, está estabelecida a APA de Guaraqueçaba, onde existem animais raros e emblemáticos da região, demonstrando sua grande biodiversidade e integridade ambiental.

Mico-Leão da Cara Preta - Leontopithecus caissara - Descoberto apenas em 1990, conseguiu passar um bom tempo incógnito para a ciência, abrigado nas remotas matas de Guaraqueçaba.


Papagaio da Cara-Roxa - Amazona brasiliensis - O Falso-Chauá é um dos papagaios mais raros do mundo, sua maior população pernoita em um grande dormitório coletivo da espécie, numa das ilhas do Parque Nacional do Superagui.

Aspectos naturais desse setor:


P.N. Superagui.

P.N. Superagui.

Restinga rica em cactos e orquídeas.

Manguezal típico do interior da Baía de Paranaguá.



Vista da remota região montanhosa da APA de Guarequeçaba, até hoje o melhor acesso ainda é a via marítima. A fronteira com SP é conhecida só no mapa, fica em locais pouco acessíveis.



Setor Serra do Mar e Baía de Paranaguá:


Abaixo a Ilha do Mel - Reserva Biológica de abundante e variada flora orquidológica. Ao fundo a APA de Guaraqueçaba e a Ilha das Peças no P.N. do Superagui.

O setor mais central do litoral é caracterizado pela proximidade do trecho mais alto da Serra do Mar e pelo maior entorno continental e pelas ilhas da Baía de Paranaguá. Há variadíssima avifauna na serra e a  onipresença da Cattleya forbesii nas ilhas e no entorno da Baía de Paranaguá.

Vista da região da Baía de Paranaguá
do alto da Serra do Mar.




Estrada e natureza na descida do planalto.




Aspectos naturais desse setor:




Pico Paraná - Ponto culminante do Sul do Brasil - 1.877 m de altitude.
 Nos contrafortes abundam os Sophronitis epífitos e as
Maxillarias pictas formam grandes
 colônias rupícolas.

Sophronitis mantiqueirae 
 na Serra do Mar.

Pico Marumbi visto da Serra do Mar.

O Parque Estadual do Marumbi visto de Morretes:  As palmeiras
imperiais dessa cidade ostentam touceiras de bromélias
 e C. forbesii nascidas naturalmente.

Altitudes da Serra do Mar.

Araçari - (Pteroglossus castanotis)


Manacá da Serra - Tibouchina mutabilis -  formam as matas
 rebrotadas em regenaração típicas dessa área.

Ilha do Mel - A face exposta ao forte vento
 marítimo não forma floresta.


Forte ocorrência de Cattleya forbesii nesse setor,
a espécie ainda é abundante, talvez
por ser pouco colorida.

Ilha do Mel - Restingas e Matas mescladas,
 preservação notável, rica em Epidendruns.




Setor Meridional
:


Perfil da Serra da Prata - Matinhos PR.

Nesse setor a linha costeira está toda tomada por uma cidade estreita e linear, composta de uma grande sucessão de balneários, como se pode observar no mapa abaixo. Essa linha vai de Pontal do Sul na abertura da Baía de Paranaguá até Caiobá, já próxima a de Guaratuba. Se a beira do mar está ambientalmente comprometida, o ramo da Serra do Mar, conhecido localmente como Serra da Prata, ainda está plenamente conservado .


Recentemente essa cadeia de montanhas foi elevada a condição 
de Parque Nacional Saint Hilaire- Lange, formando assim
o segundo parque dessa categoria no litoral paranaense.



Aspectos Naturais desse setor:







Mata Atlântica de altitudes médias conservada,
 área de ocorrência de Cattleya guttata.


Flor e planta de C. guttata.



Setor Baía de Guaratuba:




Já próximo a fronteira com SC temos a região da Baía de Guaratuba
 com grandes áreas de baixadas florestadas e manguezais.


A APA de Guaratuba une-se ao Parque Saint Hilaire - Lange formando uma grande reserva de Mata Atlântica e de morros com afloramentos rochosos. O Parque Estadual do Boguaçu fecha essa associação de unidades de conservação.




Aspectos naturais desse setor:


Manguezais e matas na
 Baía de Guaratuba.

Matas e afloramentos rochosos
 no P. E. Boguaçu.


Nesse conservadíssimo e exuberante espaço da costa,
 há muitas orquídeas e um grande mistério
 orquidológico, agora vale a
 pena comentá-lo.


As Orquídeas do Litoral:


Algumas espécies de orquídeas botânicas muito comuns no Litoral Paranaense:



Epidendrum latilabre



Anachellium fragans


Oncidium flexuosum

Cyrtopodium paranaensis



Ornithophora radicans


Maxillaria ochroleuca


Oncidium ciliatum



Epidendrum fulgens



Octomeria grandiflora


O Litoral Preterido:



L. purpurata existe em SP e SC , pulando
 inexplicavelmente o litoral paranaense.

A costa brasileira é quase toda cercada de vegetação arbustiva e arbórea exuberantes, paralelas à linha costeira, há cadeias de montanhas onde, na fachada oceânica , desponta a Mata Atlântica. Nessa região estão as mais belas Laelias e Cattleyas do país, em especial do sul da BA até o norte de RS.

Cattleya intermedia:






Vegeta pelas matas, restingas e mangues desde da Região do Cabo Frio - RJ até a costa uruguaia, exceto a região do litoral paranaense. Ainda encontra-se facilmente a espécie onde o ambiente  esteja preservado e pouco coletado.




O "pulo" do litoral paranaense é curioso
 e de explicação difícil !





Mapa da distribuição de Cattleya intermedia.


Laelia purpurata
:




Também ocorre o mesmo com a Laelia purpurata, a espécie vegeta sem
 raridade pelas matas do litoral desde a fronteira de SP e RJ , 
até o norte do litoral gaúcho; inexiste no trecho
entre  Iguape, no sul de SP, 
até Piçarras-SC.

Mapa da distribuição de 
Laelia purpurata.

Dessa forma o litoral do Paraná fica, inexplicavelmente, 
sem duas das mais apreciadas e vistosas 
espécies sul-brasileiras.




As Cattleyas do Litoral do Paraná :
forbesii e guttata :


Distribuição de Cattleya forbesii

Já a C. forbesii vegeta , também pelo litoral e sem qualquer interrupção, desde a fronteira do ES com o RJ, até a região de Florianópolis-SC, onde ocorre a variedade rosada. É ainda muito abundante em todos os municípios do Litoral Paranaense, sendo onipresente até dentro das praças e quintais urbanos.

Cattleya forbesii

A C. guttata medra tanto nas baixadas litorâneas e restinga como na florestas da fachada atlântica, desde do sul da BA, até a altura de Blumenau-SC. Temos a "guttatona" das restingas e as guttatinhas serranas, flores similares mas portes vegetativos muito diferentes. A partir desse ponto é substituída, nos mesmos habitats mais meridionais, pela C. leopoldii, com a qual é frequentemente confundida por ser muito semelhante e próxima. É também encontrada no PR, notadamente nas altitudes médias, até os 600m. É ainda especialmente frequente na área do setor meridional , onde está o P.N. Saint Hilaire - Lange.



C. guttata

Também na Região do Vale da Ribeira, ainda no PR e nos Municípios de Cerro Azul, Tunas do Paraná e Adrianópolis, é encontrada nas matas, porém ainda mais esporadicamente - são raros os ambientes não degradados nessas áreas já bastante queimadas e derrubadas.


As distribuições históricas das duas Cattleyas não são sobrepostas,
 forbesii na baixada litorânea e guttata na Serra do Mar. 
A primeira é muito mais abundante que a segunda.




Cattleya com cápsulas frutíferas maduras e já abertas, expondo uma imensa quandidade 
de sementes minúsculas ao transporte do vento. Uma boa lufada pode levar bem longe! 
A semente é um pó leve e viaja com facilidade!

A explicação hipotética mais frequente para a não existência das espécies supra citadas no PR, é baseada na distribuição das sementes pelos ventos dominantes. No litoral em questão, forma -se um recôncavo geográfico, desalinhado-se da rota de passagem desses ventos. O recôncavo geográfico regula em tamanho, mais ou menos, com o hiato da distribuição. A época de maturação dos frutos é também indicativa de que talvez seja essa a chave do mistério orquidológico do litoral preterido.

Espécie - Floração - Maturação dos Frutos

C. intermedia - Primavera - Outono

C. guttata - Outono - Primavera

C. forbesii - Verão - Inverno

L. purpurata - Primavera - Outono




Não passa pela minha mente resolver os mistérios
 da orquidologia, gosto apenas de comentá-los e
dividir o prazer de remoê-los !

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Laelia fidelensis Pabst 1967






" A explicação do enigma
 é a repetição do
 enigma ! " 

Clarice Lispector

" O que não tem duas partes
na verdade existe."

Mauro Kiwtko

 

Apenas uma única planta dessa espécie polêmica foi coletada natureza em 1940. Acredita-se que seja originária da Serra do Imbé , localizada bem próxima à cidade de São Fidélis - RJ. Seu descobridor, o Sr. Júlio Lacourt Sodré, morreu já no ano seguinte , levando a história e o segredo do local exato da descoberta para o túmulo.


O vigoroso desenvolvimento de exemplares em Curitiba demonstra que a espécie deve medrar naturalmente próxima aos 1.000 m de altitude. L. fidelensis aprecia as mesmas condições mais frias onde vegetam bem os Coelogynes cristata , flaccida e a L. virens .

Serra do Imbé, próxima de São Fidélis no RJ - possível habitat de Laelia fidelensis.




 Parque do Desengano-RJ
 O Parque Estadual do Desengano talvez ainda
 guarde mais exemplares de L. fidelensis.


Tempos depois, algumas divisões da planta original foram obtidas e então autofecundadas, posteriormente foram propagadas pelos Orquidários Binot e Florália; eliminou-se então raridade desde essa época. Em 1967, o competentíssimo orquidólogo Guido Pabst descreveu-a, acompanhando a opinião geral, como uma espécie botânica plenamente válida, e na certeza de não se tratar de um híbrido natural. Pabst tinha ampla experiência em híbridos naturais brasileiros, suas publicações são muito generosas na exposição botânica destes híbridos ocasionais, ele estava convicto que se tratava de espécie.


A foto do descobridor com o exemplar
original de L. fidelensis.



A pequena florzinha pontudinha e de haste floral longa
transformou-se em um mistério orquidológico brasileiro....


Ainda hoje, seguidas buscas no suposto habitat não obtiveram qualquer sucesso na localização de outros exemplares dessa Laelia. "Por apresentar oito pequenas e regulares polínias em tamanho, foi originalmente classificada como Laelia, atualmente este gênero foi incorporado à Cattleya, seguindo a orientação de exames de DNA, o nome atual dessa espécie é Cattleya fidelensis, aqui seguimos o nome clássico internacionalmente conhecido." Informam alguns que a área suspeita de ser a origem do único exemplar coletado foi complentamente arrassada, mostrando-se hoje como um pasto pontilhado de samambaias invasoras, cenário típico de terras fluminenses fortemente depauperadas e ácidas.


Sucessivas semeaduras a partir da planta original, confimaram uma mínima segregação de características morfológicas nas progênies, ou seja, o lote era bem homogêneo, com plantas filhas muito parecidas. O vigor destas progênies é acima da média geral esperada, as plantas viram toucerinhas fáceis de cultivar. Portanto esse resultado é incompatível com a variabilidade natural que um híbrido primário autofecundado tende a apresentar. Porém, por outro lado, o forte crescimento vegetativo da espécie indicaria sim um possível vigor híbrido.



Logo, concluí-se: a carga genética dessa única planta encontrada é comprovadamente estável e sempre repete um mesmo padrão fenotípico. Demonstrando assim ser geneticamente bem equilibrada pela seleção natural, como ocorre numa boa e estável espécie e também numa antiga população híbrida natural.



Dentro desse antigo quadro consensual de dúvidas e incertezas previamente descrito, foram recentemente as Laelias perrinii e dayana ( no artigo original a última é tratada mais modernamente como Cattleya bicalhoi ) repentinamente catapultadas , através de um estudo científico, à condição de supostas progenitoras de L. fidelensis. Toda a hipótese botânica proposta estava baseada apenas em análise morfológica, infelizmente é muito pouco convincente e incapaz de embasar a proposta de ser a já aceita e consagrada espécie, apenas mais um híbrido natural primário de ocorrência ocasional, como tantos outros ocorrentes no Brasil. Algumas versões indicam que o trabalho científico propondo a hipótese de o único exemplar encontrado ser apenas um híbrido natural raro e conhecido "de um único e singular exemplar coletado na natureza", destinava-se primariamente a dar anteparo científico para uma estratégica retirada desta espécie da incômoda Lista Vermelha das espécies ameaçadas de extinção do IBAMA. Se nunca existiu logo não foi extinta, era apenas um acidente botânico, um acidente botânico de explicação muito difícil.



Não são facilmente encontradas no comércio, posto que trata-se mais de uma curiosidade botânica, defitivamente não apresentam uma beleza comercial. Seus híbridos artificiais são poucos, a espécie mostra-se inexpressiva como precursora de uma nova e atraente corrente de hibridações.


A mal conhecida L. virens talvez possa ter em
L. fidelensis o seu único híbrido natural.


Mesmo com tanta pesquisa de DNA realizada para reclassificar o antigo gênero Laelia, ainda assim não conseguiram uma base bioquímica comprobatória e inquestionável para consolidar essa hipótese de hibridação natural, esta então nos parece muito precocemente proposta.


L. virens também forma simpáticas
touceirinhas bem rapidamente.


Essa possibilidade de origem para L. fidelensis, se comprovada por demonstrativos genéticos ou hibridações práticas, seria então até muito bem recebida e aceita, elucidando, por fim, a antiga problemática de status para a espécie. Seria mais um marco importante na orquidofilia nacional, sanando a interessante polêmica derivada da inexplicável coleta do único exemplar dessa singular planta.



Acima a antiga Laelia dayana, mas se preferirem podem chamá-la mais modernamente de Cattleya bicalhoi. A possibilidade de fidelensis ser um híbrido entre virens e dayana também deve ser considerada, já que estamos todos ( inclusive os botânicos profissionais ) cogitando sem exames de DNA comprobatórios. Também quero cogitar !




Seria o único exemplar coletado de L. fidelensis realmente de origem híbrida? Seria esse o "último" exemplar de uma população-espécie de origem híbrida e geograficamente muito restrita. Como indubtavelmente são também as bem conhecidas populações de Cattleyas dormaniana e silvana ? Continua o mistério da novela orquidológica ! Incontestável foi a grande sorte da coleta de um único e talvez último indivíduo na natureza, e de sua posterior multiplicação em cultivo.

Tenho fascínio por L. perrinii, mas fica difícil ver qualquer traço dessa herança genética na flor em L. fidelensis. Embora a planta vegetativa, de fato, lembre-a um pouco, mas o grupo todo tem características comuns, é possivel ver muitas semelhanças entre Laelias purpurata, lobata, tenebrosa e crispa, nem por isso elas são híbridas entre si.




Na flor de fidelensis não há grande vestígio visível de perrinii, mas como foi demonstrado antes no artigo, essa espécie é muito dominante nos seus cruzamentos, o labelo teria de ser obrigatoriamente bordeado de púrpura mais escuro, como o é em perriniii e em dayana.

Vejam na postagem sobre Laelia perrinii as fotos de alguns do seus híbridos naturais e clássicos, percebam que a espécie é muito dominante em seus cruzamentos. Clique aqui para acessar !


Só há um pouco de semelhança na armação, tampouco aparecem outros vestígios inquestionáveis de L. dayana, embora fidelensis tenha evidente e forte parentesco com o grupo das Hadrolaelias . Os segmentos florais, inclusive o labelo, são bastante pontudos e produzem uma forma estrelada que não existe nem numa e nem na outra das alegadas progenitoras, mais parecendo um híbrido da mexicana L. anceps em forma, armação e tamanho de haste floral.



Será a fidelensis um híbrido de perrinii x dayana
ou de virens x perrinii ?



Acima a L. praestans com seu característico labelo com barriga ( sigmóide ) .



L. fidelensis é facilmente cultivada em
Curitiba, cresce com inesperado vigor !


L. fidelensis em floração na coleção, tenho duas toucerinhas da fidelensis, a do vaso preto, tem 9 frentes, ainda não floresceu porque pegava pouca luz, crescem ambas com muito vigor quando chega o calor do verão.



Mas vale a pena ressaltar o detalhe da espata dessa espécie, esta me lembra a espata da L. virens, também pequenina e de mesma forma. Dentro do cenário de suposições, superficialmente, me parece também plausível ser a virens uma possível ancestral. Os indicativos de virens observados em fidelensis seriam: o porte, a espata, o número reduzido de flores, quase sempre concolores. Laelia virens é praticamente concolor.. Essas características poderiam apontar na direção da descendência de virens, espécie de flor albina. Outra similaridade: tanto virens como fidelensis são sistematicamente atacadas por cochonilhas, muito frequentemente se encontram estas plantas com estas pragas, as quais elas parecem resistir bem apesar das reinfestações muito frequente. Sabemos também que hipóteses podem ser formuladas com muita facilidade por pessoas mais imaginativas e sagazes. Apenas dissertamos sobre o assunto, não é um artigo científico!

Comentário do leitor Bill Buzzi, corroborando com a hipótese aventada :

"É muito plausível a origem [ da fidelensis ] ser derivada da L. virens, sou do Município de Santa Maria Madalena e a serra onde supostamente foi descoberta faz parte do Parque Estadual do Desengano (maior área de mata atlântica do Estado do Rio de Janeiro) local de ocorrência da L. virens, L. dayana e L. crispa e, mais a oeste (local de origem da L. fidelensis) pode-se ainda encontrar a L. perrinii." ......" já encomendei algumas plantas, entre elas a L. fidelensis, espero que se adapte bem aos meus 700m de altitude,. O mesmo orquídofilo nonagenário José Guinâncio me informou, naquela época, que ela foi encontrada na divisa de Madalena com S. Fidélis em uma altitude maior, em torno dos 1000 / 1200m. Essa área, infelizmente está toda devastada, é uma área seca de queimadas constantes, um verdadeiro “deserto” onde só ocorrem samambaias. Já imaginou a felicidade de reencontrá-la na natureza, seria algo como reencontrar o pássaro Dodô."



Laelia Dodô diz tudo ! Deu nome a situação ! Gostei !


Laelia "pássaro Dodô" ?
Extinta tal qual o pássaro de Mauritius ?



Extinção de Laelia fidelensis é um
 incômodo para o IBAMA?



A tradicional classificação da L. fidelensis na Seção Crispae do antigo gênero Laelia, portanto fora da Seção Hadrolaelia com a qual aparentemente tem mais semelhanças, é feita em função da existência dessa pequena espata. Este grupo de espécies, próximas à L. pumila, não apresentam espatas, os botões já então semi-formados quando uma folha com o desenvolvimento completado, por fim se abre. Mostrando-os já livres de qualquer proteção, como também ocorre em Sophronitis.


Geralmente ocorre uma única flor por pseudobulbo florido, mas podem ser até três ou pouco mais, consoante o vigor da planta. Quando a folha nova abre-se, se houver botão floral, ele já estará fora da espata, mostrando o inequívoco parentesco com o grupo das Hadrolaelias. As plantas de L. fidelensis crescem muito bem, porém não gostam de calor excessivo, os pseudobulbos desidratam com facilidade e rapidez. Todavia para florescer as plantas precisam de claridade forte e temperaturas de mais de 25°C.



A espécie já não é mais uma raridade, ficou só
o problema de explicar o mistério da origem.


Como aqui aventei em 2010, com um recente cruzamento artificialentre as Laelias dayana e perrinii obteve-se a nossa misteriosa Laelia fidelensis
 e o mistério findou.