VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Laelia perrinii ( Lindl ) Bateman 1847









" A tua flor não é flor 
pra qualquer
 jardim.

 Quero pra mim, pois
 eu já cansei de 
capim."


 Rafael Rocha


Vamos tecer alguns comentários e expor nossa impressão geral sobre essa interessante espécie. Pelo seu exotismo, sempre nos despertou muita atração e é com grande satisfação que procuramos difundir suas características biológicas e histórias correlatas. Faz-se necessário aumentar e melhorar as fontes de consulta para está espécie tão ameaçada de extinção e ainda tão mal conhecida e cultivada. É uma linda planta ! Merece toda as nossas atenções orquidófilas!


É uma Laelia brasileira de floração já outonal, mais especificamente desde fins de março até todo o mês de abril, as flores são frágeis, de substância muito fina e duram pouco. Pertence classicamente ao antigo e tradicional gênero Laelia, cujas as espécies brasileiras, após recentes estudos genéticos, foram incessantemente mudadas de status e por fim, estranhamente agregaram-se ao gênero Cattleya (C. perrinii é o nome atual dessa espécie), não sem antes peregrinar sofridamente pelo gênero Sophronitis . Sabemos de todas as mudanças na sua sistemática botânica, todavia continuamos a chamá-la de Laelia perrinii por uma questão de juízo próprio

Esses botânicos pós-modernos, na ânsia de mostrarem serviço, esqueceram-se de um dos dogmas da Botânica, o qual manda salvaguardar de disputas e confunsões acadêmicas os nomes científicos já amplamente difundidos e conhecidos ; é o famoso princípio da Nomina conservanda.



Assim criaram apenas mais confusões e trabalhos científicos , todavia não ajudaram a esclarecer algo realmente útil e prático. Todas essas espécies são muito próximas e aparentadas, o já secular processo de hibridação nos tem demonstrado perfeitamente esse parentesco. Após 32 anos como interessado orquidófilo, não consigo mais consultar o Registro Internacional de Orquídeas, tamanha é a confusão de nomes criada. Querem projeção pessoal antes de tudo !




Como há mais para comentar sobre L. perrinii, vamos abandonar as discussões sobre os seus múltiplos enquadramentos na nomenclatura botânica. Tenha o nome que acharem melhor, aqui continuo usando o nome antigo e mais conhecido.




Foi descrita como Cattleya perrinii Lindley 1838, depois foi renomeada como Amalia perrinii (Lindl.) Heynh. 1846, desde então já era visivelmente destoante, embora próxima, das outras Cattleyas conhecidas, por isso o gênero próprio - Amalia é um belo nome, caso algum dia se reclassificada num gênero próprio ! Mais tarde, em 1847, foi promovida à condição de Laelia, notabilizando-se como tal.



A carga genética dessa espécie é prontamente reconhecida , até pelos olhos mais leigos , como sendo diferenciada das outras espécies do grupo. De fato, hoje já se sabe, através desses exames de DNA, que essa espécie é mesmo muito diferenciada do resto do grupo a qual pertence. Solitária na sua linha da evolução e talvez a última de uma linhagem já desaparecida, ou quem sabe , em sentido oposto, esteja surgindo carregada de novas mutações funcionais; de toda forma é por fim radicalmente singular. Embora pressinta nessa espécie algo bastante primitivo o que faz difícil o seu cultivo, acho-a demasiadamente exótica e muito atraente. Perdão pela mal disfarçada paixão que aqui exalo !

O labelo é pequeno e de abertura menor, a coluna é curta, diferente
do padrão das outras espécies do gênero.

O aspecto vegetativo geral da planta , o labelo desproporcionalmente menor envolvendo a também mais curta e estreita coluna, além da armação floral atípica, nos confirmam a excentricidade do seu conjunto morfológico. Não há nenhuma outra espécie correlacionada ou próxima à L. perrinii, dentro da aliança Cattleyodes da antiga seção brasileira do Gênero Laelia.

A espata floral, a principal característica do grupo em que está classificada, no caso dessa espécie é algo peculiar, apresentando um ângulo mais agudo em uma dos lados, não sendo arredondado como nas espécies próximas.


As bainhas protegem o pseudobulbo em formação, apresentam também esse mesmo aspecto ponteagudo. Alguma similaridade com essa última característica, é observada, por vezes, em igualmente avermelhadas plantas de C. labiata, oriundas do Estado do Ceará. Essas plantas apresentam espatas duplas, mas com o mesmo aspecto ponteagudo anteriormente descrito para L. perrinii. As flores abertas de L. perrini se dispõem, por vezes, com todos os seus segmentos num surpreendente plano quase totalmente horizontal.

Abaixo vê-se: a armação floral horizontalizada e a espata mais ponteaguda.

L. perrinii, L. anceps, L. jongheana e C.violacea apresentam
uma armação de ângulo incomum.



Acima o cruzamento de L. perrinii delicata x L. perrinii concolor
- AWZ Orchids- fotos e cultivo de Roberto Franzotti e Moisés Bravim
 
Linda planta! Difícil é nomear a variedade, talvez uma amesiana ou suavíssima !
 

 


Variedades albescens e concolor


A variedade coerulea é a mais preciosa e cobiçada nessa espécie.




As variedades são poucas e normalmente raras em cultivo,
 tendem todas para os tons claros - acima as semi-albas .

A distribuição original da L. perrini era ampla e ainda hoje é bem abrangente, embora muito fragmentada e descontínua. Das Laelias mais correlacionadas, as seguintes espécies: tenebrosa, xanthina, grandis, lobata e virens, são atualmente bem mais raras, ou de distribuição mais restrita na natureza. O hábito vegetativo dessa espécie é normalmente epífito, muito mais raramente rupícola. Ocorria principalmente pelas matas mais abertas e iluminadas da Serra da Mantiqueira, a segunda cadeia de serras em relação à linha da costa.


Acima podemos vê-la vegetando nas matas do Espírito Santo, da mesma
 forma que a vi em Minas Gerais, em árvores grandes e muito ventiladas,
 todavia protegidas do sol do meio dia. Há informações registradas
que ocorra como rupícola em afloramento rochosos sujeitos
à neblina noturna e a exposição ao sol pleno
matinal, acompanhada de intensa
movimentação de ar para a
 dissipação do calor
irradiado.



Nunca foi abundante em lugar algum, somado a isso ainda temos a destruição geral da vegetação país e a coleta constante por parte dos orquidófilos com bastante tempo para caçá-las nos confins do mundo; em breve desaparecerá de vez. As plantas oriundas da natureza são muito difíceis de cultivar, opte por comprar seedlings de semeadura artificial, estes prosperam muito melhor .





Distribuição de Laelia perrini segundo o recente levantamento
 do Conselho Nacional de Conservação da Flora.

Abaixo mais  informações  do CNCF-JBRJ:

"Foi submetida a uma intensa pressão de coleta para fins ornamentais no passado, sendo inclusive considerada ameaçada de extinção pelos próprios colecionadores de orquídeas.O extrativismo dessa espécie foi comum na década de 1960 na região serrana do Espírito Santo. Foi também bastante coletada para enfeitar casas durante a quaresma. Relatos indicam que não são mais encontradas grandes subpopulações como no passado, sendo inclusive considerada como ameaçada de extinção pelos próprios orquidófilos (Fraga et al., 2009). É encontrada em  Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro (Barros et al., 2012). Ocorre também em São Paulo (CNCFlora, 2012). No Parque Nacional do Itatiaia foi coletada há mais de 90 anos  (Barberena, 2010). Fraga et al. (2009) levantaram a ocorrência da espécie para 76 localidades e 43 municípios. Ocorre entre 200 e 700m de altitude (Fraga et al., 2009). Além disso, a espécie ocorre em alguns municípios severamente desmatados.

 
 Perichares philetes.


 Nos municípios de Queimados e São Fidélis (RJ), respectivamente 98% e 95% da cobertura original de Mata Atlântica encontram-se desmatadas. Em Cantagalo e Porciúncula (RJ) e Carangola e Coronel Pacheco (MG), esse percentual é igual ou superior a 90%. Encontrada nas seguintes unidades de conservação: Reserva Biológica do Tinguá (RJ), RPPN Fazenda São Lourenço (MG) e RPPN de Marcos Vidigal (MG) (CNCFlora, 2012). Devido ao seu hábito epifítico, suspeita-se que a espécie apresente um crescimento bastante lento, de forma que o tempo de geração é estimado em cerca de 10 anos. Dessa forma, considerando o forte declínio populacional ocorrido no passado e todas as ameaças às quais H. perrinii está submetida, é possível suspeitar que a espécie venha a sofrer um declínio populacional de pelo menos 30% nos próximos 30 anos. Pelo exposto, a espécie foi considerada “Vulnerável” (VU). Apesar de receber visitas de beija-flores, borboletas e abelhas, apenas a borboleta Perichares philetes aurina Evans (1955) (Hesperiidae) é o polinizador efetivo (Fraga et al., 2009). Possui crescimento clonal e ocorre em locais sombreados (Fraga et al., 2009). Em áreas de afloramento rochoso, ocorre na base do caule e nas raízes grossas de paineiras das pedras (Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A. Robyns) (Fraga et al., 2009)."

Abaixo, em nosso próprio mapa da distribuição dessa 
espécie, consideramos a provável área original de 
ocorrência ou com potencial para sustentação
 ecológica desta rara espécie; parece nunca
 ter sido abundante em nenhum lugar.


Essa região está localizada nas fronteiras do RJ/MG e do ES/MG, também registra-se a espécie para a Serra do Mar do RJ e ES; sua maior ocorrência verifica-se na faixa de altitude de 500-700m, mas avança até os 1.000 m. Reporta-se atualmente : L. perrinii não é mais abundante em lugar nenhum.




O botânico F.C. Hoehne relata um interessante detalhe sobre a fronteira dos três estados onde essa espécie ocorre, perrinii era frequentemente encontrada nos mesmos habitats onde ocorria a Miltonia clowessii ( fotos abaixo ), formando uma evidente associação, devido as demandas ecológicas similares.



Um já quase octogenário orquidófilo da região de Carangola- MG e Porciúncula - RJ, contou-me um interessante detalhe, similar a esse da M. clowessi, numa conversa na década de 80. Durante o desbravamento dessa região, a partir do final do Séc. XIX, apareciam concomitantemente a L. perrini e a temida e rara serpente Surucucú-Bico de Jaca ( Lachesis muta ); onde havia uma encontrava-se a outra .


Provavelmente ambas as espécies, a orquídea e a serpente, necessitavam das
 mesmas matas primárias e se estabeleciam aparentemente associadas.

Vê-se bem as escamas carenadas ditas: "bico de jaca".

O " Bico-de-jaca" do nome comum, refere-se a comparação da pele carenada dessa espécie, com um tipo de acabamento comum em artefatos de vidro ou cristal, são superfícies ásperas e cheias de conezinhos, igual a textura em alto relevo da casca da jaca. O veterano orquidófilo relatou-me sobre os acidentes ofídicos com essa serpente eram quase sempre dolorosos e por fim mortais, é grande a quantidade de veneno nos maiores exemplares.







O amigo Genilson Buzzi de Santa Maria Madalena- RJ nos conta sobre a L. perrinii:

"Encontrei apenas uma touceira de perrinii (em uma mata preservada no lado do interior) vivia sobre detritos sobre uma grande rocha. Tive a oportunidade e alegria de apresentá-la a dois biólogos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro que estavam realizando um estudo de catalogação para um trabalho de reprodução e reintrodução de Laelias em extinção no Estado do Rio de Janeiro (além da perrinii, também a tenebrosa, lobata e fidelensis), levaram duas frentes para realizarem polinização cruzadas com o plantel do Jardim Botânico. Quando era mais jovem (a cerca de 12 anos atrás), tive a oportunidade de conversar com um velho orquidófilo madalense, o saudoso José Correa Guinâncio, que deveria esta com os seus 80 ou 90 anos, o mesmo me contou que a perrinii era abundante em Madalena, mas devido a coleta indiscriminada (informou que saia caminhonetes cheias de plantas) a mesma foi praticamente extinta, talvez ainda exista em locais de difícil acesso."


A espécie é de crescimento mais moroso, tendo em vista a média das espécies próximas, essa característica talvez seja a causa da sua raridade em cultivo e na natureza. As recorrentes queimadas nas montanhosas regiões de seu habitat, sujeitas a períodos secos, desenhou nesses planaltos e serras um mar de morros desflorestados e poucas ilhas de vegetação remanescente da Mata Atlântica original. É nesse cenário tipicamente interiorano que a espécie ainda, esparçadamente, sobrevive. Infelizmente está, já a décadas, na lista oficial das espécies vegetais ameaçadas de extinção no país.


Rara na natureza e incomum no comércio, essa espécie medra em cultivo com perceptível desconforto; ao contrário de outras Laelias de crescimento tão vigoroso, ela é raramente vista entouceirada, sendo muito menos vigorosa que as conterrâneas: L. tenebrosa, L. crispa e C. warneri. Parece ter em cultivo aquele mesmo crescimento lento e titubeante de outras espécies raras e de distribuição vizinha dos seus habitats (C. velutina, schilleriana e porphyroglossa); pertence a esse grupo de orquídeas notoriamente difíceis de se cultivar .



Se é uma planta pouco colaborativa em cultivo, porém é muito distinta e logo surge uma forte atração pela elegância e pelo peculiar vermelhado de suas partes vegetativas. Não se enganem nos cuidados necessários porque ela morre a toa, geralmente desidratada. No geral cultiva-se e aduba-se como as cattleyas: no tempo quente, muita água e nutrientes; no frio é melhor ser apenas nebulizada (é planta exigente, se for possível use água de chuva).



Prefere vegetar nos ambientes com muita umidade noturna, sempre muito bem ventilados. De 20 a 27°C é o patamar de temperatura recomendado, o calor acima de 32°C já lhe é destrutivo e pouco tolerado. A utilização continuada de água da chuva pura é fundamental para essas espécies de enraizamento difícil, por consenquência da falta de raízama tendem a desidratar com facilidade. Embora tolerem vários tipos de substratos, o enraizamento é sempre lento e mexer no sistema radicular quando já estabelecido é bastante contra-indicado . O melhor é sempre que possível plantá-las em resistentes, secáveis e duráveis substratos de madeira, assim não serão perturbadas por bom espaço de tempo.


Plantas semeadas artificialmente e já floridas pelas primeiras vezes são as melhores opções de aquisições, estas já estão plenamente adaptadas às condições médias de cultivo. Dentro do quadro de desenvolvimento de uma semeadura artificial, as perrinis de genética mais selvagem, portanto muito exigentes e ortodoxas na demanda pelas condições do habitat natural, morrem novinhas, ainda dentro do vidro, ou já nos vasos coletivos, ou ainda nas demais etapas de crescimento, mas sempre antes da primeira floração em cultivo.


Sobrevivem então somente as adaptáveis nas condições médias dos orquidários comerciais , essas quando já mais adultas e cheias de reservas nos psudobulbos, podem sobreviver à transferência para os nossos orquidários amadores, onde o clima não é tão controlado como nos estabelecimentos comerciais.


As plantas oriundas da natureza, ou de locais próximos ao habitat natural, logo feneceram desidratadas nos meus cultivos, onde tantas outras prosperavam, as perrinis declinavam. As que tenho atualmente, já ligeiramente entouceiradas, são de cruzamentos e comprei-as de orquidários comerciais. Foi assim também com a C. schilleriana, atualmente já se tornou bem menos rara em cultivo, embora esteja quase extinta na natureza. Plantas selecionadas de sementeiras são comuns em coleções contemporâneas; as coletadas da natureza eram igualmente difíceis de serem mantidas em cultivo.


As plantas oriundas da seleção natural são obviamente de adaptação bem mais difícil em climas diferentes. É preciso ter sempre em mente: para essa espécie em foco no artigo, o calor constante é muito mais problemático que o frio agudo passageiro. Embora habite altitudes até bem medianas, em latitudes onde ainda preponderam climas quentes, a L. perrinii não aprecia fortes calores e nem ambientes abafados.


O botânico F. Hoehne, indica objetivamente plantá-la em árvores vivas ( cítricos, hibísco, dracenas são ótimos hospedeiros), já naquele tempo, quando a bíblia da orquidofilia era a Iconografia de Orchidaceaes do Brasil, já se sabia ser a espécie de difícil cultivo. Indicava-se plantá-las em pedaços de madeira ou cascas de ávores resistentes e duráveis. Estas não deveriam ser ricas em tanino, as chamadas madeiras amargosas ( se ficar na dúvida sobre o tipo deixe- as de molho em água pura até o marrom que surge delas desaparecer, troque a água ao menos 3 vezes ) .


Aqui no Sul do país, eu sugiro os nós-de-pinho pequenos, são facéis de achar , ficam muito bons e ajeitados em vaso plástico transparente, com a planta bem a amarrada neles com arame ou cordão resistente usando-se os buracos de dreno para transpassar o nó de pressão.



Todavia, a hibridação poderia nos livrar dessa tradicional falta de vigor e dificuldade de cultivo da espécie, mas nisto também somos limitados, porque sendo uma espécie altamente dominante nos cruzamento, exatamente como ocorre com L. crispa e L. lobata, os seus híbridos ficam muito parecidos com a espécie pura. Constata-se então uma "não-evolução" estética nessas linha de hibridações, ao se usar como genitora qualquer uma dessas "encharutadas"* espécies de laelias já citadas. Resultando em uma má fama, são raríssimos os híbridos delas no comércio.

* Expressão dos orquidófilos catarinense para designar as flores de laelias de forma muito ruim e com sépalas e pétalas enroladas como pequenos charutos.








Híbridos Naturais Registrados pela Botânica:


Da natureza registrou-se no Séc. XIX dois híbridos naturais, o mais famoso é a L. x lilacina Rolfe ( L crispa x perrini ), encontrado no RJ, o qual é a mesma L. pilcheri, depois obtida artificialmente por Veitch.

Acima a Laelia crispa, espécie conterrânea em alguns habitats fluminenses de L. perrini.


L. pilcheri.

A L. x lilacina Philbrick, e depois a L. x sicheriana Rchb. f. , descrevem e registram no Séc. XIX a ocorrência natural no RJ do híbrido entre L. crispa x L. perrinii - é válido botanicamente o nome mais antigo!. A Laelia pilcheri ou pilcheriana, resultou de um cruzamento artificial similar ao natural, registrado em 1868, cruzamento este feito pelos pioneiros e famosos hibridistas da Casa de Orquídeas da família Veitch; são sinônimos portanto. O último nome ficou mais popular e famoso na orquidofilia e por isso utilizo-o também!

Esse cruzamento de Veitch foi comercialmente repetido pelo Orquidário Florália no início dos anos 90, a gerente Sandra Altenburg interessantemente refez alguns híbridos históricos, disponibilizando-os para as coleções contemporâneas.


Laelia Pilcheri ( perrinii x crispa )

Exemplar de L. Pilcheri bastante intermediário entre os genitores e muito simpático.


E o meu agradecimento à Srª. Zita do Orquidário Chácara Suíssa pela cessão desse exemplar do cruzamento de mais de 25 anos atrás. Foi a melhor aquisição feita ultimamente e me deixou muito contente! Trata-se exatamente do tipo de orquídea de meu agrado: laelia, histórica, natural e vigorosa !



O segundo híbrido natural fluminense registrado é a Lc x amoena ( L. perrini x C. loddigesii ), existindo também o registro de um obscuro híbrido mineiro: a Lc x oweniae ( L. perrini x Cattleya ??).



Cattleya lodiggesii
Para enriquecer ainda mais o seu mistério natural, essa espécie de Laelia ainda se viu envolvida num rumoroso caso de paternidade desconhecida. Os mesmos botânicos que a catapultaram à condição de Sophronitis ( ! ), agora propõem: L. perrinii é uma das prováveis progenitoras da misteriosa L. fidelensis.











Híbridos Artificiais Clássicos:


Mas aos admiradores dessa espécie, se não conseguem adaptá-la no ambiente do seu orquidário, resta então sonhar com uma vigorosa L. Lucy Ingram ( L. perrinii x purpurata ) ou uma Lc. Statteriana ( L. perrinii x C. labiata ), que são como super-perrinis, crescem e florescem bem melhor, sendo ambas bastante parecidas com a exótica planta- mãe.

O mais clássico híbrido artificial desta espécie é a Lc. Statteriana ( perrinii x labiata), cruzamento feito pelos pioneiros e famosos hibridistas da inglesa Casa de Orquídeas da família Veitch, em 1893. Nas fotos acima e abaixo, mostramos a versão "às avessas" ( labiata x perrinii ) - cruzamento Orquidário AWZ - fotos e cultivo Roberto Franzotti. Neste exemplar acima o labelo de labiata dominou quase inteiramente a conformação da flor.


Acima um outro exemplar do mesmo lote, porém com o labelo e conformação geral um pouco mais próximos de perrinii. O híbrido em questão deve-se ao resultado do cruzamento de labiata alba com perrinii albescens, está última uma flor bastante esbranquiçada - todavia é uma falsa-alba geneticamente não-recessiva. O resultado mostrou uma progênie majoritariamente de colorido comum, surgindo alguns poucos exemplare mais claros ou albescens.


A Lc. Statteriana semi-alba.

Quando L. perrinii é a "mãe de fruto" neste clássico cruzamento, a sobredominância de seus caracteres tende a ser muito maior e o resultado estético talvez mais interessante. Assim como ocorre em crispa, lobata e purpurata, quando esta espécie é hibridada com outras Laelias - exceto as rupícolas, os resultados estéticos parecem ser muito melhores e harmônicos do que quando cruzados com as Cattleyas.


Vigoroso exemplar de Lc. Statteriana.

O conspícuo vigor de crescimento e a boa armação floral das progênies de hibridações das grandes Laelias brasileiras mostram-se quase inigualáveis se comparado com qualquer outro híbridos do tipo "Cattleya".

Lc Statteriana de perfil.


A forte herança genética de
perrinii sempre manifesta-se em vários detalhes bem perceptíveis, a qualidade técnica das flores de seus híbridos é sofrível do ponto de vista meramente comercial ou orquidófilo-competitivo.

Lc Statteriana - exemplar de melhor forma
mas com armação deficiente.


O híbrido natural entre C. warnerii e L. perrinii jamais foi registrado, as espécies são ocasionalmente simpátricas no ES. Todavia florescem em épocas bem separadas, primavera e outono respectivamente. Esta oposição de épocas de floração dificulta o cruzamento, não bastando a já incomum ocorrência de populações próximas.





L. Lucy Ingram ( perrini x purpurata )
florida e vigorosa,  a dominância de
 formas de L. perrinii é quase total.

O vigor,o número e o tamanho de flores híbridas, são pistas
deste cruzamento, raramente a  espécie apresenta quadro
florífero  e vegetativo com exuberância similar. Se ficar
na dúvida, repare bem no labelo e no porte, que logo
verá  diferença entre Lucy Ingram e L. perrinii.

Abaixo e em sequência: Laelia Lucy Ingram "às avessas" ( L. purpurata x perrinii ) , tantos híbridos comerciais ruins por aí e ninguém refaz essa maravilha de cruzamento, as fotos mostram bem o potencial delas. Parecem plantas tão vigorosas como L. Pulcherrima ( lobata x purpurata ); adoraria tê-lo na minha coleção!


O cruzamento de Pulcherrima x perrinii ( acima ),  nos mostra um quadro impressionante, como a espécie conseguiu dominar mais este cruzamento, certamente desta hibridação poderão surgir exemplares ainda mais fortes e belos. Compraria vários exemplares deste cruzamento sem pestanejar, muito interessante.

Lindo e interessante híbrido.


Acima, para rápida comparação visual das heranças
genéticas desta hibridação rara de ver, mostramos
 a Laelia purpurata típica.

Façam e comprem mais sementeiras e híbridos desta espécie,
 ajudem a manter a Laelia perrinii viva, ao menos em
cultivo ela ainda pode sobreviver,
 evoluir e prosperar !



4 comentários:

  1. Como tudo que vc faz, está perfeito seu blog e muito inteligente .... Parabéns Chico ...

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  2. Muito bom!
    Obrigado pelas informações!

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  3. Muito obrigado pelas informacoes,
    Parabens.

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  4. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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