VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

As Orquídeas e a Princesa Isabel - Introdução



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Uma importante pioneira da orquidofilia
e da floricultura no Brasil do Séc. XIX.


Esta longa e complexa postagem é a minha preferida entre todas as do blog, está dividida atualmente em quatro partes. A última parte trata mais especificamente das fotos antigas de orquídeas, fotos essas da coleção de D. Isabel, da botânica, do paisagismo e da horticultura envolvida com a biografia da princesa. Caso não haja interesse do leitor pela parte histórica, adiante-se e vá logo para a última parte. Sendo fruto de uma pesquisa de muitos anos, a especial seleção de fotos disponibilizada ficou muito ilustrativa, e mostra, por si só , muito mais que o texto resumido. As fotos proporcionam uma viagem no tempo ! Durante anos quis saber mais sobre esse assunto, todavia não tinha como acessar livros específicos e raros, sofri por não ter como me expandir no conhecimento histórico deste período. Reuni então um acervo de fotos e informações, agora gentilmente divido-o. Trata-se de um resumo simplório, feito para quem está na minha condição: não sou um historiador profissional, porém gostaria de saber um pouco mais do lado pessoal destas pessoas que tiveram importância no cenário do Brasil monárquico. Foram necessários 5 anos de leitura informal, porém dedicada. para configurar uma observação mais clara, e menos fragmentária, deste conjunto de personas históricas ligadas por laços familiares.



Ofereço ao leitor sem recursos e tempo para livros e pesquisas, a facilidade de 
um generoso resumo ilustrado, algo que eu mesmo jamais consegui obter!





O Brasão da Dinastia de Bragança ainda paira soberano
sobre um dos portões de acesso à Quinta da Boa Vista no RJ.


Click aqui para acessar a PARTE I.
É pela imagem desse emblemático portão, recentemente
restaurado, que iniciamos a postagem mais longa do blog.
O início do ambientalismo no Brasil mescla-se com a
 história do Império das Selvas do Sem Fim.



"Condenado a ser exato,
quem dera poder ser vago,
ludibriando igualmente
quem voa, quem nada, quem mente,
mosquito, sapo, serpente."



"Que tudo passe e... 
passe muito bem ."
 



Paulo Leminski

 





A) Introdução e Descrição do Espírito de Época :



Ao ver as duas fotos antigas de alguns exemplares de orquídeas reunidos, fotos essas pertencentes ao acervo da Família Imperial Brasileira, me surpreendi bastante, não esperava encontrar fotos tão singulares e antigas. Como já conhecia a biografia da Princesa Isabel, ela era uma apaixonada orquidófila e colecionadora de rosas, aventei que talvez as fotos poderiam ser da coleção de orquídeas dela. Poderiam também ter origem na coleção do imperador, o característico fundo e a qualidade geral das fotos, remete-nos ao pioneiro estúdio de Joaquim Insley Pacheco, fotógrafo oficial da Casa Imperial. Só conheço registros das orquídeas pertencentes ao imperador, invariavelmente correlecionados com a coleção da princesa. A quem perteceriam e de onde seriam originários aqueles exemplares ?



 Se o tempo é relativo, se tudo não cessa de acontecer e continua acontecendo numa dimensão quântica, então eu vou me permitir a ousadia deapresentar esta respeitosa reverência digital .
Talvez assim consiga dar cor e vida ao aquém !


As fotos dos interiores e quintais das residências oficiais daquele tempo são escassas e de pouca nitidez. Eram pessoas recatadas e sua vida íntima deixou relativamente poucos vestígios visuais. Recentemente, em virtude da publicação de mais de mil fotos inéditas, pertencentes à coleção de D. Isabel, e de posse de sua última neta viva - D. Tereza, ficamos conhecendo um pouco mais da vida privada dessa personagem histórica.


As fotos das orquídeas eram botanicamente cativantes, os exemplares fotografados estão todos floridos, metodicamente arranjados para o registro, mostrando espécies incomuns e de difícil identificação. Não seriam plausíveis para a prosaica coleção de uma princesa que apenas gostava de flores vistosas. Sabiam decerto da raridade e queriam registrar fotograficamente aquelas plantas inusitadas, todas de origem amazônica; são espécies raras e difíceis de se obter registros visuais até hoje. Como antes já tinha me interessado pela vida dessa nossa ancestral governante, imaginei um resumo biográfico. Porém seria um resumo regido pelo ponto de vista do surgimento das pioneiras atenções dos governantes brasileiros para com o imenso patrimônio natural do país. Focamos também no começo histórico da orquidofilia no país onde há tão renomadas espécies. Se fazia necessário abordar uma época, então resolvi aumentar o espectro de exposição e mostrar a linha do tempo completa no possível aos meus poucos conhecimentos.



Lendo uma mais recente biografia da princesa, primorosamente elaborada pelo autor Roderick Barman, percebi no texto, ela, tal como outros antepassados ilustres, de fato gostava de gastar tempo com o cultivo de plantas e isso lhe proporcionava evidente prazer. Pelo desenvolvimento deste artigo ficarão expostas as possíveis origens das plantas amazônicas registradas nas fotos antigas. Correlacionaremos as fotos com a presença de um botânico buscando ascensão e destaque no serviço público imperial. Tudo parece indicar: esse personagem está ligado com essas espécies das fotos, elas possuem boas chances de terem sido coletadas por ele.





Acima a máquina de daguerrótipo e abaixo um primitivo retrato do imperador pioneiro em fotografia, reparem o equipamento para manter a cabeça imóvel para então realizar um registro nítido, era um tempo de posar longamente e ficar bem quieto para a foto sair boa. Fotografia era novidade e mania naqueles tempos, não podemos comentar essas imagens sem citar o seu contexto de época.

Posando com um amparo de cabeça
para não estragar o daguerrótipo.


As fotos das plantas poderiam ser da coleção de orquídeas dela, ou então da coleção do imperador, ou ainda e também e bem provavelmente, serem fotos presenteadas pelos botânicos amigos, esses certamente forneciam exemplares para a coleção da princesa. Poderiam presentear fotos de plantas raras também ! Era uma época onde o imperador seguia com paixão a moda romântica de tudo colecionar: antiguidades, minerais, curiosidades, múmias e muitas outras coisas; nesse contexto lindas e raras orquídeas seriam sempre muito colecionáveis !

Estufim vitoriano para abrigar coleção de plantas .

Como diz Levi-Strauss, os homens são, por definição, seres que colecionam e classificam. Tendem a entender sua vida construindo grandes esquemas de classificação, se constituem, por outro lado, em formas de naturalizar e de domesticar as irregularidades e o próprio cotidiano. Stocking Jr chamou de "era dos museus" a esse período do Séc XIX em que a excentricidade era catalogada e alocada em etiquetas, prontas para a exposição e deleite de uma população ansiosa por conhecer as novas terras e colônias do Novo Mundo e do Antigo Oriente bíblico.

Acima touros alados assírios em Londres e estatuetas egípcias em Paris, parte das imensas coleções de antiguidades orientais alocadas nos museus europeus. Havia acirrada competição entre as potências da época também no acúmulo de arte, antiguidades e coleções de ciências naturais. Todas as casas reinantes por lá e a maior parte dos muito endinheirados, fossem nobres ou burgueses, decididamente participaram dessa onda cultural de colecionar raridades. Desses acervos surgiram - depois de estatizados , doados ou simplesmente reunidos - os riquíssimos museus nacionais, até hoje são de visita quase obrigatória aos turistas que passeiam pelas grandes capitais do velho continente. No Brasil não foi diferente, embora em escala bem meno. O que há de mais valioso em nossos museus históricos, antropológicos ou de ciências naturais, remontam a sua aquisição ou coleta à essa época; já no EUA a formação de acervos significativos desses tipos foi mais tardia.

O surgimento do nome científico Cattleya exemplifica bem o espírito da época, trata-se de uma homenagem botânica a William Cattley, colecionador e comerciante inglês de plantas exóticas, em cuja grande coleção esse tipo de planta floriu, pela primeira vez, em 1819. Considerada por muito a mais bela de todas as flores , a partir daí entraria em cultivo sistemático.



No caso, era uma C. labiata e estava num lote de plantas adquirido de um coletor que as trouxe do Brasil. No momento da aquisição, os exemplares não estavam floridos, encontravam-se misturados com outras espécies de não-orquídeas de menor realce ornamental. Assim chegou à Europa a linda orquídea, sem se saber, ao menos, de qual região brasileira era proveniente ! Décadas se passaram até solverem o mistério da origem, sem sucesso muitos vasculharam matas e sertões, acharam outras espécies parecidas, mas não aquela encantadora primeira. Demorou até que a labiata , única espécie desse tipo de orquídeas de floração no início do outono, fosse reencontrada nas serras mais altas de Alagoas e Pernambuco.

Veja aqui um artigo em inglês do Chadwick & Sons Orchids 
 sobre  a história da descoberta e da redescoberta da Cattleya labiata.


Sala do Museu do Hermitage em S. Petersburg e clientes
numa galeria vitoriana de pinturas.

Veja aqui um artigo completo sobre as coleções do imperador,
 seu museu particular e sobre a moda de colecionar no Séc. XIX


No jornal O Paíz, um artigo intitulado "Acervo Augusto", sobre as coleções de Pedro II:
"[...] relíquias de Herculanum e Pompéia (as cidades que o Vesúvio soterrou). Estatuetas, hermas, caçarolas ou panelas, vasos, repuxos, trabalhos de cerâmica, de ferro e de bronze. [...] armas modernas e antigas da Ásia e da África, yatagans recurvados dos ferozes guerreiros syrios e árabes, espadas e punhaes de aço legítimo de Damasco, escudos e elmos. Ainda a gente islamita figura no museu pelos seus instrumentos de música civil e militar. A história e a civilização da América ali tem conspícuo lugar, desde os Incas até os nossos dias. A anthropologia indígena tem objectos de estudos nas múmias e nas igaçabas, nos corpos e nas cabeças mumificadas ou pelo tempo ou pela arte. Há ali uma cabeça de guerreiro mumificada e tão reduzida, que parece a de uma criança..."

Portanto focamos no hábito cultural de colecionar e na valorização mítica da natureza brasileira nesse período da segunda metade do Séc XIX. Partindo dele, vamos adentrar numa viagem pelo tempo, seguindo como guia a biografia da princesa, mas também descrevemos os personangens históricos correlacionados. O Brasil nasceu e mantém-se uma nação cabocla, faceira, de população eminentemente pobre. Mas a natureza é faustosa e a elite sempre teve um certo bom gosto, este bom gosto despido de jóias e de grandiosidades grandiosas demais, destas capazes de ofender aos que sofrem as agruras materiais. A nossa monarquia era brejeira, e como tal, graciosa de movimentos; cumpriu seu papel integrador e entregou uma nação coesa à quartelada militar que a defrenestou.


A orquidofilia nasce nessa época e dentro desse quadro histórico de renovação, exuberante em iniciativas culturais particulares e estatais. Todos eram incentivados a colecionar algo !


Foto posada da princesa, muito provavelmente próxima do início da década de 1860. Nessa foto se observa um característico fundo, parece um tecido forrante ou cortina, o encontro desse mesmo fundo com o piso é um um importante detalhe que se repete nas fotos das orquídeas e em outras fotos da família imperial. Esse detalhe é uma boa pista para a datação das fotos das orquídeas mais abaixo analisadas. Inicialmente interpretei esse local como um estúdio particular de D. Pedro II, mas por análise comparativa, identifiquei-o como o estúdio do fotógrafo Insley Pacheco.



O Imperador foi um dos pioneiro da fotografia mundial, acima aos 22 anos, em 1846,
nessa época, e com esta face ainda jovem, foi pai da princesa Isabel.



O único autoretrato de fato assinado e um sofrido estudo fotográfico da pobre imperatriz , com o dedinho no rosto, o estilo nem sempre é elegante no resultado dos click imperiais dessa época.


Fotos eram uma empolgante novidade.



Uma estereoscopia dos jardins recém implantados no Palácio de Verão em Petrópolis, na década de 186o. Este tipo de foto duplicada dava ao observador uma ilusão da realidade tridimensional, desde que vista numa certa distância ou usando-se dispositivos óticos apropriados. Um truque ótico muito usado como atrativo nessa época de tantas novidades tecnológicas.










"Passado: É o futuro, usado."
Millôr Fernandes


" Não me preocupo com o futuro:
 muito em breve ele virá."

Albert Einstein


"De profundis 
clamavi
 ad te"

Salmo



B) Biografia: Personalidade, Educação, Familiares e Residências:

O contexto dos livros alvejam as situações históricas , por vezes com uma angustiante falta dos detalhes pessoais dos vultos protagonistas. São conhecidas muitas fotos desse período, porém quase sempre são posadas em estúdios, circunstância necessária para obtenção de um bom registro de luz com o equipamento existente na época. Muitos aspectos cotidianos, importantes por sua relevância histórica, deveriam estar bem registrados e publicados, todavia são mal conhecidos, exceto pelos especialistas no assunto. Como estamos num blog, vamos aproveitar o conforto de expressão desse espaço cultural menos formal, para então simplificar o modo de comunicação. Vamos privilegiar a informação visual e os aspectos humanos. sem perder o conteúdo, a seriedade e o linha histórica dos acontecimentos.



Acima, uma boa foto da Condessa de Barral,
 junto ao primeiro filho de D. Isabel.

Apresento-a primeiro, por considerá-la como uma influência das mais construtivas sobre o caráter e modo de ser de D. Isabel. D. Luísa Margarida foi durante anos a aia e preceptora das princesas pré-adolescentes, começou seu trabalho quando D. Isabel tinha cerca de dez anos de idade. 



Era brasileira e filha de um importante diplomata baiano, o Visconde da Pedra Branca, famoso por conseguir contratar o segundo casamento de D. Pedro I . Na época da foto mais acima ela já estava ficando senil, embora tenha tido cabelos brancos desde nova, também já estava viúva do conde francês com o qual compartilhava o título. A foto é de 1885, ela faleceu cinco anos depois.


O rapaz sentado é Dominique de Barral, era tratado como afilhado do imperador e "quase- irmão" de D. Isabel. Foi criado praticamente junto com as princesas, em função do trabalho de sua mãe. D. Luísa concebeu-o perto dos 40 anos de idade, sendo esse seu único filho. Adulto, Dominique casou-se com a irmã mais nova de Amandinha Paranaguá - a melhor amiga de D. Isabel. O casamento foi muito comentado na imprensa da época e a noiva pertencia à uma abastada família. A presença em peso da família imperial ao casamento despertou algumas críticas na imprensa. O fato raro foi a rápida ascensão da gentil governanta e empregada de luxo, a pequena senhora encantou o monarca e suas filhas, logo agregou-se à intimidade familiar do núcleo familiar imperial, este sempre reservado e de poucos amigos.


A personalidade tímida e reclusa de dom Pedro II encontrou um complemento 
 perfeito na extrovertida condessa de Barral. "Ela foi uma porta aberta
 para um mundo que ele só conhecia dos livros" - Mary Del Priore


 Filha de diplomata brasileiro servindo na Europa, desde jovem
já gostava de se vestir bem, desenvolveu uma prosa irresistível.


D. Pedro em seu diário: "...ela fez a reverência de forma soberanamente submissa... 
transformava a reverência em obra de arte". Destacava-se na acanhada 
corte brasileira pela cultura e elegância

Acima uma boa foto da Condessa de Barral ainda jovem, numa rara imagem colorida. Mesmo sendo 9 anos mais velha que Pedro II, já tinha mais de 40 anos ao conhecê-lo, foi a grande paixão do imperador. Embora o tenha seduzido por completo, desde a primeira reverência, evitou sua cama até enviuvar. Agiu como uma Sherazade brasileira, encantando o governante poderoso com histórias e agradável companhia, histórias e conversas sem fim.


 Teve seu único filho já aos quarenta anos, na foto
 acima deveria ter perto de 45 anos.


Ela era charmosa e "maravilhosa", ele era pesado e circunspecto. Foi descrita como uma mulher pequenina, culta, bem articulada, poliglota, dominadora. Educada na França mostrava-se sempre elegante e refinada. Tornou-se amiga e a maior paixão de D. Pedro II. Por ser a preceptora plena das princesas, definiu muitas características marcantes na formação de ambas, foi muito íntima da família imperial até o fim dos seus dias.



Foi especialmente contratada para a função e educou as princesas com sucesso, também ensinou-as como portarem-se socialmente, ainda ajudou na contratação de bons casamentos para ambas. Por essa forte influência e direção na constituição dos modos e visões de D. Isabel , podemos considerá-la como sendo a sua "mãe espiritual". Devido à proximidade e convívio, envolveu-se emocionalmente e foi amada por D. Pedro II com longa persistência. Sagaz e de ampla vivência, era exatamente o tipo de mulher apreciada pelo imperador, em suas fotos também aparece sempre com um livro na mão, tal qual ele.



A elegância discreta da princesa, em 1861, tinha
dedinho francês da "fadinha" por trás.






Aos 25 anos já mostrava-se um monarca modesto e liberal, mas
de grande brilho pessoal - foto de 1853.



A imperatriz foi amargamente obrigada a tolerá-la, enquanto durou a educação das princesas. Depois dos casamentos das moças, a condessa retornou à França, mas não cessaram suas relações com o imperador e com a pupila herdeira do trono. A correspondência foi sempre incessante , acompanhava-os quando em viagens, assessorando em roteiros, comportamentos e etiquetas. O imperador destruiu as cartas da Barral, ela não fez o mesmo com as dele. Sobraram muitas, essas nos mostram uma paixão intelectualizada e cheia de situações esporádicas inesquecíveis para ele. O imperador teve inúmeras outras amantes, todas bem menos sofisticadas e importantes.


D. Pedro II aos 44 anos


D. Pedro II foi mais que um pai para D. Isabel, ele era uma referência absoluta de idéias e comportamentos. D. Pedro marcava por ser culto, de natureza solitária e científica, nunca teve um secretário particular, era um romântico completo, escrevia muito e com uma letra muito difícil de se ler, seus papéis eram uma "gigantesca bagunça" conforme constatou sua filha durante sua última regência


Aos cinquenta anos.


A foto mostra o olhar visionário de uma pessoa culta, ele tinha plena noção da importância de sua atuação histórica, seus atos e atitudes nos comunicam toda esta reta-percepção. Sentia-se muito entediado pelas circunstâncias político-econômicas de sua época; adorava viajar e conhecer lugares, cientistas, pensadores e artistas.

A célebre Condessa de Barral em foto de 1885
- seis anos antes do seu falecimento na França.

A condessa fez um trabalho notável, nenhuma outra brasileira teria sido capaz de realizá-lo tão bem - educou princesas. Ao vê-las bem casadas, por fim recolheu-se a sua casa de campo na França , transformando-se numa lendária figura histórica. Muito mais que a própria mãe de D.Isabel, ela foi preponderante e influente na biografia da princesa orquidófila.


Apaixonado pela Barral, uma mulher discreta e sem traço de
vulgaridade, ele coletou flores e pedras, ela colecionava, até que morte os separou.

D Pedro II, o querido e referêncial "papaizinho" da princesa "matraquinha" - ela já casada, 30 anos de idade e regente do país, ainda usava estes termos familiares em suas cartas. Pedro II era um homem fortemente intelectualizado ou, por outro lado, talvez desejasse fortemente parecer sê-lo. Alguns mostraram-se convictos em descrevê-lo mais como enciclopédico do que como intelectual. Mostrava-se frequentemente desgastado pelos "maçantes " - o termo é muito usado por dele e pelas princesas - problemas de governo. Amargurava-se com a difícil liturgia política do seu cargo e dizia adorar ser apenas ministro.

 
Império é um reino muito grande e vasto, por ocasião da independência, para ajudar D. Pedro I a se afastar da sua natural condição de herdeiro do Reino de Portugal, mudaram o nome do nosso país para Império do Brasil. Sendo Imperador do Brasil, logo talvez não fosse Rei de Portugal. Como D. Pedro II registrou em seu diário de 1871: "preferia ser mestre escola a transformar-se em Imperador". Ainda adolescente, deixou registrado o quanto custou-lhe os cortejos e festividades do dia de sua coroação, já nasceu velho de espírito!

"A Ciência sou eu !" - Dizia fazendo pilhéria
de si mesmo o mais ilustre dos brasileiros.


O imperador chega ao Senado para abrir o ano legislativo.

A monarquia brasileira era constitucional e parlamentarista. Quem governava de fato era o chefe do gabinete e dos ministros, indicado pelo imperador dentro dos quadros do partido ganhador das eleições. Pedro II era uma espécie de versão masculina da Rainha Vitória da Inglaterra, com algum "molho francês" ligando-o ao modelo de monarquia constitucional-cidadã dos Orléans, sempre enfurnado em estudos e mais estudos para ser o mais contemporâneo e racional possível!



D. Pedro orgulhava-se de dizer:

"Eu só governo duas coisas no Brasil:
a minha casa e o Colégio Pedro II.
"


Mas era só falácia, ele tinha controle de todos os acontecimentos decisivos, além de inspecionar com olhos atentos a burocracia mais importante. Foi duramente educado para governar com discrição, bom senso e responsabilidade e assim governou, nenhum grave erro de orientação lhe foi posteriormente atribuído.




Os conservadores , liberais e republicanos
estavam sob a tutela vigilante do imperador.



A imperial centralização do poder na Corte do Rio de Janeiro é mostrada na charge: D. Pedro II e a Corte Imperial, em forma de uma gentil senhora com a palavra "corte" no vestido, recebem as províncias simbolizadas por indígenas com os nomes dos atuais estados no cocar. O título de "Império", ao contrário do de "Reino", já demonstrava um resistente ranço autoritário e ainda colonialista. Embora fosse muito democrática para o seu tempo, a Constituíção brasileira era cheia de salvaguardas imperiais, e a centralização do poder impedia as tentativas de separação das províncias, espalhadas num território continental. A ótima charge mostra tudo numa eloquente imagem.



O Senado das Câmaras era o centro de decisão,
logo abaixo do Imperador.

O voto era censitário , votavam apenas selecionados eleitores homens , alfabetizados e com recursos financeiros, eram 13% da população - no mesmo sistema votavam na Inglaterra 9% e nos EUA 18%. Os Partidos Conservador e Liberal disputavam o poder sob a supervisão das barbas do imperador. O modesto monarca ganhava o equivalente à metade do salário do Presidente dos EUA.

Quem governava eram os políticos eleitos - D. Pedro supervisionava tudo,
como lhe assegurava a abrangência do constitucional Poder Moderador.



O famoso gabinete liberal de 1871.

Esse era o processo usual nessa época e não se cogitava uma democracia mais ampla. O imperador , detentor do Poder Moderador, poderia então intervir em tudo, até mesmo na Justiça, mas preferia supervisionar atentamente, como sendo uma instância para grandes decisões. Simples e poderoso, assim gostava de apresentar-se publicamente, sobretudo após 1870, quando esculpiu ainda com mais cuidados e intenção essa feição híbrida de monarca-sábio-cidadão. O Brasil era uma nação monárquica com um governo quase republicano, uma barafunda política derivada da insegurança vivida no passado e da pouca maturidade política da sociedade brasileira da época.



Um monarca acadêmico.

Entre tantos gostos científicos cultivados pelo imperador, o pela astrônomia pode ser percebido pelo significativo observatório que mandou instalar na cobertura do Paço. Ficava à direita, bem em cima da sua biblioteca particular - 23 mil livros - cuja a entrada ainda sobrevive , em 1910 o observatório de madeira já bem danificado pelo tempo foi desmontado. Na primeira ilustração podemos vê-lo , de chapéu na mão, ao lado de um telescópio na cidade de Olinda -PE. A oposição destilava veneno mostrando-o mais preocupado com as estrelas no céu e menos com os problemas brasileiros.


 Observatório Nacional - Morro do Valongo no Rio - 
fundado pelo imperador astrônomo.


Foi um governante extremamente popular e respeitado, dentro e fora do país,
nas décadas de 50 a 70 do Séc. XIX.

Para relaxar colecionava livros, fotos, objetos e artefatos que não necessitassem muito além da sua simples aquisição, desfrute e armazenamento. Montou um museu particular no Paço de São. Cristóvão, algumas peças estão entre as mais valiosas expostas no país até hoje. Costumava bradar, para quem quisesse ouvir: "A ciência sou eu", num bem humorado paralelo, parafraseado do clássico dito de Luiz XIV. Todavia seu bordão preferido e marca registrada era a frase : Já sei! Já sei! . Pedro II tinha 1,90 m de altura, sua voz estranhamente fina e estridente não harmonizava em nada com seu tipo físico, seus olhos eram tristes desde rapaz e eram de um azul profundo. As pernas finas e a gordura na barriga e tórax contrastavam quando vestia os trajes imperiais formais, estes mais pareciam trajes carnavalescos.

Às crianças, estudando a História do Brasil, pode parecer que ele já teria nascido velho, mas a figura patriarcal e despojada era proposital e cabível para a situação institucional por ele enfrentada. Suas atitudes e gostos estavam sempre à frente do seu tempo, são até hoje respeitáveis. Acho-o um vulto histórico interessantíssimo e excepcional. Percebe-se a coincidência de caráter e interesses dele com os sua mãe, por isso vale a pena descrevê-la.




Palácios de Hofburg e Schönbrunn - Viena na Áustria. O fortíssimo contraste entre o extremo luxo e refinamento das regalias vienenses e as acomodações improvisadas  onde viviam os exilados da corte portuguesa no Rio de Janeiro, nos fazem ter idéia do sacrifício imposto à arquiduquesa. Os exorbitantes gastos que o embaixador português - o Marquês de Marialva - fez para impressionar a corte vienense, no momento em que se fazia o pedido oficial de casamento, as baixelas de ouro, a profusão de diamantes, as quarenta carruagens em cortejo; tudo isto estranhamente converteu-se no pobre e tosco cenário das instalações cariocas. Podemos postular que o cerimonial de noivado e o  dote da noiva foram caríssimos, a "aquisição" da arquiduquesa foi um investimento da dinastia bragantina, ela deveria gerar príncipes com o sangue das duas casas reais e ficar quieta nesta função. Acredito que tenha sido esta a visão de Pedro I sobre sua esposa, que ao final de tudo nem bonita era...

Leopoldina e a irmã Clementina.





A futura imperatriz era culta, porém carente de atributos físicos, o oposto
de seu esposo, tido como um dos mais belos e mal educados
príncipes europeus do seu tempo.


A austríaca ( entenda como alemã católica ) Leopoldina de Habsburg- consorte de D. Pedro I e mãe do segundo imperador - tinha conhecimento e gosto pessoal pelas ciências naturais. Os dois primeiros naturalistas a descreverem sistematicamente a flora e a fauna brasileira, vieram no seu séquito científico.


Alinhar ao centro
Desembarque de D. Leopoldina no Rio de Janeiro, em 1817;
as palmeiras mostram o entorno do morro do Mosteiro de S.Bento.


Traje da Imperatriz.

Como tantos outros estrangeiros que aqui residiram, deprimiu-se com o passar do tempo. Achou conforto na contemplação e no estudo da natureza. Despachou para os museus de Viena coleções substanciosas de biodiversidade brasileira, estas nem foram valorizadas em sua pátria. O rumo de sua vida levou-a a um desmerecimento muito agudo, temia-se mesmo que acabasse por ser prosaicamente envenenada pelos alpinistas sociais e pequenos canalhas do entorno de Pedro I.





Nunca foi bonita, aqui, progressivamente escandalizada e deprimida, tornou-se glutona e desleixada com a aparência. Intelectualizada, desprezava as veleidades, o esposo apreciava o tipo físico oposto, gostava de mulheres coquetes, vaidosas e sensuais. Gostava muito ! Todavia cumpria seu dever de estado, mantendo-a permanentemente grávida, sete gestações em nove anos; assim viveu.



Pedro I comia apenas usando as mãos, temendo ser considerada esnobe, Leopoldina abandonou os talheres usados na Europa. Incomodada pela falta de limpeza geral no palácio, inclusive dos banheiros, recebeu uma aula do marido para cumprir suas necessidades ao ar livre, no mato. Repetidas vezes, a imperatriz se queixava da falta de higiene em que vivia.



Louison - Imperatriz dos Franceses, sacrificou-se
para salvar o pai e a Áustria da destruíção
das Guerras Napoleônicas

À  irmã e confidente, Maria Luísa da Áustria, que Leopoldina chamava carinhosamente
de Louison, foi enviada uma volumosa correspondência, pela qual muito sabemos
sobre os anos iniciais da princesa austríaca no Rio de Janeiro.

Napoleão Bonaparte e D. Pedro I foram cunhados !

"Pedro não se incomoda com a sujeira, com o mau cheiro, com a estreiteza de pensamento. Ele nem se apercebe de que vive num estábulo", assim escreveu Leopoldina à irmã Louison, esposa de Napoleão e imperatriz da França. Solitária e diminuída, tornou-se profundamente desleixada , foi seu fim com esposa !



D. Leopoldina, a cavalo, rumo à Floresta da Tijuca.

 "Não é bonita nem favorece sua 
maneira masculina de vestir-se"


D. Pedro chamava a imperatriz
jocosamente de : a proprietária.

A imperatriz achava imundas as carruagens dos sogros, D. João VI e Carlota Joaquina, não tinha coragem de pôr os pés dentro delas. Daí porque tivesse o costume, raro para uma mulher de sua condição, de só andar a cavalo. Para quem fora criada no Palácio de Schönbrunn, a Boa Vista era um castelo de horrores: "uma construção árida cercada por um lamaçal, montes de esterco e brigas entre alforriados e escravos ". 

Pelo ponto de vista português, sendo bastante realista, podemos vê-la como uma princesa feia, que dificilmente teria melhor destinação dinástica, foi então "adquirida", seu casamento custou uma fantástica fortuna em ouro e diamantes à Casa de Bragança. Sua única função ou utilidade seria gerar  filhos para sucessão portuguesa com sangue Habsburg, e isso Pedro I fez acontecer, portanto ele cumpriu sua função de procriar futuros governantes e foi então se divertir com o que gostava.


No direito romano antigo, o casamento monárquico tinha por função a procriação de pelo menos dois varões, conseguida esta meta , o  casamento tronava-se "aberto", permitindo-se então adultérios não culposos para os cônjuges. O que aconteceu entre o Príncipe Charles e Lady Di está consoante com os costumes antigos,  entendemos que  Lady Di comportou-se de forma muito plebéia, igual à Leopoldina, estranhando, ambas, as escapas dos respectivos maridos, na tradição após terem cumprido a obrigação de estado, teriam direito ao que desejassem em matéria de sexo.O matrimônio dinástico supunha ao consorte o rompimento com a pátria de origem. A solidão, o abandono e a falta de cartas da família de Leopoldina, e muito mais tarde o exílio dos Condes D'Eu na França, mostrariam a força desta tradição: o Conde D'Eu teve dificuldades em voltar a ser príncipe francês .




D.Leopoldina foi mãe de dois reis, ambos amplamente aclamados como ótimos governantes. Lamentável a história de uma moça bem nascida que se empolgou pelo triste trópico e pelo português sedutor. Morreu precocemente aos 29 anos, cercada de constrangimentos e vergonhas, lhe valia o embaixador austríaco enviado para o Rio de Janeiro, por seu pai, para protegê-la. Teria sido agredida pelo marido com um pontapé, para piorar a cena, aconteceu a agressão bem diante da amante dele. A agressão teria provocado um posterior aborto e uma consequente infecção terminaria com seu falecimento. Trágico destino de uma princesa gorducha e estudiosa que embarcou numa aventura tropical por razões de estado . A participação ativa no processo de independência e seu valoroso filho, seriam a sua grande contribuição à formação do país.

 O enterro da imperatriz no Convento de Santo. Antonio.

 Recentemente exumada para estudos, descobriu-se que a imagem consagrada pela iconografia oficial - de que ela era um tanto rechonchuda - não coincide com a verdade. "O natural dela era ser magra. A preservação da espinha nasal indica possibilidade de traços delicados", justifica. "Quando ela morreu, não podemos afirmar se era obesa ou não. Mas, pela ossatura, o normal seria que fosse uma pessoa esguia." Talvez pelo fato de ter vivido grávida na maior parte do tempo em que morou no Brasil, tenha contribuído para que fosse retratada sempre como uma mulher gorda vestida em trapos, cabelos desgrenhados, chinelas e com aspecto geral de uma "cigana em camisolas rasgadas". "Com gravidezes seguidas, não tinha como manter um corpo normal. E, por ser originária de Viena, reclamava sempre do calor do Rio de Janeiro, passava mal. Isso causa inchaço."

 


Spix (1781-1826) e Martius (1794-1868) - respectivamente nas imagens acima - foram nomeados para integrar o séquito científico da jovem arquiduquesa. No período de 1817 a 1820 Dr. Johann Baptist von Spix (Zoólogo) e Dr. Carl Friedrich Philipp von Martius (Médico e Botânico) excursionaram pelo Brasil inteiro. Dessa andança, com o material científico recolhido, escreveram o livro "Reise in Brasilien" , editado em 1823 .



Foi talvez o mais belo de todos os Braganças  - gente normalmente feia -
as filhas Francisca e Amália herdaram-lhe a cativante beleza,
Pedro II herdou-lhe a epilepsia.


Podemos apresentar D. Pedro I, pai de D. Pedro II, como um jovem atlético de cabelos encaracolados, simplório e impetuoso. A exumação de seus restos mortais em 2012, confirmou sua compleição atlética e revelou uma altura próxima ao 1,70m, ou seja, era um tanto baixo para os padrões atuais; também as fraturas em quatro costelas atestam, ao menos, dois tombos dos cavalos que tanto apreciava Os diplomatas e visitantes descreviam-no como um príncipe de porte muito elegante, contrastando fortemente com o restante da família real, composta de pessoas fisicamente horrendas.

 
 Os suntuosos retratos das irmãs mais velhas de Pedro I : D. Maria Isabel e D. Maria  Francisca
 de Bragança,  tentam disfarçar a feiura das princesas, estas casaram-se na Casa Real
  Espanhola  logo após deixarem o Rio de Janeiro,  onde viviam com o irmão,
D. Maria Isabel foi rainha da Espanha, morreria de parto 2 anos depois.

D. Leopoldina, que nem era bonita, se assustou com a aparência dos pais de seu futuro esposo, e deixou esta impressão registrada em sua correspondência. Pedro I apresentaria o mesmo apetite sexual incontrolável e persistente de sua mãe; além da falta de formalidade, de protocolo e a usura profunda herdadas do pai bonachão.


Pedro I foi um juvenil e macunaímico herói sem muito caráter. No seu tempo de Brasil, viveu prolongada imaturidade e foi sempre impulsionado pelos sentimentos e paixões, cercou-se da melhor mundanidade que havia na época. As cartas onde ele se refere ao seu orgão sexual por apelidos, citando-o como se "ele" fosse um ser independente de seu controle, são hilariantes Mostram bem o rapaz imaturo disfarçando ser um governante. Desenhava em suas cartas à amante os seu orgasmos imaginários ou dedicatórios, como que desejando se esvair em  prazer carnal.

Retrato bem realista.

Quando desejava marcar encontros com suas amantes, declarava-se a elas como estando" munido", em 36 anos de vida teve 16 filhos, há quem registre 40, viveu sempre muito "munido"! Com relação ao seu casamento com  imperatriz austríaca dizia certíssimo do dever cumprido: " Nove anos fui casado, nove filhos tive ".
Um monarca dominado pelas emoções, talvez
já pressentisse que sua vida seria  intensa e curta.

 Ele aparecia muito pouco para conviver com a imperatriz desinteressante, mas cumpria regularmente sua função procriativa com a ela, e não só com ela, com muita outras mais, ficavam todas grávidas, talvez assim sossegassem. Também frequentava muito a Hospedaria da Corneta, lugar de prostituição famoso na época. D. Pedro I, na sua fase de vida brasileira, foi um furacão macunaímico, é difícil falar dele muito a sério ! Ele poderia ter feito tudo que fez, mas de outra forma menos contundente, parecia ser de um egoísmo dominante, era regido pelas próprias vísceras. Todavia é o fundador da família imperial e pai de Pedro II, não pode ser ignorado, embora, a meu ver, não deva ser muito idolatrado. Um detalhe pode bem nos demonstrar o que ele de fato sentia, sua alma juvenil e cheia de paixões mundanas pode ser bem percebida na ocasião do casamento por procuração e na chegada da segunda imperatriz D. Amélia, na época com 16 anos de idade. A curiosidade dele sobre a aparência dela pode ser percebida na carta que seu dileto amigo, o Marquês de Resende, enviou-lhe descrevendo-a : “(Amélia) tem um ar de corpo como o que o pintor Correggio deu nos seus quadros à rainha de Sabá. Valham-me as cinco chagas de N. S. Jesus Cristo, já que pelos meus enormes pecados não sou o imperador do Brasil. Que fará o nosso amo na primeira, na segunda, e em mil e uma noites?”. Outra viva prova de seu temperamento, e do descompasso amoroso entre ele e D.Leopoldina, pode ser constatada pela atitude que tomou ao ser informado da chegada do navio que trazia a juvenil nova imperatriz: "consta que o imperador, ao ser avisado pelo telégrafo de Cabo Frio de que o navio que trazia sua noiva se aproximava, pegou, ansioso, um vapor e foi encontrá-la fora da barra da Baía da Guanabara; ao vê-la dentro da fragata, D. Pedro, emocionado, perdeu momentaneamente os sentidos." Desmaiou de emoção ! Ele era assim.

Excelente músico.


Chegando mesmo a engravidar a Marquesa de Santos e sua irmã, a Baronesa de Sorocaba, ao mesmo tempo , esta última era casada e o marido ficou bem quieto achando que levaria vantagem com o ocorrido. Uma mulata paulista deu-lhe uma boa corrida em plena rua, após ele lhe dizer algumas bobagens eróticas. Uns dizem que gostava de cachaça e a consumia frequentemente, seu médico afirma em sua autópsia que ele era abstêmio, ficamos sem ter certeza. Talvez tenha se tornado abstêmio após certa idade, em consequência da progressiva perda de um pulmão e a hipertrofia do coração. Nos seus últimos anos de vida estava com a saúde muito debilitada
 
"Amores da cintura para baixo ! "

A Baronesa de Sorocaba, mesmo casada, foi amante de D. Pedro concomitantemente a sua irmã, a Marquesa de Santos, ela assumia o posto  enquanto a irmã gestava. Um atentado a tiros contra a carruagem da baronesa foi logicamente atribuído à desavença entre as irmãs, o meio-irmão nascido dessa união foi alvo de registrada proteção por parte de Pedro II, bem como foram amparadas suas meias-irmãs filhas da marquesa.


 
 Baronesa de Sorocaba.

Estes fatos eram inaceitáveis para um governante perante a moral vigente no Séc.XIX. Assim como Pedro II já nasceu "velho" e defensor da moralidade, seu pai nunca deixou de ser efetivamente "jovem" e devasso. Sua biografia em terras brasileiras foi circunstancialmente importante, mas fortemente ofuscada pela sua paixão existencial. Mesmo em Portugal e já casado com a jovem belíssima segunda imperatriz, ainda assim produziu filhos ilegítimos !


D. Carlota Joaquina foi fashionist e mesmo vanguardista, foi nossa primeira
 Carmem Miranda. Pedro I era filho de Carlota, e como ela
era atormentado pelo sexo!




Pedro I, o "femeeiro vulgar", pisa nos inimigos na iconográfica "alegoria à nova constituição imperial". A constituição, jovem e bela, e o impetuoso imperador, flertam numa paixão muito rápida, em pouco tempo ele passaria a desejar governar de forma ditatorial. Muitos insistem em que a figura feminina da  "Constituição" foi claramente inspirada nas formas da Marquesa de Santos. "A lista de amantes do imperador é considerável, embora incompleta: Mariquita Cauper, filha do camareiro Pedro Cauper; Ana Rita, mulher de Plácido de Abreu;Joaquina ou Ludovina Avilez, esposa do general Jorge Avilez; Carmem Garcia, esposa do naturalista Bompland; Maria Joana, filha do capitão Ferreira Sodré; Regina de Satourville, mulher de um ourives da rua do Ouvidor; Carlota Ciríaco da Cunha, filha de um rico industrial; Clémence Saisset, mulher de um comerciante francês; e outras, como Joaninha Mosqueiro, que lhe daria um filho, José, nascido em 1829; Luizinha Meneses, Andresa Santos, Gertrudes Meireles, Ana Sofia Steinhausen e Androsinda Carneiro Leão. Do serralho ainda constaram a viscondessa de Sorocaba, irmã da marquesa de Santos; Maria Benedita Delfim Pereira; Luisa Clara de Meneses, mineira de Paracatu, mulher do general José Severino de Albuquerque; Heloísa Henri, mestra de dança francesa, mulher do dr. Roque Schüh; as mães de Umbelino Alberto de Campo Limpo e de Teotônio Meireles; bem como a atriz Ludovina Soares. Nenhuma se negava a d. Pedro I. Por ser rei e por ser fogoso." de Mary del Priore.

Até os 30 anos foi muito vistoso e atrativo.

Seu sogro, o Imperador da Áustria, sabedor de todos os mexericos da corte brasileira, considerava-o com um "patife cruel ". Todo o serviço diplomático austríaco iria agir de modo continuado para  garantir os direitos dos filhos de D. Leopoldina aos tronos do Brasil e de Portugal. Muito da dificuldade de obtenção de uma segunda imperatriz, estava na ação subliminar destes diplomatas , temia-se, que por fim, bastardos ou príncipes nascidos de um novo ramo dinástico chegassem ao tronos bragantinos.

A Constituição Imperial e a "mão de ouro"
 do primeiro imperador.

O primeiro imperador marcou-se pelo perfil mundano, sua educação fora insuficiente tendo  em vista ter sido criado solto nas ruas do Rio de Janeiro em meio a escravaria, temia-se muito a repetição por seu filho do quadro de desleixo e impulsividade que marcou o pioneiro governo. "Embora não haja estatísticas sobre o assunto, é de imaginar-se que as relações extraconjugais fossem correntes, depois do casamento. O adultério perpetuava-se como sobrevivência de doutrinas morais tradicionais. Fazia-se amor com a esposa quando se queria descendência; o resto do tempo era com a outra. A fidelidade conjugal era sempre tarefa feminina. A falta de fidelidade masculina, vista como um mal inevitável que se havia de suportar. Era sobre a honra e a fidelidade da esposa que repousava a perenidade do casal. Ela era a responsável pela felicidade dos cônjuges" de Mary del Priore.



A leitura de seus manuscritos mostram um rapaz de paixões exarcebadas, vulgar demais para o
 cargo que exercia, só se mostraria mais sério  nos cuidados com os filhos, é difícil admirá-lo.



Para se opor à vulgaridade da figura do pai, o pequeno príncipe herdeiro do trono brasileiro seria estupendamente educado, até mesmo os estrangeiros assombravam-se com a cultura, a frieza de temperamento e a mente científica de Pedro II. Nenhum outro governante de seu tempo comparava-se a ele em capacidade intelectual e cultura formal, foi educado propositadamente para ser o oposto de Pedro I : um liberal constitucional por fora e absolutista de tendência por dentro.



Um grande herói de nossa gente, dito "muito fogoso", procurava presas femininas
 pelas ruas e dispunha do amigo Chalaça como assessor e parceiro
 na procura de eventos sensuais ou eróticos.


Criado no Rio do Janeiro,
 tornou-se macunaímico.



D. Pedro I foi um talentoso músico e um excelente carpinteiro, também cuidava e ferrava pessoalmente seus cavalos! Escrevia num português com erros gramaticais crassos, gostava com paixão dda boêmia. Registrou um visitante da casa Marquesa de Santos em São Paulo, já depois da morte de D. Pedro I, tê-la visto fumando um cigarro de palha , descalça e acocorada no chão da cozinha, mostrando assim seus traços culturais bem populares. Mesmos para os padrões simplórios da corte de Lisboa, a conduta do primeiro imperador era absolutamente inadimissível.

A Marquesa de Santos, a que era "bonita sem ser bela",
quase tornou-se a segunda imperatriz.


Felício Mendonça, seu primeiro marido, que chegou a esfaqueá-la , disse claramente
 ao imperador apaixonado durante uma discussão: une catin - é uma puta!

 Pesquisas recentes apontam que esta esperta cortesã trabalhava em exercícios específicos
 os seus músculos vaginais, podendo assim melhor estimular o prazer do imperador.


A solução para o problema da Marquesa de Santos foi a beleza juvenil e a ótima educação de D. Amélia de Leuchtemberg. D. Pedro se interessou muito por ela, ela satisfez plenamente suas demandas sociais e particulares, e a marquesa entrou em declínio na sua vida privada.



Após uma longa e infrutífera procura por uma princesa nas principais casas reinantes européias, a história do martírio da primeira imperatriz ficou famosa em todas as cortes, contratou-se o casamento com a secundária porém belíssima Princesa Amélia Napoleona de Leuchtenberg. A nova imperatriz, de apenas 17 anos, encantou D. Pedro I e colocou fim na escandalosa relação dele com sua famosa amante, todavia em pouco tempo voltou a ter outros casos amorosos e a mesma incessante ocorrência de novos filhos bastardo.





A Marquesa de Santos já senil e morando em São Paulo,
porém ainda muito famosa como amante de Pedro I.


Foi esta mulher aquela mais profundamente amada por Pedro I ! Não fosse a forte atuação do sogro salvaguardando o trono do neto, por muito pouco ela não se torna a segunda imperatriz ! D. Pedro I achou que, tal como os grandes reis franceses, poderia expor sua vida sexual, e que isso seria sinônimo de virilidade. Mas as revoluções liberais já varriam a Europa, e isso passou a ser visto como inconveniente fraqueza.Não havia registro anterior de semelhante comportamento tão lascivo e aberto na corte bragantina, as paixões eram sempre discretamente vividas, os rebentos bastardos eram tradicionalmente protegidos da melhor maneira possível. Esta última tradição Pedro I honrou: reconheceu em testamento quase todos os seus filhos bastardos.



A Duquesa de Goiás, belíssima primeira filha da Marquesa de Santos com Pedro I, casou-se mais tarde com um barão alemão por intermédio de  D. Amélia de Leuchtenberg, a segunda imperatriz cuidou também dos rebentos bastardos de seu amado marido, e não tão somente do herdeiro do trono e suas irmãs.



Irmã mais nova da anterior, última filha do casal de amantes imperiais, e também nominada com título
 de nobreza pelo pai, a Condessa do Iguaçu casou-se muito bem com  um abastado brasileiro.




O filho assiste à abdicação do pai.

O rompimento com a linha constitucional, naquele momento histórico, mostrou-o mais português do que brasileiro, sem perder em ambos os pontos de vista o ser macunaímico que de fato era. Inviabilizado de vez o governo centralizador e mesmo tirânico por ele imposto no final de seu reinado; valeu-se do tal Poder Moderador, que na prática dava-lhe autoridade e comandos plenos. Resolver voltar para confusão política que se formava em virtude do caos pós independência do Brasil e morte de D. João VI.



O povo recitava nas ruas :

"Passa fora pé de chumbo  
Vai-te do nosso Brasil
Que o Brasil é brasileiro
Depois do 7 de Abril".





D. Maria da Glória

A abdicação e a volta de D. Pedro I para a Europa, marcam o retorno completo e definitivo da Corte Portuguesa para os seus assuntos nacionais. O Brasil independente começa nesse ponto!

Tinha em mente uma guerra contra o irmão e a mãe absolutistas,
em defesa de um reinado constitucional para a filha mais velha.



A guerra contra o irmão abalou sua saúde.

Em 7 de abril de 1831, irritado e muito desgastado, Pedro I abdica e volta a Portugal. Enfrentaria lá uma guerra de restauração contra o irmão-ursupador D.Miguel. “Que podeis esperar de um perjuro, lacaio de estrebaria, borracho cachaceiro, sem educação e sem princípios, sem honra e sem fé?”, escreveu um opositor sobre esse legítimo ser macunaímico. Há quem defenda que era abstêmio, embora gostasse muita da vida noturna carioca e de suas oportunidades de sexo, sempre acompanhado de amigos inconvenientes .




Tentaria reaver o trono pelo qual renunciou em favor da filha mais velha D. Maria da Glória. A Imperatriz D. Amélia acompanhou o marido, ficaram os outros quatro filhos mais novos no Rio de Janeiro. Tornaram-se os orfãos da nação, propriedade do governo do Brasil, garantias da continuidade imperial. D. Pedro I não hesitou em abandoná-los e seguir em função dos problemas portugueses, em suas cartas ele mostrava-se sempre um excelente e carinhoso pai, no entanto abandonou os filhos sem tutores adequados.




A sangrenta guerra foi vencida por ele, mas a tuberculose contraída nela ceifou-lhe a existência aos quase 36 anos. Depois dos trinta anos mudou de aspecto físico, nem parecia mais o mesmo, engordou e mostrava uma calvice evidenciada em meio aos cabelos crespos.


A guerra portuguesa o amadurece, ao chegar neste ponto de consciência,
 parece ter enfraquecido espiritualmente, a doença por fim o levou ainda tão novo.



"Enxertou-se no trono roído de uma família, sempre estéril e agora moribunda, o rebento da família orgíaca ( Carlota Joaquina ) em cuja seiva corria toda a podridão ardente da Itália do sul. Vieram daí, com um temperamento audaz e um caráter semelhante, os dois filhos ( D. Perdro e D. Miguel)  que o acaso fez rivais."

Oliveira Martins - Historiador 




D. Miguel foi apoiado pela mãe - D. Carlota Joaquina - esta finalmente tentou se apossar do poder absoluto em Portugal através do filho, tido por muitos apenas como um meio-irmão de D. Pedro, este sim um filho legítimo de D. João VI.




A futura Rainha Maria II - irmã de Pedro II.


"Ao falecer, D. Pedro contava 36 anos incompletos – era bastante jovem mesmo para os padrões da época. Sua saúde, no entanto, já estava fragilizada. Segundo o testemunho de seu médico, ele sofria do fígado desde os 22 anos (embora fosse abstêmio) e desde a infância tinha problemas nos rins. O documento do Dr. Tavares cita ainda que, após dois acidentes equestres bastante graves (em 1823 e 1829), D. Pedro passou a sofrer também do pulmão esquerdo. Apesar de exímio cavaleiro, o próprio imperador contabilizava 36 graves quedas sofridas ao cavalgar. A de 1823 deixou-o de cama por vários dias e levou sua primeira esposa, a imperatriz Leopoldina, a fazer uma promessa oferecendo um enorme quadro à Irmandade da Glória em agradecimento pela recuperação de seu esposo. A tela ainda pode ser admirada no Museu da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro. Mais grave foi o acidente de 1829: D. Pedro dirigia em alta velocidade uma carruagem pela rua do Lavradio, tombou e fraturou as costelas – o que lhe atingiu o pulmão.

Outro mal a acometê-lo era a epilepsia. O termo já era usado na época, embora as crises costumassem ser descritas como “ataque de nervos” ou “acidentes”. A família imperial sempre tratou a doença com franqueza e sem nenhum mistério. O próprio D. Pedro falava e escrevia sobre o assunto sem pudor, até mesmo com diplomatas estrangeiros. Entre os 13 e os 16 anos, o príncipe já havia sofrido seis severos ataques epiléticos, um deles em público, durante as solenidades do aniversário de D. João VI, seu pai. Dizia que a moléstia era herança dos Bourbons, família de sua mãe.

Sua saúde piorou muito após a abdicação e durante a guerra civil portuguesa. Ao fim dos combates, em 1833, o ex-imperador já tinha seus dias contados. Em novembro, apresentava inequívocos sintomas da tuberculose: episódios de bronquite com febre nos quais ele tossia sangue. O ano seguinte foi bastante produtivo, mas sua atividade política não escondia o fato de estar gravemente doente. Na noite de 27 de maio, por exemplo, compareceu ao Teatro São Carlos em Lisboa, onde se deparou com vaias e xingamentos da plateia, indignada com a anistia concedida aos absolutistas. Furioso, D. Pedro teve um ataque de tosse e seu lenço ficou nitidamente manchado de sangue, silenciando o público presente.

No final de julho, fez questão de retornar ao Porto para agradecer à população o apoio incondicional que recebera durante as batalhas. Apesar do clima festivo, ele próprio mencionou sua limitação de saúde na Proclamação aos Portuenses: “apesar de não estar ainda completamente restabelecido da doença, da qual tantas fadigas e trabalhos, por vós presenciados, foram a principal causa, eu não quis por mais tempo demorar a minha vinda a esta mui nobre e leal cidade”. Bastante debilitado pela viagem, no final de agosto empreendeu uma visita à estância hidromineral de Caldas da Rainha, onde procurava a cura ou pelo menos alívio para seus males. Não tendo alcançado nem um nem outro objetivo, voltou ainda pior. Começaram ali os rumores de que seu médico teria aproveitado a ocasião para envenená-lo."   
da Revista de História.

Faleceu no Paço de Queluz em 1834,
no mesmo quarto onde nasceu.

Restos mortais, condecorações e jóias fúnebres.


Uma surpresa na exumação de Pedro I: não só o coração foi retirado
 a seu pedido no post-mortem, mas também o cérebro foi removido por inteiro.


"Segundo a famosa carta de D. Amélia para sua enteada D. Januária, D. Pedro “expirou em meus braços no Palácio de Queluz a vinte e quatro de setembro pelas duas horas e meia da tarde, depois de longos e cruéis sofrimentos, que suportou com resignação e piedade, não se iludindo nunca a respeito de seu estado. Morreu como um santo mártir e filósofo cristão e jamais houve morte tão tranquila”.

A autópsia constatou falência de diversos órgãos. Na mesma carta da ex-imperatriz, ela explica: “a enfermidade de teu infeliz pai data do Porto; pela autópsia do corpo viu-se que o pulmão direito estava cheio de água, que continha mais de dois litros e o esquerdo não existia. O coração estava dilatado”. Provavelmente o comprometimento dos pulmões e do fígado sobrecarregou o coração, que por isso encontrava-se hipertrofiado. Já a diferença entre os dois pulmões, possivelmente pode ser explicada pelo fato de que as costelas quebradas prejudicaram o funcionamento do pulmão esquerdo, favorecendo a instalação da tuberculose no direito, mais oxigenado."
da Revista de História.



A barba comprida foi uma promessa feita durante o longo cerco à cidade do Porto, a batalha final da guerra. No leito de morte destinou seu coração a ser depositado numa igreja desta cidade, cuja a conquista consumiu-lhe as forças e a vitalidade juvenil que sempre exalou tão fortemente. Seu melhor feito em terras brasileiras, foi ter sido pai de Pedro II, este mostrou ser sua antítese quase completa, do pai herdou a epilepsia que acometeu o segundo imperador na infância e na juventude.




A segunda Imperatriz, D. Amélia de Leuchtemberg, configurou-se numa excelente madrasta, e por isto foi sempre  tratada como uma mãe por Pedro II, mesmo após ao falecimento de seu pai. 
Continuaram a se comunicar e a se comportarem como enteado e madrasta 
que formavam uma família e  que se gostavam profundamente.




 

10 comentários:

  1. Amei este site, excelente trabalho e dedicação. Ficou ótimo essa espécie de biografia, em conjunto com as fotos exclusivas.
    Eu que sou muito fã por esses episódios mais íntimos dos governantes de nosso país, estou feliz por poder me aprofundar um pouco mais neste assunto. P.s. Me agrada sua criatividade na composição deste blog

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  2. Pesquisando sobre Brasil Colonia (assunto que me causa muita satisfação e curiosidade), me deparei com este blog e foi uma grata surpresa! Nunca pensei achar uma compilação tão rica! Parabéns pelo excelente trabalho!! Bastante claro, abrangente e fuido. As fotos então, são uma preciosidade!! Adorei!

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  3. Muito obrigado por suas lindas palavras, aqui realmente encontra-se muita informação e emoção estruturais, esta é justamente a nossa proposta historiográfica.

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  4. Sobre D. Pedro I, penso q foi criado em liberdade pelas ruas, não foi preparado para tanta responsabilidade, e de repente se viu Príncipe de um "continente". Não encontro dificuldades para admirá-lo. Sobre o seu trabalho: Que leitura! Muito obrigada e parabéns!

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    1. Pedro por ser epilético apresentava um certo grau de alienação social, também puxou a bem registrada devassidão e vulgaridade da mãe, tinha uma libido muito exacerbada para a época.Cercava-se de gente similar, O Chalaça também era muito atrativo e sedutor, depois da morte de Pedro I foi amante da imperatriz viúva D. Amélia. O primeiro imperador quando jovem era atlético e muito atrativo e usava esse seu poder de sedução, foi até seu fim em Portugal um mulherengo que não não amava ninguém sentimentalmente, ficou notório em toda Europa. Seu filho Pedro II foi decididamente hiper educado para ser diferente do pai pois sabiam que a sensualidade descontrolada era um problema familiar que já vinha desde a excêntrica mãe de Carlota Joaquina. Pedro mostrava um caráter algo heroico, porém em nada me fascina, também aos seus contemporâneos jamais impressionou positivamente, então aqui expus estas minhas certezas. Depois dos 30 anos, já em Portugal, a decadência física de Pedro I se fez notar, engordou e ficou semi calvo, mas o lobo perdeu a pele mas não perdeu o vício, continuo engravidando até freiras, A Marquesa de Santos, a única mulher que ele amou longamente e talvez de verdade, eram parecidos na vulgaridade sexual e nos modos grosseiros, era igualmente xucra e mostrava-se bastante interesseira e materialista, ela o dominou-o por completo ao ponto do escândalo internacional. Este é ele, o de verdade, um homem banal e mal educado! Um abraço para vc !

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  5. A novela Novo Mundo erra profuntamente em apresentar uma atriz muito bonita para interpretar Leopoldina, essa quando chegou ao Brasil já provocou forte decepção pela falta de beleza em relação ao "peso de ouro" que custou à Coroa Portuguesa,contudo Caio Castro está um Pedro I perfeito em corpo e alma, é um belo trabalho de interpretação artística e merece elogio. Vejo nesta caracterização muita semelhança física com o personagem histórico real, é impressionante em cena a presença revivida de Pedro I. É fato e deve-se levar em consideração que todas as mulheres que passaram pela vida de Pedro I o amaram, posto que era realmente um amante sexual vigoroso e competente.

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  6. Ele jamais deixou Leopoldina sem estar gestando um novo príncipe, isto acabou fisicamente com ela, porém nisto cumpriu sua função de monarca, seu filho só manteve a imperatriz napolitana grávida até seus 25 anos, depois de quatro filhos parece que a vida íntima deles acabou, e foi o que pois fim ao Império: a falta de um herdeiro varão. Pedro I tentou e tentou até deixar um novo imperador para o Brasil, seu filho fracassou, a proposta de fazer da princesa Isabel uma herdeira viável fracassou.

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  7. Primeiramente parabéns pelo teu trabalho, tenho sido um grande divulgador deste SITE:
    — D. Pedro I, mesmo com todos seus defeitos, supera qualquer presidente parido por essa Fracassada República.
    • 
    ➤ Morte de D. Pedro (24 de Setembro de 1834) 

    "(...) D. Pedro Regente de Portugal sentindo aphroximar-se a sua ultima hora. Mostrou a mais admiravel resignação. Mandou chamar sua Augusta filha D. Maria e lhe recommendou a observancia da Carta como seu unico porto de salvamento. Também fez vir á su presença os ministros e alguns soldados velhos e disc a hum destes: 
    "vem ca, quero abracar-te e agradecer-te os teus nobres serviços. Dize aos teus camaradas que sinto não poder aperta-los todos contra o meu coração para lhes provar quanto os amo e me honro de haver combatido com elles para salvar a patria (...)"
    ──────────────────────────
    ➤ Palácio Nacional de Queluz 
    ──────────────────────────
    ✦ D. PEDRO D'ALCÂNTARA E BRAGANÇA
    Imperador do Brasil - Rei de Portugal
    ►http://www.dpedroiv.parquesdesintra.pt/cronologia
    •  
    ✦ D. PEDRO D'ALCÂNTARA DE BRAGANÇA
    Imperador do Brasil | Rei de Portugal
    ►http://www.dpedroiv.parquesdesintra.pt/palacio-nacional-de-queluz#iconografia
    ──────────────────────────

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  8. Obrigado por suas palavras ! Sou fã de Pedro II , entendo-o como um vulto histórico de grande importância mundial. Pedro I em sua fase brasileira mostrou-se apenas um rapaz impulsivo e cheio de vontade de viver a juventude do sangue, o que me parece até normal e cabível, embora proibido para um príncipe governante. Ele exagerou e muito no comportamento escrachado e ousado que adotou. Sua fase portuguesa é mais brilhante e heroica, mostrou-se bem melhor e útil por lá. Percebi que criado no Rio tornou-se bem carioca, somado a isto o gênio devasso que herdou da mãe, gerou um persona histórica pouco palatável. Foi um homem atlético, fogoso e belo na juventude e aproveitou então o poder para expandir-se numa mundanidade escandalosa para a época. Casado por razões diplomáticas com uma mulher feia e sabichona que não o atraía de forma alguma, procurou compensação e deu no que deu. Fora ter sido um catalisador político oportuno e significativo no processo de independência, claramente perdeu-se pela pouca maturidade, tendo sido depois, na minha visão, muito mais um Pedro IV que um Pedro I. Contudo reconheço que tem seu lugar na História do Brasil. Impressionou-me profundamente a caracterização que o ator Caio Castro fez dele em recente novela, estava simplesmente perfeito , encarnou Pedro I de forma irretocável em modo de ser, porte físico e provável sotaque, grande interpretação. A ótima e competente atriz que deu vida à Leopoldina é muito mais bonita, simpática e elegante que seu personagem, o que descaracterizou a novela no sentido histórico, por razões artísticas e de audiência perdoei o simulacro de imagem que passaram dela para o povo brasileiro. Um abraço e muito obrigado pela deferência e atenção do seu comentário.

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