VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
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"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Orquídeas nos Quintais Antigos de Curitiba

.





"Conheço esta cidade
 como a palma da 
minha pica

Sei onde é o palácio,
 sei onde a fonte
 fica."




 
de Paulo Leminski, 
o mais ilustre dos
 curitibanos.
  


Imaginei esta postagem como uma necessária antítese da anterior, esta seria uma postagem verde , cheia de plantas enormes e todas muito verdes, com poucas flores e muita informação visual de cultivos acertivos em jardins. Consultando o material em arquivo, achei que as imagens dos quintais curitibanos seriam uma novidade pujante para quem não conhece o efeito da forte umidade ambiental desta cidade nas orquídeas de jardim, e também mostrar as espécies mais cultivadas nessa parte do Sul do Brasil. Orquídeas gostam de umidade e aqui há muitas espécies bem estabelecidas, além das mostradas abaixo, há outros tipos facilmente cultiváveis. Citamos entre tantos as maiores Laelias, também os híbrídos de Cattleya e muitas espécies de Coelogynes, todos esses prosperam afixados em árvores ou arbustos.


Quando me mudei para Curitiba, no meio da década de 90, logo reparei que algumas orquídeas eram bastante peculiares aos quintais mais antigos desta cidade. Frequentemente formavam touceiras de uma saúde e tamanho incomuns em outros lugares. Ficava evidente ao observador mais atento o quadro da repetição das mesmas espécies, certamente devido à troca de mudas entre parentes ou vizinhos. Como adaptavam-se muito bem ambientalmente, chamavam a atenção, então eram propagadas por admiradores para a repetição do efeito.

 
 
 
Antúrios e Copos-de-leite, aráceas de clima tropical de altitude,
 medram de forma vigorosa nos úmidos 900 m acima do nível
 do mar de Curitiba. Orquídeas dos contrafortes do Himalaia
 também  sentem-se ambientalmente confortáveis
 por aqui, não necessitando  de muitos
 cuidados específicos.


Também ficava evidente a percepção de um padrão local de paisagismo com orquídeas , utilizando-se sempre determinadas espécies exóticas ou nativas, todas de fácil cultivo em árvores vivas ou xaxins, nada muito complicado de se manter. A seleção desse grupo de espécies bem adaptáveis formou-se bem antes dos anos 80, talvez nos anos 50-60, quando do auge da Sociedade Paranaense dos Orquidófilos. Na minha percepção, as espécies mais frequentes, sem contar o onipresente Dendrobium nobile dos contra-fortes dos Himalaias, eram : a nativa Maxillaria picta e a indiana Coelogyne cristata. Mas haviam também outras, formavam todas lindos exemplares, alguns muito antigos e merecerdores de um registro fotográfico atual, mas que ao mesmo tempo remontavam a um plantio de décadas atrás. Um prato cheio para uma boa postagem mostrando plantas notáveis.

Distribuição de Maxillaria picta.

Acima e abaixo a Maxillaria picta. Vale a pena ressaltar essa espécie, muito comum nas matas próxima ou ainda sob influência do mar, também pode ser encontrada como epífita em pinheiros-do-paraná , tanto na natureza como nos quintais das casas, singularmente resistindo bem à resinosa casca dessa árvore.

M. picta vegetando como rupícola nas rochas gnáissicas da Serra do Mar do PR, em altitude de mais de 1.300 m e aliada à constante ventilação úmida, o ar fresco faz decrescer o aquecimento da luz solar  durante o dia, e assim favorece a exposição da planta ao sol pleno pela manhã. A neblina noturna e o sereno irrigam frequentemente a touceira da orquídea durante a noite, criando assim muito boas condições de desenvolvimento rupícola na Serra do Mar paranaense.



Em locais de menor altitude, muda o aspecto geral da planta, preferindo então a sobrevivência em florestas mais sombrias e úmidas. As folhas ficam maiores e mais finas, as plantas mostram-se menos robustas, porém as flores são sempre quase idênticas ! Quando enxergamos Maxillaria picta em quintais curitibanos, geralmente veremos de touceiras médias até  gigantescas touceiras, gerando massas vegetativas raras de se ver em outras espécies epífitas, só a Miltonia regnelli faz volumes semelhantes.

 
M. picta florida e exalando forte perfume, uma Cattleya intermedia 
foi agregada à touceira e se estabeleceu bem, duas cápsulas
da segunda espécie foram  provavelmente polinizadas
por colibris que são abundantes nesta região.



Acima algumas touceiras de M. picta e um exemplar fixado
 num volume de substrato suspenso no ar por arames.


A M. picta é mostrada nas fotos acima - apresenta-se afixada em árvores, palmeiras, pinheiros-do-paraná ou mais comumente em xaxins vivos - quase sempre em grandes e perfumadas touceiras. Coelogyne cristata está disposta abaixo, geralmente em vasos, plantada em terra comum e também em grandes exemplares, com lindas florações. Trata-se de uma espécie saxícola e por isso aceita bem a mistura de terra com detritos vegetais, podemos adicionar também pedrisco, pedaços de espuma e mesmo bolinhas de isopor, visando a aeração do substrato e uma melhor drenagem.



Coelogyne cristata

Acima um quintal de Curitiba com grande quantidade de Coelogyne cristata 
e Paphiopedilum leeanum - clique na foto e veja os detalhes ampliados,
imaginem a idade e o potencial de floração desse cultivo simples
ao ar livre, como se fossem plantas comuns. Onde ocorre o
clima perfeito, as plantas sobrevivem até abandonadas.

Esse exemplar é o do quintal lá da minha casa ! Chamado de "A Noiva". Esta espécie asiática, considerada por muitos como a mais bela espécie de orquídea oriental, só floresce se exposta ao tempo e a chuva. Sob condições de estufa, ou dentro das construções, ela cresce, cresce ...cresce.... e não floresce jamais. Este exemplar acima, ficou quatro anos dentro de um apartamento, cresceu muito , estava exposto à boa luz, porém nunca floresceu dentro de casa. Posto ao relento logo mostrou-se bem florífero!

C. cristata de cultivo do Sr. Edemar Linder.





Coelogyne flaccida também vegeta vigorosamente no clima curitibano. Todas as espécies deste gênero são asiáticas, as aqui descritas são originárias de montanhas, por isso adaptam-se bem a chuva e ao frio de Curitiba. Há outra espécies de climas mais quente , se regiões tropicais baixas ,o gênero é imenso e há muita confusão botânica entre as espécies! Poucos híbridos artificiais são conhecidos, o potencial nesse campo é de fazer sonhar qualquer orquidófilo.


As flores são pouco vistosas, porém são graciosas e abundantes. Reparem que não apresentam brácteas protegendo o pedúnculo floral, posto que as mesmas caem algum tempo após a abertura das flores. Esta espécie floresce dentro de estufas sem maiores problemas e é de fácil cultivo nestes planaltos paranaenses. Possue perfume , bem ativo e não muito garádavel, ótima espécime para principiantes. Aprecia a casca de pinus pura ou misturada com outros componentes ( pedrinhas, musgo, carvão, argila expandida etc ).



C. flaccidas do cultivo do Sr. Edemar Linder.


Formam vistosos exemplares as Coelogynes: cristata, flaccida, "testacea", lawrenciana, mooreana, massangeana, fimbriata e ovalis, todas essas podem ser cultivadas com facilidade em Curitiba, alocadas em quintais com algum sombreamento que as proteja do sol do meio dia, suspensas em vasos de plástico de bom tamanho, em substratos como acima descritos para flaccida, medram com muito sucesso. Gostam de adubação orgânica ( torta de mamona ou estercos bem curtidos ) aplicada a cada 2-3 meses, em boa quantidade - "comem bem" e crescem bem também. Se vc é iniciante e vive matando as orquídeas, adquira primeiro as Coelogynes e aprenda com elas a cultivar orquídeas , são criatura gentis e fortes !



O tal "Coelogyne testacae" cultivado no Brasil. Que será?
Parece um híbrido entre: flaccida, lactea,
dayana e massangeana.


Acima uma planta de C. flaccida, este exemplar acima
 mostra-se intermediário com relação ao misterioso
 clone aqui cultivado, mas claramente é flaccida.






A inflorescência da "testacae brasileira" é bem característica, facilmente reconhecível pelas brácteas grandes, bem conspícuas, róseas, tornando-se significativamente diferenciada em relação à C. flaccida. Embora produza plantas monumentais em tamanho, proporcionalmente floresce em poucas hastes, tal como massangeana. Talvez seja esta a similaridade que tenha concorrido para nominação popular desta planta.

Depois de abertas as flores, as brácteas se
soltam e caem naturalmente.

Seja lá o que for, é uma linda espécie de Coelogyne.

Como as flores, em todas as fotos, de diferentes origens, são exatamente
iguais, talvez seja um mesmo clone, o que reforça a tese de ser um híbrido.



Fora do Brasil também há muita confusão quanto a sua determinação, é designada erradamente em vários sites da internet. Geralmente como flaccida, hora como asperata, depois como huttneriana e por fim como lactea var. flaccida.




Acima, florida, a misteriosa Coelogyne
 testacea brasileira e curitibana.

Vasculhei muitos estudos, arquivos e fontes sobre o gênero Coelogyne, não achei nada similar à "testacea brasileira". O que chamam de testacae fora do Brasil, é uma flor muito diferente, atualmente conhecida como tomentosa, portanto igual a massangeana. Aqui, chamam a espécie aqui retratada de "testacae", mas provavelmente não deva ser, pelo que já apurei parece ser um híbrido de C. lactea com algo. As flores são muito parecida com flaccida e trinervis; mas é com lactea a maior similaridade.




Acima C. flaccida - flor também similar à " testacae brasileira ". Porém difere pelas abundantes inflorescências, mais curtas e com rácimos finos e esverdeados, flores brancas com discretas brácteas caducas, porém sem as brácteas cor de salmão tão evidente no misterioso cultivar de testaceae brasileiro.

C. testacae botânica verdadeira = C. massangeana = C. tomentosa. O labelo apresenta-se com muitas calosidades no lóbulo projetado central; uma flor completamente diferente da "testacae brasileira".


Acima a típica "Testacea brasileira" apresenta grandes
 brácteas encarnadas, que cobrem o pedúnculo floral.

"Testacae brasileira" - um híbrido??????

Todavia a forma da inflorescência nos remete ao grupo da C. massangeana, talvez também à C. dayana, e nesse ponto forma-se a confusão, parece flaccida, mas é claramente diferente. A planta vegetativa é muito forte e elegante, parece um híbrido, plenamente compatível com clima curitibano, tal como flaccida. Em relação à flaccida, apresentam um crescimento menos radial, diria que típico de plantas de barrancos - escandentes, tomando geralmente só uma direção de crescimento.

Acima, a Coelogyne lactea apresenta flores quase idênticas às da "testacae brasileira", a sépala dorsal é igualmente larga, apresenta a mesma bráctea cor de salmão; o labelo é idêntico. Contudo as inflorescências não são tão pendentes e alongadas, a substância e cor das flores também não são iguais. Muitas espécies bem conhecidas são algo similares, contudo nenhuma é exatamente igual em todas as principais características morfológicas - um mistério !


Acima um clone não-brasileiro da misteriosa planta, ligeiramente diferente do regular clone da "testacae brasileira", as folhas são mais largas, está apresentado na internet como sendo C. lactea. Identifiquei e concordo ser esta a melhor determinação botânica, mas desconfio tratar-se de um híbrido natural, muito cultivado, dado ao ser vigor vegetativo e grande adaptação climática.




C. dayana apresenta similaridades fortes na parte vegetativa, nas brácteas e na forma absolutamente pendente da inflorescência, mas as flores são bem diferentes. Estaria esta espécie na composição genética desse clone-híbrido misterioso ? Seja lá o que for, aqui em Curitiba, é frequente apenas em grandes coleções, sendo rara em quintais comuns. A espécie forma com flaccida, fimbriata e cristata o quarteto de Coelogynes resistentes, ornamentais e bem indicadas para o cultivo abertos nos jardins da capital do Paraná.









Coelogyne massangeana ou tomentosa


Plantas grandes, pouco floríferas, inflorescência francamente pendentes, bem longas, frontais, com brácteas. Lembra em algumas características as "testacae brasileiras".

Coelogyne massangeana ou tomentosa também forma plantas grandes, porém de folhas bem mais largas que as outras espécies e por isso facilmente reconhecível até sem flores. Lembra as Gongoras em porte, e tal como estas, necessita ser cultivada suspensa devido as inflorescências volumosas e compridas. Deve ser protegida do frio congelante e do sol direto, em estufim ou ripado com menor veltilação e temperaturas um pouco mais altas, vegeta melhor. É pouco vista em Curitiba, mas adapta-se bem ao clima!




Coelogyne lawrenciana também pode ser cultivada apenas na insolação matutina, ou em estufim ou telado, protegida do sol forte e do frio congelante. Prefere vegetar nos meses mais quentes; produz poucas, mas lindas flores em sucessão! É muito comum em coleções e cresce rápida e vigorosamente.



C. mooreana é uma espécie aristocrática e cara, de forma técnica sem igual neste gênero, do qual é considerada a espécie mais ornamental, é parente próxima da cristata, mostra-se bem menos vigorosa que esta. Rara em Curitiba, todavia adapta-se bem ao clima na meia-sombra e com umidade mais acentuada.



Acima um exemplar de C. mooreana cultivado em Curitiba,
mostra porte e folhas grandes, similares à C. dayana.





Há muita confusão e polêmica entre Coelogyne  ovalis e C. fimbriata, a primeira é
pequena e de pseudobulbos ovalados, a segunda é uma planta de
 barrancos, vigorosa e muito maior em porte e flores.


Seriam a mesma espécie?
 São tão parecidas !


 As duas menores são ovalis e a grande touceira é fimbriata.

Porte, pseudobulbos e flores são diferentes nas duas espécies,
 reparem a quantidade de botões florais na touceira de fimbriata.


Coelogyne fimbriata forma plantas enormes se bem iluminada e adubada!
Aprecia as mesmas condições naturais e substrato do Dendrobium kigianum.



Coelogyne ovalis

Coelgyne fimbriata é muito resistente e rústica, apresenta pesudobulbos distanciados entre si, algo fusiformes, relativamente grandes. Em minha coleção, bem iluminados e adubados, chegam perto dos 12cm, formando plantas grandes. As flores são discretas e pouco atrativas, mas são sempre abundantes. A espécie é claramente reptante, instalada em grandes vasos ou em barrancos úmidos semi-sombreados, cresce muito facilmente e forma plantas de grande porte. Tolera bem o frio e um pouco mais de luz direta, sendo ótima e indicada para locais úmidos e ventosos.


Coelogyne ovalis, é tida por muitos como
uma miniatura de C. fimbriata.


Coelogyne ovalis é muito parecida com a espécie anterior, especialmente nas fotos, onde não se percebe a desproporção entre ambas. Há quem chame esta espécie menor de C. lindleyana, foi Lindley quem descreveu, nas primeiras décadas do Séc. XIX, as duas espécies, primeiro fimbriata (1825), e alguns anos depois ovalis (1838) . Já na segunda metade deste mesmo século,  Rolfe, por algum motivo, descreveu a mesma espécie como C. lindleyana, dedicando merecidamente a espécie a Lindley, creio prevaleça então ovalis, o nome mais antigo. Nenhuma revisão séria do gênero cita lindleyana como espécie válida, apenas em sites brasileiros encontra-se esta denominação, como acontece com o tal  e misterioso C. testacea.



É igualmente resistente, mas trata-se de planta delicada, com bulbos cerca de 4x menores que fimbriata, às vezes apresentação-se arredondados, daí o epípeto da espécie. Com o mesmo hábito semi-pendente, é muito mais graciosa que a espécie anterior, exala perfume perceptível e agradável. Por ser uma miniatura delicada e perfumada, diante das titânicas touceiras das outras espécies, é a minha preferida dentro do  grupo de Coelogynes  cultivados em Curitiba aqui considerado.


Coelogyne ovalis - pseudobulbos claramente arredondados,
folhas e flores pequenas e graciosas.

O tamanho das flores também é diferente, acima uma flor destacada de
 fimbriata em meio as de ovalis no vaso; na forma, as  flores são algo diferente.

Coelogyne fimbriata

Pseudobulbos de tamanhos e formas bem diferentes entre si nas duas espécies, 
as plantas nas fotos são cultivadas no mesmo local e sob mesmas condições.


Coelogyne fimbriata


 Comparativo entre as espécies:
 fimbriata x ovalis




Há quem considere as duas como sendo uma única espécie, e a de menor porte seria uma variedade anã. Por isso são muito confundidas e chamadas indiscriminadamente de "fimbriata", acredito que sejam subespécies diferentes: os labelos são bem distintos, as plantas são diferenciadas mesmo sem flores e secas num herbário continuam facilmente distintas. Contudo, são evidentemente bem próximas e florescem na mesma época, podendo ainda se cruzarem, o que indica que ainda não há barreiras reprodutivas severas entre elas. Sendo assim, apenas compõem populações distintas da mesma espécie, porém adaptadas a condições ambientais diferenciadas. Em horticultura, devem continuar sendo chamadas por nomes diferentes, uma vez que têm apelos visuais opostos e demandam cultivos distintos.







Distribuição de Miltonia regnelli.


Acima algumas touceiras monumentais de Miltonia regnelli, espécie nativa da Serra do Mar próxima à cidade e comum em quintais curitibanos. Por vezes são vistas em canteiros muito bem estabelecidas no chão de terra preta afofada. Formam plantas de volume notável e embora não sejam de grande frequência, apresentam-se sempre em exemplares muito saudáveis e vistosos.



Acima um outro exemplar de Miltonia vegeta
elegantemente disposto no xaxim vivo.
Pode ser M. spectabilis.





As espécies nativas dos contrafortes indianos da Cordilheira do Himalaia, vegetam
 extremamente bem no sul do Brasil. O Dendrobium nobile e os Coelogynes que o digam !


Acima os onipresentes exemplares de Dendrobium nobile nos xaxins vivos de Curitiba. A espécie himalaia é a orquídea cultivada mais comum em todo sul do Brasil, chamam-na de olho-de-boneca. Necessita de invernos mais rigorosos e secos para florescer, sem essa condição cresce, cresce mas não foresce. Outras espécies do gênero como : thyrsiflorum, chrysothoxum e principalmente o fimbriatum, também são observadas nas casas, porém em quantidades menores.







Conhecidas popularmente como as "orquídeas das folhas compridas", os Cymbidiuns estão ficando mais vistosos e baratos a cada ano que passa. Novos híbridos coloridos já fazem concorrência direta em beleza com as tradicionais Cattleyas , são quase inacreditáveis em boa forma técnica e fartura de floração. São infinitamente mais fáceis de cultivar por serem terrestres, além de apreciarem o frio e a chuva de Curitiba!


Ultimamente os Cymbidiuns andam ficando cada vez mais comuns
nas casas, vê-se em vasos na varanda ou em canteiros no gramado.


 
Boa opção de compra e cultivo ao ar livre e em meia-sombra em Curitiba. Entre as Cattleyas
 e os Cymbidiuns, os segundos tem muito mais chances de sobrevivência no clima mais frio.



Canteiro de um Cymbidium comercial, híbrido de C. tracyanum ou de Cymbidium erythraeum, ao ar livre numa chácara em Colombo - Região Metropolitana de Curitiba. Este tipo de híbrido que tem flores menos arredondadas, adapta-se muito bem ao clima do primeiro planalto paranaense. A imagem mostra o potencial da planta no clima adequado!

Resistentes, floríferos e belos, são semi-terrestres e adaptam-se muito bem em canteiros com substratos afofados e adubados no jardim. Para estabelecer um canteiro sugiro uma camada de substrato composto por: brita comum ( pedras brancas não servem), cacos de cerâmica, , isopor, espuma de estofaria, carvão e adubo orgânico ( esterco curtido, húmus , torta de mamona etc) com 20cm de profundidade.

 
 


Híbridos de C. tracyanaum.


Poupados do sol da tarde medram melhor, expostos à luz forte demais apresentam um maior grau de amarelecimento das folhas, que se tornam mais curtas e de aspecto rude, indicando o grau de sofrimento. Toleram frio e geadas leves, as flores podem queimar-se, mas a planta resiste bem. Só florescem em locais onde haja muita diferença de temperatura entre o dia e a noite no verão e outono, há quem ponha gelo nos vasos para que floresçam quando não surgem as flores. Ótima opção de compra para quem mora nas regiões sulinas acima dos 600 m de altitude !



Cymbidium erythraeum






A Maxillaria chrysantha é mais raramente vista, embora seja bastante aparentada com a M. picta, pode ser facilmente distinta dessa pelas folhas mais largas e os pseudobulbos algo mais espaçados, as flores são bem diferentes mas mesmo sem elas as duas espécies são facilmente separadas. No interior do PR só existe a M. chrysantha, M. picta é da Serra do Mar.


Estabelecidos nos arbustos de Dracaenas marginatas acima, vê-se na ordem de cima para baixo: Promenea xanthina ( flores amarelas ), Sophronitis cernua ( flores vermelhas), Gomesa sp. e os Oncidiuns concolor ( foto acima ) e flexuosum. Formam um mini-jardim botânico de espécies da Serra do Mar.



 
Uma linda e antiga touceira de Oncidium longipes vegetando
 fixada em um pé de xaxim vivo.


Pé de xaxim com uma antiga touceira de Oncidium divaricatum exposto à radiação 
solar plena, as folhas reduzira-se em tamanho e aumentou o número de peseudobulbos.

 
Oncidium divaricatum em meia-sombra.






Cultivam também o Oncidium flexuosum, a despeito da altitude de 950 m, crescem muito bem, 
formam lindas touceiras e até se reproduzem sozinhos como se pode ver nas fotos acima.



 
Acima a Cattleya intermedia, a Brassavola perrini e a Laelia purpurata , em exemplares provavelmente nativos de SC - onde muitos curitibanos possuem casas de praia- são vistos com menor frequência, mas adaptam-se muito bem ao clima úmido da capital.

O Epidendrum fulgens da areia da beira do mar sobrevive bravamente , já a mexicana Laelia 
anceps medra com muita facilidade no clima de altitude, formando lindas touceiras.

Pleurothallis sonderana nasce espontaneamente nas árvores localizadas nas áreas mais altas e enevoadas, suas touceirinhas cobertas de flores amarelas chamam a atenção na época da floração.



A medida que for localizando exemplares e registrando novas imagens e informações,
 irei acrescentando-as à postagem!





7 comentários:

  1. Lindo de mais,sou apaixonada por plantas de toda especie e origem.Amei simplesmente maravilhoso.estou cultivando umas especies de orquidea,e entrei aqui ao procurar algumas sugestões. Fiquei realmente encantada. Abraço

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  2. mais muito lindo de verdade!! parabens

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  3. maravilhoso trabalho de coletar tantas imagens de jardins com orquideas aqui em Curitiba... Fascinantes as touceiras de M. picta. Espero ver mais sobre seu trabalho.

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  4. Caro Sandro: meu email está na coluna lateral permanente do blog, perto das minhas fotos, adoro falar sobre as interessantes orquídeas, gosto de fazer amigos, assim em luta evidentemente cultural, tento exorcizar o forte tédio que insiste em me açoitar nessas curitibas de meu Deus. Abraço - comunique-se !

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  5. Olá, parabéns pelo belo trabalho.
    Sou encantada pelas cymbidium, mas sempre tive dificuldades em cultiva-las em vasos, creio que pelo fato de Londrina ter um clima mais seco.

    Abraços e sucesso sempre.

    Ana Maria Beleze

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  6. Olá Ana Maria !

    Obrigado pelas palavras incentivadoras !

    Diria que as partes mais baixas do Norte do Paraná são quentes demais para os Cymbidiuns se desenvolverem bem, orquídeas gostam de noites frescas ou mesmo frias, enevoadas e ventiladas. Em lugares quentes, alguns cultivadores colocam cubos de gelo nos vasos das Cymbidiuns durante as noites de verão, um "truque indígena" para fazê-las florescer.

    Abração !

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