VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


sábado, 6 de novembro de 2010

Bulbophyllum fletcherianum Pearson 1914

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O Bulbophyllum fletcherianum é uma orquídea muito especial: é polinizada por moscas e besouros saprófagos, suas flores exalam odores de lixo ou carniça. Seu visual diferenciado e o tamanho avantajado são desconcertantes e muito impressivos. Partindo deste mote vamos conhecer algumas plantas outsiders, embora cultivadas e reconhecidamente interessantes, ao contrário de tantas outras perfumadas criaturas, exalam aquilo que nos é repulsivo! São plantas de horror ou de terror!


"Eu amo o feio com
 um amor de igual 
para igual."

Clarice Lispector 



"Feiúra é um bem 
que a gente tem 
pra vida inteira."

Gabriel Pensador





A tétrica beleza de algumas plantas, como nas espécies de aristolóquias e nas Stapelias dos desertos, me faz lembrar de uma advertência antiga: O morcego é o anjo do rato ! É preciso conhecer outras formas sobrevivência além, ou aquém, das luxuosas e perfumadas Cattleyas de floriculturas.


Gosto de filmes e de plantas de horror !

Algumas flores encantam e são atrativas especificamente às moscas , às vezes com uma quase perfeita simulação da carne, digamos não muito sadia. Necessitam desses insetos para serem polinizadas, em alguns lugares, como nos desertos, só há moscas em profusão e outros tipos insetos são de fato raros. As flores dessas espécies apresentam um visual feito só de tons lúgubres, além de perfumes pútridos! Como há muitas moscas em quase todos os ambientes, a distribuição é vastíssima, elas acabam visitando e polinizando as plantas mais as atrativas, com a seleção natural, a cada geração, mais as flores ficam parecidas com a estética e a atratividade dessa categoria de insetos menos higiênicos.

As moscas não têm tanto mau gosto assim, se o cheiro das flores é ruim, o visual de filme de terror vegetal é bem caprichado e interessante! Gosta de filme de terror? Curte drácula, múmia, Frankenstein???? Homem-mosca? Seria capaz de apreciar um artigo de botânica ominosa?


As moscas estão em todos os lugares, possuem clara preferência por alimentar-se de carne morta, mas também as feridas e mesmo a carne viva, exposta e desprotegida, atraem moscas varejeiras e bernes. Gostemos ou não são assim, e seus parceiros vegetais também estão por aí!






 Trata-se de um segmento de evolução botânica com características todas próprias ! Merecem a menção e o entendimento, são joias ecológicas e campeãs de sobrevivência onde não há bobinhas abelhinhas do mel e nem esbaforidos colibris coloridos - medram em lugares onde a vida é mais difícil e dura.

 
   B. fletcherianum.

 Um interessante híbrido artficial de
   B. fletcherianum.


Também algumas orquídeas evoluíram nessa linha de atração de moscas, umas na linha da atração pelos odores e cores da alimentação e outras pela mimetização dos hormônios do ciclo reprodutivo.


O surpreendente e raro Bulbophyllum fletcherianum - do Sul da Nova Guiné entre 250 e 800 m de altitude - segue a linha da atração pela alimentação; é uma orquídea de porte muito maior do que o normalmente esperado. Requer ser plantada em madeira durável - cascas ou cestas suspensas - precisa de espaço para espalhar raízes e folhas. Aprecia calores tropicais - até 35° C seria perfeito no verão, no resto do ano entre 20-28°C, se em temperaturas menores que 18°C, deve permanecer seco, recebendo apenas leves nebulizações.



Bulbophyllum phalaenopsis é uma espécie aparentada e simpátrica. Phalaenopsis significa "em forma de mariposa", e no caso desta espécie, o nome faz referência as flores que parecem com estes insetos; não há qualquer comparação com as famosas orquídeas de floricultura de mesmo nome, que na verdade parecem mais com as borboletas.






Bulbophyllum macrobulbom - Bornéu - pertence ao mesmo grupo.


De porte menor, está espécie não é tão impressionante.


Pelo seu porte avantajado de bulbos e suas folhas enormes, suculentas e rigídas, o fletcherianum indica resistir bem às secas periódicas. Precisa de muita luz filtrada e ventilação para secar logo. Resumindo: deve ser mantida em estufa bem ventilada ! Frios intensos não são comuns no habitat natural e podem danificá-lo ! Adubação orgânica farta na época de crescimento pode ser acompanhada de pulverizações leves de adubos químicos, estes últimos podem danificar as folhas - cuidado com a concentração. Quer matá-lo logo: plante em vasos de plástico com substrato mole e putrecível !




A estética das moscas , como se pode ver, é muito diferente daquela das abelhas, percevejos e colibris! O mórbido, lúgubre e tétrico pode ser também muito atrativo. Eu aprecio muito dessa categoria ecológica de plantas " de horror" ! Tenho coleção de Stapelias, Huernias e outras Asclepiadaceaes similares !



Acima, algumas avantajadas flores das maiores espécies de Aristholochiaceae, as flores dessa trepadeiras fedem a lixo e logo aprisionam mosquinhas polinizadoras nos "sacos" localizados na parte de trás das flores. Depois de polinizadas pelos insetos cativos, os libertam pelo murchamento da flor, pelos móveis obstruem e liberam a passagem dos insetos. Prendem, põem para trabalhar e depois libertam, pouco conhecidas até hoje , as espécies de cipó-mil homens ganharam do famoso botânico, F. C. Hoehne a, igualmente exótica e inusitada, " Iconografia das Aristholochiacaes do Brasil ".

As raízes dessas plantas são medicamentosas e salvaram "mil homens" durante a Guerra do Paraguay, por isso o nome popular e comum. Frederico Hoehne catalogou e imortalizou não apenas as orquídeas, mas também outras famílias botânicas brasileiras, no caso das aristolóquias é como se fosse uma antítese estética das orquídeas !

Moscas de cor metálica esverdeada podem ser varejeiras e
originarem bernes ou bicheiras após o pouso sobre a pele.


Stapelia gigantea, S. hirsuta - 3 primeiras fotos - e S. grandiflora - Asclepiadaceae - África e Arábia. Alguns mais românticos enxergam "estrelas-do-mar" nessas flores, mas na verdade sua aparência tenta simular a carne de animais feridos ou já mortos! A última espécie é muito comum em cultivo no Brasil.

Muitas plantas de regiões desérticas possuem flores similares a feridas ou carniça, possuem até pelos, os nuances marrons e arroxeados lembram os tecidos animais infeccionados, fedem a lixo ou a putrefação e assim atraem moscas. Atraidas pela falsa ferida, elas desovam nas flores como fariam na carne exposta , normalmente são ovos brancos depositados no centro dessas flores, a foto da flor estrelada acima mostra bem está relação biológica.

 Bicheiras em cães com pelos ao redor da carne 
exposta são um chamariz para as moscas varejeiras.

 Em pouco tempo estão cheias de larvas das bicheiras, estas logo morrem, por não haver reak sustento  alimentício nessas ilusórias armadilhas. Se as moscas-mães não transportarem o polén, os vermes podem executar este serviço antes de fenecerem, com seus movimentos aleatórios provocam uma auto fecundação, garantindo assim a formação do fruto !




Helicodiceros muscivoris.


Esta arácea européia habita as costas mediterrâneas e também imita com perfeição o aspecto
e a textura de uma ferida animal, atraindo assim a memória ancestral das moscas que a polinizam.



Impressionante a quase perfeita simulação !



Pequeninas ou gigantescas, fedem para atrair as moscas , e estas transportam seus gens! A última foto mostra a maior flor do planeta, outra arácea, um tipo de antúrio gigantesco, surge da energia acumulada em grandes bulbos subterrâneos, é conhecida como " Flor de Cadáver", o odor fortíssimo é nauseabundo! Pode ser descrita como um tipo monumental de kananga-do-japão-zumbi, a flor ressurge do chão gigantesca e cadavérica, após o temporário desaparecimento das folhas.


Algumas espécies de orquídeas chegam a conseguir reproduzir, como odores florais, os hormônios sexuais (feromônios) de algumas espécies polinizadoras, este estratagema está sendo usado pioneiramente na agricultura orgânica para acabar com infestações de insetos nocivos às lavouras . Após estudos da praga infestante, sintetizam artificialmente uma grande quantidade dos feromônios específicos daquela espécie incomodativa; o passo seguinte é distribuir espacial e periodicamente, significativas quantidades dessas substâncias por alguns pontos da plantação.


O quadro observado então é de alta concentração de machos da espécie do inseto a serem eliminados, ficam dispostos apenas envolta dos recepientes com o feromônio, tornando-se assim completamente impossibilitados de localizar e fecundar as verdadeiras fêmeas férteis no meio de tanto fragância sexual artificial; a reprodução da praga cessa e assim a infestação acaba sem ser necessário usar agrotóxicos.



O gênero de orquídeas andino Trichoceros, composto de espécies de pequeno porte, mimetiza espetacularmente a forma das moscas, para assim atraí-las e utilizá-las como transporte de pólen no seu processo de fecundação. Nesse caso o estratagema de atração é de ordem sexual, a ilusão pretendida é a da fêmea da espécie , e por vêzes é tão perfeita que chega a haver um movimento de quase cópula entre o inseto e a flor. Todo o elaborado processo de atração acaba resultando apenas na polinização entre exemplares da mesma espécie vegetal, com auxílio dos insetos visitantes dessas flores. Reparem nas fotos abaixo a qualidade da ilusão criada pela seleção natural, essas flores são as "versões" das fêmeas dos insetos polinizadores, provavelmente devem ser espécies de moscas.


Abaixo flores do gênero Platystele, essas micro-orquídeas apresentam um mimetismo mais discreto e minimalista para atrair polinizadores.


Abaixo as orquídeas européias do gênero Orchis, estas também mimetizam insetos e até mesmo fazem caricatura do ser humano no elaborado design de suas flores.





Ilusão interessante ! Um homenzinho dentro da flor !





  Um mico-leão dourado !

 
 
Dracula benedictii -  gera a quase perfeita ilusão da 
orquídea-chimpanzé - puro acaso !








O tamanho da planta impressiona muito ! As folhas são grossas
 e apresentam rigidez incomum !


O importante orquidófilo e hibridista brasileiro, Rolf Altenburg, fundador da Florália, tinha uma soberba coleção particular de híbridos, nela permitia apenas umas pouquíssimas variedades muito raras, ou belas, das espécies naturais brasileira. Como excessão, lá no fundo do amplo apartado de sua coleção, havia uma grande cesta de madeira suspensa, de 1/2 m2, nela acomodava-se um belo exemplar dessa estranha e atraente espécie de Bulbophyllum, era a única planta suspensa naquele ambiente. Parecendo mais um vegetal de outro planeta, mesmo sem flores era impressionante apenas pelo tamanho e aspecto singular, era a maior planta daquela magnífica e histórica coleção de orquídeas dos anos 80!

 
Até o mestre dos híbridos rendia-se ao visual dramático do Bulbophyllum fletcherianum . A planta que possuia tinha pseudobulbos que eram do tamanho de abacates, as folhas grandes e duras imprimiam um aspecto pré-histórico à planta; florida fedia e atraía moscas, gerando grande contraste com os magníficos e perfumados exemplares da coleção dele. Sr. Rolf, seus híbridos espetaculares e seu charuto são inesquecíveis, assim como seu fletcherianum. Foi esse o primeiro exemplar dessa espécie que vi, também foi o único de grande porte, não vi nada similar em todo os anos subsenqüentes.





Sr. Rolf Altenburg e seus híbridos - são ambos parte importante da história da orquidofilia.


Como eu gostava muito dessa espécie, ele gentilmente presenteou-me com um dos seus exemplares de L. perrini coerulea, eu fiquei surpreso e muito agradecido com o precioso presente. Retribuo-lhe tantos anos depois através dessa postagem !


Mas como não tinha nem ripado para colocá-la decentemente, também gentilmente recusei a generosa oferta, por temer não ter como conservar a rara planta no calor africano do Rio de Janeiro. A estufa dele tinha até ventilação artificial e a rara Laelia ficou bem melhor no conforto e nas atenções de seus olhos de mestre. Era uma pessoa generosa !

Acima a magnífica C. trianei " Rolf Altenburg".


Como todo homem capaz e inteligente, era ocasionalmente mau humorado, mas tinha sempre o coração grande. Foi um ser humano inesquecível , de longe o mais importante hibridista brasileiro, sua produção de híbridos tornou-se clássica e ainda aguarda ser suplantada.


Lembrar e falar dele é fazê-lo viver !






sábado, 9 de outubro de 2010

A Iconografia de Orchidaceas do Brasil

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O Jardim Botânico de São Paulo lançou no ano passado, com tiragem reduzida de apenas 500 exemplares, a reimpressão do livro “Iconografia de Orchidaceas do Brasil”, do naturalista Frederico Carlos Hoehne, publicado originalmente em 1949.
Trata-se de uma das obras mais conhecidas desse naturalista, este ilustre botânico também implantou, em 1928, as Estufas do Orquidário do Estado, sendo esta a origem da instituição botânica que agora o reedita, em nova comemoração. Com essa publicação, o Jardim Botânico de São Paulo presta uma magnífica e útil homenagem ao seu fundador, no ano da comemoração dos 80 anos da sua fundação.




A primeira edição, quando colocada à venda em livrarias, esgotou-se em poucos anos, tornando-se rapidamente uma obra emblemática, por isso posteriormente muito procurada por orquidófilos e bibliófilos. Hoje pode ser considerada, com justiça, uma das obras mais importantes já publicadas no cenário da literatura nacional e mundial versando sobre orquídeas brasileiras.


Obs: A identificação das espécies retratadas nas pranchas da Iconografia aqui reproduzidas, que são imagens obtidas em pesquisas na internet, está disposta no próprio nome do arquivo jpg de cada uma destas imagens, "salvando-se como" ou abrindo-se a imagem em outra aba ou janela, surge o nome e identifica-se a espécie botânica retratada.



Podemos afirmar pelo porte do obra e pela abrangência do texto: a Iconografia já nasceu célebre, referêncial e rara. Esse livro sempre foi muito mais difícil de adquirir, do que de se encontrar, era comum em bibliotecas de orquidófilos de classe média ou alta, mesmo sendo dispendioso. A edição original é volumosa e pesada, geralmente precisava ser posta numa mesa para ser consultada, com toda essa grandiosidade não poderia custar pouco.


Frederico Carlos Hoehne.


O clássico livro traz capítulos orientativos sobre como plantar as espécies nativas, sobre como construir um abrigo ou orquidário, possuí ótimas descrições e chaves clássicas para a identificação dos gêneros brasileiros. É uma obra voltada para o público orquidófilo, por isso fez tanto sucesso. O autor não se cansa de fazer comentários práticos e de fornecer dicas de cultivo, é um texto colaborativo, um amigo técnico do passado guardado na estante.



Quando se tem a sorte de achá-la em bom estado de conservação nos sebos, a aquisição custa cerca de R$ 1.500 - 2.000. A nova edição custou R$ 200 + o custo do envio pelo correio, paguei R$ 228 para receber essa jóia aqui na minha casa em Curitiba. Fiquei muito contente de agora poder tê-la, quando era estudante nos anos 80, a obra já era notável, cheia de ilustrações botânicas artísticas demonstrativas da riqueza sem fim de nossa flora , hoje é ainda de leitura mais saborosa.

O capítulo mais agradável é o da viagem imaginária pelo país, onde o autor descreve, num texto cheio de impressões pessoais e detalhes, as regiões, os habitats e as espécies de orquídeas correlacionadas. Mostrando-as como ainda se dispunham nas décadas de 20-30-40, num cenário anterior à grande destruição da natureza que ainda estava por vir; é uma delícia ler esse capítulo em especial .



A Flora Brasílica é a principal base de dados e imagens da Iconografia de Orchidaceas.

Para Hoehne, a publicação dessa obra constituía-se num belo resumo de uma obra anterior, a muito mais volumosa e completa "Flora Brasílica" . A publicação da Iconografia a implantação de uma pioneira coleção de pública de orquídeas , na área que viria a ser, mais tarde, o Jardim Botânico de São Paulo. Atualmente temos o modesto Orquidário Nacional em Brasília, mantido pelo IBAMA, além de algumas coleções pequenas em universidades e jardins botânicos. O sonho de Hoehne de um grande centro de conservação e exposição de orquídeas brasileiras ainda não se concretizou. Essa esperada instituição pública só surgirá quando a destruição da natureza brasileira avançar ainda mais.




As orquídeas constituíam o grupo de plantas preferido de Hoehne, entre outras tantas espécies da flora brasileira sobre as quais ele escreveu. A essas plantas dedicou anos de estudo, tendo descrito inúmeras espécies novas para a ciência, descrições sempre acompanhadas com ilustrações botânicas precisas e artisticamente primorosas.




A nova edição é idêntica ao clássico livro de 1949, não se mudou ou atualizou nenhum nome ou dado, apenas o tamanho reduziu-se à metade, devido ao papel de impressão mais moderno. Foi o primeiro livro botânico popular e referencial sobre as orquídeas brasileiras, é uma obra de arte, um livro histórico marcante para várias gerações de orquidófilos.

O livro de Hoenhe só perdeu prestígio quando lançaram os dois grandiosos volumes de Orchidaceae Brasilienses de Güido Pabst & F. Dungs, de 1977. Inusitadamente disposto numa edição escrita , ao mesmo tempo e em três colunas diferentes por página, em português, inglês e alemão. Tratavam-se de compêndios ainda mais custosos, tecnicamente completos, ilustrados de forma espetacular e portanto menos acessíveis do que a obra aqui em questão.

Praticamente completa para a circunstância botânica do tempo da sua edição e ainda hoje muito abrangente, Orchidaceae Brasilienses aguarda ser superada como referência, é uma inevitável instância de consulta na quase sempre confusa identificação das espécies nativas menos conhecidas e cultivadas . Para se ter parca idéia das orquídeas brasileiras, é preciso ter estudado minimamente essa obra, embora haja outras fontes e referências, nenhuma outra apresenta uma compilação de informações como há nesses dois compêndios.




Um dos fascínios da Iconografia são as muitas fotos de época dos habitats, detalhe faltante na obra sua sucessora, escrita por Pabst. Na Iconografia há imagens com as matas e pedras cobertas de enormes touceiras de orquídeas, em Orchidaceae, em compensação, há catálogo de quase todas as espécies , além de esquemas de identificação visual mais completos. As ilustrações botânicas e o arranjo geral do livro de Hoehne são únicos e bem peculiares desse período do pós-guerra; percebe-se uma época de visível avanço para botânica e para o Brasil em geral.



Na Iconografia é composta de 604 páginas, sendo 1/3 só de magníficas ilustrações botânicas, uma obra feita para orquidófilos, com botânica e os inevitáveis termos técnicos, mas agradável de se ler. Demora meses para se acabar a leitura, dá a impressão de nunca findar, são tantas informações, ficamos um tanto entorpecidos pela extensão do trabalho perpetrado pelo naturalista. Ele escrevia continuamente, publicou um impressionante conjunto de obras, deve ter sido uma ótima pessoa, seu estilo de comunicação é bastante humanizado e ao mesmo tempo técnico.


A Iconografia das Orchidaceas é repleta de surpresas visuais inusitadas e interessantes.


Acima a Laelia jongheana das serras mineiras floresce para sempre na ilustração da Iconografia. Na época da primeira edição, essa espécie era dada como extinta, depois reapareceu em vários locais, foi extensivamente coletada e agora extingue-se de novo! Este blog segue, muito mais humildemente, a mesma orientação imprimida por Hoenhe na Iconografia: o mais importante é abastecer de boas informações as pessoas que gostam das orquídeas. Sem orquidófilos as orquídeas se extinguiram, não só na natureza, mas para todo sempre.



As espécies de Aristholochiacea e Gesneriaceae brasileiras,também são lindas, variadas e exóticas. Porém ninguém as defende, comenta ou propaga, como não são conhecidas , não são cultivadas. Ninguém fará exames de DNA nelas para desmontar a sistemática em vigor!



Hoehne também escreveu a Iconografia das Aristholochiaceae do Brasil.



Espero a reimpressão de outras obras do Hoehne ! Compraria todas !




A edição nova tem papel de melhor qualidade, 50% menor, mais leve e de fácil manuseio.



Na antiquada Biblioteca Estadual do Paraná, onde guarda-se um exemplar original da Iconografia, é preciso preencher duas folhas de um cadastro completo e sofrido, para então podermos ter acesso e ler a obra lá. Quando me deparei com a obrigatoriedade de fornecer dados, motivos, razões, intenções, orientações, diretrizes e outras informações de caráter absolutamente pessoal, desanimei e abandonei por lá mesmo a vontade de consultar o livro. Imaginei ser necessário apenas identificar-me como cidadão ( Nome-RG-CPF - Endereço), mas é muito mais complicado ter acesso ao arquivo público dessas obras! Na tentativa de proteger, acabam por burocratizar em demasia a fundamental função do atendimento, melhor pô-las no cofre, assim se preserva, mas a biblioteca poderá perder função. Não é um livro realmente antigo do Séc IXX , é de 1949 e há milhares deles ainda por aí, encontra-se honorificamente alojado nessa seção em função do seu tamanho e aspecto! Poderia mesmo já estar digitalizado para a consulta, mas ninguém faz muito por lá...aí que sono!.

Livrei-me desse problema chato de acesso à informação comprando a nova versão !


Com essa política de atendimento ao público a instituíção corre o perigo de tornar-se apenas uma penitenciária de livros, o patrimônio público fica acessível apenas para uns poucos elitizados cadastrados. O ônus da segurança e conservação é dos funcionários pagos para isso e não para impor dificuldades ao acesso esvaziando a procura. Biblioteca não é museu, onde não se pode tocar o acervo !





Para adquirir a nova edição da obra em questão eu entrei em contato por e.mail, com a funcionária responsável pela venda no Instituto de Botânica de São Paulo - Fátima Frige ( fatfrige@yahoo.com.br ) - passei meu nome e endereço completo. Calculou-se o custo do envio e me forneceram-me uma conta corrente da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, para o depósito do pagamento. Fiz o depósito e em seguida mandei-lhe uma foto de scanner do impresso do comprovante, também por e.mail; recebi o livro em dois dias. Lindo livro, aqui divido-o com quem lê o artigo !



Fiquei extremamente satisfeito com a aquisição e com o atendimento! Acho uma oportunidade única , uma iniciativa merecedora do nosso prestígio, torna-se patrimônio já no ato compra !