VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

AMORC : A Rosa Egípcia



Talvez a primeira crença registrada de que haja apenas um único Deus tenha surgido
 no reinado do faraó Akhnaton, o culto ao disco solar que a todos abençoa com
seus raios está representado na fachada de um dos prédio
da AMORC em Curitiba-PR.

Aproveitando o mote do uso paisagismo da rosa mística, convido
 o leitor a passear pelo Egito que mora na minha alma antiga.





"Somente a consciência do indivíduo, 

dá testemunho dos atos sem testemunha, 
e não há ato mais desprovido de
 testemunha externa do que
 o ato de conhecer."


Olavo de Carvalho


"A única atitude intelectual digna de uma criatura 
superior é a de uma calma e fria compaixão por
 tudo quanto não é ele próprio. Não que essa 
atitude tenha o mínimo cunho de justa e 
verdadeira; mas é tão invejável
 que é preciso tê-la."
 Fernando Pessoa 



Todos temem o tempo, mas o tempo só teme as Pirâmides do Egito.

A Antiga e Mística Ordem Rosacruz - AMORC -  tem sua sede brasileira no bairro do Bacacheri em Curitiba. A arquitetura e o conjunto paisagístico são impactantes e transmitem uma paz radiante e ancestral. O estilo das construções é de inspiração nos monumentos  egípcios da  XVIII Dinastia,  que reinou cerca de mil anos antes de Cristo no passado egípcio. O singular quarteirão final da rua Nicarágua nos remete às escolas esotéricas deste tempo remoto, onde a ordem mística parece ter sido fundada, sob o patrocínio e no reinado de Thutmés III.








A sede mundial da AMORC, em San José  na Calífórnia, também segue o mesmo estilo observado no conjunto curitibano. Os moldes para as colunas e outros detalhes foram cuidadosamente enviados para que a sede brasileira não destoasse do estilo predominante nos prédios dessa ordem filosófica-esotérica.



Réplicas muito bem feitas,  as esfinges representando os carneiro de Amon, típicas da 18ª Dinastia,
 cercam a deusa hipopótamo Taweret, símbolo da maternidade cuidadosa e aprofundada.
 
Taweret - uma escultura antiga em
 xisto polido, famosa pelo design
 e fino acabamento.




Os moldes enviados reproduziram vários detalhes dos prédios americanos
 no conjunto paisagístico curitibano, tanto lá, como aqui, o encanto antigo se repete.



A AMORC em Curitiba :
o surpreendente quarteirão egípcio.


Sede da AMORC no Brasil - Curitiba PR



As inscrições hieroglíficas no quiosque incluem o nome 
do faraó Tutmés III-Menkhepere.





O gracioso quiosque é sustentado por colunas com capitéis do tipo
papiro fechado, emoldurado com papiros verdadeiros e vegetação
 exuberante, inclusive muitas orquídeas; convida para a meditação.


Neste banco muitas  vezes me sentei em busca de respostas para os meus dilemas
 espirituais, aqui fica exposta a  minha homenagem e o meu carinho à AMORC, da
qual não faço parte, mas admiro profundamente.







Já nasci com a alma  antiga, sempre gostei de cemitérios, mesmo com 12 anos de idade já me chamavam de "velho". Minha mãe não tinha a menor ideia de onde tão estranha personalidade poderia ter vindo. Até hoje sinto-me absolutamente feliz e confortável diante do passado e da sensação de eternidade que a morte  traz, como diziam os antigos egípicos : " com a morte apenas chega a longa noite de contar os anos ". A finitude é um fato da vida , precisa ser comentado e aceito, os brasileiros profundamente hedonistas por natureza e pela cultura indígena, têm aversão ao assunto, aliás mostram aversão já pela maturidade e pela velhice, fases tidas pela cultura nacional como pré-morte. Na cultura egípcia antiga era o oposto, a finitude era um portal de possibilidades e prazeres, acreditavam que devia ser muito agradável estar morto e ser de espírito livre.


Saudades imensas de um tempo onde a espiritualidade era de maior abrangência social. Este 
quiosque me encanta, inserido assim tão leve neste jardim simples e muito bem cuidado; 
um oásis na agrura da cidade super lotada de carros e de pretensos rostos superiores.



A sucessão de  rosas dispostas em frente aos emblemáticos prédios encantam os olhos, rosas são místicas e ressaltam  a alta espiritualidade do lugar.  Inesquecível prece feita em construção ! Eu que sou egiptólogo amador desde que tinha apenas dez anos de idade, não canso de me deliciar vendo este "Egito" tão próximo de mim. Se sou louco, não sou louco sozinho, e que loucura exótica esta que vem do passado. Estranhas saudades do que nunca vivi, com forte sensação que todo este cenário é absolutamente familiar e pertinente. Ainda bem que não penso que sou Ramsés ou Napoleão !



Portas discretamente sisudas nos sinalizam que a geometria
  é relacionada aos antigos  mistérios.

Estudiosos da antiga arquitetura egípcia atestam que mesmo conhecendo o arco , como se observa nas ruínas de celeiros e residências, nas construções  ligadas a religião utilizava-se apenas a coluna e o arquitrave. A pedra durava a mesma eternidade que a  alma poderia adquirir, então este material era o apropriado para este tipo de construção, quanto mais dura a pedra, mais difícil é trabalhar com ela. O polimento feito a mão em materiais difíceis, num tempo onde o melhor metal para ferramentas era o bronze,  mostrava ser o brilho do polimento o mais precioso e notável dos acabamentos.

A geometria intrínseca em toda a arte egípcia parecia ter sido concebida para contrastar com  a vegetação disposta na sinuosidade natural do vale do Rio Nilo. No encontro do mais extenso rio do mundo com o maior deserto africano, criou-se uma tensão que espelha bem a delicadeza da vida, o rio e a vegetação circundante, com  a predominância da morte eterna simbolizada pelo deserto árido e sem fim.. A volumosa geometria dos templos embandeirados mostrava contraste com o ambiente natural , a água do rio e o vento nas bandeiras davam graça ao deserto que surgia de repente, quase sem transição. No oeste, onde o sol se punha, ficavam as necrópoles, já os templos eram erguidos preferencialmente no leste onde o sol se levanta magnífico todos os dias.




As portas metalizadas da AMORC nos remetem à descrição do saque dos templos santos da cidade Tebas pelos assírios comandados por Assurbanipal em 663 AC. O que mais impressionou os saqueadores foram as portas dos templos, folheadas a ouro e cobertas de pedras preciosas, o rei mandou que imediatamente fossem retiradas e levadas à Assíria, nunca tinham  visto nada mais finamente acabado. Pelo que conhecemos das riquezas da tumba de Tutankhamon  é possível imaginar como eram os tesouros dos templos santos no auge da civilização egípcia..




Já na primeira vez que estive em Curitiba, em 1991, primeiramente me
 dispus a visitar este local tão especial que conhecia de fotos.


A arquitetura dos templos é tradicionalmente composta de duas massas construtivas trapezoidais chamadas pilones, encimadas por um acabamento encurvado chamado cavetto, o portal separava os pilones. A sucessão de portas nas construções religiosas mostrava  o avançar da evolução da alma diante dos mistérios oculto de Deus! Também marcavam a rota da procissão quanto as imagens eram expostas ao povo fora do templo.

Cavetto cornice

Tothmea está exposta em Curitiba.

Cabe também ressaltar o ingresso e uma nova múmia humana faraônica, a sétima no Brasil e única fora do Museu Nacional da UFRRJ. A múmia aparenta ser da Baixa Época, talvez ptolomáica, e sem  qualquer identificação original. É conhecida como "Tothmea", tendo sido doada pela Ordem Rosacruz norte-americana para compor com o museu de réplicas modernas de antiguidades egípcias na sede brasileira da AMORC Brasil, em Curitiba. 
 
 Os copos plásticos com sais minerais, vistos na foto acima, tentam  reduzir 
a umidade do ar dentro da vitrine onde Tothmea descansa no seu 
novo ataúde, feito especialmente para ela, assim como a sala 
de exposição no estilo funerário egípcio antigo.


Chamuscada por um incêndio no prédio onde era abrigada, ainda nos Estados Unidos e no Séc. XIX, com o rosto bem danificado; sem qualquer adereço ou ataúde originais, mostra-se uma anônima resistente e multi secular, ganhou de respeitoso presente o esquife onde repousa, que é uma réplica moderna.






O Inestimável Legado Espiritual
do Antigo Egito :


Meus livros egiptológicos, minha paixão !

A Índia fica perto, logo abaixo.

Máscara de Psussenes I de autoria de Eduardo Villela
 e esfinges de Maurício Branco.

Livros que li para escrever as postagens sobre o Brasil do Séc. XIX .

Shabtis saítas em resina, imitando faiança, e um primoroso Ptah em latão sólido.
 Eles guardam meus livros, o Egito que tenho, o que pude ter, diria; é nele que
 me refugio quando as coisas ficam muito desinteressantes por aqui.

 Vou sempre visitar Akhnaton no Museu Rosacruz
 do Bacacheri, somos vizinhos e
amigos de longa data.






O templo-fortaleza de Medinet-Abu, acima reconstituído em seu aspecto original, foi construído por Ramsés III, já no fim dos tempos áureos do Novo Império Egípcio. Sua disposição mostra um eixo de procissão que conduz ao santuário principal do deus ali cultuado. É um bom modelo da disposição clássica dos santuários egípcios, este ainda agregou um palácio real como anexo, moravam juntos o deus Amom e o deus  vivo faraó, ambos apartados do resto do mundo por uma sucessão de muros.

  Medinet Abu: um misto de  fortaleza, palácio e templo de Ramsés III.

Pilones duplos ladeiam as portas do eixo, nas laterais mais externas em volta do templo e em branco, indicando que não são feitos de pedra mas sim de tijolos, estão dispostos armazéns e  acomodações militares e sacerdotais. No canto esquerdo, feito em pedra, estão  as instalações privadas do faraó dentro do complexo arquitetônico. O primeiro portal foi concebido em estilo que imita uma fortaleza síria, lembrando as façanhas asiáticas do último grande faraó guerreiro.




Amon, o oculto, o que não se vê, inspirou o 
mais poderoso dos cultos antigos no Egito.






  3D  Temples View - descrição da disposição
  geral clássica dos templos egípcios .





O Panteão egípcio era composto por muitos deuses,o Cristianismo
também concebe vários santos e anjos protetores como
 intermediários entre o céu e a terra.

 Mesmo no epicentro da praça maior da cristandade, ergue-se um obelisco 
egípcio, sem inscrições ou origem, como uma sólida lembrança
 de onde tudo nasceu e tomou corpo.

Também diante da Basílica de S. João de Latrão
 ergue-se um outro obelisco egípcio, este de Thutmés III.

Acima outros dois obeliscos em praças romanas, 
ambos inscritos para Ramsés II.

Obelisco saíta de Psamético II, também 
ornando uma praça romana.


No funeral de um gato querido, já mumificado mas ainda insepulto, a imagem mostra a liturgia do incenso e a apresentação de outras oferendas, expõem a alma mística dos egípcios, criando uma das mais belas apresentações que vi sobre o tema. Mostra bem o importante cerimonial funerário e a crença de que toda a vida ainda continuava, mesmo após o fim. A eternidade seria vivida pelo espírito, o corpo deveria estar ritualmente preparado e incorruptível diante da putrefação que o tempo traz. Homens e animais, como manifestações evidentes do divino, compartilhavam o culto funerário, uma esperança na manutenção da comunicação entre dimensões diferentes.

"A veneração dos egípcios pelos gatos não
 era tola e nem infantil; por meio do
 gato, o Egito definiu e refinou
 sua complexa estética"

Camile Paglia



Se então olhamos muito para algo,
este algo também nos fita, às 
vezes com a mesma
atenção :

  

O olhar egípcio é
sempre cativante.

Outras culturas, como a assíria e a persa, inspiraram-se
 na  egípcia para criar a sua própria versão
 do fantástico elegante.

 
 
 
A mística e espiritual estátua do Ka do príncipe Hor é 
impressionante obra de arte egípcia.

 Ausar ou Osíris, é o senhor do outro mundo, 
do mundo da morte onde ainda há vida.

 Ka - literalmente traduzido como "duplo"-  é um conceito espiritual egípcio muito típico e curioso, o Ka é aspecto da alma que se manifesta de forma perceptível. É representado pela imagem do indivíduo com braços aberto em prece sobre a cabeça. Pode ser caracterizado pela manifestação em lembranças vívidas, tanto para para os outros como para o próprio indivíduo, que assim vê a si mesmo no sonho ou tem lembranças sobre si. Acreditavam que este aspecto do espírito sobrevivia à morte, este visitava periodicamente o corpo morto enquanto este sub existisse mumificado e incorrupto, demandava bens terrenos no túmulo e a apresentação de culto e alimentação ritualística por parte dos vivos encarregados ou interessados na manutenção da lembrança do falecido, para que assim o espírito do morto não desaparecesse deste plano terreno, vivendo para sempre. Todos tinham seu Ka, durante a vida e após ela, este automóvel Ford Ka tem seu nome inspirado neste conceito egípcio, o que nos ajuda a imaginar o que ele vem a ser.

           
 
O Ka então acompanha pessoa como uma sombra, durante toda a vida, como um aspecto dual de si mesmo, mas quando a pessoa morre, o Ka retorna para sua morada celestial. A preservação do corpo, as oferendas de comida, sejam reais ou apenas gravadas nas paredes da tumba, propiciavam energia ao Ka, esperando-se que ele visitasse o corpo e a tumba. Não que ele comesse, mas assim como as estátuas dos deuses, o Ka assimilava energia.Os egípcios acreditavam que os animais, plantas, água e as pedras, por exemplo, todos possuíam seu próprio Ka. O Ka humano até podia habitar uma planta, enquanto a pessoa a quem ele pertencia, dormia. O Ka podia se manifestar, como um fantasma para outras pessoas, tanto fazia se a pessoa a quem ele pertencia estivesse viva ou morta. Podia até apavorar as pessoas que por acaso tivessem feito algum mal para seu possuidor – se, por exemplo, a família não tivesse feito as oferendas devidas, o Ka faminto e sedento, os assombraria até que corrigissem seu erro. Na vida diária, ao dar comida e bebida para alguém, os antigos egípcios costumavam usar a frase "Para o seu Ka", para desejar energia vital ao Ka daquela pessoa, sinalizando desejo de eternidade. A palavra grega Aegypthus, deriva do egípcio Het-Ka-Ptah, chamavam o país de " o castelo do Ka do deus Ptah"



 
Bronze da Rainha  Karomana.



 
Pingente em ouro e lápis lazúlli mostrando o sol noturno, proveniente do tesouro de  Shoshenq II em Tânis, trata-se da representação do disco solar em sua jornada subterrânea, pondo-se no oeste,  ressurgia no leste a cada manhã, após cruzar o mundo infra-terrestre.

Máscara em ouro sólido
 de Psusennes I.

Soberbos braceletes
de  Shoshenq II.


As joias  do tesouro dos três faraós e de um general, encontradas por
 Pierre Montet em 1935, em Tânis, são genuinamente egípcias 
na pureza de formas, um design mais simples e 
interessantes do que o rococó amarniano 
dominante na tumba de Tutankhamun.


O misticismo também
  impressiona.


Delicadas e místicas cenas da vida no pós-morte.

A alma do morto Osíris, ou de qualquer outro morto julgado justo de voz diante dos deuses, o chamado Ba , visita o corpo na forma de um falcão Hórus, as mãos de várias deusas abençoam o ressurgimento da vida e também o corpo morto preservado e vestido para toda eternidade. Os egípcios não acreditavam em ressurreição do corpo morto, mas a manutenção do corpo terreno mumificado e incorruptível , daria condições da alma continuar atuando no nosso plano material.







 
  Egyptological masterpiece.

Uma viagem visual e emocional ao Antigo Egito.
Obra cinematográfica sobre o Egito de perfeição
até hoje insuperável em direção de arte,
 falada em polonês, acredite se quiser.





 Faraon film by Kawalerowicz
simplesmente impressionante.
A atriz polonesa Wieslawa Mazurkiewicz, interpretando a Rainha Nikotris, rouba as atenções. 
Sua peruca avantajada me lembra aquelas que foram encontradas no esconderijo 
onde se sepultaram juntos tantos faraós das XVIII, XIX e XXI Dinastias, os 
brincos ligados à tiara, inspiram-se nos retratados na tumba de
 Nefertari,  a famosa esposa de Ramsés II. 


 Soberba em cena e verossímil como egípcia, sua caracterização
 me fascinou por anos, agora ofereço-a aos olhos de vocês.



Impressionante nos detalhes e na
 reconstituição cultural antiga.

Filme inesquecível por décadas, presto meu tributo ao
polonês cineasta, recomendo também outro
 fantástico  filme dele : Quo Vadis .




Como o barco do Sol cruzava o céu diariamente, renascendo a cada dia, após vencer as trevas do mundo subterrâneo, os deuses eram tradicionalmente cultuados  em seus barcos santuários. Assim eram as características das deuses egípcios: regeneravam-se, vivendo uma eternidade de milhões de anos.Sacerdotes carregam em procissão e para fora do templo um barco-santuário, com a imagem de culto principal do deus oculta na capela fechada. Os grandes templos não eram destinados ao culto público, muito pelo contrário, podia ser percebido como uma grandiosa ou refinada mansão terrena do deus lá adorado, algo como uma propriedade oferecida pela comunidade às forças divinas, um espaço reservado frequentado apenas por pessoas purificadas e instruídas.

 O faraó faz uma oferta de incenso ao
deus assentado em sua barca santuário.

Os templos menores  eram mais ligados às comunidades, sendo um reflexo destas, os maiores tinham propriedades e independência financeira, bem como um corpo sacerdotal  mais amplo e  culto mais complexo. No templo de Neith,  a deusa da saúde, em Saís, formou-se espontaneamente a primeira faculdade de medicina conhecida, as pessoas doentes eram levadas para o sanatório, uma construção apartada dentro do recinto, onde recebiam cuidados, orações e a energia curativa do ambiente.


 Estátuas da deusa Neith e de um sacerdote
 chefe dos médicos do templo.

Aos poucos, os sacerdotes foram aprendendo empiricamente, criou-se uma medicina local muito famosa,  sacerdotes tornaram algo como médicos, conhecedores da tradição das curas possíveis. Foi na fé e na devoção nascidas nesta civilização antiga que muitas religiões, ciências e filosofias atuais têm suas raízes. Foi no antigo Egito que pela primeira vez surgiu a crença que seremos julgados após a  morte e que há uma observação permanente em nossos atos em vida ! Isto é a base das religiões modernas: fazes agora, mas serás julgado depois ! Há vida além da matéria e não farás o que desejas sem qualquer controle !


Múmia de um provável cão de estimação do rei Amenhotep II, achada num esconderijo, como outras múmias de babuínos, no Vale dos Reis. Eram todos animais de estimação que receberam cuidados de conservação no pós morte, os animais também tinham direito à eternidade da longa noite de contar os anos, acompanhavam os seus donos no mundo de Osíris.
 
Babuíno da mesma tumba do cão acima.

Múmia de uma gazela de
estimação da princesa Isenkhet.

 Gatos da época romana
.
 
Carneiro sagrado, um animal de culto.





A solenidade do julgamento da alma através da pesagem do coração é assim resumida pelo egiptólogo Kurt Lange: Osíris, senhor da eternidade, está sentado como um rei no seu trono. Tem em suas mãos o cetro e o leque. Por trás dele, mantêm-se habitualmente suas irmãs Ísis e Néftis. 

 
Na outra extremidade, vê-se a deus da embalsamação e do cemitério, Anúbis, introduzir a alma do morto ou a morta. No meio do quadro está desenhada a grande balança em que o peso do coração é comparado ao duma pluma de avestruz, símbolo da verdade. A pesagem é confiada a Hórus e ao guardião das múmias, de cabeça de chacal, Anúbis. 

 
 
O deus Thoth, de cabeça de íbis, senhor da sabedoria e da escrita, anota o resultado da pesagem sobre um papiro, por meio de um cálamo. Quarenta e dois juízes — correspondendo quarenta e duas províncias do Egito — assistem à operação. 

 
 Diante desse tribunal é que o candidato à eternidade deve fazer as declarações nas quais afirma nunca se ter tornado culpado de certo número de faltas para com seus semelhantes, para com os deuses, para com sua própria pessoa e o bem alheio.  

 
Li, já há muitos anos, e jamais me esqueci : a cultura e a concepção do mundo surgida no  Egito são tão fortes e características, que qualquer artefato antigo de lá oriundo, mesmo os simples e sem inscrições, é imediatamente reconhecido, até pelo leigo, como sendo inequivocamente egípcio.

Um breve olhar sobre o legado cultural
e espiritual do antigo Egito

A história, a antiguidade e o  aparato egípcios foram
  intensamente explorados pelo cinema.






Ramsés II


Os restos e ruínas do Egito faraônico, ainda dispostos ao longo do Nilo ou guardados nos mais importantes museus do mundo, nos mostram o surgimento da civilização ocidental. Grécia e Roma vieram, cada uma ao seu tempo, buscar abastecimento nesta cultura tão fascinante.


Os dois mais famosos líderes históricos que emergiram do passado antigo, chegando à posição de mitos universalmente conhecidos, são : Cleópatra e Ramsés II.  Existe uma percepção universal que o Egito Antigo foi berço da civilização ocidental. Ainda  hoje os milhões de visitantes que vão até os pés das pirâmides e templos retornam com a mesma certeza que quase tudo que é importante nasceu ali, e já nasceu cercado de mistério. Acima os impressionantes restos de uma colossal estátua de Ramsés II,  finamente acabada na pedra dura do granito,  feita num tempo sem a nossa onipresente energia elétrica, testemunha antiga de que qualquer superfície polida era uma  verdadeira proeza de manufatura. Dos restos do Egito antigo, a grande maioria do que sobrou leva  os selos  do reinado do grande Ramsés II, com  tal exibição de magnificiência entendemos como este faraó conseguiu se manter famoso até os dias de  hoje.


A Múmia de Ramsés II descansa junto com as
 de outros de sua família no Museu do Cairo.

Nas Páscoas de minha infância, sempre assistia ao épico filme
Os Dez Mandamentos, nele destacava-se a figura de
Yul Brynner encarnando Ramsés II.
 
Ra m ss - assim se escrevia sem a determinação
 das vogais - significa: nascido de Rá.

Interpretação marcante de um personagem mítico.




A trança de Hórus era de uso característico dos príncipes herdeiros do trono,
 já o elmo azul, feito coroa de guerra, era uma das regalias
 exclusivas do faraó, como se vê abaixo.



   Yul Brynner magnético como Ramsés II no filme,  oferece um filho morto
 aos braços de uma estátua do falcão funerário Sokar, implorando
por uma impossível ressurreição.


Soberbamente egípcio em cena, parece uma estátua, ostentando um nemes verde e
  capa de pele de pantera,  esta última característica da alta classe sacerdotal.













Cleópatra Téia

Cleópatra VII - Filopator 

Cleópatra significa: "a glória do pai ". Cleópatra foi um nome de uso sequencial para muitas rainhas ptolomaicas, uma homenagem dessa dinastia à lembrança de uma irmã de Alexandre - O Grande.

Fartamente representada nas artes,
tornou-se mundialmente lendária.


 
Alexandre - O Grande

Romanos


A legenda de Cleópatra, a derradeira rainha da terra dos dois países, é clássica na História, onde insere-se emblemática dos encantos egípcios. Muitos pensam que esta seria uma linda e sedutora mulher, a beleza física excepcional talvez seja exagero, mas que era mulher envolvente e refinada não há dúvidas. 


 
A canastrona Claudette Colbert surgiu como uma estilizada
 Cleópatra art déco no filme de 1934.


Art Déco.

 A rainha também foi chamada de: 
Serpente do Nilo.

Embora saiba que não fosse egípcia plena, ela era grega de sangue, origem e cultura; ainda julgo-a como uma das maiores governantes, além de sublime e mística embaixadora do Vale do Nilo. Estava sempre cercada de sacerdotes e conselheiros de alto nível, seu entorno era de refinamento permanente, fundou junto Marco Antonio o " clube dos viventes inimagináveis". Os egiptólogos não gostam muita dela, aliás até a excluem da História do Egito, tratando-a como "helenística"; todavia sua fama, sua expansão e importância  históricas são inegáveis.


 Morta  no trono pelo veneno da serpente, ela representa ao
 mesmo tempo o apogeu cultural e o desaparecimento do Egito dos Faraós.

Cleópatra soube como ninguém usar a força da cultura egípcia, depois do périplo de Alexandre procurando sua origem divina pelos templos, foi ela a mais fascinante personalidade que a história registrou nas paragens egípcias. Seus domínios passam em extensão e riqueza aos de Tutmés III e Ramsés II, dos que se proclamaram faraós do Egito, só Alexandre a ultrapassou em potência e glória.


 Poliglota, falava com César e Marco Antonio na língua deles, seu aparato em roupas, jóias, perfumes, palácios, navios e principalmente festins era cuidadoso e planejado. Exalando refinamento e exotismo do Oriente  junto à austera aristocracia romana, criou sensação e fama eternas. Tal como Tutmés III, Ramsés II, Alexandre  e Napoleão, tentou se apossar do mundo civilizado que conhecia, quase conseguiu.....por pouco não consegue....por pouco, tivesse ela vencido a Batalha de Actium.


 
 Luxuosa e elegante serpente do Nilo, teve o mundo aos seus pés, viveu na glória máxima , mostrou-se uma deusa viva. Liz  Taylor não era exatamente carismática ou talentosa, mas sua beleza e seus olhos violetas em cena compensavam tudo.


Cleópatra chega a Tarso em grande estilo num
 barco dourado, e teatralmente disposta a levar
 Marco Antonio para Alexandria.
 assista em tela inteira - full screen



 
Soube usar o milenar refinamento de seu país em seu favor e glória, a auto  proclamada filha de Ísis não  rendeu-se nem ao infortúnio. Escapou do  vexame  ser capturada e exposta em Roma, sacrificando o corpo e remetendo a alma à eternidade da História.

 
Fez parar sua respiração com o veneno eficaz e indolor da  víbora símbolo da realeza. Até no suicídio foi inigualável, sua opção pela  picada da serpente no seio foi digníssima, legítima descendente  de uma geração de tantos reis notáveis!

Nos anos 60 foi necessário produzir o mais caro filme da história do cinema, para  bem retratar a vida da mais famosa rainha da Antiguidade.  Tal como o rico aparato que cercava a última governante independente da terra dos faraós, o filme longuíssimo consumiu uma fortuna em  cenários, atores e indumentárias. 


Liz Taylor tentou ser Cleópatra.


 Réplicas de esfinges feitas em bronze, erigidas ao lado do rio Tâmisa em Londres,  adornam a base de  um dos obeliscos conhecidos erroneamente como "Agulhas de Cleópatra". Foram estas esfinges que serviram como modelo para a cena no vídeo abaixo, um dos maiores momentos do cinema, depois deste filme nunca mais se propuseram a  algo igual.

A base cheia de ferimentos no granito foi danificada durante bombardeios aéreos na II Grande Guerra Mundial, o obelisco ali disposto é mil anos mais velho que Cleópatra e tem inscrito o nome de Ramsés II, todavia foi erigido  por Tutmés III e reinscrito e usurpado posteriormente  por este outro faraó.

Desfile triunfal de apresentação do filho de
 Cleópatra e César  ao povo romano.
assista em tela inteira - full screen

Agulha de Cleópatra



 
Com dois te vejo, com três te arrebato, tu és o ferro eu
   sou aço, com os encantos ocultos eu te embaraço.


Logo abaixo imagens dos templos doados como agradecimento às nações  que ajudaram  no resgate  e na remontagem  dos monumentos da Núbia ameaçados de serem submersos pelo lago da represa de Assuã.

Templo de Dendur - MET New York
Os três templos pertencem ao período romano, quando o Egito  já tinha perdido sua independência e 
a arte já não apresentava o mesmo refinamento do período chamado de Novo Império, 
mas ainda assim são bem representativos da cultura das margens do Nilo.



Templo de Taffeh - Rijksmuseum Leiden
 
O desmonte e relocação de vários templos da Núbia, alguns gigantescos,
 foi uma empreitada multi-nacionalque com rapidez e presteza
 salvaram os monumentos da submersão.


Templo de Debod - Madrid

Recebidos e instalados como tesouros culturais em grandes cidades do Ocidente,
 mostram  luzes de antiga civilização ao observador moderno, exalam eternidade.








O périplo de Alexandre pelo Egito em busca de sua origem
 espiritual daria uma interessante postagem.




A reconstrução virtual da cidade solar de Armarna, capital do Egito durante o reinado de Akhnaton, nos mostra como foi imaginada está cidade planejada, com templos sem teto e erguidos com tijolos, com colunas baixas e massivas, e com o uso generalizado de cores fortes.

O casal solar : 
Akhnatom e Nefertiti

Os grandes espaços abertos e as construções em adobe, são as principais característica
 dessa cidade hoje praticamente reduzida às fundações e à solidão do deserto.

 O espírito de um milhão de anos, acima representado,
 vela pela fama e pelos restos materiais do Egito .

O Egito Antigo ainda pulsa vivo, encarna nas artes, no cinema e no misticismo ocidental, mostra estar nele a origem de tantas humanidades. A Arqueologia, vez por outra, exibe excitantes trechos ou pedaços de seu cadáver cultural embalsamado pelo tempo e pelas areias, a arquitetura sempre lhe foi reverente e respeitosa. A internet é como um corpo eletrônico moderno, onde o ka dos antigos pode achar abrigo, alimento e expressão, que vivam para sempre, na glória e no exotismo de si mesmos, nada há que se compare o que aconteceu por lá, é berço do Ocidente.

Um comentário:

  1. Um lugar mágico que inspira a uma sensibilidade mais apurada em busca de harmonia. É fascinante.

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