VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quarta-feira, 5 de março de 2014

Estilo Missões e o Neocolonial - Parte I




“O Neocolonial é uma variante
 eclética historicista.”

Carlos Lemos 


"Ai, esta terra ainda

 vai  cumprir seu
 ideal.

Ainda vai tornar-se 
um imenso 
Portugal."

Chico Buarque


"Sou o novo, sou o antigo,
sou o que não tem tempo.
O que sempre esteve vivo,
mas nem sempre atento."

Mauro Kiwitko





"Pé d'água, toró, como chovia
De português, o tupi se vestia
Se fosse no sol, tu se despia
E dispensaria a hierarquia

Quem degustou
Gostou do que sentiu
Digeriu, arrotou

Canja de laranja
Casca de galinha
Isca de polícia
Farda de sardinha

Nobres no convés e os negros no porão
Quem controla o passado tem o futuro à mão
Conheça sua História, não durma, irmão
Antropofagia pra fugir da tensão
Sardinha no cardápio 
pra fazer a digestão

Como não? 
Como sim, 
é apropriação."

Vitor Pirralho



Este estilo autóctone latino-americano herdou do Ecletismo uma
 grande gama de detalhes ornamentais, porém dispostos
 com mais comedimento e pertinência 
histórica e cultural.



O Neocolonial Lusitano, e também o Espanhol, se expandiram concomitantemente
 pelo Brasil. Embora tenham origens diversas, dada as afinidades estéticas e 
históricas destas arquiteturas, até edificações híbridas entre elas
 surgiram aqui. Caíram em desuso ao mesmo tempo, após 
marcarem nossa paisagem urbana com prédios ricos
 em detalhes ornamentais saudosistas.

Não deixe de ver 
a parte II



O Neocolonial foi tendência arquitetônica marcada pela senioridade,
 imponência, preciosismo detalhista e ibéricas saudades.
 Acima a fachada do Instituto de Educação - RJ.


Perpetraremos aqui uma disposição de assuntos multifocalizada,
 eclética se preferirem; dirigida ao leigo e ao visitante 
ocasional, especialistas podem e devem
  consultar outras fontes !!!


A sequência de disposição: Neocolonial Lusitano -
 Neogótico - Ecletismo - Spanish Revival, nos 
pareceu a mais didática para a 
ótica brasileira. 





" O tempo é o meu lugar
O tempo é a minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei ... " 

Vitor Ramil



Uma nação continental precisaria de um rosto,
um traço, um casario que a simbolizasse
perante ao resto da Civilização.


Foi um tempo onde havia espaço econômico, tecnológico e social para avanços e propostas, e também para o pastiche. Este termo pouco conhecido, significa neste caso uma apropriação de estéticas e soluções derivadas de situações já passadas, estéticas clássicas recicladas. Também uma inevitável " frankenstenização" do existente para o seu relançamento, uma repaginação retrô como se diria hoje. A clara tentativa de voltar no tempo, obliterar os erros e decisões equivocadas. Voltar ao verdadeiramente atávico, ao bom e velho, ao antigo e típico, ao que de fato está em nós, histórica e antropologicamente para sempre estará. Chega do que nos é sequencialmente imposto, e que viva aquilo que temos ! Afinal é  isto o que temos...podemos remanescer no que temos, é válido.




 Adornada musa tropicalista e mesmo neocolonial;
um tipo meio baiana, algo luso-brasileira,
com bastante revival, surgiria nesta
época, dando rosto,
 corpo e graça à
brasilidade.



Carmem Miranda em sua residência
 Spanish Revival na Califórnia.



Sobre o Neocolonial:

"Paradoxalmente, o neocolonial reage contra o passado recente olhando para trás. É um revival que se pretende novidade. De acordo com Argan, o revival nasce como experiência artística e como redescoberta romântica, e mostra-se até nossos dias não só através da expressão na pintura,na escultura e na arquitetura, como também numa evocação de passados míticos relacionados com construções políticas e ideológicas. Constitui simultaneamente uma evasão da história e uma tentativa de apropriar-se dela; uma estratégia para iludir a passagem do tempo, para colocar-se à margem das transformações, opondo-se à idéia de progresso, cristalizando um estado de coisas que se denuncia na medida em que a permanência de qualquer produto cultural separado de seu tempo perde o sentido de que desfrutava quando fazia parte de um conjunto coerente."  

 do especialista Carlos Kessel, a quem presto reverência
 pela racionalidade e visão definitiva sobre o tema.



Um estilo típico das primeiras décadas do Séc. XX,
visualmente muito marcante e difundido pelo Brasil.

O estilo é visto por todo lado e pelo país afora, eu mesmo sempre reparei muito nestas edificações, mas nada sabia ao certo sobre elas, percebia que havia muitas variações de ornamentos e de concepção, era algo um tanto antigo mas também recente, bem confuso ao observador leigo, mas aqui equaciono boa parte  desta temática identificatória, é esta a função primordial desta postagem.


Acima  vemos um frontão fechado, com florão e acrotérios de vaso fogaréu, típicos do Neocolonial Lusitano, mas também apresenta um revestimento texturizado, carimbado diria. Esse revestimento imita propositalmente um estuque grosseiro, talvez se passando por taipa ou adobe, é característico e bem típico do estilo Missões-Neocolonial Espanhol. Houve alguma interação entre estes estilos no Brasil, surgiram híbridos intermediários destas estéticas, alguns muito interessantes serão comentados mais à frente.




Mesmo quando bem singelos, o Missões e
o Lusitano continuam encantadores.








"Os Portugueses são os únicos seres humanos 
que inventam solidões para sentir."

 "Gostam de fingir que a solidão deles, por ser 
de origem imprecisa e brumosa, 
é mais dolorosa e poética."

"Matar uma saudade é
 quase um crime."


Miguel Esteves Cardoso  



Na grandiosidade da Universidade Rural, há nobreza nos
 acabamentos em azulejaria e nos chafarizes em bronze.


“O movimento neocolonial e o moderno 
tiveram pontos de contato: a procura da substância
 brasileira, da cultura brasileira, da realidade brasileira” 
 Lúcio Costa




A Escola Pedro II de Belo Horizonte é joia primorosa e nos
deixa boquiabertos com sua concepção arrojada e detalhista.



"Dentro de nós há uma coisa que não 
tem nome, essa coisa é o que somos"

José de Saramago







"Arquitetura é música
 congelada."
 Arthur Schopenhauer 


"O Português é  uma língua bonita, 
música, mais que palavra, 
alguma coisa de hittita,
 praia do mar de Java."

 Paulo Leminski


 "Soy loco por ti, América
Soy loco por ti de amores" 

Caetano Veloso 




 
Encontro de ornamentos: acrotérios velam no telhado a sedução
 de disposição entre um balcão e as volutas do chafariz no
frontispício do prédio principal da UFRRJ.
Primorosa fachada !


“Para que tenhamos uma arquitetura logicamente 
 nossa é mister procurar descobrir o fio da meada, isto é
 recorrer ao passado, ao Brasil colônia. Todo esforço
 nesse sentido deve  ser  recebido com aplausos”

Lúcio Costa


"Esse movimento foi na realidade a primeira manifestação
 de uma tomada de consciência, por parte dos brasileiros,
das possibilidades do seu país e da sua originalidade,
fenômeno sem o qual a arquitetura brasileira 
não seria hoje o que é”

 Yves Bruand



Elegante espanhola aos
pés do Pão-de-Acúcar.


Igreja de N. Sª. do Brasil em
 estilo Missões, na Urca-RJ


Estilo Missões: Californian Spanish Revival.

Antiga Missão Espanhola na Califórnia, os sinos pequenos e a rusticidade,
 seriam  detalhes  muito marcantes no estilo revivido.


Antiga Missão Espanhola mexicana, o estilo mostra-se muito mais exuberante
 e barroco nos detalhes, exibe primor real no revestimento externo,
estes detalhes construtivos seriam inspiradores para as
edificações neocoloniais hispano-americanas
contemporâneas, a origem do estilo
é muito bem conhecida.


Embora a fachada lembre um templo, vemos acima um Teatro e um Museu 
 em Spanish Revival , marcos na nova expansão do estilo
 revivido flamejante, de 1914, no Balboa Park
em San Diego da Califórnia.

 
No Rio aconteceria a explosão eclética nas exposições de 1908-22, em
 San Diego aconteceu a explosão neocolonial no Balboa Park em 1914.

Erguido em comemoração à abertura do Canal do Panamá, grande feito da engenharia norte-americana, o Balboa Park também homenageava a cultura mexicana. Após um destrutivo terremoto em Santa Bárbara da Califórnia, as novas construções passaram a seguir o estilo espanhol revivido no parque de exposição. Primeiro numa versão mais simples, inspirado-se nas antigas missões espanholas da Califórnia, essa primeiro estágio arquitetônico é o verdadeiro Estilo Missões, com o tempo os projetos foram se sofisticando mostrando inspirações também mexicanas, mais decoradas e vistosas.

Aspecto da paisagem hollywoodiana em Spanish Revival dos anos 20.

 Residência de Rodolfo Valentino, fachada e fundos,
 em verdadeiro Misson's Style.

 Mission Style's house, a typical early one,
 really simple and elegant.

Com a crescente aceitação do novo estilo, principalmente na Florida e na Califórnia, surgiu o termo Spanish Revival que nomeou está tendência arquitetônica por lá. No Brasil ficou conhecido como Neocolonial Espanhol, as casas da classe média, por serem mais modestas e simples são chamadas de Estilo Missões.

Neocolonial Espanhol teve grande âmbito pan-americano, sendo bastante
 observado na arquitetura brasileira, especialmente em residências.
Também teve aceitação em outros países sem
a mesma correlação histórica.


Bar spanish  flamejante em Sidney na Austrália.








 Na foto acima, vemos uma mostra de ornamentos do Ecletismo bem adaptados ao
 Neocolonial Lusitano: conchas, coroas de janelas, volutas, acrotérios
 de fogaréu com pontaletes e frontão aberto.
Sede do Clube Vasco da Gama.

As duas tendências de estilo, Ecletismo e Neocolonial, mostraram-se
 aparentadas e consecutivas, até  a chegada e a ruptura conceitual
do Art Déco e do Modernismo.

No Brasil, principalmente no Brasil, expandiu-se uma variação estilística
 co-irmã do Spanish Revival: o Neocolonial Português ou Lusitano.
Conviveram e dividiram as preferências por aqui.
Hibridaram-se inclusive !

Talvez fosse mais correto e apropriado o
 epíteto de Neocolonial Ibérico,
englobando as duas formas
principais do estilo.

Vamos oportunamente mostrar algumas estéticas importadas
 que levaram ao surgimento desta arquitetura mais histórica,
buscava-se com afinco uma identidade brasileira.

Assim contextualizamos
este assunto tão interessante !



Toda uma Lusitânia revivida de meu Deus, de minha mãe e do
meu sangue; sei bem de onde herdei o charme lento
 e a tradicional depressão portuguesa.
A Arquitetura Ibérica exala a
devoção da alma árabe !


Um pequeno histórico:


 Frontão hiper-eclético, 
nada a ver com o calor dos trópicos.

"O movimento em prol da criação de um estilo arquitetônico brasileiro, já latente na Escola Nacional de Belas Artes, na atuação didática do historiador Ernesto da Cunha de Araújo Viana, germinou em São Paulo a partir da atuação do arquiteto Ricardo Severo, na década de 1910, e ganhou força no Rio de Janeiro, nos anos 20. O novo estilo foi batizado de neocolonial por seu patrono, o médico José Marianno Filho, e, a partir da arquitetura, alcançou o mobiliário e outras artes utilitárias. Talvez tenha sido um dos últimos inventados pelos teóricos, artistas, arquitetos e historiadores acadêmicos. No início do movimento, nos anos 10, os defensores do neocolonial se opuseram aos adeptos do ecletismo que dominava o meio arquitetônico. No final dos anos 20 e na década seguinte, a contenda foi com os partidários do movimento moderno de arquitetura. Tanto as primeiras quanto as últimas eram disputas no campo do historicismo – estava em questão determinar a arquitetura capaz de conformar o espírito do tempo e do povo: a forma da modernidade no Brasil. Se os ecléticos pretendiam configurá-la com os signos de um passado supostamente universal, os neocoloniais priorizavam o pretérito local, enquanto os racionalistas diziam recusar tanto a arte anterior quanto as referências regionais."   de   Roberto Conduru


Projetos pioneiros de Ricardo Severo
 de 1916-17, em São Paulo.



Um tema histórico
muito interessante.







No ônibus escolar que me levava e trazia da escola, ainda no jardim de infância, ia na janela contando as casa de "colunas curtinhas e torcidas" e as com as "paredinhas de enfeite na frente dos telhados" que avistava no trajeto. Chamavam a atenção pela boa construção e pelo ar faustoso, imaginava-as como sendo muito mais antigas do que de fato eram. Desejava morar nelas, eram atrativas e tinham pequenas fontes e lagos, poderia ali criar peixinhos coloridos...sonhava com um aquário.
 
Quando entrava um aluno novo e o percurso do ônibus escolar se alterava, eu logo prestava a atenção nas novas residências deste estilo descobertas pelos meus olhos sempre curiosos sobre o passado. Estavam nelas os mais interessante detalhes daquela primeira paisagem urbana que eu enxergava pela minha mágica e cativa janela itinerante, ainda hoje ainda continuam me chamando muito a atenção ! Adoraria morar ou adquirir uma residência assim ! Há poucos anos atrás, tentei comprar um lote de móveis manuelinos em jacarandá-sangue-de-negro, típicos desta época, mas infelizmente não consegui concretizar o negócio.


A postagem se propõe a mostrar uma carga de imagens e explicações de tal forma
 dispostas,que ao se chegar ao fim dela, estará formada uma consistente
visão crítica sobre estes estilos arquitetônicos aqui analisados.
Acima a Sede do Clube de Futebol Botafogo.



O Lusitano foi então o sub-estilo do Neocolonial
mais característico e observado no Brasil.

Deixe estas edificações falarem ao seu espírito !
Elas são tão eloquentes e tem tantas
histórias para contar !

Em Modern Architecture in Brazil, de 1956, Henrique E. Mindlin apresenta o
movimento neocolonial como uma evidente reação aos abusos do
 internacionalismo perpetrados pelo Ecletismo e Art Nouveau:

"um retorno à única
 tradição legítima." 
H.E.Mindlin 

Elegante residência petropolitana
ricamente azulejada.

Estação ferroviária entre
 Curitiba e o Litoral.

Prédio residencial em estilo lusitano estilizado,
já bem alterado, mas ainda significativo, em São Paulo.




Acima a brasilidade elegante do Museu do Açude - Rio  de Janeiro.



Os móveis em voga nas casas neocoloniais eram um revival do estilo manuelino português,
um estilo rebuscado e detalhista, as colunas enroscadas, ditas barrocas, são sua marca
registrada. Esta moda foi responsável pelo completo desaparecimento das grandes
 árvore centenárias de Jaracandá-Sangue-de-Negro - Dalbergia nigra - uma das
riquezas do Sul da Bahia, também a Imbuia do Sul do Brasil - Ocotea 
porosa - foi utilizada nestes mobilários, a cor e nobreza
de ambas combinavam muito bem com o estilo.
São tidas por muitos como estando
entre as cinco madeiras mais
nobres do mundo e
as mais valiosas
 e belas do
 Brasil.



Um grandioso conjunto desta tendência arquitetônica
 no cenário rural do Rio de Janeiro.

Aproveito também a pertinência com a postagem para acertar
 minhas contas com esta fase da minha vida !

Quando conheci a Rural , com apenas 16 anos,
achei que tinha achado o paraíso
perdido da minha alma.

Fiquei impressionado com cenário !
Quis muito estudar ali...



A UFRRJ nasceu no Paço Leopoldina em 1911,
sempre foi palaciana, transferiu-se para a
nova sede neocolonial em 1948.

Acima o Paço Leopoldina ou Duque de Saxe, a edificação abrigou a primeira
escola superior rural do país, importante prédio histórico imperial,
 o paço foi demolido intempestivamente para a construção do
CEFET do Maracanã - Rio.


Outros palácios estariam no destino
da Universidade Rural !




Tantas vezes te mirei, mas só agora, com a senilidade, sei dizer
sobre ti: és o imponente paço lusitano da corte getulista,
erguido na baixada dos quiabos, perto da praia das
bundas, por isto fostes tão desdenhado e
 esquecido pelas elites rurais.

Uma encalorada, cabocla e distante "Versailles de Itaguaí"

Um passado revivido em pátios interno, arcos, colunas,
 jardins, frontões, telhados e sonhos de paz.

 

A magnífica sede da antiga Escola Nacional de Agronomia,
no clássico Km 47 da antiga estrada Rio-S. Paulo, encanta
 com  seu conjunto de pavilhões e jardins neocoloniais,
 o estilo é lusitano, mas com pitadinhas de espanhol.


 Estaria no Pavilhão de Biologia o melhor da minha formação acadêmica,
foi meu refúgio constante e seguro durante aquela fase difícil em que
 fiquei a admirar estas arquiteturas cheias de nada.


Antigas Roystoneas e Ravenallas, testemunhas vivas do tempo,
 continuam lá a escutar o vento e os passantes !
Tantas décadas ! Que lindas !




Mestre Eugênio formou muitos discípulos,
apaixonado pela Natureza do Brasil,
 dedicado, inoculou sua paixão
nas almas férteis com
 que conviveu.

O que salvou-se desse tempo inútil e profundamente medíocre, foi a inesquecível 
convivência com o grande zoólogo Eugênio Izecksohn, oásis no deserto. 


Foi com ele que aprendi sobre as orquídeas, é dele a origem do naturalismo vívido e da observação ambiental que se vê neste blog, sem que eu percebesse tão claramente, ele me aportou conceitos, visões e manias fantásticas... riquíssimo de alma, ele a dividia... Deus o proteja!

Sopro hoje no rosto dos outros as mesmas histórias e os mesmo encantos acadêmicos que aprendi com ele. Ele sempre abria seus semestres , perante as novas turmas de Zoologia, com a mesma e misteriosa pergunta: "Por que o urso-polar não come pinguins ? ". Após alguns segundos de incerteza e silêncio da classe, a resposta era sempre acompanhada de exclamações e risos dos alunos: "muito simples: um mora no Polo Norte e outro no Polo Sul". Bem humorado e inteligente, o mestre dizia ao fim de suas aulas, com saborosa cara-de-pau : "Vou-me já!" (diga rápido e veja o duplo sentido) e saia rindo da nossa juventude discente....

Portador de todos os títulos de pós-graduação que existiam, era professor na maior dignidade que esta profissão poderia alcançar, vinha de uma geração muito mais notável e generosa. Era por lá uma espécie de chefe da tribo dos ambientalistas perdidos, num tempo em que esta temática ainda nem estava tão em voga. Na época eram poucos os que sabiam das riquezas que o mato do Brasil escondia da percepção da grande maioria...
 
 Izecksohn's Toad
 Brachycephalus didactylus (Izecksohn, 1971).
O segundo menor vertebrado terrestre do mundo. 

Quando escuto as cantorias dos anfíbios nas noites chuvosas e quentes, sempre ecoa na minha memória o nome deste grande herpetologista brasileiro, que tantas importantes novas espécies descreveu. As milenares matas de Tinguá e Sooretama  não o esquecerão jamais, foi para ele que elas revelaram alguns tesouros zoológicos que estavam lá tão bem guardados!

Telhados proeminentes convidavam a chuva a cair copiosa, foi neste cenário majestático da UFRRJ , que num fim de tarde de outono, me senti, pela primeira vez, apenas mais um na fila de uma inevitável depressão por ter nascido no Brasil, tinha então 19 anos. Me senti muito desmotivado ao me deparar com as sucessivas greves, pelo monstruoso desinteresse dos docentes pelos discentes e pela distância entre a universidade, a economia e a sociedade agrícola do país. Inesquecível momento de um rapazinho que gostava de plantas e árvores frondosas!

Já era a UFRRJ uma instituição decadente, e eu, recém chegado, ainda teria de passar pelas muitas armadilhas dos seus corredores, carregando um melancólico e inesperado desinteresse interno, o mesmo que também recebia daquela  instituição tão alienada de sua função primordial de produzir profissionais úteis e gabaritados. Com o tempo passou a oferecer apenas "uns" cursos universitários de formação, a profissão teria que ser aprendida empiricamente pelos sertões afora.

O fundamento do meu interesse pelo Neocolonial está também calcado nestes anos de convivência com tão encantadora paisagem, faz sonhar, me fez sonhar, tomará que eu consiga explicar e expor esta experiência tão particular. Sempre gostei de bichos, plantas e História, ali imaginei que seria um paraíso para mim, foi uma grande decepção, muito maior porque foi a primeira grande decepção que tive. O amargo logo tomou o sonho de assalto....

Embora as fachadas externas sejam inequivocamente de inspiração lusitana,
 os grandes pátios internos, cercados de arcadas com colunatas sobrepostas, 
são bem mais característico do Neocolonial Espanhol.
É um belo conjunto de estética híbrida.

Não  imaginaria de pronto tão belo cenário abrigando barnabés tão típicos, foi um desconcertante momento pessoal, para quem não tinha noção da realidade educacional brasileira foi uma descoberta cruel. Vislumbrei  num primeiro momento o conteúdo humano sendo tão refinado e grandioso como o era a bela arquitetura onipresente, mas não era bem assim, ao contrário, a distância do Rio e o isolamento geográfico geral não permitiriam jamais a efervescência acadêmica e científica que inicialmente imaginava ali existir.

O  Jardim Botânico da UFRRJ tem a mesma idade das minhas lembranças,
assisti já sem paixão alguma, ao plantio das primeiras árvores.

Um refinamento de concepção ainda muito vivo, mesmo onde não há muitos detalhes.

Somente a grandiosidade do projeto arquitetônico mostrava-se conspícuo numa escola de agricultura onde não havia uma única lavoura produtiva em seus mais de três mil hectares de área. Naquele tempo de ditadura militar, tratava-se de mais uma repartição pública com muita tendência à greve e à disputa pela hierarquia interna. Esquecida pela importância das coisas naqueles tempos de exceção, torrava no sol forte da remota baixada de Itaguaí, bem longe de algum cenário agrícola brasileiro relevante. Até o trânsito da  rodovia Rio-S.Paulo deixou de passar na frente da monumental escola, criou-se outra estrada variante, apenas os ramais de ônibus de conexão com o subúrbio de Campo Grande movimentavam o trecho de estrada preterido. Das minhas aspirações de aprender muito sobre a Natureza, sobrou o aprendizado sobre a natureza humana e suburbana; como se diz aqui na fria Curitiba: " por fora era bela viola, por dentro só pão bolorento ".


A time ferocious and unforgettable
still sleeping under my skin.

 
Perguntava-me: quem teria erguido estes palácios tão belos em meio àquela distante Seropédica, naquele tempo um remoto distrito de uma já remota Itaguaí, cidade da Baixada Fluminense ? O que era toda aquela grandiosidade arquitetônica em meio ao nada da planície de terras inférteis ? Teria sido um grandioso projeto equivocado ? Diziam que a Universidade Rural teria sido erguida perto do balneário carioca como um acintoso gesto getulista à agricultura paulista e ao seu valoroso peso no orçamento nacional. O conjunto arquitetônico monumental era resultante de uma picuinha política federal entre gaúchos e paulistas.

Muito jovem e desconcertado, sentado às margens deste paradisíaco laguinho, vigiado pelos quatro tamarineiros indianos,  me chegou uma forte percepção de tudo que ainda viria a partir da opção de estudar ali, e que por fim se configurou como se previu naquele momento. Aqui tento, também, me livrar de lembranças que ainda me rondam, apesar das décadas decorridas...ainda tenho pesadelos muito desagradáveis com este lugar tão grandioso de cenários.


Foi muito tempo perdido esperando um rumo de vida neste paraíso visual, hoje entendo que muitos
 só resistiam estar ali se drogados, era grande o consumo de alienantes naqueles gramados.
O calorão que fazia naquela baixada sem fim parecia ter algum respeito pelos corredores
 e peças destas edificações, arejadas e sombreadas, eram muito agradáveis
 no abrigo dos que chegavam, suados ou molhados da chuva,
após cruzar os imensos gramados a pé.




O chamado Prédio Um - P1 - exibe uma imponência
digna de uma sede Estado.

Ares de casas antigas: os azulejos remetem logo
 à graça de um saudoso Portugal.




Uma tradição artística
inequivocamente lusitana.



"Os emigrantes portugueses só pensam
 em regressar, mesmo que seja para
 fazer casas de azulejo: há um 
charme lento neste país 
que é irresistível."

António Lobo 
 







 O novo estilo também ostentaria evidente azulejaria 
em suas fachadas e interiores, conforme 
poderemos observar pontualmente
 em alguns prédios abaixo.




No Neocolonial os azulejos 
não poderiam faltar.


 


Igreja de N. Sª. do Brasil
 em S. Paulo.

 
  Uma obra-prima do Neocolonial Lusitano no Brasil.




Acabamento e detalhes notáveis!
Magnífico templo !








Acima primorosos detalhes do acréscimo neocolonial de 1922
  na Casa do Trem, sede do Museu Histórico Nacional - RJ.








A Escola Estadual D. Pedro II em Belo Horizonte é mais um expoente da arquitetura 
Neocolonial Lusitana brasileira, erguida na década de 20, me parece que seja
a referência inspiradora que gerou a grandiosidade da  UFRRJ.








O Estilo Neocolonial sempre me chamou a atenção, a visão das fachadas e de certos interiores
 nos traz de imediato um forte saudosismo de tempos aparentemente mais felizes.
Embora as edificações não sejam exatamente  antigas, passam-se por
 antigas, sendo muito mais imponentes e bem construídas do
que àquelas de fato antigas, isto aqui no Brasil.


 Escola Pública Sarmiento no Engenho Novo - bairro do Rio.

Antigo prédio das Secretarias de Estado em Salvador-BA, 
os balcões conferem imponência ao estilo Lusitano.

"Diante da relativa pobreza de ornamento da arquitetura civil e militar do período colonial, tomou-se emprestado das igrejas barrocas um conjunto de elementos que nunca havia figurado em nenhuma residência; ao maior exemplo, a casa construída por José Marianno próxima à Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, Lúcio Costa chamou “mais museu do que casa”. Mas foi nas técnicas construtivas modernas que a revivescência da arte tradicional encontrou maior obstáculo: estruturas de concreto revestidas de gesso e madeira industrializada retrabalhada para tomar um aspecto irregular são apenas dois exemplos das soluções adotadas pelos arquitetos e engenheiros obrigados a trabalha no Século XX para erguer construções do setecentismo." de Carlos Kessel

O novo estilo espalhou pelo cenário brasileiro uma riqueza arquitetônica já bem retrógada na época, mas bem antes, o estilo colonial não acontecera na forma de um ciclo completo, marcando muito pouco o país como um todo ao seu devido tempo. Apenas em algumas poucas e notórias cidades, e principalmente nas igrejas barrocas, havia um estilo colonial mais elaborado e expandido, o resto era tosco. Devido ao grande sucesso do estilo Neogótico nos templos católicos brasileiros desta época, acredito que havia no imaginário social brasileiro uma carência, ou uma demanda, acerca de uma memória  ancestral  mais rica, aprazível e evidente em detalhes, luxo e dimensões. O Neocolonial veio ocupar este hiato, ele é justamente menos comum nos templos, parece que neste aspecto a paisagem arquitetônica já estava bem satisfeita com as igrejas barrocas e as neogóticas.


A Cidade do México guarda esta obra prima Spanish Revival flamejante, 
de tudo que vi sobre o tema, nada me pareceu mais detalhista, 
contrastante, precioso,  modernista e harmônico.
 Linda residência palaciana ! 

O Neocolonial Espanhol aqui em discussão surgiu então em berço norte-americano, o início da tendência foi o Spanish Revival, este também conquistou posteriormente apreço em terras brasileiras, mas foi enfrentado com a versão nacional inspirada no nosso passado colonial português. Aqui misturo indiscriminada e despreocupadamente, fotos de exemplares arquitetônicos significativos de vários países, não me importando muito com pertinência regional, estamos muito mais interessados em expor as circunstâncias da abrupta sucessão de estéticas tão diversas e contrastantes no Brasil.



 Interior de templo católico com altar neocolonial.

A lusitana Capela do Hospital Gafreé Guinle no Rio de Janeiro.

 A Capela do Palácio Guanabara no Rio apresenta linhas 
neocoloniais lusitanas harmonicamente simples e puras.
 
 Igreja do Largo da Ordem em Curitiba.

Este estilo arquitetônico, um colonial retrô, teve amplitude crescente nas primeiras décadas do Séc. XX, nos remetendo visualmente ao período colonial português, ou barroco, porém estruturado em concreto armado, com acabamentos e revestimentos muito bem elaborados, industriais e disponíveis em abundância inédita, esta nova arquitetura mostrou-se brilhante e  mesmo opulenta. Contudo, o concorrente e primo Spanish Revival Style também tinha adeptos,  e  é quase igualmente encontrado em quase todo o Brasil, contemporâneo e paralelo à dispersão urbana do Neocolonial Lusitano.


Só depois de muito tempo percebi onde estava a origem desse estilo  espanhol tão disseminado no Brasil: astros de Hollywood moravam em Beverly Hills em elegantes mansões Spanish Revival, a tendência era então imitada pela classe média ascendente do oeste norte-americano em suas novas moradias. De lá acabou se reproduzindo no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Veremos mais abaixo uma famosa residência hollywoodiana desta tendência arquitetônica tão interessante, inclusive seus quintais e jardins.

 No Brasil o estilo espanhol- missões também marcaria a paisagem urbana,
 em bem projetadas edificações de propriedade da classe média,
grandes e suntuosas mansões mostrariam-se mais raras.



Hotel em Neocolonial Espanhol.



Outras variações historicistas do Neocolonial surgiram paralelas às tendências lusitana e espanhola aqui em terras brasileiras, não obtiveram igual expansão, mas firmaram-se em belos prédios e mansões em locais mais pontuais ou em regiões específicas, como aqui no Sul do país onde não houve tanta influência portuguesa na cultura.

 Foram então substituídas pelo , vamos chamar assim, Neocolonial Teutônico:

Reparem nas pedras inseridas em semi-circulo  no portal da varanda, mostrando clara
associação com a variante espanhola deste estilo que, como se pode ver, é
fundamentalmente historicista e cabe  adaptado em qualquer cultura.


 Apresento e incorporo à imensa riqueza arquitetônica do Neocolonial no
 Brasil esta interessante variante teutônica, como um desenvolvimento
 regional do Estilo Missões adaptado à  arquitetura alemã existente
 em várias cidades e regiões onde prepondera esta cultura.


 O impacto oriental do Instituto Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro
 também enquadra-se em especial variante Neocolonial Mourisca,
 não tão difundida e expandida, mas sem sombra de
dúvidas  evidentemente eclética e historicista
 e então integrante do Neocolonial.
A Basílica Sagrado Coração de Maria, onde casaram-se meus pais no
 Rio de Janeiro, também faz parte  desta tendência mourisca
 menor do Neocolonial.

Voltamos às tendências principais.


 

No Brasil, surge então concomitantemente, a versão nacionalista do colonial português revivido. As fachadas neocoloniais lusitanas eram, de um modo geral, muito mais elaboradas que os interiores, exibiam um cenário construtivo para ser admirado pelo passante, o usuário não necessitaria da mesma ilusão ao vivenciar cotidianamente a edificação por dentro. Era uma afirmação de  afinidade histórica com a arte de um  Portugal republicano e que ressurgia no cenário europeu como ainda fortemente colonialista. O modernismo arquitetônico brasileiro, finalmente nos satisfaria como uma arquitetura nacional, refinada, ousada e destacada de qualquer outro cenário paralelo comparável. 

 
Detalhes característicos deste estilo no tijucano
 Hospital Gafreé e Guinle, no Rio de Janeiro

 Então o surgimento do Neocolonial Lusitano parece dar continuidade a este saudosismo tão evidente no cenário exterior, aparentemente também se fazia necessário naquele cenário cultural brasileiro saturado de palacetes ecléticos. Talvez fosse apenas uma reação nacionalista, como que desejando banir da paisagem a sisudez, ou os excessos, além da falta de pertinência tropical dos mais significativos estilos anteriores: eclético  e neogótico. Assim vejo e assim estruturo esta apreciação do assunto, me perdoem aqueles que não concordam com nossas impressões pessoais.

Como trata-se de um estilo mais cabível em grandes e pomposas edificações,
 o Neocolonial Lusitano, no Brasil, ficou mais evidente em:  clubes,
 próprios do executivo , hospitais,  instalações militares e principalmente
 em instituições educacionais públicas.
Convivendo fraternalmente com outros estilos, o Neocolonial chegou 
até o início dos anos 60  ainda muito em voga.


  Mesmo em Portugal, fez sucesso o Neocolonial Lusitano.

Azulejos, acrotérios, coroas de porta, volutas, treliças de madeira, vasos fogaréu, frontões em ganso, balcões, balaustradas, colunas, telhados coloniais, arcos, florões e medalhões sobre as portas, portões em metalurgia trabalhada eram características muito observadas no Neocolonial. Substituto do fulgor eclético, o estilo também mostrava um luxo e  uma estética francamente impositivos ao observador.

 O conjunto neocolonial do Largo do Boticário é uma 
das grandes atrações turísticas do Rio de Janeiro.

Vamos aqui vasculhar e exibir os antecedentes históricos para melhor entender este momento reconciliador entre a arquitetura brasileira e o passado português do país. Creio que a época foi culturalmente muito importante , as imagens são minhas testemunhas, os excessos de ornamentos arquitetônicos nos três estilos aqui considerados foram condizentes  com  da riqueza econômica que os ergueu; houve progresso econômico e tecnológico significativo no período entre guerras mundiais.

 
  Trujillo no Peru: trata-se de legítimo conjunto colonial barroco
 espanhol, contemporaneamente restaurado numa nova
concepção neocolonial, minimalista e muito impactante.
 



Ainda sobrevivem edificações bem brejeiras na paisagem brasileira, todos
já as notaram mas poucos sabem ao certo o que são, por isto
estamos expondo as idéias básicas nesta postagem.

Algumas edificações intermediárias em estilo:



Os típicos Lusitanos acima, traz também as pedras esparçadas
nos limites verticais do volume da torre, ou em torno do
 arco do pórtico da varanda, característica
exclusiva do Missões brasileiro.


Outro típico Lusitano, mas com o revestimento em
estuque texturizado típico do Spanish.


Aqui um Lusitano com toques de espanhol em
São Francisco da Califórnia.


Os contrastes estilísticos anteriores conduziram
 a referências arquitetônicas mais cabíveis
 na paisagem brasileira, como o
Neocolonial.

Vamos então conhecê-los:




 

Um devoto e sorumbático
 Neogótico :


 

A Catedral da Sé de São Paulo deve ser a mais
impressionante edificação neogótica brasileira.



O contraste do estilo severo com a exuberância brasileira  
se observa bem na Catedral de Petrópolis.


 

Acima as taciturnas Catedrais de Fortaleza e de Curitiba, na foto seguinte uma igreja típica deste estilo em Salvador e por fim o contraste do neogótico do templo com  o colonial legítimo no conjunto mineiro da Serra do Caraça. O neogótico em templos religiosos católicos brasileiros ainda mostrou-se compenetrado e cabível na função fundamental de inspirar religiosidade e fé. Sob o aspecto religioso, observa-se até hoje uma grande amplitude de aspectos interessantes nestas edificações, a arquitetura verticalizada inspirava muita devoção, e sob este aspecto, as igrejas são realmente muito acolhedora e meditativas.




 Também pelo interior do país ainda observa-se  ótimos exemplares desta estética.

 
 Palácio S. Clemente, a antiga Embaixada de Portugal,
nos mostra o sub-estilo neogótico lusitano
 também dito manuelino.




Nas harmônicas linhas gerais do Real Gabinete Português de Leitura no Centro 
e do Educandário Gonçalves de Araújo no Campo de S.Cristóvão, ambos no
 Rio de Janeiro,  vemos dois exemplos raros de elegantes 
prédios neogóticos não-religiosos.



O Real Gabinete Português de Leitura em Salvador-BA, 
também mostra-se em flamejante neogótico manuelino.




A antiga Embaixada da Romênia no Rio de Janeiro, ao lado
da Igreja de S.Judas Tadeu e em frente à Estação do
Trem para o Corcovado, no Cosme Velho.

Logo após as missas que assistia com
 meu pai, meu olhos se encantavam
com o austero estilo do casarão
soturno e imponente,  vívida
visão de minha infância.




Castelo de Marienburg na Alemanha,
um neogótico excepcional.



 
 
Já nos prédios sem qualquer conotação religiosa, seja no palácio real da Romênia, da Baviera
 ou no de Portugal, e mesmo na famosa Ilha Fiscal carioca, evidencia-se uma
falta de pertinência geral à paisagem e até mesmo uma ingenuidade
 um tanto desconcertantes ao observador.



Com o tempo tornou-se
sorumbático e taciturno
por demasiado !








A tétrica e neogótica Quinta da Regaleira, foi erguida por um 
brasileiro endinheirado em Sintra, a partir de um projeto
 esotérico, cheio de enigmas e significados ocultos, é
tombada como patrimônio nacional português.




A fantástica proposta de um ainda mais taciturno neogótico, todavia de formas
 orgânicas e contemporâneas, beirando um delírio visual, consagrou a
arquitetura catalã de Gaudi. Foi uma das últimas expirações de
 vitalidade e fé deste estilo, restrita à obra e ao gênio
criador deste arquiteto.

Alguns classificam este estilo de Gaudi
como já enquadrável  no afrancesado
Art Noveau , eu prefiro pô-lo
junto ao Neogótico.


Não deixe de ver 
a parte II





3 comentários:

  1. Antonio Silva Araújo9 de junho de 2014 17:57

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