VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


sexta-feira, 20 de junho de 2014

D. Pedro II no Egito





Eis-me aqui de novo, imbuído da interminável
tarefa de apresentá-lo para quem nem
 possui ideia ou noção de quem 
ele tenha sido !


 

Na época mais profícua da Arqueologia Egípcia, quando o
 rosto antigo e dourado do passado surgia do chão, por
lá esteve um monarca intelectual e culto, imperador
de vastas selvas tão distantes, um acontecimento
que uniu as histórias de duas nações de
 perfis tão profundamente
 diferentes e ricos.

Com esse interessante paradoxo 
em mente, procuro apresentar
este episódio com toda
riqueza que dele
emana.



A durabilidade da pedra calcária e do granito conferiu às
pirâmides egípcias uma estabilidade semelhante a do
 céu e a da terra, a crença na continuidade da vida
após a morte estava ali depositada, pedra
 sobre pedra, em montanhas de fé
 e persistência construtiva. 







 "Esse privilégio de sentir-se em
 casa em qualquer lugar pertence
 apenas aos reis, às 
prostitutas e aos
 ladrões."

Balzac



"O tipo aristocrático é predominantemente ativo, suas ações são espontâneas, quase inocentes, fruto de um excesso que transborda. Sua saúde necessita de um mínimo de estímulos para explodir em atos, para extravasar e criar, sua capacidade de agir no mundo com esta leveza o faz dizer Sim para seus próprios atos, ele legisla através de sua própria afirmação, se diferencia no processo e todo o resto é uma consequência de si.."
  
Nietzsche





 "A viagem é para mudar,
 não de lugar, e sim
 de ideias."



S.M.I  D. Pedro II do
 Brasil, em 1875.




"Dom Pedro II fez algo de muito notável, 
de alguma maneira ele organizou o 
Estado brasileiro."

Fernando Henrique
Cardoso



 Desde de mero rapazinho foi estimulado a ser um monarca de ampla visão
 cosmopolita. O notório historiador português Alexandre Herculano
tornou-se  correspondente precoce do jovem imperador 
de 19 anos, descreveu-o  então de forma
 bastante certeira: 



 " Príncipe a quem a opinião geral coloca
entre os primeiros de nossa época pelos 
dotes de espírito e pela constante 
aplicação desses dotes à 
das ciências e 
das letras "

 
 
Nas viagens que fez pelo mundo, mostrou-se um dos governantes
 mais viajados do seu tempo, frequentemente perguntavam
 à Imperatriz onde estava o Imperador, a resposta era
 objetiva: "está com os sábios". Jamais deixava
 de conhecer e estar com os outros homens
 eruditos e notoriamente sábios.  

 
Mais que estar com os muito poderosos,
 apreciava interagir profundamente
com os cultos e ilustrados
  das paragens que
 visitava.

  "Está com os sábios !"

Imperatriz  
Teresa Cristina


"O dizer que eu pretendo ser sábio é tão infundado como me acusarem de aspirar ao poder pessoal. Até minha maioridade, poucos anos tive para aprender e, depois, o cumprimento dos deveres do meu cargo não me deixaram muita folga para estudar. Apenas leio quando posso e, por isso, hei de ter sabido quanto me falta aprender para ser sábio. As conversas com os que muito mais sabem do que eu, disso mesmo me tem convencido, obrigando-me a mais ler ainda."
D. Pedro II


 No Egito repetiu-se esta premissa
 de estar  culturalmente muito 
bem inserido no contexto
científico local .


Um  erudito  coroado:

Desde sempre  foi um
moço compulsivamente
estudioso e muito
teimoso.


 
O  Imperador das Selvas nunca
 permitiu-se ser  jovem.
Sempre aparentou
ser mais velho,
era este o
estilo.

"Mais perto do certo: andar com atenção.
Antropofagia pra fugir da tensão.
Sardinha no cardápio pra

 fazer a digestão. "

Vitor Pirralho



"Já sei... já sei !"

D. Pedro II  quando 
contrariado...



Os vultosos recursos para todas as suas viagens ao
exterior eram oriundos de empréstimos, pagos
posteriormente com a dotação que recebia 
anualmente para custear as sua próprias
despesas e as da Casa Imperial;  ou
seja: pagou  do próprio bolso as
 suas  viagens  pelo mundo
 afora, nunca gastou de 
verbas de fora da
sua própria 
dotação.


" O génio é sempre modesto,
 porque a modéstia
 é o pudor da
 força."

Mantegazza 


Em 49 anos de governo, jamais permitiu
qualquer aumento em sua dotação de 
800 contos de réis, já congelada e 
desvalorizada ao fim de seu
governo; no exílio, nem 
um centavo aceitou de
indenização ou 
auxílio.




" O homem nasceu para realizar sua humanidade, 
e isto precisa ocorrer fora do seu entorno,
bem longe da responsabilidade sobre
a sua sobrevivência material "

Delfim Netto




  
"A alma, prisão
 do corpo."

Foucault


Como bom sagitariano, Pedro II
gostava imensamente de
viajar, conhecer e
 entreter-se.



D. Pedro II mostrou-se figura humana muito
 interessante: situou-se entre a erudição 
plena e uma simplicidade
 arrebatadora. 

Um importante jornal norte-americano
diagnosticou este regente como
sendo o rei que mais renegou
 as características pompas
da monarquia.
  
"Contradigo a mim
  mesmo  porque
    sou vasto."


Segundo José Murilo de Carvalho:

" Em quase meio século de reinado, D. Pedro II presidiu a solução dos grandes problemas que, quando ele subiu ao trono, ameaçavam a própria existência do país. À beira da fragmentação em 1840, o Brasil em 89 exibia poucos sinais de fratura. O tráfico fora extinto, e a escravidão fora abolida. […] A instabilidade política havia sido substituída pela consolidação do sistema representativo e pela hegemonia do governo civil, em nítido contraste como o que se passava nos países vizinhos. Na política externa, o Brasil definira com clareza e preservara seus interesses na região platina, e ganhara a respeitabilidade diante da Europa e dos países americanos. Com isso, D. Pedro II consolidava sua imagem como monarca e garantia o respeito internacional tanto pela dignidade quanto pela forma patriótica com que exercia o poder, além de seu patronato à ciência e às artes."







 " O grau de talento necessário
para nos fascinar é uma
medida bastante exata
do grau de talento
que possuímos "



" Subi o Nilo até Mênfis, passando
 por Tamó à margem esquerda,
 onde dizem que Moisés
 foi lançado no
 Nilo...” 

D. Pedro II entusiasmado com
seus primeiros dias no Egito,
 no Diário da primeira
 viagem em 1871.


Alegoria ao Rio Nilo
 no Museu Vaticano.





O Bá, a alma alada do defunto, conduz a projeção da
 sua lembrança na mente dos vivos, o chamado Ka,
 até a tumba no deserto, de fronte à figueira. 
Foi no Egito que a espiritualidade alçou
asas e uma profunda crença na vida
 após a morte surgiu, o Ka é
o duplo, a essência da
corporificação: sua
imagem quando
 você sonha 
com você
mesmo.







No Séc. XIX, o Antigo Egito voltou a ter o
 prestígio civilizatório que as religiões
 cristã e islâmica, havia 15 séculos,
 faziam por destruir, e também
tentar  obliterar e esquecer.




" O culto da morte é um traço eterno do caráter 
do Egito. Ele serve ao menos para proteger 
e transmitir ao mundo a maravilhosa
 história de seu passado "

D. Pedro II
 no diário de 
1871.


Ao escrever estas palavras, D. Pedro II havia 
percebido que apenas os cemitérios e 
 templos antigos ainda estavam em
 pé, porque foram feitos em pedra,
 já as habitações dos vivos 
foram de volta ao pó
dos tempos.


 "Com o aparecimento da escrita, quando a
 religião irrompe como a esfera principal 
da experiência humana, surgiu o 
impressionante aparato
 místico do Egito
 Antigo."
 
Monumentos místicos sem igual, esoterismo
por toda parte, uma nação muito religiosa.



Lugar de passado muito antigo, transcorrido
 imerso num  misticismo impressionante.
O hedonismo grego não guardava
qualquer paralelo com a noção
de Eternidade vista no Egito.
Havia por toda parte os
restos de uma antiga
idolatria e de uma
 evidente oração
à Criação
 da Vida.



Um país singular, onde encontravam-se dois marcos geográficos tão 
titânicos e misteriosos : o deserto do Saara seria representativo
da eternidade estável da morte, já o rio Nilo cruzando
o corpo imenso deste deserto, era como um uma tênue
 linha de vida, estreita e paradisíaca. O rio trazia
 uma benéfica inundação de chuvas caídas em
terras desconhecidas, uma verdadeira
 prova da providência divina.
  Vida e Morte juntas, 
o tempo todo na
 paisagem.


 " Será que eu também 
sobreviverei ao
 que restar de
 mim ? "

Snege


 A base da teologia cristã já estava na cena egípcia do julgamento
 da alma: após a morte haverá uma avaliação da vida.
Foi nessa mesma premissa mística que se
 apoiaram tantas outras religiões.


Nasceu lá esta recorrente percepção:
diante do supremo tribunal divino,
a alma assiste a pesagem
do seu coração .


Impressivo documentário sobre o Egito
em Full HD - veja e conheça um
pouco da Terra dos Faraós.










" A cultura é o melhor
 conforto para a
 velhice. "

Aristóteles





Para saber mais sobre as Viagens do Imperador Pedro II,
clique nos links abaixo e conheça  outros destinos
interessantes por onde a comitiva imperial
brasileira passou: 






clique mais abaixo
 para ver:


As Viagens do 
Imperador :


 
EUA - Europa - Rússia

Turquia - Grécia -
Terra Santa - Portugal



Conheça mais sobre a Coleção de Antiguidades
Egípcias dos Imperadores do Brasil no 
Museu Nacional da UFRJ.
 


Pedro II gostava muito de viajar, talvez este tenha
 sido seu único luxo numa existência modesta
e com um brilhantismo social fraco
para um  dito "Imperador":


"Tudo neste mundo é desgraçado pela ânsia excessiva à felicidade, numa medida que, de fato, corresponde aos nossos sonhos. Aquele que pode livrar-se dela e só aspira ao que tem diante de si, esse poderá abrir passagem entre a ralé. É, pois, prudente reduzir a proporções muito modestas nossas pretensões aos prazeres, às riquezas, às posições, às honras etc., porque essa disputa e luta pela felicidade, pelo esplendor e pelos prazeres é o que nos traz os maiores infortúnios. Reduzir nossas pretensões é prudente e desejável porque é bastante fácil ser completamente desgraçado, enquanto não é apenas difícil ser muito feliz, mas completamente impossível."  De Merck, um amigo de Goethe.



A acadêmica esfinge brasileira na
 terra das pirâmides, os olhos
no Brasil e a mente 
no mundo.



"A ciência sou eu ! " 


D. Pedro II, primeiro egiptólogo do Brasil, 
deve ter apresentado-se assim para a
Grande Esfinge guardiã do platô 
das Pirâmides de Guizah;
fazia muito boa troça
com a frase de
Luís XIV.


"D. Pedro II considerava importante ter sua imagem associada às ciências. Para isso, claro, não bastava dedicar-se apenas a seu museu particular, no papel de guardião das diferentes culturas e dos artefatos representativos das principais áreas do conhecimento de sua época. Durante seu longo governo (1840 a 1889), consolidou a fama de incentivador das artes, das letras e da educação. Atuava como mecenas, bancando os estudos de muitos cidadãos, e contribuiu para o desenvolvimento das ciências no Brasil, especialmente das pesquisas do Museu Nacional, fundado em 1818 (como Museu Real) por seu avô, D. João VI. "    texto  da Revista  de História.
 




Procurei sinais de seu contido espírito em 
Petrópolis e no Paço de S. Cristóvão, 
descobri que ele, elegantemente,
não está mais perceptível 
entre nós, tímido como
era, está acessível só
em sonhos e
talvez.


A campanha militar fracassada de Napoleão no Egito, no início do Séc. XIX,
fez com que os monumentos antigos desta tão importante civilização
fossem melhor conhecidos, e mesmo catalogados ou descritos. É a
partir deste evento que se inicia o interesse científico moderno
pelas antiguidades egípcias, tão fartas e brotando do chão,
guardadas pelo pó dos séculos. Ocorreu então
um significativo interesse geral nas nações 
ocidentais mais civilizadas por esse
patrimônio ancestral ainda
tão vívido e relativamente
bem conservado.


 
Monarcas e nobres europeus, curiosos com a riqueza
 arqueológica do Vale do Nilo, visitaram o Egito 
após 1860, entre os primeiros,  está o turista
 e viajante Imperador do Brasil.


 Múmias, monumentos e estátuas muito antigas:
surgem a Egiptologia e a Egiptomania.
Os animais estavam sempre em
muita evidência na arte, na
religião e no cotidiano
dos antigos
egípcios.

Nunca houve uma
civilização tão
zoófila.





"A veneração dos egípcios pelos gatos não era nem
 tola nem infantil. Por meio do gato, o Egito
 definiu e refinou sua complexa
 estética." 

Camille Paglia


 "O menor de todo os felinos é
 uma obra de arte."

Leonardo da
 Vinci

Os egípcios antigos apreciavam os animais,
 respeitavam quase todos, embalsamavam
os tidos como divinos e os de
muita estimação, estes iam
 com seus donos para
a vida além da
morte.



O passado impactante pela grandiosidade
 estava por toda parte, a alma pequena
 dos visitantes observava atônita
um cenário sem igual.





O Príncipe de Galles, filho da Rainha Vitória, visita o
Egito em 1862. Retirar as bandagens de múmias
egípcias, expondo o cadáver seco, tornou-se
uma prática curiosa e interessante nos
românticos tempos vitorianos.


Missão Ikeda de 1864 - o Império Japonês mandou
emissários ao fascinante cenário arqueológico,
 que ainda muito conservado comunicava
 a grandeza passada do Egito Antigo.


 
A fama das ruínas egípcias corria o mundo,
 o sensacionalismo surgido foi significativo.
Coleção Egípcia do Museu Britânico
em 1857, a riqueza dos restos
do Egito Antigo enchia
museus na Europa.


 Porta do Museu
 do Cairo.

O Museu Egípcio do Cairo acumulava enorme
coleção de pequenos objetos vindo
das  crescentes escavações
em todo o país.

A aparente riqueza de tantos restos grandiosos e
bem conservados , cativa e transporta nossa
 alma, sem muita dificuldade, para a
dimensão mística deles.



Seshet - Deusa da História - não cessa de anotar os acontecimentos relevantes
 sobre o Egito, em seus registros não poderiam ainda faltar as viagens de
D.Pedro II ao Vale do Nilo. Tantos interesses foram agregados
 ao intelecto deste mais ilustre dos brasileiros,
que brincando ele declarou:
"A Ciência sou eu ! "




Uma terra sobrecarregada pelos tempos imemoriais
 decorridos, rica de espiritualidade e de
significados esotéricos.


 

Após percorrer um roteiro europeu, a comitiva imperial chega ao Egito,  imperador passou então o Natal de 1871 na Terra dos Faraós, conforme previsto não se embrenhou pelo interior do país. "De Alexandria ele seguiu para Suez e depois para o Cairo, onde visitou as pirâmides dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos, além da grande esfinge de Gizé. Desde 1856 ele estudava a escrita hieroglífica e se correspondia há um ano com o alemão Émile Charles Brugsch, um dos organizadores do Museu do Cairo"

 

Ao retornar para Portugal o imperador mostrou grande tristeza, pois havia ficado maravilhado com o que conheceu do Egito.  Na segunda viagem, em 1877, melhor programada, assim que chegou não perdeu tempo, na sequência foi-se em viagem pelo Alto Nilo, acompanhado do egiptólogo francês Mariette, deixando toda esta aventura ao passado registrada em um diário, o famoso Voyageau Haute Nil que foi traduzido e  publicado em 1909 por Afonso d’Escragnolle Taunay. 



O casal de entusiasmado viajantes, casualmente imperantes brasileiros,
seguiram juntos para a Terra Santa e Egito, numa viagem de
muitos encontros com o passado da Humanidade,
da Arte e da Civilização.

As inconfundíveis  silhuetas contrastantes da imperatriz baixa
e claudicante, e a do imperador de pernas finas e quase
 dois metros de altura, são  bem mostradas nesta 
 caricatura das majestades brasileiras
   nas ruínas do  Egito Faraônico.






A imperatriz Teresa Cristina possuía algumas  propriedades na cidade italiana
de Veio, e nelas haviam sítios arqueológicos greco-romanos e etruscos,
 era uma entusiasmada pela Arqueologia. A excelente coleção
de objetos arqueológicos desta procedência, que está no
 Museu Nacional , mostra peças que vieram em parte
 no seu dote de casamento, foram enviadas por
seu irmão o Rei de Nápoles, ou ainda são
oriundas de suas escavações privadas.
Assim formou-se um interessante
acervo da Antiguidades
Clássicas no Brasil.

Creio que desde o nascimento de seus filhos e netos, 
nunca o casal estivera tão agradavelmente unido.
Ambos tinham uma vibrante espiritualidade
 própria, além de grande fé em Deus,
embora não fossem exatamente
parecidos entre si.


A feliz charge histórica acima,
 nos mostra muito bem 
esta característica 
 tão peculiar
deles.

Não deixe de conhecer a
Coleção de Antiguidades
da  Imperatriz.


Veja aqui esta
 coleção



O Enigma da Esfinge.



Uma Esfinge do Faraó
do Brasil em pleno
Rio de Janeiro ?


 Alguns enxergam gigantescas inscrições fenícias nestas marcas na
cabeça da suposta esfinge, existem até traduções. Contudo,
os geólogos afirmam serem apenas marcas derivadas
de um processo natural de erosão.




A monumental Pedra da Gávea nos faz  imaginar que 
esta poderia vir a ser uma esfinge natural de Pedro II, 
em meio à nua paisagem rochosa dos morros
gnáissicos da antiga capital imperial.





Um encontro com a Eternidade, 
mas também a percepção da miséria do 
povo e do multissecular atraso do
 país, que foi vanguarda
da Antiguidade.



 




"Desembarcamos na margem direita acima do lugar de embarque
 de manhã, por que deixaram numa ponte passagem estreita
 demais e a corrente do rio era forte. Assim, é quase
 tudo no Egito, que engatinha na estrada 
da civilização! "

(Diário da primeira viagem de PII - 7/11/1871)



"Farei quando puder algumas considerações sobre o Egito tomando por tema  estas palavras de Ampére em 1846 na introdução de seu belo livro a respeito dessa região. ‘L’Egypte intéressa encore dans le présent et dans l’avenir; dans le présent par l’ágonie de son douloureux enfantement; dans l’ávenir par les destinées que l’Europe lui prépare quand ele l’áura prise, ce qui ne peut tarder."

(Diário da primeira viagem de PII- 13/11/1871). 

tradução livre:

( O  Egito se interessa pelo presente e pelo o que está por acontecer, no presente pela 
agonia de suas dores de parto; no futuro as destinações que a Europa lhe
 prepara terão acontecido, o que não pode atrasar. )



Além de tudo mais, 
também desejava ser
 egiptólogo !



O início da Egiptologia científica e de técnica arqueológica,
 receberia in situ as curiosas e pioneiras visitas do 
exótico egiptólogo amador Pedro de Alcântara
 do Brasil, um imperador entediado que
tornou-se um entusiasmado
 turista em férias.

Erudito, possuía até mesmo um museu arqueológico
 particular em seu palácio, com variadas 
peças: múmias indígenas e legítimos
 artefatos egípcios e etruscos.
No Museu Imperial havia 
acervo bem maior e de
mesma natureza.

Historiadores acreditam que o imperador, 
devido às visitas e aos seus manuscritos, 
pretendeu escrever um livro 
sobre Egito Antigo.

Boa parte da imprensa brasileira interpretava
 tudo isto como um descaso pelo governo,
derivado da alienação de um monarca
 teatral e obcecado pela sua projeção 
pessoal como um sábio 
altamente ilustrado.

Ao ter protelado a abolição da escravatura,
 poderia ter errado, mas quando sua filha
proclamou a liberdade dos negros,
um ano depois caiu a monarquia,
instalando-se uma ditadura 
militar por 6 anos, que 
geraria uma guerra 
civil com milhares
 de mortos.

A maior vergonha que passaria
foi derivada da opaca queda
 de sua dinastia: sem um tiro
 de revolta, nenhum morto
e se quer um adeus
popular.

Isto depois de um longo
e elogiável reinado.

"Me esqueceram antes 
do que imaginei"

"Brindemos ao
 Brasil."

Diria ele ainda
 durante seu
exílio.





O Orientalismo, surgido nos tempos vitorianos, faria com que o interesse
sobre a Terra Santa e Egito crescesse muito; também o surgimento
 dos transportes  marítimos a vapor geraria, conjuntamente,
um considerável fluxo de turistas e curiosos 
para estas bíblicas paragens.


Acima com um elegante chapéu 
de viajante  romântico 
do Séc. XIX.

D. Pedro e a Imperatriz, o eminente egiptólogo
 Auguste Mariette,  de roupa clara, os
 Barões do Bom Retiro 
e de Itaúna.

Um suposto D. Pedro II ( ? ) em 
trajes árabes, durante a primeira
 viagem ao Egito, em 1871.

Esta foto parece-me ser de outra
 pessoa, nessa  época o faraó 
brasileiro  já tinha
notórias barbas
 brancas.

D. Pedro II ostentava 
cerca de 1,90 m de altura,
com  pernas longas,
a foto acima é de
 homem mais
baixo.

A comparação com as fotos
da comitiva imperial
do mesmo ano é
eloquente.

Muito  mais plausível ser
 o seu amigo o Barão
do Bom Retiro.

"A primeira viagem, foi restrita apenas as cidades do Baixo Egito - Cairo e Alexandria -, sendo que, a partir do Cairo, Pedro de Alcântara subiu até a cidade de Mênfis onde estão situados importantes sítios arqueológicos que na época de sua estada no país haviam sido recentemente descobertos. Acompanharam o intelectual nesta viagem: D. Teresa Cristina, o Camarista Nogueira da Gama, o Vereador Visconde de Bom Retiro, o médico Barão de Itaúna, a Dama Leonídia dos Anjos Esponsel, duas criadas e sete criados, in totum 15 pessoas."


  D. Pedro de Alcântara na primeira 
viagem de 1871-72,  evidentemente 
satisfeito  com suas férias
inesquecíveis.


Uma imagem fantástica: o Imperador das Selvas,
fora do marasmo de seu cotidiano, posa
 ditoso diante da eternidade da 
História e da Civilização.

Na belíssima foto acima vemos a Comitiva Imperial  Brasileira junto aos dois mais importantes egiptólogos da época: Mariette (de braços cruzados na foto) e Emile Brugsh (ao lado do imperador) designados como seus guias, que deferência fizeram para com sua majestade brasileira. Posam todos sentados diante das ruínas do platô de Guizah, próximo do Cairo, em 1872. O imperador das selvas conheceu a face pétrea da eternidade histórica de perto, contente e bem acompanhado de amigos e guias, imerso neste cenário transcendental, ele mostra-se ditoso e satisfeito na pose. Sentado entre as mulheres, está seu querido amigo de infância o Barão do Bom Retiro. Esta foto histórica fantástica, será apreciada para sempre como um momento único e marcante onde o distante Império do Brasil se vê projetado diante de ícones clássicos da História Universal.

Que foto !



Muito antes da visita, na sua biblioteca no paço,
ele arquitetou  com detalhes a viagem
 até o berço do mundo; sentado ao
 lado do pioneiro Mariette, viu
 nascer a Egiptologia
Moderna.




Em outra foto dessa mesma época, Mariette - de preto e sentado -
observa a descoberta de uma múmia em Sakhara.

Mariette estava oficialmente designado como
 guia de  Pedro II, foi ele o histórico
 fundador do Museu
 do Cairo.


 Mariette Bey  recebeu e guiou
D. Pedro II pelas ruínas
do passado egípcio.







Emile Brugsh - eminente egiptólogo - acredito que
 talvez haja a seleção dele na escolha da múmia
 a ser presenteada pelo khediva ao
 imperador do Brasil.

D. Pedro II em seu diário : "A visita à casa de Brugsch foi interessantíssima por causa de manuscritos Coptas, e pelo seu belo mapa do Egito antigo que ele mostrou-me. À vista desse mapa procurou ele convencer-me de que os Hebreus saíram de Thamis (Tânis) e fugiram do exército ao atravessar a estreita restinga. Um monumento perto de Thamis diz que fora construído pelos Habraiú. Apesar da opinião de Brugsch ainda penso que os Hebreus passaram para a Ásia junto ao Suez."    
                                
(Diário da primeira viagem - 10/11/1871). 



Suas duas viagens às terras egípcias ocorreram em
 03 a 14 de novembro de 1871 e 11 de dezembro
 de 1876 a 06 de janeiro de 1877.

 Delas restaram-nos cartas, 
fotografias e dois 
diários de
 viagem.

Foi durante sua 3ª viagem à Europa,
 quando quase faleceu em Milão,
 recuperando-se como por um
milagre, que ao se recuperar
já planejava mais uma ida
 à tórrida terra do Egito,
seu sábios médicos
logo o proibiram.






Considerando que as narrativas de viagem de D. Pedro II são representativas de suas visões de mundo e que todo discurso é, como ressaltou a estudiosa Nathalia Monseff Junqueira, político e cultural, estas narrativas tornam-se importante testemunho de suas impressões e pensamento. São de fato uma boa fonte, onde estão registradas verdadeiras pérolas de imperial sinceridade dele.



 

Pedro II fascinou-se pelo cenário do Egito, seu tino cultural refinado sabia estar conhecendo um marco civilizatório antiquíssimo. Contudo, jamais imaginaria que teria um trineto de sangue egípcio: D. Joãozinho de Paraty é filho de uma princesa egípcia com um neto da Princesa Isabel.


 Proteção alada
 nos templos.

 

Vamos então às imagens do 
Egito do Séc. XIX e aos
comentários de 
D. Pedro II:


"Evidenciamos, ao analisar os dois diários de viagem, que o primeiro deles, escrito com uma linguagem simples e de fácil compreensão, era destinado a uma pessoa em específico: uma grande amiga, que supomos ser a Condessa de Barral, devido à grande aproximação, idade e amizade existente entre os dois; no segundo, observou-se uma grande transformação na maneira de se escrever: a linguagem tornara-se polida, erudita e de difícil compreensão, onde o imperador brasileiro dialoga com importantes nomes da Egiptologia do período, conhecidos em ocasião de sua primeira viagem, e com autores clássicos que se dedicaram, em parte, à sociedade egípcia, tais como Heródoto, Diodoro e Estrabão. Supomos que este segundo diário fosse destinado a um público conhecedor de Egiptologia, mais provavelmente seus amigos egiptólogos, devido à sua forma analítica da geografia, dos descobrimentos arqueológicos, dos baixos relevos e hieróglifos, assim como os templos que visitou ao longo de sua viagem pelo rio Nilo. No que tange ao primeiro diário, referente às passagens por algumas localidades do Baixo Egito - Gizé, Heliópolis, Menfis, Saqqara e Alexandria."

"O Egito, diz Heródoto, é um presente do Nilo, 
que vejo carregar turvas águas sedimentos
vivificadores da vegetação, adorno
 das margens." 

 (Diário da segunda viagem - 12/12/1876)   



O Egito inesquecível e romântico  mostrava-se ao orientalista Imperador do Brasil,
 ele  apreciou o mergulho na paisagem conservada, os monumentos imponentes
 e misteriosos eram estimulantes à imaginação. Até do pó do tempo ele 
provavelmente também gostou, já a pobreza extrema do povo não
era tão previsível, e o deixou bastante chocado.

 
 
As ruas que ainda não se encontravam europeizadas mostravam-se para D. Pedro II como verdadeiros e imundos formigueiros com fétidos odores. Os edifícios, que geralmente tentavam imitar padrões arquitetônicos europeus, eram considerados feios; a difícil navegação pelo rio Nilo tinha um motivo: o Egito ainda engatinhava rumo à civilização. Depois de ser vanguarda na Antiguidade, encalhou na pasmaceira !



Mesmo dispondo de pouco tempo, Pedro de Alcântara participou de sessões no Instituto Egípcio de Alexandria, e no dia 1º de novembro de 1871 foi eleito Membro Honorário do Institut National d’Egypte, realizando um discurso de  agradecimento e expondo os conhecimentos sobre o Egito que já havia adquirido em seu país:(...) eu pedi a palavra e agradecendo a minha eleição de sócio, disse algumas palavras para mostrar que conhecia já um pouco o Egito na minha pátria.” "Leram-se memórias interessantes, depois percorri um pouco a casa, sobretudo a biblioteca, pequena ainda, e conversei com todos os meus colegas presentes, queram dezesseis. Pareceram-me quase todos inteligentes e instruídos."             

(Diário da primeira viagem - 10/11/1871).  

 
A Alexandria de Cleópatra e dos grandes sábios
 da Antiguidade também viu passar Pedro II.

  
"A preservação do patrimônio histórico do antigo Egito se torna fundamental para a criação de uma memória que o ligue geneticamente à tradição ocidental. No dia 13 de janeiro de 1877, estando indignado diante do abandono dos monumentos do Egito, Pedro de Alcântara, em torno de vários membros reunidos no Instituto Egípcio de Alexandria, denunciou o crime de lesa-ciência e lesa-beleza do patrimônio do país. A sua comunicação foi registrada no livro de ouro da entidade, sob o título de vandalismo dos viajantes , e algumas de suas denúncias contribuíram para que fossem tomadas medidas por autoridades competentes. Esta construção de um valor histórico-cultural para o povo do antigo Egito, nada teve haver com o valor atribuído pelos povos muçulmanos que habitavam o país, pois para estes, o Egito dos Faraós representou um período de adoração a vários deuses pagãos, muito anterior a revelação maometana. Tanto em Denderah como em Abydos são flagrantes os vestígios de incrível vandalismo. O Khediva bem poderia gastar uma parte da soma, que prodigaliza com os seus palácios, na conservação desses monumentos, tão interessantes para o estudo do Alto Egito."       

(Diário da segunda viagem, 17/12/1876). 

    



"Acho Alexandria muito adiantada, e se o Khediva tivesse ‘gastado’ menos com as construções de palácios e outras superfluidades, maior número de melhoramentos teria eu observado depois de cinco para seis anos de ausência. O Khediva é inteligente e amigo do progresso; porém aproveita demais os gozos do Oriente..."          

 ( PII em Cartas à Condessa de Barral, 16/01/1877).
 


 Foi em Alexandria que Pedro II recebeu a notícia da 
promulgação da Lei do Ventre Livre.

As ruínas dos palácios ptolomaicos de Alexandria,
derrubados por terremotos e maremotos,
jazem submersas na baía.


Em sua segunda viagem ao Oriente, em 1876, D. Pedro II também fez escala em Alexandria, no Egito, onde proferiu a palestra “O Vandalismo dos Viajantes”. Nela, alertou sobre os constantes saques ocorridos no Egito, que poderiam comprometer a preservação de seu patrimônio cultural para as gerações futuras. Sem demonstrar entender o recado crítico, o Khediva Ismail Paxá declarou-se satisfeito com as observações e retribuiu o interesse arqueológico do imperador enviando para o Paço de São Cristóvão a múmia Sha-Amun-em-Su. Dessa forma selou sua amizade com o monarca brasileiro.


O Khediva do Egito dispunha de um aparato luxuoso que não guardava similares
    em território brasileiro, mais uma vez Pedro II ficou
 boquiaberto com o contraste.
 

 
"Sendo assim, Pedro de Alcântara assume a postura de uma autoridade intelectual nos moldes europeus em relação à compreensão da história do Egito. Sua segunda viagem, possuiu um caráter bem distinto da primeira, pois, além de ter sido previamente organizada, abrangeu toda a extensão do Egito, e revelou a figura de Pedro de Alcântara como um verdadeiro egiptologista, o que prova que no espaço de tempo entre as duas viagens o intelectual estudou a fundo o que vinha se produzindo sobre a história do país, atualizou os seus conhecimentos através dos grandes egiptólogos que conheceu em sua primeira viagem, e até arriscou palpites, com a convicção de uma verdadeira autoridade, em relação a produção de conhecimentos sobre o Egito Antigo. Nessa última ida ao Egito, Pedro de Alcântara realizou meticulosamente seus apontamentos, levando em conta o que se é possível fazer em uma viagem. Anotou detalhes dos sítios arqueológicos que visitou, traduziu textos escritos em monumentos antigos, e como foi visto, discutiu com autoridade questões referentes à história do Antigo Egito. 

 

Segundo o arqueólogo Claudio Prado de Mello, era provável que Pedro de Alcântara desejasse publicar posteriormente seus registros em forma de um artigo, já que se referia ao seu diário como um jornal. Tais viagens foram, como aparecem em seus diários, um dos ápices da realização pessoal do nosso intelectual, pois, possuindo um vasto conhecimento sobre o mundo, ansiava por em prática e vislumbrar tudo aquilo que havia estudado e aprendido até então, já que a instabilidade política em que se encontrou o Brasil após a partida de seu pai para Portugal não o permitira ficar muito tempo longe do comando do país. "  

 O palácio da Ilha de Gezirah no Cairo, foi erguido em 1869 para hospedar 
a realeza europeia que compareceu a grande festa de inauguração do
Canal de Suez, hoje transformou-se num hotel, Pedro II passou 
por ele, hospedado ou em visita, certamente o conheceu.


Gezirah Palace: luxuosa edificação
 que impressionou Pedro II.


 
O vitoriano Palácio de Abdeen no Cairo, era  a sede
 oficial da monarquia egípcia nos tempos das
duas visitas de Pedro II ao país.



O Palácio de Abdeen nos
 tempos de PII .

 
 

Abdeen Palace ainda é a sede oficial de Estado,
lembra bem os palácio de Istambul, nos 
lustres e na escada com balaustrada
ostentando fino cristal europeu.


 

Os egípcios modernos, para D. Pedro II, tinham uma poesia canhestra e destituída de metrificação, apenas contemplada por pensamentos banais. Acusava-os de tocarem instrumentos semelhantes aos dos negros boçais, claramente expôs que os muçulmanos provavelmente mais cochilavam e dormiam do que estudavam o Alcorão.


"(...) e os árabes dançaram lembrando-me pelos movimentos e toada do canto a dança dos botocudos do Rio Doce. (Diário da primeira viagem - 4/11/1871). Todos os árabes nadam como peixes e Marriete contou-me que havia ainda um velho no Alto Egito que servira ao Murad-Bey contra Bonaparte, o qual é célebre como nadador e vive a pescar." 

(Diário da primeira viagem - 7/11/1871).   


 
"(...) havia umas poucas mulheres, que trajando vestidos, que deixavam ver-lhes a camisa na cintura, tremiam como chocalhos, ora requebrando-se sem graça, ora pondo-se de cócoras para logo se levantarem, - e isto ainda era bom - ao som de instrumentos iguais aos dos negros boçais."  
 
"Apesar de tudo esse Bey (referindo-se a um intelectual egípcio) pareceu-me inteligente e Brugsch diz que é honrado, cousa rara no Egito"  

"Na leitura escrita e observação do Carão (Corão), por maometanos de diferentes regiões, que deitados, assentados no chão ou de cócoras e separados, conforme nações ou tribos, desconfio que antes durmam ou cochilem do que estudem."  
 
"O poeta árabe mandou-me os versos com a tradução - poucas frases contendo pensamento muitíssimo banais. Outro escritor árabe já me tinha lido versos publicados no seu diário a respeito de minha ida ao Egito e reconheci que não eram senão palavras rimando de enfiada, o que, segundo ouvi a Brugsch é mesmo a poesia árabe que não tem metrificação. Valha-me o pensamento."  

"Este povo parece-me uma nova espécie cínica em todo o sentido." 
  (Todas as notas acima são do diário
   da primeira viagem - 10/11/1871.)

O Cairo ou Al Khaira,
em árabe: a Fortaleza.



"Já a segunda viagem de Pedro de Alcântara, pode ser caracterizada como uma verdadeira “expedição” de reconhecimento. Nesta vez, a comitiva excursionou por 27 dias. A viagem pelo Alto Egito foi iniciada no dia 11 de dezembro de 1876, e devido a sua longa estada, Pedro de Alcântara pode com mais calma participar das reuniões do Instituit d’Egypte, fotografar e ser fotografado, conferir informações publicadas sobre o Egito - completando algumas superficiais ou mesmo corrigindo outras imprecisas e errôneas -, e debater com os mais importantes egiptólogos da história."  

Maior cidade da África.


 
 
 
 Aspectos populares pitorescos e exóticos.




As ruínas da Antiguidade tiveram diante de si uma exótica
 comitiva de curiosos personagens tropicais.




 Em Sakhara, próximo ao Cairo, acompanhado de Mariette, PII visitou
 o Serapeum, uma gigantesca catacumba onde se sepultavam os
touros Ápis, animais consagrado ao deus Pthá, uma
sensacional  descoberta do arqueólogo
que guiava  D. Pedro II.

 Múmia de touro sagrado vista de cima.

 
Esfinges da entrada e um dos muitos e megalíticos esquifes
 de touros sagrados que ainda repousam na catacumba.


Nas imagens o obelisco já se mostrava reerguido.



D. Pedro II em seu diário :
 
"Estive em Heliópolis ( A "Um" dos egípcios e da bíblia) Matarieh dos árabes que examinei o obelisco de Ositarsen 1º anterior a Móises e um dos dois que precediam ladeando-a a porta do templo, cujos sacerdotes foram mestres de Platão e do Eudoxus. (....) O obelisco está a 15 pés enterrado na areia, mas assim mesmo honra os séculos de Moisés e de Platão"  
 
"Antes de aí ter ido [referindo-se as ruínas de um templo na cidade de Heliópolis] colhi  folhas de um belo sicômoro que chamavam a árvore da Virgem, por ser de tradição que a sua sombra descansara N. Sra. na fugida para o Egito."     

(Diário da primeira viagem - 6/11/1871).







Tânis foi erguida  com peças pétreas reaproveitadas, oriundas do desmonte da cidade egípcia bíblica de Pi-Ramsés, onde trabalharam os escravos hebreus, que de lá retornaram a Canaã guiados por Moisés. Na época em que Pedro II visitou o Egito, ainda se acreditava que esta localidade teria sido a cidade dos hebreus cativos, hoje sabemos que não foi, mas  ficava bem próxima.

 
 
O Conde Gobineau , amigo próximo de Pedro II, é considerado o pai das teorias racistas modernas, deve ter se encantado em ver que os egípcios segregavam as facetas da sua sociedade antiga consoante a raça e a cultura dos povos, criando até mesmo paradigmas artísticos específicos para elas.



"Os baixos-relevos pintados mais curiosos são os grupos, que se reproduzem, de quatro imagens cada um, representando as quatro raças mais conhecidas: os egípcios, semitas, negros e brancos, com a pele, fisionomia e trajos característicos." 
  
 (Diário da segunda viagem - 22/12/1876)




 
Na primeira viagem visitou as pirâmides dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos, além da grande esfinge de Gizé. Escalou a maior das três pirâmides com a ajuda de árabes, e ainda aproveitou para descansar e fazer um lanche. Perambulou apenas nos monumentos e ruínas do Baixo Egito, além do Cairo, Gizeh e Sakhara. Desde 1856 ele estudava a escrita hieroglífica e se correspondia há um ano com o alemão Émile Charles Brugsch, um dos organizadores do Museu do Cairo. Ao retornar para Portugal o imperador mostrou grande tristeza pelo término do périplo faraônico, por isto voltaria alguns anos depois para uma verdadeira expedição brasileira ao monumentos do Antigo Egito.


 Múmias Saítas - Baixa Época
 

"Não posso, por ora, senão comunicar-vos, rapidamente, minhas impressões da viagem a estes dois países [Palestina e Egito], tão intimamente ligados na remota Antigüidade, acrescentando apenas que encontrei em monumentos de épocas realmente egípcia, colonas que poderia chamar de dóricas, algumas das quais bastante elegantes. Encontram-se também nos baixos relevos figuras deliciosas; creio que os artistas faraônicos teriam feito cousa muito melhor se não tivessem sido obrigados a submeter-se a certas regras de forma e proporções em todos os seus trabalhos." 


Pedro  II  em uma de suas cartas 
ao Conde de Gobineau. 

 
Os três destinos que mais chamaram a atenção do imperador: Estados Unidos, Egito e a Rússia. Essa paragens foram as mais culturalmente ricas, e ele se impressionou muito com as três, como as viagens internacionais eram muito apreciadas, tanto pelos imperantes como pelos Condes D'Eu, vale a pena dar maior dimensão sobre esta faceta da família imperial brasileira, o luxo deles era viajar. Muitos governantes visitaram o Egito nesta época, era moda: a imperatriz Eugene da França e a rainha Amélia de Portugal tiveram suas visitas muito bem registradas. Podemos afirmar que o maior  luxo exalado pela  monarquia brasileira  foram as suas viagens, principalmente na Europa. O tamanho das comitivas, a extensão das viagens, o longo tempo despendido nelas, as críticas políticas sobre o abandono do governo, o pesado endividamento por parte do imperador para viajar sem qualquer obrigação protocolar e como um cidadão quase comum.









Fotos dessa mesma década, mostram o antigo Museu de Ghizeh,
   certamente Pedro II esteve nestas salas.

 




  O Museu do Cairo acumulava esquifes, estátuas e joias
em ouro, como os braceletes com patos
de Ramsés II, achados em Zagazig.






Magnífico sarcófago em granito de Nectanebo II,
 com toda a Litânia do Rá Noturno esculpida;
 por fim serviu como banheira numa
casa de banhos em Alexandria.



 
Múmias da Baixa Época e Ptolomaicas.


Sobeck - Deus Crocodilo.
Senhor dos Desastres
Naturais.


Múmias de crocodilos sagrados: animais de culto,
mantidos como alma viva do deus nos templos.

Templo de Medinet Abu e seu portal
 imitando uma fortaleza síria.


O imperador teve como guias Auguste Mariette
 e Emile Brugsch, dois grandes egiptólogos.



O Templo de Kalabasha , o Quiosque
 de Trajano e o Templo de Philae.


Dendera e Philae.

P II visitou, em 1876, o templo de Edfu, o mais
 perfeitamente conservado monumento
 de toda a Antiguidade.

Múmia de Amenhotep II em seu ataúde original,
descoberto por Loret em 1898, no Vale dos Reis.







Ao se despedir do país na
 segunda viagem escreveu:

"A aurora - não aos dedos de rosa - mas a coroa de todas as pedras preciosas, vem me dar seus adeuses nas bordas do Nilo (....). O Nilo merece também uma saudação e eu transcreverei algumas passagens do hino feito a época da XII Dinastia: “O tu, que vens em paz para dar vida ao Egito! Irrigador das hortas que criou o sol... Estrada do céu que desce... Repouso dos dedos é seu trabalho para os milhões de infelizes... Ele faz da coragem um escudo (para os infelizes)... Tu tens alegrado as gerações de teus filhos, te rendem homenagem no Sul, teus decretos são instáveis quando eles se manifestam diante dos servidores do Norte. Ele bebe os prantos de todos os olhos e é pródigo na abundância de seus bens”.   (Diário da segunda viagem  6/01/1877)  

 

D.Pedro II chegou à clássica Tebas, antiga capital egípcia e a moderna Luxor, à bordo do vapor Teroux. Passou o Natal de 1876 em meio ao complexo de vários templos antigos associados aos dois maiores : Luxor e Karnak; um verdadeiro vaticano egípcio antigo em ruínas. Sempre acompanhados do notório arqueólogo Mariette,  os imperantes iriam aos confins do Egito. A imperatriz, cansada de tantos roteiros, ficaria em Assuão, enquanto ele iria até as cataratas que separavam o Egito da Núbia. Voltariam a Alexandria no início de janeiro de 1877, e no vapor Labournnais, partiriam para a Sicília e depois Paris.




"Cheguei aqui ontem à noite. As ruínas grandiosas de Karhah (Karnak), o bello templo de Abou-Simbel, com o seu colosso sentado, de vinte metros de altura e uma physionomia transparente de admirável doçura, e tudo mais que vi nas margens do Nilo Majestoso, não me fizeram mudar de opinião sobre a Grécia inigualável. Em vão tento afastar a lembrança da Acrópole para melhor julgar a beleza especial destes monumentos"


Diário de PII - 1876

 
 Templo de Abu-Simbel

Também em uma carta ao seu cunhado o Rei D. Fernando de Portugal, refere-se ao Templo de Abu-Simbel, que ele atribui a "Sesóstris" ,  onde diz ter achado lindo o rosto esculpido da rainha. D. Pedro se apaixonou pelas ruínas e pelo esplendor passado, mas o  Egito do Séc. XIX  lhe pareceu imundo, incivilizado e decadente; duvidou  que a aquela gente atrasada de fato lesse o Alcorão com afinco.

O deus Amon-Khamutef
encarnado  como Tuthmés III.

Pedro II pode ver e participar do início da era de ouro dos estudos
egiptológicos, e ainda ganhou de presente uma múmia de uma
cantora do templo Karnak, esta ainda mantinha-se intacta
 num vistoso ataúde de madeira pintada.




Veja a continuação desta postagem, onde
apresentamos a Coleção Egiptológica
 formada pelos imperadores 
do Brasil:



Click para acessar

A Coleção Egiptológica do 
Museu Nacional da UFRJ

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