VVVVVV>&&&&&%gt;gt;>>>>>>>>>>>>>>>>>"Ver e ouvir são sentidos nobres; aristocracia é nunca tocar."

&&&&&&>>>>>>>>>"A memória guardará o que valer a pena: ela nos conhece bem e não perde o que merece ser salvo."


%%%%%%%%%%%%%%"Escrevo tudo o que o meu inconsciente exala
e clama; penso depois para justificar o que foi escrito"


&&&&&&&&&&&&&&;>>gt;>>>>>>>
"
A fotografia não é o que você vê, é o que você carrega dentro si."


&
;>&&&&&>>>>>>>>>>>>>>>>&gt
"Resolvi não exigir dos outros senão o mínimo: é uma forma de paz..."

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"Aqui ergo um faustoso monumento ao meu tédio"


&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&"A inveja morde, mas não come."


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Paraná - Orquídeas nos Planaltos parte II - Espécies







Principais Espécies de Orquídeas do Interior Paranaense:


Click aqui para conhecer mais sobre a geografia e habitats do Paraná:

Paraná - Orquídeas nos Planaltos I - Geografia



Toda a área planaltina paranaense era composta de grandes florestas em clima ameno, apresentava grande ocorrência de orquídeas, contrastando com a vastidão e grandeza florestal, eram poucas as orquídeas mais vistosas, as belas orquídeas do Cerrado e da Mata Atlântica não conseguiram adaptar-se ao clima vigente. Se formos fazer uma exposição das orquídeas nativas dessa área, teríamos de premiar apenas Oncidiuns, Maxillarias e Capanemias; o restante das plantas são apenas interessantes, não se comparando com as espécies dos estados mais meridionais. Não há Cattleyas e nem Laelias, as singelas Brassavolas e Sophronitis existentes, são de distribuição apenas limítrofe, em compensação encontra-se muitas espécies de orquídeas botânicas, quase todas do terceiro escalão orquidófilo.





I) Miltonia flavescens:



Essa é a mais abundante espécie do planalto basáltico, desde a região de Cornélio Procópio no Norte Velho, até a Argentina, Paraguay e Oeste Catarinense, é vista pelos restos da vegetação original e grandes árvores isoladas. Nessa região paranaense parece existir uma subespécie maior, de maiores inflorescências e de tendência entouceirante, vegeta pelas áreas mais secas do interior de SP-PR; chamada de var. stellata Regel.

No Brasil , vegeta desde PE-BA à Região da Missões no RS, no PR é mais frequente entre 200 - 900 m de altitude, sempre abundande onde há rochas basálticas. No planalto arenítico é muito menos frequente, não aprecia frio nem umidade excesivos; gosta de calor e pluviosidade.




Para se ter uma idéia da abudância dessa espécie no passado, é preciso visitar os Parques do Iguaçu, o brasileiro e o argentino, onde a espécie é onipresente. Abundam nas perobas-rosas dominantes no dossel desse tipo de floresta, onde ainda são vistas em enormes touceiras.



São também abundantes, nas matas preservadas da reserva de Jussara-Pr, ainda podem ser vistas com frequencia no Vale do Ivaí. O Parque Estadual de Villa Rica do Espirito Santo em Fênix-PR, apresenta suas antiquíssimas figueiras cravejadas dessa espécie. Também as perobas da Reserva da Mata do Godoy e da UEL, em Londrina , são hospedeiras da Miltonia flavescens.



Foi a primeira orquídea que coletei no PR, em Corumbataí do Sul, região serrana doVale do Ivaí, onde a espécie é comum. Cultiva-se melhor em forquilhas de árvores vivas, em cascas de árvores mortas, em vasos ocorre o excesso de umidade, as raízes finas dessa espécie apoderecem, aprecia muito a ventilação e a claridade. Cativa apenas pela farta e pujante floração primaveril, não apresenta qualquer traço de perfume e a cor bege-palha das flores é pouco atrativa. Hibridada com Brassia torna-se mais interessante, as flores se dispõem melhor no rácimo, são mais elegantes e principalmente bem perfumadas.


II) Maxillaria chrysantha - Alliance :


Uma espécie que há muitos anos procuro identificar corretamente, porém sem muito segurança de diagnóstico; a espécie ocorre abundantemente no PR - mais ou menos acompanhando a espécie anterior por sobre as perobas, é especificamente essa forma mostrada nas fotos logo abaixo. Também existe desde MG e RJ até o RS e Argentina, sendo de grande área de dispersão; lembra vagamente a M. picta, esta só vegeta na Serra do Mar e planaltos próximos. A diferenciação entre essa espécie e M. picta é feita até sem flores, em picta os pseudobulbos são bem juntos e nessa espécie são pouco mais separados. Apresenta belas flores amarelo ouro, bem abertas e com segmentos florais levemente marginados, coluna fortemente pigmentada, pétalas ponteagudas e de folhas largas e curtas.




O designado nos livros botânicos como M. chrysantha é especificamente a planta na sequência de fotos imediatamente abaixo; estas não me parece exatamente iguais às de cima, embora o labelo e a coluna sejan bem similares. A ocorrente no PR , mostrada acima, me parece uma variação dessa, ou até mesmo uma outra espécie.

Acima um exemplar de Maxillaria oriundo das proximidades de Curitiba e semelhante à descrição de M. chrysantha existente no livro Orchidaceae Brasiliensis de Pabst&Dungs. Parece uma variedade se comparado com exemplares de chrysantha do interior do estado.


Atualmente há uma nova interpretação designando essa espécie acima retratada de M. porphyrosteles. Embora as flores, repito,  sejam muito diferentes da designada por Pabst como sendo M. porphyrosteles.







Recentemente adquiri de um orquidário uma "porphyrosteles", esta mostrou-se 
uma planta de porte e flores muito menores e quase idêntica a determinação 
de Pabst para M. phoenicanthera. A dúvida tem fundamento !


Seria preciso verificar os tipos originais em herbário para solucionar a crescente confusão de nomes.


Chrysantha = flor amarela


Tive dúvidas com relação a esse grupo de espécie, embora não veja uma outra opção mais apropriada para determinar a população paranaense do que a tradicional "M. chrysantha". A maioria dos livros técnicos descrevem uma M. chrysantha diferenciada em relação a ocorrente no interior do PR. Como a área de dispersão é imensa, normalmente espera-se a ocorrência de variações regionais. Muito antes , cheguei a pensar que fossem M. rupestris, porphyrosteles ou phoenicanthera, mas como se pode ver nas últimas fotos da sequência abaixo, não são nem parecidas.



Acima M. chrysantha sem as margens pigmentadas numa sequência de exemplares de forma típica e compatível com as descrições botânicas consultadas.

Acima mostramos as M. rupestris e M. porphyrosteles, também paranaenses, porém bem menos frequentes. São exemplares com flores idênticas às respectivas descrições existente no livro Orchidaceae Brasiliensis de Pabst&Dungs.





Na internet localizei outra " M. phoenicanthera ", mostrada acima, a espécie é registrada em literatura como sendo paranaense, porém menos frequente, nunca vi nenhuma delas por aqui. Ostentando suas pintas até por baixo da própria coluna, não se parece com a população em questão nesse trecho do artigo, sendo muito obviamente uma espécie mais próxima de M. picta, portanto no grupo das espécies de porte maior. A confusão que vi está descrita em detalhes !


M. marginata, nome em função da característica margem, poderia ser a solução do nosso dilema, todavia tem a margem também no labelo, desqualificando-a como possibilidade de identificação.

A verdadeira M. chrysantha, aquela botanicamente registrada, tem pseudobulbos distanciados entre si, as folhas longas e com menos de 1 cm de largura, é uma espécie bem menos atrativa do que a ocorrente e típica do PR. Secas numa exsicata botânica num arquivo, talvez tornem-se indistintas, mas as fotos de exemplares vivos, podem mostrar as diferenças dessas "variedades". Pesquisando esta circustância de dúvida, descobri como autor da descrição original de M. chrysantha, o renomado botânico Barbosa Rodrigues, também descreveu uma outra espécie, a M. serotina, esta foi considerada como sendo similar,portanto sinônimo da M. chrysantha. Após ver a foto da planta serotina me convenci ser a espécie é mesmo variável, se tiver o labelo similar é a M. chrysanta e ficamos apenas nesse parâmetro. A M. serotina tem coluna sem pigmento, só na cápsula das políneas há alguma cor, apresenta a mesma margem pigmentada e nos segmentos florais o mesmo tom dourado de cor, as planta são de fato vegetativamente idênticas. Se não solvi a dúvida pelo menos equacionei-a, mostrando o quadro confuso. Meu parâmetro foi a obra Orchidaceae Brasiliensis de Pabst & Dungs, ainda é onde há informações mais confiáveis.

Acima a M. serotina, um sinônimo de M. chrysantha - a espécie é bem variável.




Acima a Maxillaria chrysantha do PR.


É uma linda planta, fácil de cultivar em vasos ou em árvores vivas, floresce vigorosamente e é perfumada. É muito comum no Parque do Iguaçu e no na Região de Cascavel do PR , no dossel de perobas-rosas é quase obrigatória, ocorrendo também nas florestas com araúcarias, na faixa dos 600 - 800 m de altitude, onde a Miltonia flavescens não mais ocorre. Forma grandes touceiras e seu cultivo é mesmo bem fácil, resistem tanto ao frio como ao calor sazonal, apreciando mais a umidade nebular.


III) Oncidium flexuosum :



Ocorre em boa parte do território brasileiro, desde o PA e PE até o RS, sendo uma planta muito comum e geralmente cultivada em todos os lugares onde é nativa. Até mesmo na fria Curitiba , é comum nos quintais, onde é medra junto com as grandes touceiras de Dendrobium nobile, em xaxins vivos .


Ocorre no litoral e nos planaltos paranaenses, sempre em locais de verões mais quentes, portanto em matas sem araucárias. As plantas do litoral produzem inflorescências menores e são vegetativamente pequenas, as de altitudes maiores são de porte mais avantajado. Existem comumente nas matas serranas do Vale da Ribeira e nas matas de galeria dos rios do planalto basáltico, sendo mais comuns no Vale do Ivaí. Chamados de pingo-de-ouro, ou quando maiores, chuva-de-ouro, são plantas comuns em jardins paranenses.





IV) Oncidium longicornu
:



Esse pequeno e discreto Oncidium, apresenta um pequeno chifre de rinoceronte no labelo, é muito encontrado e mesmo ainda abundante, nas Florestas com Araucárias, logo não aprecia calores tropicais. Vegeta do RJ e MG, até o RS, em altitudes variadas; no PR prefere acompanhar as matas fluviais , ou o alto dos espigões onde ocorre mais neblina, sempre dos 500 aos 1200 m de altitude.

O. longicornu


Onde ocorre , forma grandes populações, medra desde Curitiba, Região de Guarapuava ,União da Vitória e principalmente no Sudoeste do PR, de onde passa para a vizinha Argentina.


São plantas de fácil cultivo se amarradas em árvores vivas ( vão bem em cítricos ) , também adaptam-se a substrato de fibras em vasos bem drenados; fenecem com o calor constante de mais de 30°C aliado à falta de sereno ou neblina noturna.O. longicornu

 
Pouco vistoso é uma curiosidade botânica


Acima o típico Oncidium longicornu, com seu labelo pouco expandido e bem truncado ( acaba de repente ), os lóbulos laterais do labelo formam um ângulo reto com a porção maior desse segmento floral, a espécie tem flores bem discretas e de colorido singelo; espécie de ampla distribuição.


O. macronyx em Missiones - Argentina


 



Acima: Oncidium macronix apresenta um labelo mais largo, bem projetado e arredondado, os lóbulos laterais do labelo formam um ângulo obtuso com a porção maior desse segmento floral. O chifre é maior e bem mais afinado na sua extremidade. Parece ou lembra, um híbrido de O. longicornu com O. concolor, ou com O. bifolium. O. macronix deve existir também no Sudoeste do PR, já coletei "lindos" exemplares de O. longicornu por lá, mas eram na verdade o O. macronix , ou um híbrido intermediário entre os dois ( a foto acima é bem inermediária ) , fica o registro.





V) Oncidium longipes :



Bastante comum em todo território paranaense entre os 500 - 1000 m de altitude, aparece esporadicamente, não chega normalmente a formar grandes populações. Onde há Baptistonias pode haver também essa espécie poe perto, medra nos interiores das matas, onde a luz é menor e a umidade é mais homogênea e constante.



Planta de beleza discreta, forma graciosas touceirinhas, medra desde de MG até o RS, tanto no litoral como no interior, onde houver matas úmidas; adentrando também na Argentina. É de distribuição descontínua , mas é de vasta ocorrência no PR, talvez pelas poucas flores e pelo tamanho médio, não seja muito cultivado. Recentemente o O. croesus, uma espécie muito próxima, passou a ser produzida comercialmente e vendida em floriculturas.

No Paraná o O. longipes só pode ser confundido com o O. cogniauxianum, este apresenta um labelo bem mais estreitado, formando um ístmo, mas essa segunda espécie é bem menos comum além de ser raramente cultivada.


Amarrado em árvores vivas , costuma enraizar bem, se adubado e hidratado com frequência , prospera logo, aprecia a sombra clara sem sol direto, exceto pela manhã.




VI) Baptistonias - Alliance :



A enorme variedade de formas, fez das Baptistonias um assunto melindroso, restringindo -me exclusivamente às espécies do PR, tento compilar e resumir um quadro complicado de ocorrências.



As espécies desse gênero existem em grande frequência em todos os biomas florestais paranaenses, geralmente onde ocorrem, apresentam-se em populações bem significativas. são por isso muito importantes e então as dispus de forma especial nese artigo. As espécies de Baptistonia são muito variáveis e parecidas entre si, sua área de dispersão se sobrepõe, híbridos naturais podem ocorrem, sempre houve muita confunsão na sua classificação. Muitas das descrições são antigas e informam poucos detalhes, pois quando descritas não se conheciam outras espécies e não era necessário esclarecer muitas de suas características para reconhecê-las. A maioria dessas antigas exsicatas e descrições originais estão na Europa, dificultando seu estudo, principalmente porque diversas das suas características são claramente visíveis em flores vivas, mas perdem-se quando secas e prensadas. A variedade de indivíduos observados no quadro natural dificulta muito a definição dos limites morfológicos de cada espécie, gerando confusões imensas. Publicou-se recentemente uma revisão cuidadosa desse gênero, apresentamos as espécies conforme as informações dispostas nesse valoroso trabalho abaixo citado, ao contrário da barafunda feita com as Cattleyas, usou com sucesso a distinção por DNA, não para criar mais confusão, mas para ordenar, inquestionavelmente, o caos de informações visuais contraditórias existente.

Baptistonia sarcodes - Uma das mais belas espécies de orquídeas paranaenses.

Em certas espécies as diferenças são sutis e dentro de um quadro de grande variabilidade natural , mesmo conhecedores experimentados teriam dificuldades em classificá-las corretamente. A causa dessa dificuldade deve estar na miscigenação natural, derivada da vasta distribuíção geográfica. Como ocorre nas muitas e igualmente complicadas Laelias rupícolas - uma grande maioria das espécies descritas florescem na mesma época, originando populações de indivíduos amiscigenados. Talvez estivessem melhor estabelecidas como integrantes de um complexo de espécies crípticas - superespécies. Característica desse grupo é a enorme variação de cor e de tipos próximos de calosidades, hibridando-se em sucessão e criando múltiplas formas intermediárias. Meu resumo prático e as fotos marcantes das espécies do PR , foram baseados em: Phylogeny and evolution of Baptistonia (Orchidaceae, Oncidiinae) based on molecular analyses, morphology and floral oil evidences- Guy R. Chiron et all.

Baptistonia híbrida ( echinata x sarcodes ) em primeira floração na nossa coleção ! Amplie a foto e veja a planta interessante. Todavia estão sujeitas à "maldição dos híbridos de oncidiuns brasileiros": florescem uma vez lindamente e depois fenecem sem nunca mais brotar. Os hibridadores experientes conhecem as nossas espécies, ao contrário das mexicanas e centro-americanas, apresentam esse problema, logo desaparecem das coleções os lindos híbridos de: O. crispum, marshallianum, zappi, praetextum, forbesii, sarcodes, varicosum e outra jóias da nossa flora.


Apenas duas ou três das espécies de Baptistonias são comuns no PR, as outras são mais raras ou restritas à Serra do Mar, também serão abordadas em função da clássica dificuldade de determinação de espécies dentro desse grupo.



Espécies ocorrentes no PR
:


Baptistonia albinoi


Distribuição : PR- SC- RS .

Registro de Ocorrência no PR: Morretes, Campina Grande do Sul, Piraquara, Quitandinha, Lapa, São Jerônimo da Serra e Tres Barras do PR. É frequente nos capões de mata da região do Campos Gerais no Segundo Planalto do PR.



Acima a Baptistonia albinoi.

A espécie em questão é muito similar a outras, por isso, amplamente confundida com as B. x cruciata e B. x riograndensis, são ambas populações naturais híbridas não existentes no PR.


Acima a B. albinoi , historicamente muito confundida com a B. riograndensis.

Realmente é uma espécie muito pouco conhecida, poucas citações em todos os lugares. Até mesmo no melhor compêndio já publicado sobre orquídeas brasileiras, o Orchidacae Brasiliensis de Pabst& Dungs, a B. albinoi ( Oncidium albinii ) é estranha e totalmente ignorada nessa obra, dada apenas como do PR e sem nenhuma ilustração. Nesse último e valoroso livro há erros crassos com relação a esse grupo, lá - apenas no livro e não na realidade - alguns desenhos e ilustração são dúbios, então a B. cornigera e a cruciata parecem serem indistintas, a B. pubes e a fimbriata também não se diferenciam satisfatoriamente.


Acima a verdadeira Baptistonia x cruciata - População natural híbrida restrita à Serra do Mar no RJ e SP - dada como existente no interior do PR, por muitas décadas. As calosidades e o tamanho do labelo muito diferentes de B. albinoi.



Acima a Baptistonia x riograndensis - População natural híbrida restrita à Serra do Mar e interior do RS - também erroneamente reportada como nativa do PR. As calosidades são diferentes mas as abas largas do labelo são parecidas.




Baptistonia cornigera


Distribuição : ES-MG-RJ- SP-PR- SC- RS - Argentina e Paraguay.

Registro de Ocorrência no PR: Campo Mourão, Quedas do Iguaçu, Região do Parque Nacional do Iguaçú, Medianeira, Toledo, São Jorge D'Oeste, São Jeronimo da Serra, Campo Largo, São José dos Pinhais, Guaraqueçaba e Paranaguá.

Prefere locais mais quentes, até os 500m de altitude, em florestas sombrias, a floração ocorre entre DEZ e MAR.

É espécie de grande distribuição e frequência no interior das matas, geralmente em árvores finas em baixa altura, de 1 - 3 m do chão. É de fácil reconhecimento visual, geralmente suas flores tende para o amarelo claro, o labelo tem poucos calos, além dos característicos cornos do lado do ístimo, estes deram nome a espécie.


É a Baptistonia das terras quentes, inclusive ocorre nas baixadas do Litoral do PR, mas é preponderantemente interiorana das terras mais baixas, da região das perobas.

Os braços curtos bem frontais, saindo da coluna, bem ao lado do estigma, são característicos; as calosidades não avaçam além do início do ístimo do labelo.

Abaixo a Baptistonia amicta, esta deve ser um híbrido natural , entre B. cornigera e B. sarcodes, poderia também ocorrer no PR, porém não há registros confirmativos.






Baptistonia leinigii


Distribuição : Endêmica da Região das Serras do Cadeado e dos Mulatos - PR.

Registro de Ocorrência no PR: Ortigueira, Ventania e região

A Baptistonea leinigii é exclusivamente paranaense, a espécie é rara e mal conhecida do público em geral, restrita geograficamente e ameaçada de extinção, descrita por Guido Pabst em 1972, e registrada oficialmente apenas para os Municípios de Ventania e Ortigueira. Achava, antes da pesquisa desse artigo, ser uma espécie da Serra do Mar, não imaginava-a medrando no interior, lá os endemismos praticamente não existem.

Floresce no verão-outono, entre FEV-MAI, prefere as altitudes de 500 a 1000 m, o habitat é o característico do grupo: interior de matas úmidas e em árvores ou cipós lenhosos e finos. Como todas as espécies do gênero é bastante , como demonstram as fotos.

Rara de se ver e fácil de se determinar, o labelo é bem característico, não deveria dizer isso, mas depois de estudar essa confusão toda de espécies tão parecidas ,vou me permitir um comentário totalmente instintivo, essa espécie me lembra um hipotético híbrido de B. albinoi com B. sarcodes, espécies existentes naquela região. As calosidades similares e a mesma característica de apresentarem os lóbulos laterais do labelo muito largos e desenvolvidos, indicam sera B. leinigii bastante próxima à B. brieniana ( antigo Oncidium verrucosissimum ). As calosidades leinigii são variáveis, as que estão fotografadas neste artigo nem de longe lembram as descritas por Pabst no trabalho original, essa grande variação numa área de ocorrência mínima claramente indica hibridação. Por outro lado, essa espécie paranaense apresenta flores de muito maior porte, em relação ao restante do grupo simpátrico, nesse caso, poderia então ser considerada uma variedade mais oriental, talvez poliplóide, de B. brieniana, espécie de distribuíção exclusivamente paraguayo-argentina. O tamanho avantajado das flores de leinigii nos remete à B. sarcodes, cuja as flores são de porte maior .

Um raro exemplar de B. leinigii em bom registro fotográfico, as flores são grandes para o gênero e a espécie parece ao meus olhos como sendo uma população híbrida estabilizada de uma Baptistonia hibridada com um outro Oncidium. B. sarcodes apresenta calos característicos da Seção Crispae dos Oncidiuns, provavelmente também tenha origem em cruzamentos de um passado distante.


Acima a B. brieniana, uma espécie paraguayo-argentina, embora separada geograficamente, parece bastante correlacionada à rara B. leinigii, os labelos apresentam disposições muito similares, ou são populações separadas ou são ambas híbridas.





Baptistonia lietzei



Distribuição : MG- SP- RJ- PR - Paraguay

Registro de Ocorrência no PR: Campina Grande do Sul, Sengés, Castro, Ortigueira, Maringá, Campo Mourão, Tuneiras do Oeste, Cianorte, Fênix e Vale do Ivaí, Guaíra e Região.

É a mais comum das espécies encontradas no PR

Substitui a B. cornigera quando a altitude passa dos 500-.600 m, sendo muitas mais frequente no PR do que aquela a quem substitui; em vários locais, onde há transição climática e de altitude, as duas espécies vegetam juntas por vezes, como no Vale do Ivaí. Na região do arenito caiuá: em Umuarama, Guaíra e no Paraguay, existe a subespécie guairensis, esta medra em matas com perobas, região de clima mais quente. Nas florestas com araucária é a espécie mais comum do gênero e aparece normalmente em grandes populações, até no máximo 1.200m de altitude, sempre não muito alta em relação ao chão e em cipós lenhosos ou árvores finas, nas matas mais sombrias. Se vc achar uma Baptistonia no interior do PR, será muito provavelmente uma B. lietzei, em segunda hipótese seria uma B. cornigera, aposto em 90% as chances de ser uma ou outra. Floresce de SET a DEZ e há grande variação de cor nas flores não devendo ser esse critério muito significativo na tentativa de identificação;


Em aspecto é próxima à B. pubes, espécie restrita ao RJ, a B. lietzei do PR também é sistematicamente confundida com a B. riograndensis, espécie também não reportada para o estado. Concluimos ser a B. lietzei é uma espécie morfologicamente muito variável , dando margem para esses recorrentes erros de determinação.A principal característica morfológica para o reconhecimento dessa espécie, são os lóbulos laterais do labelo , estes são estreitados, cerificados e robustecidos , mais parecem dois chifres calosos saindo por baixo do ístimo do labelo. À primeira vista parecem ser dois os pares de chifres calosos, um menor atrás e um maior na frente, mas os maiores não são calosidades típicas, mas sim os lóbulos laterais do labelo. Somente a B. pubes do RJ tem padrão similar, nas outras espécies paranaenses os lobulos laterais são maiores ou menores , mas sempre planos. Embora suas calosidades variem de planta para planta, às vezes se alongam e por isso afinam, dão então a impressão de serem semelhantes às do grupo da B. albinoi. Portanto são melhor reconhecidas, porque tendem a apresentar três segmentos seqüenciais de calosidades diferentes, conforme o esquema floral acima disposto O esquema gráfico mostra, erroneamente, um labelo mais curto em relação aos visíveis nas fotos , de fato são bem mais alongados. O "capacete" formado pela sépala dorsal, por sobre o labelo, também é outro excelente indicativo para a distinção dessa espécie entre as Baptistonias paranaenses.






Baptistonia sarcodes


Distribuição : MG- RJ- SP-PR.

Registro de Ocorrência no PR: Apucarana, Tamarana, Ortigueira, Ribeirão do Pinhal, Jaguariaíva, Tibagi, Norte Pioneiro e Região do Itararé, Curiúva.


Normalmente não passa dos 500 m de altitude e floresce entre OUT e DEZ. É muito usada em hibridação pela sua beleza, é de longe a mais atrativa do gênero e aparentemente próxima ao grupo dos Oncidium crispum, praetextum e forbesii, este grupo apresenta os mesmos dois calos obovóides presente em B. sarcodes; parece um híbrido de Baptistonia ssp. com alguma espécie clássica de Oncidiuns dessa seção. Desse mesmo grupo herdou a beleza e o tamanho maior, tanto do porte como o das flores.

Acima o Oncidium praetextum exemplifica bem a similaridades nas calosidades, no porte e na cor com a B. sarcodes. Abaixo uma boa sequência de fotos mostrando a forte variação de colorido nas flores da Baptisonia sarcodes.

Como é normal no gênero, as flores variam muito de cor, não há uma exatamente uma igual a outra, são flores e plantas grandes, nos permitindo desconfiar ainda mais de hibridações naturais num passado distante. Destoando fortemente da beleza menor das outras espécies do gênero , essa talvez seja a mais bela das orquídeas do interior do Paraná !






Baptistonia venusta
( antigo Oncidium trulliferum )Distribuição : ES-RJ-SP-PR- SC-RS. ( apenas no Litoral e Serra do Mar )

Registro de Ocorrência no PR: Guaratuba, Paranaguá, Antonina, Morretes e Guaraqueçaba, Cerro Azul e Vale do Ribeira.


Medra no mesmo habitat característico desse grupo, floresce de OUT até MAR e ocorre mais frequentemente entre 200 e 700 m de altitude. Forma belas e graciosas plantas. pseudobulbos bem maiores em relação ao normal nas espécies mais comuns e típicas do gênero, quando cultivada nas condições requeridas, ajeita-se bem nos vasos, não ficando entortada como muitas desse gênero.


A espécie é de matas ainda mais sombrias e úmidas do que as espécies anteriores, produz inflorescências densas cobrindo a planta com uma nuvem de mosquinhas cor-de-ouro. É uma linda espécie da Serra do Mar, os recentes exames de DNA catapultaram-na da Seção Rostrata de Oncidium, para o gênero Baptistonia.



VII) Oncidium pumilum

Espécie muito comum por todo o país e também de frequência ampla no PR, vegeta da BA e MT, até o Uruguay e a Argentina. A espécie é de difícil cultivo em vasos, devendo ser cultivada em pedaços de madeira, na sombra.

Com suas folhas achatadas e suculentas, aparece sempre no interior sombrio das florestas com araucárias, locais mais altos e mais frios, o fator climático não lhe é limitante.



VIII) Leptotes unicolor - MG - PR - Argentina

Outra espécie muito comum no PR, chegando até as províncias de Missiones e Entre-Rios na Argentina, distribui-se mais frequentemente pelas florestas com araúcarias, sendo mais comum ainda nas proximidades de cursos d'água. A espécie nao forma grandes populações, sendo vista sempre espaçadamente, porém é amplamente distribuída em vários habitats paranaenses.

As folhas lembram as Brassavolas e formam plantas atrativas, com frequência as flores não abrem totalmente mantendo-se semi fechadas, perdendo atratividade. Indica-se a mesma forma de cultivo da espécie anterior, frequentemente são encontradas juntas nos habitats.



IX) Pleurothallis sonderana

Distribui-se de MG até o RS, sendo de frequência muito alta nas florestas com araucárias, companheiro das duas espécies acima descritas, entretanto forma populações muito maiores . Durante a época de floração, domina a paisagem dessas áreas com suas flores amarelas e folhas semi-teretiadas.


Adapta-se bem ao cultivo em vasos plásticos com fibras e musgos, reunindo-se vários indivíduos no mesmo vaso temos então uma linda toucerinha desse simpático Pleurothallis, sendo uma das mais belas espécies do gênero, no PR só perde para a próxima espécie em beleza.

Uma espécie realmente abundante nas regiões mais frias do estado, é comum nos três planaltos, em especial desde Região Metropolitana de Curitiba até Rio Negro, na Região de Irati e Guarapuava também é constante.


X) Pleurothallis recurva





É uma graciosa planta-anã, muito ajeitada e bonita, prefere ser cultivada em pedaços de madeiras resistentes pendentes. É frequente por todo o PR, mas não se apresenta em grandes populações no habitat, é do tipo mais espaçada, todavia na árvore onde existe uma, deverão existir outras, para depois aparecerem bem mais distante.



Distribui-se do ES e MG, até o RS, chegando também ao Ecuador, Peru, Bolivia e a Argentina na fronteira com PR e SC, gosta de altitude de mais de 800 - 1.100.m Na minha opinião é uma das mais belas espécies desse genêro, apresenta folhas coriáceas com caule pouco evidente, lembra em hábito vegetativo, uma mistura de Sophronitis cernua com O. pumilum.


Adicionar imagemÉ especialmente comum em Curitiba e região, vegeta em lugares úmidos mas bem ventilados, porém prefere as cascas mais secas de árvores de médio porte, sempre estabelecidos em altura de mais de três metros do chão. Exemplares em cultivo, tratados com pulverizações de água da chuva e com caldo de torta de mamona decomposta, bem diluído, logo se instalam em madeira dura. Sou fã dessa espécie, acho-a muito elegante e é uma das minhas preferidas.



XI)
Maxillaria juergensii e M. vitelliniflora - Alliance


Esse grupo de espécies, tradicionalmente abrigado no gênero Maxillaria e agora recolocado no novo gênero Christensonella, tem como principal características o modo de crescimento e as folhas com tendência a serem aciculadas, também as flores pequenas e campanuliformes são comuns ao grupo todo.


Crescem de forma peculiar, enraízando apenas na base das muitas sequências verticalizadas de pequenos pseudobulbos, por fim formam uma densa touceirinha. São as chamadas espécies do " grupo da Maxillaria madida ", existem pelo interior de vários estados brasileiros, sempre vegetando em l matas de galerias e locais com mais neblina, apreciando maior exposição à iluminação e ventilação. Assim com maior umidade conseguem germinar e crescer, além de sobreviver aos recorrentes períodos de seca tão comuns na área de distribuíção dessas resistentes orquídeas.


Abaixo duas espécies de mesmo grupo, são registradas para o PR, porém são muito menos frequentes em relação às espécies com duas folhas aciculares por pseudobulbos, as desse grupo só apresentam uma única folha, sendo distintamente mais plana, esse caráter separa facilmente os dois grupos; as flores são muito parecidas.

M. pachyphylla

M. plebeja


Seu aspecto geral já mostra serem plantas capazes de resistir ao períodos secos, são uma antítese do modo vegetativo das Maxillarias de matas úmidas. O cultivo é relativamente fácil, gostam de ventilação e claridade fortes e de substrato capaz de criar uma base relativamente mais úmida para suas raízes finas e tímidas. Vão bem em vasos de barro, ajeitando-se bem nessa disposição e sobrevivendo por muitos anos, devem ser adubadas nos meses de crescimento e sempre pulverizadas com água da chuva. A maior problemática é a de identificação, na sequência vamos nos esforçar para tentar explicar a confusão de determinação das espécies paranaenses de flores amarelas.


Maxillaria vitelliniflora

Distribuição : RJ-MG-SP-PR-SC-RS



M. vitellinifolia
exibe seu característico aspecto vegetativo de duas folhas aciculares bem finas por cada pseudobulbo, seu labelo é relativamente mais comprido e muito projetado fora das flores - do grupo, é a espécie muito disseminada e comum no PR.




Maxillaria vernicosa

Distribuição : RJ-MG-SP-PR-SC-RS


Espécie muito parecida e largamente confundida com a anterior, apenas por isso é aqui considerada, são espécies próximas, podendo mesmo haver hibridações entre ambas, gerando-se intermediários, estes ajudam a confundir ainda mais o que já não simples. As duas espécies foram descritas pelo histórico botânico Barbosa Rodrigues, é preciso observação para separar as duas espécies primas entre si.



O labelo e as folhas são os primeiros diferenciais a serem usados para separar vernicosa de vitelliniflora. As folhas dessa espécie não são tão finas, são mais acanoadas do que aciculares, o labelo não é tão projetado, a flor é mais fortemente campanulada, todos os segmentos florais são proporcionalmente mais curtos e alargados, na espécie anterior são opostamente mais alongados e estreitos. Os labelos são diferente, mais alongado em vitteliniflora além de ter o halo mais escuro circundando as calosidades do centro do labelo, a flor de vernicosa é também maior e mais cerosa ou envernizada .



Maxillaria juergensii

Distribuição : SP-PR-SC-RS



De flores muito mais escuras e também com duas folhas por pseudobulbo, essa espécie é muito mais fácil de ser identificada. Possui flores de maior tamanho, surgindo em abundância , formando plantas muito atrativas, as folhas são acanoadas e longas, mas não são exatamente finas como em vitelliniflora.




Essa espécie bastante comum em cultivo, tanto quanto vitelliniflora, só pode ser confundida com outra espécie próxima, a M. acicularis ( ES-RJ-SP-MG ), também registrada para o PR, porém é muito mais rara por aqui.


Acima M. acicularis.


A M. cogniauxiana ocorre bem mais esporadicamente no PR, pode provocar alguma confusão, as flores de fato possuem cores muito parecidas. Porém as flores, pseudobulbos e folhas, são bem diferenciadas pelo seu porte maior, as folhas são planas e os psudobulbos espaçados entre si.



Acima a M. cogniauxiana.


XII) Bifrenaria harrisoniae MG-ES-RJ-SP-PR-SC-RS - Alliance

Espécie encontrada com frequência especial nas cuestas de transição de altitude, onde há exposição de rochas areníticas no segundo planalto paranaense, também ocorre nas paredes graníticas da Serra do Mar. Sendo praticamente inexistente no interior do planalto basáltico, onde quase não há rochas expostas, demonstrando uma notória tendência em ser rupícola.

Acima a Bifrenaria harrisonae típica - a cor varia muito a forma não.

B. tyrianthina é uma espécie próxima - sendo mais típica de MG -
 e muito confundida com harrisonae, possui a cor mais purpúrea
e as inflorescências bem mais altas, além do cálcar (funil)
 traseiro nas flores mais desenvolvido e evidente.

B. harrisonae pode aparecer também como epífita, mas é normalmente registrada como rupícola ou saxícola, forma colônias consideráveis em alguns locais onde há afloramentos rochosos, apreciando a ventilação forte, a neblina constante e a iluminação farta. É uma campeã de resistência e por isso mesmo se presta ao cultivo.

Exemplar de B. harrisonae oriundo da região de Ponta Grossa - PR

Uma das espécies de maiores flores do interior do PR, além do porte ,também podemos acrescentar a durabilidade das flores, é vista frequentemente em exposições , geralmente em grandes exemplares cultivados em cestinhas de madeira totalmente abertas e ventiladas. É de fácil cultivo, para matá-la coloque-a num lugar bem quente, na sombra e molhe bastante, ela morrerá em poucos meses; precisa de clima ligeiramente mais seco do que as cattleyas, como suas raízes mais finas demonstram, necessitam de substrato ainda mais seco e arejado. Recomendo plantá-las em madeira dura ou em brita granítica misturada com musgo ou espuma escura bem picadinha.

Apresenta considerável variação floral, é uma espécie com ampla área de distribuíção, muito famosa, sendo um clássico da orquidofília pelas belas touceiras formadas em cultivo.


Acima imagens de Bifrenaria inodora.


Acima Bifrenaria tetragona - chamada de Olhos de Tigre - com seus elegantes pseudobulbos

No PR só pode ser confundia, se florida, com a B. inodora, diferencia-se facilmente: inodora tem dois lóbulos ou cristas na calosidade do labelo e harrisonae apresenta três . Sem flor, também confunde-se com a B. tetragona, esta mais comumente epífita. B. tetragona é mais robusta, embora forme touceiras não tão grandes, tem folhas maiores e mais pecioladas, os pseudobulbos são bem angulosos e caracteristicamente geométricos, é possivelmente uma das espécies de mais belas plantas vegetativas entre as orquídeas do PR, aprecio-a muito, o labelo não apresenta calosidades ou cristas e termina curto e arredondado.


Espécies de Ocorrência Ocasional no Interior Paranaense:

As espécies anteriores tendem ainda a existir onde a natureza paranaense não foi muito perturbada e também são mais ou menos encontradas em cultivo. As próximas espécies consideradas não são tão amplamente distribuídas e nem de frequência alta nas áreas de ocorrência. Sua existência no consideravelmente desmatado território paranaense, é ainda mais fragmentária ou então marcadamente regionalizada. Para ver as próximas espécies na natureza é preciso procurá-las bem, ou já saber onde ainda existem. Outras ambém mostradas são frequentes, mas não se prestam ao cultivo orquidófilo por não adaptarem-se a este fim, ou por não terem apelo visual para isto. Também frisamos e tentamos explicar os pontos de dúvida botânicos, na tentativa de auxiliar na sempre penosa identificação de exemplares vindos da natureza. Fica então ressaltada essa transição de parâmetros, as espécies da Serra do Mar não fazem parte da proposta desse artigo.





XIII) Brassavola tuberculata - RJ e ES - Alliance

As Brassavolas de folhas teretetiadas ( rabo-de-rato ), formam uma imensa confusão de espécies , realmente de difícil compreensão, porque como todas as orquídeas, são de grande variação morfológica e nesse caso fica difícil se diferenciar espécies. As plantas são preferencialmente separadas em espécies devido as suas diferenças florais; como as flores ficam menos tempo expostas ao meio ambiente, a seleção natural age mais lentamente sobre elas, portanto são um bom indício de evolução e diferenciação. No caso desse gênero isso não funciona do mesma forma, existem espécies de Brassavolas em ambientes totalmente diferentes, em populações separadas geograficamente e com flores muito parecidas.


B. tuberculata só existe no RJ, é muito abundante na costa e de hábito sempre rupícola, apresenta 1-2 flores por haste floral e folhas curtas, vegeta exposta à insolação plena, porém refrigerada pelo vento marítimo frio e úmido. Levada para longe dessa ventilação, a temperatura aumenta muito e então esturrica rapidamente sob o sol. É o vento sul frio e úmido que lhe permite essa ousadia !

A Pedra do Leme em Copacabana é um habitat de grandes populações dessa espécie exclusivamente litorânea.

A primeira espécie descrita desse gênero foi a Brassavola tuberculata, como todos as outras espécies são muito parecidas, nos últimos anos houve uma super utilização desse nome, na tentativa de agregar todas as espécies difíceis de separar corretamente, sob o guarda-chuva do nome da espécie pioneira. No RJ , local de onde tuberculata foi descrita, existem duas perceptíveis espécies desse gênero, vegetando praticamente juntas, uma extremamente comum, cobrindo as grandes rochas graníticas e a B. perrini é a outra espécie e normalmente vegeta como epífita, mas também pode ser rúpicola, mas sempre dentro das matas e em ambiente mais protegido do céu aberto.

B. perrinii tem longas folhas e haste multiflorais, vegeta 
menos exposta e ao abrigo da insolação.

São facílimas de distinção até sem flores, perrinii tem folhas até 3x maiores que tuberculata e apresenta haste floral com tendência multifloral, a haste antiga e seca fica presa na planta, tuberculata apresenta uma ou duas flores em hastes curtas, também as folhas são curtas e normalmente bem avermelhadas pela insolação.

Nas matas da Serra do Mar do PR, aparece também a B. falgellaris, espécie muito afim de B. perrinii, da qual difere pelo labelo maior, mais agudo e vistoso, além dos segmentos florais mais alongados.


Brassavola reginae ou cebolleta.

Na calha do Rio Paraná em território paranaenese, onde o clima é muito mais quente e seco, ocorre a Brassavola reginae, também conhecida como B. cebolleta , esta última parece bastante com a B. tuberculata. Espécie mais típica do Mato Grosso, Paraguay e Bolívia, apresenta a forma bem mais estrelada, mancha verde no labelo muito evidente, poucas flores 1 ou 2 por haste e tamanho de flolhas curto, devido a maior insolação do seu bioma natural. Porém o quadro morfológico pode modificar-se em cultivo em função das melhores condições de sobrevivência. Eu a considero uma boa espécie, fácil de ser determinada e com área de ocorrência delimitada, não havendo outras espécies do gênero na mesma região.




XIV) Capanemia superflua- ES e MG até o RS Argentina - Alliance



Essa espécie de Capanemia é a mais bela do gênero, é uma das espécies mais vistosa da flora parananse, considero-a uma planta cujo o melhoramento e a hibridização poderiam gerar novos caminhos. É planta de ocorrência ocasional no PR, aparece por muitas regiões mais baixas, quentes e secas, porém sempre em locais onde haja mais umidade ambiental, beira de rios ou locais onde forma-se mais neblina ocasional. Normalmente não é abundante e aparece em pequenas populações espaçadas, a espécie também é a maior do gênero, este composto por plantas de porte muito pequeno. Foi também conhecida como C. uliaginosa, nome tido como sendo o correto por muito tempo, depois prevaleceu o atual.


As plantas de cima, lindas touceiras dessa espécie, foram colocadas nas cestinhas em virtude de estarem em exposição, o substrato real pode ser um vaso de cerâmica crua ou um pedaço de madeira dura. Capanemia superflua ( ES-RJ-MG-SP-PR-SC-RS e Argentina ) tem distribuição mais interiorana em vários estados, em cultivo gosta de substratos secos, indo bem em vasos de cerâmica com xaxim, pedrinhas graníticas, pedaços de coxim sem tanino ( deixem de molho uma semana trocando a água 3x ), tocos de madeira ou cascas grossas ; lugares claros e ventilados são os melhores, com fornecimento de pulverizações de água da chuva pura a noite e com fertilizantes nos meses de crescimento. Durante o dia gostam de estar secas e iluminadas pela luz da manhã. Reparem nas fotos: os substratos estão secos, mas precisam ficam úmidos periodicamente, molhada demais em local pouco ventilado termina por apodrecer as raízes, por fim desidrata no meio da umidade excessiva sem poder absorvê-la, assim essas espécies de orquídeas interioranas acabam morrendo em cultivo.

C. micromera ( RJ-MG-SP-PR-SC).


C. thereziae ( PE-RJ-MG-SP-PR-SC-RS).

As duas espécies mais comuns do gênero são C. micromera e C. thereziae, a primeira tem porte minúsculo e é muito abundante nos locais onde ocorre, a segunda é encontrada mais espaçadamente e numa área de dispersão de abragência nacional, nas cidades e áreas próximas, ocorre estranha e mais comumente em nespereiras (Eriobotrya japonica), onde chega a cobrir inteiramente os galhos mais finos.

Cultivo de C. micromera estabelecida sobre uma muda de
 pitangueira plantada em vaso - é essa a solução !

A primeira espécie tem folhas teretetiadas e existe em todos os biomas paranenses, a segunda espécie tem folhas planas ocorre em locais mais altos e úmidos. Ambas são de dificílimo cultivo e só sobrevivem, com muita dificuldade e por pouco tempo, quando retiradas da natureza agarrdas com o substrato onde nasceram, fora dele fenecem em menos de um mês. São plantas de neblina e alta umidade à noite, não resistindo à falta desse estímulo.

A rara e pequena Capanemia gehrtii é pouco conhecida, seu nome é uma botânica
 homenagem ao Dr. Gerth Hatschbach, do Herbário do Museu Botânico Municipal de Curitiba.


XV) Anacheillum faustum - PR-SC e RS.


Anacheillium faustum - ocorre nos planaltos mais frios e florestados com araucárias.

Perfumado e de fácil cultivo, aparece em grandes árvores em galhos altos, mais comum no sudoeste do PR, ocorrendo também no leste. Conhecido no passado como Encyclia e Epidendrum faustum. Epidendrum apresenta a coluna totalmente soldada ao labelo, Encyclia apenas a metade ou menos do comprimento do labelo é soldado, sendo esse fortemente trilobado. Já Anacheillium apresenta o mesmo quadro do gênero anterior, porém com séplalas e petálas muito mais alongadas e com o labelo: não lobulado, algo acanoado e por vezes pontiagudo.


XVI) Barbosella cognauxiana -SP-PR-SC-RS e Argentina.



A antiga B. handroi - ocorre nos planaltos paranaenses, inclusive na sua continuação paraguaio-argentina, tendo grande área de ocorrência.

Estudos recentes concluíram: a Barbosella cognauxiana é, botanicamente, igual às B. handroi e porschii, agora são como consideradas meras variedades portadoras de diferenças florais cabíveis na variação de espécie, passam a ser portanto sinônimos. São facilmente reconhecidas pela sépalas laterais soldadas e alongadas , além do porte vegetativo peculiar. Sempre houve confusão na determinação dessas espécies e agora prevaleceu o nome mais antigo e menos famoso. B. cognauxiana é facilmente identificada pela haste floral finíssima distanciando a flor única do corpo vegetativo da planta, as outras espécies do gênero são bem menores vegetativamente, apresentam hastes florais mais curtas, flores menos alongadas e mais arredondadas, mostrando-se mais discretas. Medra nas regiões mais úmidas e frescas do PR, deste a Serra do Mar e na área onde ocorrem as araucárias no interior do estado. A ocorrência não é abundante e nem contínua , porém a área de dispersão é vasta, ou foi.

Gostam de substrato duro e seco, devem ser amarrardas em placas ou tocos de xaxim grosso, madeiras e cascas duras ou mesmo em volumosos seixos de rio ou outras pedras velhas, apreciam muita umidade continuada e ventilação para secar logo. São de fácil cultivo onde não faz muito calor e assim podem receber mais luz, onde é muito quente a sombra e a maior umidade são necessárias. Adube com torta de mamona transformada em fino pó e espalhada pelas tranças da touceirase, assim procedendo forma-se uma linda planta com rapidez.



XVII) Oncidium divaricatum - ES e MG até o RS e Argentina- Alliance






Oncidiuns do tipo orelha-de-burro.


O. divaricatum

No Paraná, da Serra do Mar até a Argentina, esporadicamente em florestas de cerca 700 m de altitude, encontramos populações de um oncidium do tipo orelha-de-burro, tradicionalmente conhecido por aqui como Oncidium pulvinatum.O nome é devido ao evidente pulvínulo ( pequeno pom-pom piloso por sobre um grande calo ) apresenta no centro do labelo.

O bonito O. divaricatum da Província de Missiones na Argentina -a dispersão é muito vasta.

Oncidium divaricatum tem grande variedade de tons e combinações de manchas de cores marrom-amareladas

Forma clássica e intermediária do antigo O. pulvinatum

Oncidium sphegiferum ES-RJ-SC-RS, apresenta labelo diferenciado com o lóbulo mediano do labelo menor e mais projetado, é mais aparentado com o O. robustissumum de MG.



Estudos mais recentes concluíram: duas tradicionais espécies muito próximas desse tipo de orquídea são na verdade somente variedades regionais.



Os Oncidiuns pulvinatum e divaricatum , eram espécies separadas botanicamente apenas por poucas diferenças no tamanho da projeção dos três lóbulos do labelo e pelo pulvínulo, discreto e com a calosidade um tanto bipartida em divaricatum e muito evidente e sobre uma calosidade inteira em pulvinatum. Como surgiam muitos exemplares intermediários havia muita dificuldade na determinação desses.

O nome popular Orelha-de-burro deriva da forma rígida da folha dessa espécie.

Assim sendo, o nome mais antigo Oncidium divaricatum prevaleceu e a denominação O. pulvinatum passou a ser sinônimo. As quatro principais espécies desse grupo repetem o mesmo quadro das Gomesas, algumas espécies são muito parecidas e por vezes não passam de formas extremas de uma população cheia de variações adaptativas e de indivíduos intermediários em função da grande área de dispersão.




ainda em obras

will be continued.... faltam ainda muitas espécies, devagar se chega ao longe .




7 comentários:

  1. Parabéns pelo blog, e principalmente, pelo motivo desse. A pouco eu não sabia praticamente nada sobre orchidaceae, muito menos que grande parte daqueles matinhos que vivem grudados em arvores são micro orquideas. Hoje ja tenho um conhecimento sbre as principais especieis que ocorrem no Paraná(na sua maioria Oncidiuns, Pleurothallis, Acianthera, Maxilarias, etc), considero que todas são importantes como qualquer outra especie ou genero produz flores maiorese mais vistosas. Certamente que trabalhos de identificação e exclarecimentos como os vistos aqui agregam um valor para quem os lê, contribui para a preservação e dissimina o interesse por essas maravilhosas plantas. sou membro de um Forúm, o qual ja contribuiu muito para noções de cultivo e identificação.

    Vilmar Vieira Da Silva
    Pato Branco, Pr.

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  2. Parabéns pelo blog, adorei essa postagem, já encontrei muitas dessas espécies. Sou estudante de Biologia pela UEPG e estou fazendo um intercambio em Portugal, gosto muito de orquídeas principalmente as nativas, gostaria de saber quais os melhores livros para identificação das orquídeas nativas!!! Mais uma vez parabéns!!!!!!!!

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  3. Sem comentários!!!!!!Belíssimo trabalho De encher os olhos e o coração. Sem contar a música formidável! Parabéns!1

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  4. Pode me ajudar a identificar uma orquidea

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    1. Envie-me fotos da planta e de suas flores, sem saber como são as flores fica bem mais difícil determinar a espécie, também indique a origem geográfica e outros detalhes que possam ser úteis no reconhecimento para o meu email shayva.j@hotmail.com

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  5. Parabéns pela exelente matéria,um belo material de estudos.

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    1. Me escreva se desejar tirar dúvidas ou saber mais...shayva.j@hotmail.com.

      Obrigado pelo estímulo!

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